As idas de Vorcaro ao Palácio do Planalto para negociar propinas
13 de outubro de 2026 § Deixe um comentário


Dados da Presidência da República confirmam que Daniel Vorcaro esteve ao menos duas vezes no Palácio do Planalto acompanhado de Júlio Cezar, apontado pelo ex-banqueiro como operador de propinas ligado ao grupo do ministro Alexandre Padilha nos fundos de pensão.
Os registros do Gabinete de Segurança Institucional do Planalto comprovam o que denuncia o fundador do Banco Master na proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal e pela PGR e também batem com os dados encontrados pelos investigadores no celular do ex-banqueiro, registra a revista Veja.
No primeiro encontro, em 1º de março de 2024, os dois se registraram às 14h33. Nesse dia, Vorcaro diz ter se reunido com Padilha, Olavo Noleto e outros interlocutores.
Segundo o ex-banqueiro, Padilha disse que “o que eu tratasse com Olavo seria como se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”.
Depois, em reunião reservada em Brasília, Vorcaro relata que Júlio e Olavo afirmaram que “só haveria um jeito de entrar na Previ, Petros e Postalis: mediante pagamento de propina também na ordem de 10% de tudo o que o banco captasse”.

O plano, conforme a versão de Vorcaro, previa captar até R$ 10 bilhões nos fundos de pensão da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios, com pagamento de R$ 1 bilhão em propina ao grupo.
Na delação que tentou negociar com a PGR de Paulo Gonet e a PF de Andrei Rodrigues, ambos presentes na degustação de uísque e charuto em Londres, Vorcaro afirma que Júlio pediu e recebeu um sinal de propina de R$ 500 mil, quando o governo Lula autorizou formalmente o Master a operar nos fundos.


A verba foi paga por meio de um contrato de fachada com outra empresa, segundo Vorcaro relatou na proposta de delação em que ofereceu aos investigadores até os “recibos de propina” dada ao petismo.
No segundo encontro, em 3 de abril de 2024, os dois entraram no Planalto às 17h29, após reunião no Postalis.

Mensagens obtidas pela PF registram o operador dizendo: “Daniel, após a reunião nossa na quarta vamos falar com o pessoal. Já deixa agenda aí pra isso”.
Na versão do banqueiro, a expressão “pessoal” se referia ao ministro Alexandre Padilha e ao então secretário-executivo Olavo Noleto.

Os registros também indicam que, dias depois do encontro no Planalto, Padilha teria participado de um jantar na casa de Vorcaro em Brasília.

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