‘O pai do Fábio achou uma bosta’, disse Luchsinger sobre o filme de Oliver Stone

10 de outubro de 2026 § Deixe um comentário

Em mensagem enviada em abril de 2024, a lobista Roberta Luchsinger afirmou ao ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), Gustavo Gaspar, com quem mantinha relacionamento amoroso, que o empresário Marcelo Bittencourt e um homem chamado Zé estavam buscando captar recursos em governos estaduais do PT para um documentário sobre o presidente Lula dirigido por Oliver Stone, registra a coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles.

“O Fábio (Luís Lula da Silva, o Lulinha) tava agora falando comigo q o Marcelo (Bittencourt, empresário amigo de Roberta) junto do Zé tá indo em todos os estados onde o PT governa pra captar dinheiro pro filme do Oliver Stone”, escreveu Luchsinger.

A “pilantra”, como Lula a definiu, acrescentou que o presidente teria detestado o filme e reclamado do uso de seu nome para levantar dinheiro.

“O pai do Fábio (o presidente Lula) achou o filme uma bosta, falou pra eu assistir e depois ir lá falar com ele. Mas q estão captando mto dinheiro usando o nome do presidente. Ele odeia isso”, afirmou a lobista.

Apesar da intimidade flagrante, ao Jornal Nacional, Lula disse: “Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”.

Marcelo Bittencourt é empresário com interesses na área de infraestrutura, amigo de Luchsinger e casado com a designer de joias Ana Alencar, também amiga da lobista.

Em março de 2024, Roberta pediu a Bittencourt que enviasse “alguma coisa de material” para que ela pudesse fazer “uma sondada” junto ao governo do Maranhão sobre um possível apoio ao filme.

“Claro. Vou te mandar o que enviei para os outros parceiros”, respondeu o empresário, que então encaminhou um texto explicativo sobre as cotas de patrocínio do documentário.

Em julho de 2024, ao falar com o então embaixador do Brasil na Espanha, Orlando Leite Ribeiro, Luchsinger apresentou Bittencourt como financiador do documentário.

“O marido dela é também uma pessoa muito interessante que o senhor irá conhecer. Ele foi o financiador do filme do Olivier (sic) Stone sobre o presidente Lula. São ótimas pessoas”, disse a lobista.

As mensagens também indicam envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, na organização do filme.

Em março de 2024, Lulinha escreveu no grupo de WhatsApp “Musaranhos”, mantido com Roberta Luchsinger e Kalil Bittar, que se tratava do documentário de Oliver Stone.

“Quem ficava trocando cartinha do Oliver e meu pai preso era eu toda quinta-feira”, afirmou ele.

“Fazia a ponte com Fernando Morais”, acrescentou, em referência provável ao escritor e biógrafo de Lula, que atuou como consultor no documentário.

A apuração sobre Roberta Luchsinger começou em meados do ano passado, no contexto da investigação da chamada “Farra do INSS”, esquema de descontos ilegais em aposentadorias de segurados do INSS.

A lobista atuou em conjunto com um dos principais investigados, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Ontem, a revista Veja revelou um áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em que ele trata do financiamento do documentário, dizendo que deu “dinheiro por fora” para o Instituto Lula em troca de acesso a fundos de pensão de estatais.

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