Inventor do Ibope acha que as pesquisas estão esquisitas e faz uma aposta
16 de outubro de 2026 § 1 comentário


O Brazil Journal entrevistou Carlos Augusto Montenegro, que passou 40 anos à frente do Ibope.
Veja alguns trechos:
Diante dos últimos resultados, você acredita que Flávio Bolsonaro continua sendo o favorito, mesmo com a aproximação de Lula nas pesquisas?
Eu acho. É só analisar as eleições de 2018, 2020, 2022 e 2024 para perceber uma tendência muito grande de centro-direita no Brasil e no mundo.
Na eleição de 2022, a esquerda e o PT levaram uma surra tremenda. O único que ganhou foi o Lula, como pessoa física.
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Essas manifestações são importantes, mas reúnem os eleitores mais engajados, que brigam pelas suas convicções.
Quem decide a eleição não está na rua: ele está em casa. É o eleitor silencioso que resolve.
(…)
Quando vejo um resultado de 51% a 49%, não duvido que possa estar correto dentro da margem de erro. Mas, olhando para o primeiro turno, prefiro interpretar esse resultado como algo mais próximo de 53% a 47%.
Por quê? Porque todos os institutos erraram no primeiro turno. Davam o Lula na frente por um, dois ou três pontos. O Datafolha, por exemplo, chegou a mostrar 45% a 42%.
Então considero a possibilidade de a distância real ser maior. Não
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E as pesquisas estão conseguindo captar a transferência dos votos dos candidatos derrotados no primeiro turno?
Você teve quatro candidatos de centro-direita, além do Flávio, que somaram cerca de nove milhões de votos.
Não pode terminar o primeiro turno com esses nove milhões de votos disponíveis e começar o segundo com o Lula crescendo um ponto percentual e o Flávio crescendo um ponto também. Está esquisito.
Olha os números. Você teve o presidente da República, com toda a máquina pública na mão, recebendo cerca de 53 milhões de votos.
Do outro lado, aproximadamente 65 milhões de pessoas não votaram nele: 56 milhões que escolheram Flávio e nove milhões que votaram nos demais candidatos.
Isso significa que os 65 milhões vão votar no Flávio? Não. Mas é um dado muito importante, que confirma os números de rejeição e de avaliação negativa do governo.
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O que pesa mais: a rejeição ao Lula ou o crescimento estrutural da direita?
As duas coisas. Existe uma mudança estrutural no eleitorado, que ficou clara nas eleições de 2022, 2024 e agora em 2026. Olhe o que aconteceu com o Congresso e, principalmente, com o Senado. Foi avassalador.
Na minha opinião, o Supremo Tribunal Federal teve uma influência muito grande nesta eleição. Representou algo semelhante ao que a facada representou para Bolsonaro em 2018. Ajudou a mobilizar parte importante do eleitorado.
Existe um sentimento de punição aos partidos tradicionais e às instituições.
(…)
Uma das críticas ao Lula é que ele estaria desconectado da realidade do eleitor. Você concorda?
Não acho que ele esteja sem lucidez, mas existe uma fadiga de material total.
O Lula é um político de outra época. Tem uma capacidade enorme de falar, de contar histórias. Mente com uma classe, como o Leonel Brizola mentia. Eu conheci esses personagens.
Na entrevista à Globo, disse que só havia descoberto há 20 dias que o Bolsa Família, o maior programa social da história dos governos dele, estava sem reajuste. Você acredita nisso?
E o que mais abalou o governo Lula foi a carestia.
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Eleição é sempre uma questão de esperança. O eleitor quer uma mudança. Pode ser para pior? Pode. Mas ele pensa: vamos tentar, porque do jeito que está não dá.
(…)
Você considera que algum acontecimento pode mudar o resultado desta eleição? Um debate ruim ou um escândalo de última hora?
A tribo bolsonarista e a tribo petista-lulista são como água e azeite.
O eleitor do Bolsonaro pode até desistir de votar no Flávio, mas não vai votar no Lula. E o eleitor do Lula não vai votar no Bolsonaro.
As pessoas falam: e se Flávio for muito mal no debate? Vou falar algo que pode soar uma besteira enorme: não muda nada.
Até um escândalo não deve mudar nada. O eleitor pode ficar decepcionado e deixar de votar, mas dificilmente vai atravessar para o outro lado.
Leia a entrevista completa,

Sim, faz sentido …