O primeiro confronto cara a cara pode definir esta eleição

16 de outubro de 2026 § Deixe um comentário

Lula declarou guerra.

Deu reajuste no Bolsa Família, prometeu Pé-de-Meia para universitários e até transporte público gratuito no fim de semana. São R$ 10 bilhões ou R$ 20 bilhões por dia.

O PT também.

A derrota transformou a campanha de Lula em um vale-tudo por sobrevivência política.

O partido sabe, os alcolumbres sabem, os STFs sabem que, com maioria na Câmara e no Senado, a vitória de Flávio representa o fim de um ciclo de pelo menos três décadas de prevalência da esquerda no poder em Brasília e, principalmente, a descoberta inevitável de tudo que ficou escondido debaixo do tapete nesses anos todos.

Até a militância menos engajada, aquela envergonhada diante de tantos escândalos de corrupção, não se aguentou e acabou respondendo ao chamado do “comandante” Janones, indo para as ruas, assumindo posições nas redes sociais e dizendo em cada periferia do país que os programas sociais vão acabar se Lula perder.

O Centrão
titubeia e
reage ao PL

No Congresso, a tropa de choque governista, com apoio de Hugo Motta e Davi Alcolumbre, também entrou na operação salvamento.

O Senado aprovou o fim da escala 6×1, cuja PEC foi promulgada hoje, e tirou da pauta a PEC da Segurança, que ia debater a redução da maioridade penal.

Depois de visitar seu pai pela primeira vez em semanas, Flávio mudou de posição e votou a favor do fim da escala 6×1, abrindo um flanco para os ataques de Lula no debate.

A titubeada de Flávio, assim como a hesitação antes de confirmar que iria ao debate, pode ser um prato cheio para uma raposa velha como Lula.

Já a Câmara aprovou o reajuste no limite de enquadramento como microempreendedor individual e o perdão de dívidas de quase 3 milhões de MEIs.

Na prática, a declaração de apoio a Flávio da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e do Republicanos não significou alinhamento ao PL.

Na quarta, sentindo cheiro de Lula, dirigentes de legendas do Centrão começaram a balançar e anunciaram a manutenção do bloco político que sustenta Hugo Motta (Republicanos-PB) e o apoio às articulações para sua recondução à Presidência da Câmara, em fevereiro de 2027.

O grupo reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e PSDB-Cidadania, além da federação Solidariedade-PRD.

Para a próxima legislatura, as cinco principais bancadas desse campo — União Progressista, PSD, Republicanos, MDB e Podemos — somam 234 deputados eleitos.

Com um detalhe: Motta declarou apoio à reeleição de Lula e participou de atos de campanha do petista na Paraíba.

Como era de se esperar, a imprensa e as pesquisas também fizeram a sua parte, criando um clima de que Lula pode virar, ainda que a Gerp, um dos raros institutos que chegou perto do resultado do primeiro turno, esteja dando 55% a 45% para Flávio neste segundo turno.

O país está à beira de um ataque de nervos. O clima mexeu com o mercado.

Após a euforia vista na semana passada, quando o Ibovespa renovou recordes, o dólar voltou para baixo de R$ 5 e os juros futuros recuaram ao longo de toda a curva, houve um recuo.

A bolsa brasileira fechou no negativo nas três últimas sessões e caminha para encerrar a semana com o pior resultado desde agosto, enquanto o câmbio se aproxima de R$ 5,10 e os contratos de DIs apagaram grande parte da queda observada no pós-primeiro turno.

Nesta semana, Flávio participou de um encontro com cerca de 500 empresários em São Paulo, no qual recebeu um documento com propostas de reformas econômicas.

Fogo
contra o
STF

Os trunfos de cada um são evidentes.

A principal carta de Flávio no debate será escancarar a ligação de Lula com o STF de Alexandre de Moraes, Toffoli, Gilmar Mendes e Flávio Dino.

Mais quatro de cada um desses têm sido o grande cala-boca de qualquer discussão a respeito de preferência para presidente.

Do lado de Lula, é pouco provável que venham ataques muito veementes ao financiamento do Dark Horse depois que a Veja mostrou que o “Lula” de Oliver Stone levou R$ 30 milhões em malas de Vorcaro, em troca do ingresso do Banco Master na lista das empresas autorizadas a fazer negócios com os fundos de pensão das estatais.

O mais provável é que fique nas benesses que “deu” ao povo e na gritaria de que Flávio vai eliminá-las. O posicionamento hesitante em relação à escala 6×1 aumentou a força dessa argumentação.

A resposta será acusar Lula de fake news, mas com muito cuidado para não cair nas provocações do velhote, nem explorar, pelo menos, a velhice física dele.

A orientação é não deixar alegações sem resposta e fazer críticas pontuais, sem se aprofundar em temas que possam criar controvérsia.

Para o entorno de Flávio, a exposição no debate não representa um risco real se ele mantiver a serenidade.

Aliados sustentam que Lula chega ao confronto com a imagem fragilizada, transmitindo mensagens envelhecidas e carregando a postura de quem saiu em desvantagem no primeiro turno.

A recomendação do núcleo duro é que Flávio foque no equilíbrio emocional e se apresente como um Bolsonaro moderado — postura considerada suficiente para sair vitorioso.

Flávio vem treinando para o debate e para a sabatina da Globo de hoje num local que simula um estúdio de TV, com duas pessoas de sua equipe de comunicação fazendo os papéis de jornalistas e do adversário, com perguntas e réplicas incômodas ao candidato.

Segundo se divulgou, há entre seus auxiliares uma preocupação especial: dosar o tom dos ataques a Lula, achar um ponto de equilíbrio.

Aliados acreditam que críticas muito ácidas podem agradar aos eleitores cativos, mas podem também ser vistas como desrespeito a um octogenário.

Ou seja, o lema será “atacar, sim, mas com cuidado”.

A equipe de Flávio também pretende retirar do debate o governo do seu pai, descrito como a “esfera do Jair”, redirecionando a discussão para o governo Lula.

Ato da
Paulista no
mesmo dia

No dia do debate, o senador assume por enquanto o risco de participar do ato na Paulista.

A ideia é criar um contraste em relação à manifestação de Lula no último domingo, inclusive filmando as estações de metrô limpas após a mobilização.

Ocupar os mesmos 7 quarteirões do ato da esquerda, e mais, não é considerado o maior risco.

O ato começa às 10h, tendo seu auge no meio da tarde.

O debate será às 20h.

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