O poder, o dinheiro e as “brases”

13 de dezembro de 2014 § 15 Comentários

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Artigo para O Estado de S. Paulo de 13/12/2014

A divulgação, pelo juiz Moro, da existência de “uma planilha de controle de 750 obras do governo com informações sobre preços e construtores que o doleiro Youssef descreve como ‘clientes’”, veio dar substância ao que Paulo Roberto Costa dissera quando afirmou que “o que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro”.

É verdade que da desfaçatez à amplitude do saque, tudo no PT se tem mostrado hiperbólico nesse departamento. Mas o fato é que, guardadas as proporções, “o que acontece na Petrobrás” acontece onde quer que andem misturados poder político e poder econômico como mostrou a Economist, em reportagem que, partindo da Petrobras, constatou que quase todas as empresas estatais que restam no mundo são antros de escândalos onde centenas de bilhões têm sido rapinados por políticos inescrupulosos e seus “operadores” privados, especialmente em países sem defesas democráticas como China, Russia, Índia e Brasil.

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Nenhuma surpresa.

As razões para isso são eternas. Poder é capacidade de impor obediência. E sendo assim o poder é tanto mais poder quanto mais exclusivo for. É em função desse incoercível viés hegemônico intrínseco ao significado do conceito que o poder corrompe sempre e corrompe absolutamente quando é absoluto.

A certa altura, para evitar que seguisse apoiado exclusivamente na força, que foi como tudo começou, tentou-se opor-se-lhe um código definindo os limites em que o poder pode ou não ser imposto ao próximo. Mas este foi sempre um arranjo insuficiente posto que quem detem a força armada necessária para impor o Direito é o mesmo ente que detem o poder político, o que abre mil caminhos para a perversão desse aparato.

Só uma força igual e contrária exercendo organicamente pressão constante sobre o sistema pode moderar o poder com alguma eficácia.

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Política e dinheiro, ainda que por vertentes diferentes, são os dois instrumentos que proporcionam poder de impor obediência ao próximo. O poder tem, portanto, uma natureza dual e só se torna absoluto quando as duas acumulam-se nas mesmas mãos. E elas andaram juntas, uma potencializando a outra e as duas a serviço da ambição e do fausto de uns poucos à custa da servidão e da miséria de muitos por tantos milênios que na maior parte do mundo são confundidas como uma só e a mesma coisa.

Onde quer que poder político e poder econômico não tenham sido constrangidos a separar-se e tornar-se independentes um do outro, estabeleceu-se um jogo de cartas marcadas: só tem dinheiro quem tem poder político e só tem poder político quem tem dinheiro. E onde o dono da força armada é o mesmo dono do dinheiro passa a valer qualquer forma de se obter uma coisa e a outra, o que foi, paulatinamente, apagando as fronteiras entre a política e o crime organizado.

A maior conquista da humanidade deu-se no momento em que “Nós, o povo“, rebelado, decidiu definir com precisão o que é uma coisa e o que é a outra, proibir a propriedade cruzada das duas e contrapor uma à outra, tomando o cuidado de condicionar o acesso ao poder político ao expresso consentimento do súdito a ser periodicamente aferido por voto universal e secreto, o que fez dele um “cidadão”, e o acesso ao poder do dinheiro exclusivamente ao esforço individual e ao merecimento, criminalizando sua aquisição por interferência política ou qualquer outra via espúria.

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A história da humanidade não é mais que a história da servidão até esse momento a partir do qual passou a haver não apenas uma esperança de superá-la mas, principalmente, um método prático para conseguí-lo ao menos até certo ponto.

A separação do poder político do poder econômico e a estruturação de um para opor-se ao outro é o fundamento essencial da democracia. Uma coisa não existe sem a outra. Não é uma solução perfeita porque para nada que esteja vivo ha soluções perfeitas, mas é um arranjo melhor que todos os anteriores. É por terem, os dois, o impulso hegemônico na essência de sua natureza que eles são tão eficazes para moderarem-se mutuamente.

Condicionar a aquisição de poder econômico ao esforço individual, sem a mediação do privilégio distribuído pelo detentor do poder político, resolve dois problemas: o de restringir o poder do Estado exclusivamente ao seu sentido positivo, restrito ao território delimitado pelo Direito e periodicamente legitimado pelo cidadão, e liberar a força criativa da sociedade para resolver seus problemas produzindo riqueza, o que é um corolário da liberdade individual que 20 burocratas, por mais iluminados que sejam, não podem substituir por um “planejamento” centralizado.

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Mas cria um terceiro ao aumentar o grau de autonomia do poder econômico. Tendo o mesmo DNA do poder político, também ele precisa ser vigiado por esse novo Estado blindado contra os conflitos e tentações inerentes à participação direta no jogo econômico e fiscalizado por dois outros poderes independentes para ser coibido na sua obsessão pela acumulação e pela exclusão à qual se entregará com a força de sua própria natureza sempre que isto lhe for permitido. Nem mesmo o mérito, portanto, justifica a competição sem limites que deságua nos monopólios, irmãos menores do totalitarismo, porque eles pervertem todo o sistema e invadem o espaço da liberdade individual.

A corrupção brasileira não é, portanto, um bem “cultural” a ser “tombado” como querem todos quantos se acostumaram com a impunidade. É a consequência necessária da insistência na mistura de papéis que milênios de sangue, suor e lágrimas recomendam estritamente separar. A doença que está matando o PT (e o Brasil) é a mesma que corroeu o regime militar e levou à morte o socialismo real. Cabe à oposição em processo de reconciliação consigo mesma retroceder do retrocesso a que nos empurrou o “lulismo” quando reverteu a retirada que o Brasil ia empreendendo do buraco estatizante em que nos tinham metido os militares para que possamos alcançar o mundo civilizado na obra de saneamento básico da moralidade pública que consiste essencialmente em desmisturar o poder político do poder econômico.

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Já é contra a lei exigir justiça

4 de dezembro de 2014 § 16 Comentários

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O ministro Teori Zsavaski, do STF, mandou soltar o “diretor de serviços” da Petrobras, Renato Duque, aquele indicado por José Dirceu que roubava para o PT e cujo gerente, veja bem, ge-ren-te, Pedro Barusco, concordou em devolver US$ 100 milhões (ou R$ 250 milhões, ou seja, ¼ de bilhão de reais) das “porcentagens” do que roubou para terceiros que depositou em contas pessoais no exterior no acordo de delação premiada que fez com a justiça federal do Paraná.

Duque foi preso em 14 de novembro junto com 22 outros executivos e funcionários de empreiteiras investigados na Operação Lava Jato. No dia 18 o juiz Sérgio Moro converteu a prisão dele de temporária (5 dias + 5) em preventiva (sem prazo), afirmando que Duque “detém uma verdadeira fortuna no exterior que mantém oculta em contas secretas, sendo evidente que não pretende se submeter à sanção penal em caso de condenação criminal”, havendo portanto alto “risco de fuga”.

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No dia 20 de novembro o Tribunal Regional Federal de Porto Alegre negou habeas corpus a Duque pelas razões acima. Mas o ministro Zsavaski discorda. Acha que “não ha razão nenhuma para que a prisão seja mantida”, bastando reter o passaporte de Duque, o mecenas dos gerentes, que volta para o aconchego do lar.

Teori Zsavascki compôs, ao lado de Roberto Barroso, a dupla de ministros do Supremo que abriu caminho para anular as condenações de José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino por formação de quadrilha no escândalo do mensalão.

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Em 19 de maio passado ele ordenou que fossem soltos todos os 12 elementos até então presos na Operação Lava Jato e suspensos todos os inquéritos e ações penais até então abertos, sob a alegação de que o juiz Sérgio Moro “estava usurpando competência da suprema corte”. Sua alegação baseava-se no surgimento de ligações telefônicas grampeadas com ordem judicial em que Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef conversavam com os deputados Andre Vargas e Cândido Vaccarezza, do PT, ambos com direito a foro privilegiado, a respeito de outras falcatruas envolvendo o Ministério da Saude quando era comandado pelo candidato Alexandre Padilha, do PT, ao governo de São Paulo.

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A ordem provocou escândalo na opinião pública e o juiz Moro argumentou que tratava-se apenas de “encontro fortuito de provas” e que, por via de qualquer dúvida, já tinha desmembrado o processo reservando as informações e depoimentos envolvendo políticos para o STF e tratando de levar adiante apenas e tão somente as que apontavam para os seus “operadores” e subordinados no esquema criminoso de saque à Petrobras.

O ministro Zsavaski não teve alternativa senão, tres dias depois da ordem de soltura, voltar atras dizendo que tudo não passara de “um malentendido”, e todos foram novamente presos, exceção feita ao próprio Paulo Roberto Costa, cuja delação premiada é o pivô de todo o escândalo do “petrolão”, que passou para prisão domiciliar embora não tenha direito a foro privilegiado, seja só um ladrão comum.

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Por muito pouco, portanto, não ficou firmada jurisprudência do STF de que não são só os políticos com mandato flagrados roubando que têm “direito” a “foro especial” no STF, mas todo e qualquer ladrão que esteja roubando para eles, com eles ou envolvido em diferentes falcatruas desde que pelo menos uma delas envolva um ladrão com mandato.

De lá para cá o ministro Barroso, colega de Teori no STF, negou ordem ao Congresso Nacional para que a CPI da Petrobras tivesse acesso às delações premiadas de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, o que simplesmente esvaziou essa frente de oferecimento de justiça.

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Agora Teori volta à carga e lá se vai o mais alto dos meliantes até aqui alcançados pela lei comum – exceção feita ao tesoureiro Nacional do PT João Vaccari Neto que nenhum jurista sabe dizer porque continua solto. E é ele, junto com Barroso e mais sete ministros nomeados pelo PT (o substituto de Joaquim Barbosa está para ser indicado por Dilma) num total de 11 ministros do Supremo que vai decidir se, como, quando e de que maneira serão investigados e processados os mandantes da Operação Lava Jato com direito a “foro especial“, ou seja, os “pelo menos 70 deputados e senadores” cujos nomes já foram apontados pelos delatores.

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O dramático nisso tudo é que, dado o sistema de nomeação de ministros do STF e as garantias de que eles desfrutam, o país fica constrangido a noticiar e discutir fatos da limpidez de significado destes como se tudo não passasse de uma questão técnica: quem tem e quem não tem “direito” a “foro especial” e como se fatia uma investigação e um processo sobre uma quadrilha onde ha quem tenha e quem não tenha foro privilegiado, segundo os múltiplos aleijões institucionais sujeitos aos quais está o Brasil, para que justiça possa ser feita.

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Pode-se, até segunda ordem, noticiar cada passo desse roteiro, mas já não se pode discutir o seu significado no contexto do processo que corre ha 12 anos para fazer do Judiciário brasileiro isto em que se está transformando sem que quem ousar fazê-lo corra sério risco de incorrer nas penas da lei. E isso explica esse estranho ambiente surrealista em que todos os jornalistas, especialmente nas televisões, se obrigam a se mostrar impassíveis diante de toda e qualquer monstruosidade institucional com que se deparem.

O Brasil já ultrapassou o estágio de subversão das instituições a partir do qual passa a ser contra a lei exigir justiça.

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Mantenha-se o foco nos chefes!

20 de novembro de 2014 § 6 Comentários

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O que é que são, afinal de contas, essas empreiteiras: “corruptores” ou “extorquidos”?

As duas coisas, pois o uso do cachimbo entorta rapidamente a boca, sobretudo quando não ha limites para os bilhões em jogo. Isso começa lá pra trás com uma extorção na qual está embutido um convite para mandar a conta para o povo, e logo, ante a garantia de carona na impunidade do corruptor original, o “extorquido” muda de lado e passa a adorar a brincadeira.

Mas o fato que não se pode esquecer nunca é que sem o político lá de cima, onde tudo isso se inicia, essa ciranda não poderia nem começar.

Os agentes diretos da roubalheira como o “operador” plantado dentro da estatal, o dono da empreiteira, o doleiro e etc., são todos elementos assessórios. Meros agentes assalariados dos verdadeiros ladrões sem o aval e o impulso dos quais nenhum deles teria poder, nem para chegar à posição em que o dinheiro público é posto ao alcance das suas mãos, nem muito menos para manter escancaradas as portas dos cofres para que eles as metam lá dentro e sirvam-se à vontade por anos e anos a fio.

Por maior que seja a migalha que cada um morde – e neste caso há reles gerentes mordendo R$ 250 milhões e mais! – ela é sempre uma migalha em proporção ao que devora o glutão que os patrocina a todos e, até agora, se tem mantido fora do alcance da lei.

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José Cosenza, o substituto de Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobras, também foi subornado? Agora negam depois de tê-lo afirmado. Mas que a regra é essa, é essa. Seria só a continuação do troca-troca dos ministérios “faxinados” da Mentira Dilma: um achincalhe à inteligência do brasileiro informado e um acinte à condição do brasileiro miserável. Ladrões têm sido sistematicamente trocados por ladrões sempre segundo o loteamento previamente acertado pelo cappo di tutti i cappi e os cappi de cada sócio do Superclube da Governabilidade do qual o Clube das Empreiteiras é só uma filial mais pobre, o que constitui prova do que todo mundo já sabe: que os verdadeiros ladravazes e seus privilegiados comensais não são os que estão operando diretamente o roubo a cada momento dado mas sim os chefes que os colocam lá e, mais que todos, o chefe desses chefes que é o único em posição de determinar que máfia fica com qual território privativo de saque e de manter esses acertos em vigor mesmo diante das baixas infligidas por flagrantes delitos ao longo do caminho.

No entanto, só esses agentes diretos do terceiro escalão para baixo são punidos, quando alguém chega a ser punido. Foi essa a grande novidade do caso do Mensalão que pôs a militância petista em pé de guerra, ferida em sua inimputabilidade adquirida, e que, hoje sabemos, movimentou “dinheiro de pinga” perto do “Arrastão na Petrobras”.  José Dirceu, o segundo da fila na cadeia de responsabilidades por aquele, só tem mais 7 anos e 11 meses de “prisão” para cumprir … em casa; Marcos Valério, o Alberto Youssef/Paulo Roberto Costa de então, ainda tem 37 anos e cinco meses para “puxar” numa cela de presídio.

Este é o padrão.

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Ontem a oposição comemorou uma grande vitória na CPI Mista do Congresso: a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de João Vaccari Neto, Tesoureiro Nacional do PT e o mais alto “operador” do “Arrastão da Petrobras“. É pouco mais que uma vitória moral posto que não haverá tempo para ir muito mais longe nesta legislatura, mesmo com a promessa de covocar uma nova CPI na próxima, o que será mais uma longa batalha com as festas de fim de ano e a nomeação de 39 “ministros”  pelo meio do caminho para esfriar os ânimos.

João Vaccari Neto é um arquétipo do PT Que Sobrou. Sua carreira começa aos 19 anos, como escriturário do Banespa mas dois anos depois ele já está dentro do sindicato da categoria onde passa a vida a fazer a escola do “agarre-se a qualquer custo ao seu imposto sindical” a que Getúlio Vargas condenou o Brasil. Participou de tres diretorias da CUT, presidiu o Dieese, foi desde cedo o “braço direito” de Luis Berzoini, a quem sucedeu na chefia do Sindicato dos Bancários de São Paulo em 1998.

Em 2010, após anos de investigações, o Ministério Publico de São Paulo quebra o sigilo da Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo que, atraindo os mais pobres da categoria com a promessa de financiar-lhes apartamentos 40% mais baratos que os preços de mercado, lesa milhares deles, levando-os à ruina. Os apartamentos nunca foram construídos e, ao fim de anos de prestações, os bancários passaram a ser cobrados por novas mensalidades não previstas nos contratos, sob pena de perder as que ja tinham pago. E mesmo assim os tais “apartamentos” nunca saíram do chão.

O que as transações bancárias da Bancoop abertas pelo MP paulista revelaram foi que entre 2001 e 2008 dezenas de milhões de reais de gente em tudo semelhante àquela a quem Dilma dirigiu seu canto de sereia nesta eleição foram desviados pelos diretores da Bancoop, Vaccari Neto no comando, para irrigar as campanhas do PT – inculsive a presidencial de Lula em 2002 – e enriquecer “ONGs” pertencentes a petistas, as de Vaccari Neto entre elas.

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Nas investigações do Mensalão lá está ele de novo, fazendo a ponte entre o Caixa 2 do PT e os fundos de pensões das estatais. Em outubro de 2010 Vaccari Neto torna-se réu por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no processo da Bancoop que corre até hoje no STF. Em agosto de 2011 o STJ manda quebrar pela primeira vez o seu sigilo bancário. Em março de 2012, por unanimidade, a 10º Camara de Direito Privado do TJ-SP, citando Vaccari Neto e Berzonini nominalmente, decreta a desconsideração da personalidade jurídica da Bancoop, o que abre caminho para cobrar do PT o ressarcimento pelos prejuizos às mais de 400 famílias de bancários que ainda processam a entidade. Em fevereiro de 2013, após dois anos de tentativas inuteis de intimá-lo pessoalmente, a Justiça de São Paulo manda citar Vaccari Neto por edital e à revelia, ao que responde com escárnio o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB e seu defensor.

No meio do caminho (2006) Vaccari Neto aparece entre os protagonistas do escândalo do dossiê falso montado contra José Serra pelos agentes da campanha de Aloisio Mercadante para o governo de São Paulo, junto com Berzoini e o guarda-costas pessoal de Lula, Freud “Aloprado” Godoy.

E o que faz, diante de tudo isso, o insigne presidente de honra do PT e ex-presidente da República que agora aconselha Dilma sobre como acalmar o Brasil e lidar com o escândalo da Petrobras?

Indica-o pessoalmente não só para tomar conta das contas nacionais do PT como, também, do caixa das duas campanhas presidenciais de Dilma “Faxineira” Rousseff…

O Brasil está, por enquanto, de queixo caído com as revelações diárias sobre as peripécias dos agentes do terceiro e quarto escalões do “Arrastão da Petrobras“. Mas nenhuma palavra foi dita ainda sobre os que os puseram em posição de roubar e mantiveram escancaradas as portas dos cofres para que se servissem dos valores cujos números ate agora divulgados não passam de comissões sobre o que realmente foi surrupiado.

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O que estamos assistindo, portanto, é a mais um embate entre o Brasil que ainda tem jeito e aquele que está decidido a exterminá-lo. O juiz Sérgio Moro, os agentes do Ministério Público e da Polícia Federal que apoiam essa investigação e até Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef com seu reiterado cuidado em deixar claro sempre que surge uma opostunidade que toda estatal é uma Petrobras e que em todas elas, ainda que carreira pese alguma coisa, é norma institucionalizada que ninguém se aproxima de portas de cofres sem a devida “indicação política” dos diretores do Superclube da Governabilidade que é feita por todos os motivos menos o de fechar essas portas, sabem que este é um duelo de que só um dos lados sairá vivo.

Do outro lado está a gente que não se peja de nomear réus e condenados para deitar e rolar sobre os mais grossos dinheiros públicos, secundada por magistrados do calibre destes do Supremo Tribunal Federal que, na mesma tarde em que a CPI Mista conseguia quebrar pela segunda vez os sigilos bancário, fiscal e telefônico de João Vaccari Neto, reiterava a proibição do acesso dos representantes eleitos de todos os brasileiros à integra do depoimento dos réus que fizeram acordos de delação premiada na investigação do “Arrastão da Petrobras“.

Mau presságio!

O país anda à beira de um ataque de nervos e só o que poderá restabelecer a paz é uma vitória da Justiça sem aspas. Se ela for mais uma vez derrotada, todos estarão livres para fazer a sua própria e então nada nos salvará de uma conflagração aberta.

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Dilma vive a “síndrome de Robespierre”

17 de novembro de 2014 § 16 Comentários

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Pedro Barusco, assessor de Renato Duque que é preposto de Zé Dirceu, o ex-braço direito de Lula, entrou na delação premiada e vai devolver à Petrobras US$ 97 milhões (R$ 252 milhões) encontrados em uma de suas contas no exterior. Renato Duque, chefe de Barusco, foi o titular da Diretoria de Serviços da Petrobras e é tido como o “operador do PT” no saque organizado à maior empresa do Brasil.  Se o quarto da fila, seu assessor, tem isso numa conta pode-se imaginar até que profundidade alcança esse iceberg.

Continuam foragidos Adarico Negromonte Filho, o irmão de Mário, ex-ministro das Cidades da “faxineira” Dilma, que transportava dinheiro em malas para o doleiro Youssef lavar e operava a cota do PP de Paulo Salim Maluf, cabo eleitoral, com Lula, do atual prefeito Fernando Haddad de São Paulo, no “Clube” dos assaltantes da Petrobras, como era chamado pelos diretores das 9 empreiteiras que faziam parte desse seleto grupo, assim como Fernando Soares “Baiano”, tido como o “operador” do PMDB. Do PMDB latu sensu, isto é, porque os figurões mais graudos desse partido, como Renan Calheiros por exemplo, mantinham operadores e diretorias inteiras só para sí, como era o caso de Sergio Machado e da Transpetro onde movimentavam-se valores tão importantes que a Pricewaterhouse declarou ao mercado que não podia auditar o balanço da empresa enquanto Machado permanecesse lá dentro.

a7Duque

Dezessete diretores das maiores empreiteiras do Brasil já estão presos e ha ainda 6 sendo procurados pela polícia, mas a “fase política” da Operação Lava Jato ainda nem começou. E nem bem passaram três dias dormindo no chão de uma cela de um presídio de Curitiba e vários desses diretores, um dos quais foi ao Paraná em seu proprio jatinho para entregar-se à polícia, já pediram o benefício da delação premiada.

Eram todos “intocáveis“…

Nesse meio tempo, além da Price, dois governos estrangeiros com legislações anticorrupção com alcance internacional – o dos Estados Unidos e o da Holanda – já identificaram positivamente casos de aceitação de suborno de companhias nacionais suas por funcionários da estatal brasileira de cuja diretoria geral Dilma Rousseff resiste a remover Graça Foster, aquela cujo marido detém 42 contratos só dele com a Petrobras.

Brasília treme; Brasília não dorme…

a00Barusco

Como “trailer” do que vem vindo por aí na “fase política” prestes a ser revelada, já se sabe que 8 das 9 empreiteiras até agora acusadas ajudaram a eleger 259 dos 513 deputados federais eleitos no mês passado, aos quais foram distribuídos R$ 71 milhões em doações de campanha, “provavelmente como mais uma forma de lavar o dinheiro” por elas desviado com corrupção e superfaturamento de contratos com a Petrobras e sua cadeia de fornecedores e prestadores de serviços, segundo os investigadores da Lava Jato.

Outros 70 políticos, pelo menos, informa-se no Ministério Público e no tribunal de Curitiba que centraliza as investigações, “estão envolvidos diretamente” em atos de corrupção ligados à operação. E os chefões das empreiteiras ainda nem começaram a falar…

Desse nível parlamentar e executivo para baixo a rede de agentes do vasto aparato montado para eleger e reeleger o PT e seus associados diretamente sustentados por pagamentos regulares do caixa geral da corrupção na Petrobras, o doleiro Alberto Youssef, segundo as provas recolhidas pela Polícia Federal até o momento, inclui do varejo de “blogueiros” individuais até prestações mensais pagas a um laranja que se apresenta como proprietário e diretor de um “jornal” inteiro, com staff e redação completos, o “Brasil 247″ publicado na internet.

a8Sergio Machado

E para completar, o “Eletrolão” promete estrear logo numa delegacia da Polícia Federal perto de você.

Para a Petrobras o custo dessa mega operação iniciada com a infiltração do engenheiro Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da companhia em 2004, no início do governo Lula quando Dilma Rousseff era presidente do Conselho de Administração da estatal, chega a um volume tal que, 10 anos depois, a companhia está virtualmente paralizada.

Sem seu balanço auditado ela não pode, nem distribuir dividendos a seus acionistas, nem fazer novas captações no mercado de capitais. Os gestores dos grandes fundos internacionais, por exemplo, não têm mandato para por dinheiro em companhias que não tenham passado por auditorias internacionais. A Petrobras assumiu, porém, compromissos de investimentos de US$ 206,8 bilhões (R$ 535,6 bilhões) no período 2014-2018 e já ultrapassou todos os limites aceitáveis de endividamento, o que a deixa totalmente dependente desse mercado ao qual está, entretanto, com o acesso vedado até segunda ordem.

a12Renan 

A companhia tinha em caixa R$ 66,4 bilhões em junho, valor suficiente para cobrir os R$ 23 bilhões em dividas vencendo até meados de 2015 e para sustentar dois trimestres de investimentos. Para manter o ritmo atual a empresa precisará de US$ 20 bi (R$ 52 bi) por ano em investimentos. Este ano conseguiu apenas US$ 13,6 (R$ 35,3 bi) antes que o mercado fechasse as portas para ela.

Com tudo isso a perspectiva de uma desclassificação do rating para baixo do “grau de investimento” determinada pela proporção entre endividamento em alta e Ebitda em queda, que obrigaria os fundos que ainda matêm ações da companhia a colocá-las à venda, torna-se uma ameaça mais que palpável.

Tão palpável, aliás, que o Tesouro Nacional foi contaminado pelo descrédito geral e só está conseguindo captar dinheiro pagando por antecipação, desde já, os juros que só deveria pagar depois de uma desclassificação do rating do Brasil. O papel de prazo mais longo que ele emite, que no mes passado pagava 5,3% de juros, este mes não encontrou colocação por menos de 6,35%.

a9O Negromonte ministro

Some-se a isso a virtual impossibilidade de se cortar consistentemente o gasto público num país onde tudo que está sob o vasto chapéu do Estado é intocável e, pior que isso, as repetidas afirmações da presidente reeleita e dos assessores que se mantiveram em seus cargos nesta transição de que tudo na economia brasileira vai às mil maravilhas e não ha nada que seja necessário fazer senão mudar o nome oficial do deficit para superavit primário e a conclusão será de que a situação da ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras e ex-ministra-chefe da Casa Civil no período em que a empresa foi tomada de assalto por essa máfia está se tornando tão insustentável que até o PT que sobrou começa a virar-lhe o rosto.

Num panorama como esse a repetição mecânica do mote de campanha de Dilma sobre a implacável “eficiência” e disposição da “sua polícia” de levar às últimas consequências uma investigação da qual ela é figura indesligavel até por obrigação legal como decorrência da descrição das funções e responsabilidades inerentes aos cargos que ocupou nos tres diferentes momentos de sua carreira ao longo do processo de tomada de assalto da Petrobras, soa cada vez mais como um mantra suicida.

Se tudo se passar como ela afirma que quer que se passe, quando a lâmina cair é a cabeça dela que vai rolar.

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Não se iludam: este é o duelo final

13 de outubro de 2014 § 35 Comentários

a4É assustador esse abraço sem nenhum pudor do PT na mentira.

Dia após dia os jornais trazem novas coleções de dados e de desmentidos que confirmam a profundidade do buraco em que o país vai entrando mas nada abala a cega confiança do partido de Dilma Rousseff, seja na impermeabilidade dos grotões que vivem da Bolsa Família à informação que circula nas velocidades do 3º Milênio pelo Brasil metropolitano, seja na condição que acredita ter de calar esse Brasil mais moderno de que o PT se vai divorciando cada vez mais irreconciliavelmente com esse seu casamento acintoso com a mentira.

Quanto mais avança a campanha mais claro fica que o PT, encurralado, está assumindo um risco calculado do qual não ha retorno possível: ou perde a eleição, ou ganha e fecha o regime quando os fatos já não puderem mais ser encobertos por palavras.

Ver João Santana repetir friamente todos os dias pela boca de uma Dilma Rousseff despida dos seus atributos e características pessoais, com um olhar cândido, que a chuva de lama da Petrobrás sobre o PT, o PMDB, o tesoureiro Vaccari Neto e o resto do círculo íntimo do governo da ex-presidente do Conselho de Administração da estatal assaltada pelos “petrolões” não é senão o reflexo “da luta sem tréguas que o PT vem travando contra a corrupção” é algo que, por mais que se procure forçar outras leituras, só pode ser interpretado como antecipações das violências futuras que se tornarão necessárias quando as provas adiantadas pelas delações premiadas virarem processos e os fatos que os indicadores econômicos antecipam, já descidos inteiros às ruas, passarem a exigir do partido que mate mais do que apenas a verdade para não ser apeado do poder.

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A desmontagem do IBGE e a desconstrução da PNAD, termômetros do real estado da equação social brasileira e bússolas de orientação do investimento público, junto com a falsificação sistemática dos dados (hoje ha matérias em todos os jornais apontando as despesas subestimadas e as receitas irreais do orçamento de 2015), nos dizem das reais prioridades do partido que tem plena consciência do quanto são curtas as pernas dessas mentiras todas. Afinal, de que servem instrumentos criados para interrogar a realidade e proporcionar um balizamento racional do investimento público para um partido que não se vexa de construir a sua em pleno ar, à revelia dos fatos, e que afirma quase textualmente todos os dias que toda a ação do Estado, sob sua batuta, está voltada exclusivamente para comprar os meios de perpetuar o PT no poder?

Os passos anteriores nessa estrada são ainda mais inconfundíveis.

A promessa sempre reiterada de “controlar a mídia” deixou para traz o estágio dos “balões de ensaio” e dos “morde-e-assopras” de um partido supostamente “dividido” a esse respeito para entrar no programa oficial do PT para o segundo governo Dilma travestido num “controle econômico” que sinaliza que é do modelo argentino que se trata agora: pretendem “fatiar” as maiores empresas como foi feito com o grupo Clarín e, possivelmente, controlar o resto da imprensa livre apropriando-se da cadeia de insumos básicos (papel e telecomunicações) e exercendo chantagem regulatória e fiscal (multas e taxação da mercadoria “informação”).

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O Congresso Nacional que, desde o Mensalão, é este que, com os pouquíssimos desvios da regra de praxe, vai de Michael Temer, o possível vice-presidente de 5 bilhões de reais, a André Vargas, o sócio condenado ha décadas por falcatruas pregressas com o doleiro Alberto Youssef que dá punhadas no ar, como as de Genoíno e Zé Dirceu, na cara do degredado Joaquim Barbosa, mas resiste à renuncia enquanto os companheiros cozinham-lhe um novo julgamento.

Para o que porventura venha a sobrar em pé dessa instituição, já está vigente – conquanto ainda não aplicado – o Decreto 8243 assinado por Dilma Rousseff que dá aos “movimentos sociais” a serem escolhidos, nomeadamente segundo o decreto pelo Secretário Geral da Presidência, a prerrogativa de fazer leis ou de triar as leis feitas pelo Legislativo vetando as que estiverem fora do novo padrão de “direitos humanos” estabelecido pelo partido.

Por cima de tudo, Dilma acaba de incluir formalmente nas suas promessas de campanha também um “plebiscito” sobre as suas “reformas políticas”, uma forma, talvez, de legitimar um decreto nitidamente inconstitucional.

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A frente dos previsíveis recursos judiciais contra essas violências todas já está devidamente coberta pelo aparelhamento do Supremo Tribunal Federal que coroou os movimentos anteriores de domesticação das entidades de defesa da cidadania e dos direitos humanos tais como a OAB, hoje transformada em mais uma UNE, agora a dos advogados, que recebe mesada do governo.

Acentua o desconforto com essa sucesssão de “avisos prévios” a hesitação da campanha de Aécio em afirmar claramente – como afinal fez Marina Silva ao dizer que é de garantir ou não a alternância no poder que caracteriza a democracia que se trata – que é isso, nada mais, nada menos, que está em disputa nesta eleição.

A maioria democrática do eleitorado brasileiro, com o povo de São Paulo na vanguarda da corrida que, nos últimos dias da campanha, virou a eleição a favor de Aécio e Marina, compreendeu isso antes e mais completamente que os próprios marqueteiros do candidato.

O PT já entendeu que este duelo é final e abriu mão da metade do Brasil na esperança de levar a outra + 1 a dar-lhe a condição, se salvo pelas urnas, de mudar suficientemente a regra do jogo para calar a outra. Está na hora da campanha de Aécio comprar essa briga nos termos em que ela lhe foi proposta para que ninguém, lá na frente, possa alegar que votou desavisado do que realmente estava em jogo.

a3

Dilma e a desgraça da Graça

11 de agosto de 2014 § 5 Comentários

a1Êpa!

Agora que a chuvarada virou direto pra cima da amiga Graça Foster, dona Dilma se abespinhou: “Isso é tudo factóide político (…) tem que ter sentido de Estado, de nação e de país (…) não se deve misturar a maior empresa de petróleo do país com a eleição”.

Paulo Roberto Costa diz que é o contrário; que se o abandonarem à chuva e ele contar tudo que sabe “não vai ter eleição”…

Tá difícil, mesmo, fazer as pessoas descrerem do que têm visto.

Primeiro porque não tem político nenhum nessa história, a produzir “factóides“, a não ser aqueles com quem o ex “diretor de Abastecimento” (nunca houve título que viesse tanto a calhar) da Petrobras que a Justiça insistiu em manter recolhido a uma penitenciária mesmo depois do último ministro nomeado por Dilma para o STF ter conseguido libertá-lo uma vez, mais o companheiro Alberto Youssef, “doleiro” de profissão, transacionavam “malas e malas de dinheiro” segundo afirmações da contadora deste último, Meire Bonfim Poza à revista Veja deste fim-de-semana. E estes eram os “políticos” do costume: figuras graduadas do PT, do PMDB, do PP e etc. donos de caudalosas folhas corridas na crônica policial brasiliense tais como Luis Argolo, o inefável Andre Vargas que desafiava Joaquim Barbosa em plenário, Candido Vaccarezza, o menino dos recados amorosos, Fernando Collor de Mello e suas duas Ferraris, variados réus do “mensalão“, et sucia

a6Queridas!

Nessa “virada” da chuva ácida pra cima da amiga Graça Foster o que parece ter havido foi só uma armadilha do destino mesmo.

Embora o ex-presidente Lula e o Advogado Geral da União, Luis Ignácio Adams, antevendo o calibre do que vinha vindo lá dos intestinos da “maior empresa do Brasil”, tivessem tentado barrar a investigação fazendo embaixadas públicas junto ao TCU, não deu para freá-la. Mas ficou combinado aquele esquema de sempre: fogo nos peixes menores; nos chefões, não.

O resultado foi que o TCU bloqueou os bens de todos os diretores envolvidos com a compra de Pasadena, incluindo na lista Ildo Sauer, um velho e competente tecnocrata que tem história que chegue no estudo das questões envolvendo energia no Brasil. A amiga Graça Foster foi poupada e dona Dilma deu-se por satisfeita. Mas logo descobriu-se que ela não foi incluída na lista “por uma falha na relação de diretores do ano de 2008 fornecida pela Petrobras”.

a7O nome certo no cargo errado

Acontece que Ildo Sauer já não estava na diretoria que lhe era atribuida em 2008 naquela listagem. Graça Foster era a verdadeira ocupante do cargo! E por isso o TCU foi obrigado a rever não a decisão de bloquear contas que tinha sido acatada por todos, mas a quem, de fato, ela se aplicava.

O mais chato é que ninguém tinha levantado um dedo por Ildo, o único da lista dos bloqueados totalmente insuspeito de estar onde estava por indicação política. mas se Ildo fora bloqueado por engano, Graça deveria ser bloqueada por acerto. E se bloqueada fosse, completava o ministro Jose Jorge, do TCU, não poderia continuar sendo a presidente da Petrobras.

Imediatamente o que antes tinha sido aceito como fato já tragado e digerido por dona Dilma, passou a ser “factóide”.

E tome decreto, como é do gosto de madame: “Para o governo Graça Foster não cometeu nenhuma irregularidade e não ha contra ela nenhum processo” (dane-se o ministro Jose Jorge), não passando de “apelação política” também a volta ao palco dos 45 contratos, 20 dos quais sem concorrência, assinados entre a Petrobras sob a direção de Graça Foster e a empresa do seu amantíssimo esposo, Colin Foster, único proprietário da Colin Foster Serviços e Equipamentos que vive exclusivamente dos que presta e aluga à empresa presidida por sua cônjuge.

a12Colin

Dona Dilma, que semanas antes fora dispensada de qualquer responsabilidade pela compra de Pasadena embora fosse a presidente do Conselho de Administração da Petrobras, a única entidade com poder para aprovar essa mesma compra na época em que ela ocorreu, contiua cega e surda a todos os fatos, mas deixou de ser muda assim que os fatos passaram a falar por si mesmos. Para negá-los: “Acho um absurdo colocar as diretorias da Petrobras submetidas a esse tipo de procedimento“.

Os fatos antes aceitos por Dilma transformam-se em “factóides”, acrescente-se, uma semana depois de ter vindo à luz o vídeo gravado por um dos participantes de uma reunião na sala de reuniões privativa de dona Graça Foster entre advogados dos réus, assessores da Presidência da República e senadores do PT titulares da CPI da Petrobras em que perguntas e respostas a serem apresentadas aos “investigados” pela compra de Pasadena foram passadas aos próprios para serem decoradas e recitadas diante das Câmeras da TV Senado, que estrela a dita CPI. O filme – que filme é e portanto incontestável – fez daquilo que foi tramado como uma farsa uma fratura exposta.

É mais um “factóide” de que não participa um único membro da oposição ou qualquer pessoa de fora da lista dos amigos e assessores da maior confiança e intimidade de Dilma Rousseff, de Graça Foster e do PT.

a8Intimidades

Tudo isso derrama-se, finalmente, por cima do fato “infactoidável” da Petrobras, “a maior empresa de petróleo do país” que incidentalmente teve seu valor de mercado dividido por dois e seu endividamento multiplicado por quatro durante a Era PT, manter nada menos que 1.832 contas bancárias da empresa (!!!!) em nome do encarcerado “diretor de Abastacimento”, Paulo Roberto Costa, sócio de Alberto Youssef, o “doleiro”, dando voltas pelos mais mal afamados paraísos fiscais e lavanderias internacionais de dinheiro sujo – da Suiça ao Panamá – 90% das quais (exatas 1.726) partindo do Banco do Brasil, segundo investigação do Banco Central do PT, aquele que sabe ate a hora em que vai ao banheiro todo brasileiro que emite uma vez na vida qualquer cheque maior que R$ 5 mil, e tem poderes para bloquear, via internet, qualquer conta de quem não tenha costas quentes e que exibam sem maiores pudores “sinais evidentes de riqueza” não justificada ou até menos que isso.

E, no entanto, enquanto essa dinheirama circulava pra lá e pra cá debaixo dos olhos de lince dos supercomputadores da Receita Federal, Paulo Roberto e sua mulher Marici, que são desse tipo muito consciente de que a vida é uma só, iam comprando para consumo próprio carros de R$ 200 mil, mansões em Petrópolis, barcos de milhão, praias em Mangaratiba (R$ 3,2 mi), e guardando “trocos” em casa, para o gasto, como o milhão e duzentos mil dolares e euros que a polícia apreendeu no apartamento em que ele foi preso.

a14O doleiro Youssef (já solto)

Mesmo assim, até hoje – pasme-se – várias dessas contas continuam em nome de Paulo Roberto Costa que foi preso destruindo provas no dia 20 de março passado, tres dias depois da Policia Federal ter posto em marcha a Operação Lava Jato que investiga movimentações ilegais de mais de R$ 10 bilhões entre este senhor, Alberto Youssef, réus do Mensalão e outras figuras de escol da República petista, embora ele continue encarcerado e esteja há dois anos fora do cargo que teve na Petrobras!

É esta a gente em cuja defesa se levanta indignada a presidente da Republica dita “faxineira”, bradando em nome da preservação “do Estado, da Nação e do país”.

Se ha algum “factóide político” nessa mixórdia toda, portanto, ele vem dos intestinos do próprio PT e, segundo as provas até agora tornadas publicas, do próprio Palácio do Planalto, aquele de cujos computadores saem também os falsos perfis acrescentados à Wikipédia para denegrir jornalistas que incomodam.

a10Todos

Volta Lula?! Mas ele nunca saiu!

29 de abril de 2014 § 8 Comentários

CHUVA/PALACIO DO PLANALTO

Tudo que tem de ruim neste governo do PT emana diretamente dele. E a maior parte do que teve de bom rolou à sua revelia: era o “efeito China/commodities” que punha mais água na banheira do que já estava saindo pelo ralo.

Até no Brasil ilustrado ouço gente achando que com ele melhora. Melhora nada!

O “poste”, quando piora as coisas, piora porque é menos desonesta que ele. Porque mente pior, tem menos cara de pau e, por cima disso tudo, é pesporrenta, mistura de coisas que num governo que vive de enganação é das piores possíveis.

Ela não faz nada certo mas a podridão mesmo quem plantou foi ele. O gabarito que faz com que cada fio que se puxe acabe sempre nos cupins que roem a Petrobras, nos “Pad” e nos André Vargas da vida; nessa horda que recheia os dutos do doleiro Youssef para os paraísos fiscais e que, quando flagrada na bandalheira, roubando saude de pobre, engrossa a voz, ameaça a imprensa, dá socos no ar, desafia o Poder Judiciário e sai reclamando que isso ainda dê cadeia neste país; esse gabarito foi ele que deu e é ele que o reaperta cada vez que as coisas ameaçam deslassar; cada vez que alguém ameaça desviar a rota.

Cerimônia de inauguração do navio Dragão do Mar do Estaleiro Atlântico Sul, no Porto de Suape

Que é ele quem comanda esse baile não tem dúvida nenhuma. Mas não é dessa última fase que estou falando.

O Lula vem nos arrebentando desde o tempo dos generais.

Olhem o que está acontecendo com a indústria nacional. O Valor de hoje reporta o massacre da competitividade brasileira medido por um estudo do Boston Consulting Group envolvendo os 25 maiores exportadores do mundo, responsáveis por perto de 90% do comércio mundial nos últimos 10 anos. O Brasil foi quem mais andou pra traz. Em 2004 produzir aqui era 3% mais barato que nos Estados Unidos e já era pouco demais. Hoje é 23% mais caro!

Os salários mais que dobraram nessa década. Mas o câmbio valorizou 20%, o custo da eletricidade industrial aumentou 90%, o do gas natural 60%.

E a produtividade? 3% em 10 anos contra 27% nos Estados Unidos.

Resultado: a industria nacional, a base concreta sobre a qual se assenta o processo de criação de riquezas de qualquer economia, acabou. E a pá de cal é essa brilhante “estratégia” de só vender pra bolivariano caloteiro com financiamento do BNDES.

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras. Costa é suspeito de envolvimento com integrantes de uma quadrilha de lavagem de dinheiro. Pelas informações da polícia, ele foi p

O mergulho da produtividade brasileira é metade falta de escola, metade aumento arbitrário de salário pra comprar eleições. O resto é tempero. E o que é que o PT faz a respeito?

Quando ameaça estourar; quando os páteos das montadoras ficam abarrotados e as demissões ameaçam começar lá vem mais um pacotezinho de “incentivo” ao consumo de automóveis, eletrodomésticos e “casas próprias”  à custa de redução temporária de impostos (aumento de dívida pública), subsídio à gasolina e financiamento dos bancos oficiais ao consumo. Tudo cheque nominal e com exigência de recibo de quem concede pra quem recebe, olho no olho.

Assim que alivia retoma-se o buraco um pouco mais de baixo a cada vez.

Pois esse quadro é um classico “Lula”. Um “Lula vintage”. Foi exatamente assim que ele se fez na vida: negociando com os militares sinal verde pras multinacionais reduzirem a qualidade das carroças que nos vendiam, cobrar preço de Rolls Royce por elas e o Brasil fechar os portos à importação pra ele manter os metalúrgicos fora das ruas bem gordinhos, jogando seu dominó, enquanto a inflação, que começava sempre exatamente aí, ferrava a multidão dos trabalhadores brasileiros sem voz.

CERVERO/CAMARA

Continua igualzinho só que com os tempêros de hoje.

Aumenta-se a massa salarial por decreto. Pior, descola-se o salário até do ato de trabalhar. 70 milhões de cheques todo mês. Cria-se uma competição desleal pela mão de obra entre o ócio e a produção. Exporta-se grãos, minérios e a industrialização dessas matérias primas para a China e infla-se o setor de serviços com esse “excedente salarial” feito de nada. E a roda gira em cima dos ossos da indústria. Salário de um lado imposto do outro.

No limite, pacotes de socorro pras industrias grandes o suficiente pra render manchetes quando demitem, que são as multinacionais de sempre. Aqui ninguém consegue crescer desse tanto a não ser os “barões do BNDES” e os tubarões das obras públicas. Pra esses nunca tem crise.

Mas tratar de fazer o Brasil ganhar competitividade pra valer – políticas de educação, enxugamento do gasto e aumento do investimento público, reforma tributária – melhorar o meio ambiente para criar riquezas aqui dentro não é com eles. Nem uma única medida que não fosse a mais rasteira tapeação em 12 anos.

Você nunca ouviu ninguém no PT falar em queda da produtividade do trabalho. O Ministério do Trabalho, alias, é o que abre a lista dos ministérios fajutos que estão aí só pra serem atirados à alcatéia dos vendedores de governabilidade.

BRASILIA/NEVOEIRO

O ministro do Trabalho é esse preposto do Lupi, aquele pego no pulo roubando os trabalhadores com o “pé-de-cabra” de nada menos que 26 ONGs de fachada e que ameaçava puxar o revolver e resistir à tiros pra que não lhe tirassem o osso. Lembranças dos tempos de “eleições” sindicais “por aclamação” que é o modelo que o Plano Nacional de Direitos Humanos do PT quer implantar em escala nacional. Essas sempre foram decididas na bala e velhos hábitos demoram para morrer…

Nunca nenhum deles falou em preparar melhor a mão de obra brasileira; pleiteou o que é necessário pra ensina-los a pescar em vez de seguir dando-lhes peixe de boca em boca. Ao contrário. A única vez em que esse regra três do Lupi de que ninguém sabe nem o nome saiu do seu gabinete foi agora, para vir a SP apoiar o despejo de refugiados do Haiti pelo governo do Acre aqui. Estamos importando mais desqualificação mas os impostos continuam subindo. Batendo recordes: R$ 86,6 bi em um mês; R$ 293,4 bi, ⅓ de trilhão, em um trimestre. É 2,1% a mais que no ano passado por cima dos 6,5% de inflação e do pibinho do Mantega.

É isso que o Lula sabe fazer. É isso que o Lula sempre fez. Comprar eleições queimando os músculos da Nação.

Fazia isso antes no sindicato. Faz isso agora no país inteiro. Vai dar o mesmo resultado que sempre deu multiplicado pelo tamanho do Brasil 2014 comparado ao do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo 1970.

Mas — de novo — não é da velocidade com que a economia vai escorregar que estou falando. O Brasil está por um fio. Essa horda acabou com todas as nossas instituições, destruiu o sistema imunológico da Nação, concentrou todos os poderes e todo o dinheiro no Poder Executivo, montou uma máquina de chantagem econômica disfarçada de Receita Federal. Nós estamos pendentes de um ou outro indivíduo que ainda resiste no Poder Legislativo destruído e no Poder Judiciário sitiado. Se não tirar essa gente daí agora, no voto, não tem mais volta. Entramos num ralo argentino: 100 anos de queda livre. Isso se não saltarmos direto pra Venezuela pra cortar caminho…

 

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