Rejeitados pelo PL, Motta e Alcolumbre articulam para se reeleger
20 de outubro de 2026 § Deixe um comentário


Um levantamento do Estadão detalhou a articulação de Hugo Motta para se reeleger presidente da Câmara.
Segundo apuração do jornal, Flávio Bolsonaro já comunicou ao Republicanos que o PL tem veto ao nome de Motta, mas estaria aberto a apoiar outra liderança da sigla, como o presidente do partido, Marcos Pereira (SP).
A resistência se deve ao fato de o atual presidente da Câmara ter apoiado a reeleição de Lula e atuado como aliado do Planalto.
Para a próxima legislatura, o PL elegeu 121 deputados federais e será a maior força da Câmara a partir de 2027, enquanto partidos do Centrão e do centro, como MDB e PSD, perderam quase 30 cadeiras, reduzindo sua capacidade de negociação.
A estratégia de Motta é atrair o PT e outras legendas de esquerda para viabilizar sua recondução, especialmente diante de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial, sob o argumento de que vai preservar o controle do seu grupo sobre a agenda de votações e garantir a autonomia do Legislativo diante do Executivo.
O primeiro passo da articulação foi a decisão de Antonio Brito (PSD-BA), líder do partido na Câmara, de não disputar a presidência da Casa, o que abriu caminho para o apoio do PSD de Kassab a Motta.
Em seguida, Motta reuniu líderes do Centrão — bloco com 271 deputados formado por União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e a federação PSDB-Cidadania —, que divulgaram nota de apoio à sua reeleição.
Nesse almoço, Marcos Pereira reiterou seu apoio a Motta.
O atual presidente da Câmara pretende repetir o modelo usado por Arthur Lira em 2023: na época, ele reuniu centro e PL para forçar o governo eleito de Lula a escolher entre enfrentar o Legislativo ou aderir à candidatura em troca de governabilidade.
De acordo com o Estadão, o PT avalia apoiar Motta, principalmente se o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, entrar na disputa pelo comando da Casa, ainda mais em caso de uma hoje improvável reeleição de Lula.
Disputa no
Senado é mais
complexa
Já a reeleição de Davi Alcolumbre para a presidência do Senado será mais complexa.
O PL elegeu 19 senadores e terá 28 cadeiras, ampliando seu peso na escolha da próxima mesa diretora.
Embalado pela promulgação da PEC que acaba com a escala 6×1, ele negocia apoio com partidos do centro, da esquerda e com parlamentares menos ideológicos do PL para tentar se manter no comando da Casa, mas competir com a provável candidatura de Rogério Marinho será difícil, sobretudo diante da eleição de Flávio Bolsonaro.

A eleição das mesas diretoras
O mandato do presidente da Câmara dos Deputados e do presidente do Senado Federal dura dois anos. Isso vale para todos os integrantes da Mesa Diretora de cada Casa (presidente, vice-presidentes e secretários).
Os mandados de Hugo Motta e Davi Alcolumbre valem para o biênio 2025-2027 e se encerram no dia 1º de fevereiro do ano que vem, quando deputados e senadores tomam posse e os plenários de cada uma das casas elegem suas respectivas mesas.
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