O impeachment de Moraes e outros ministros do STF está encaminhado
5 de outubro de 2026 § Deixe um comentário


O Senado que tomará posse em fevereiro de 2027 terá 54 dos 81 integrantes favoráveis ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, exatamente o equivalente a dois terços da Casa.
É o que mostra um levantamento do Ranking dos Políticos baseado em declarações públicas dos parlamentares, divulgado pela CNN.
Dos 54 senadores eleitos ou reeleitos em 2026, 37 já defenderam a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.
Entre os nomes citados pelo estudo estão Domingos Sávio (PL-MG), Reinaldo Azambuja (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS), Guilherme Derrite (PP-SP) e Alessandro Vieira (MDB-SE).
O resultado decorre de uma renovação de dois terços do Senado em que candidatos de direita e centro-direita conquistaram 43 das 54 vagas, enquanto nomes de esquerda obtiveram 11, segundo classificação editorial das legendas e dos eleitos.
Com isso, 79,6% das cadeiras renovadas ficam com nomes classificados à direita, contra 20,4% da esquerda.
Para a conta, foram considerados no campo da direita partidos como PL, Republicanos, Novo, PP/Progressistas, MDB, PSD, PSDB, União e Podemos.
Já a esquerda reúne PT, PSB, PDT e Rede.
O PL elegeu o maior número de senadores, com 19 cadeiras. Na sequência, aparece o MDB, com 7. O PT ficou com 6.
O PL passará a ter a maior bancada da Casa, com 28 cadeiras a partir de 2027, o que fortalece a articulação do partido pela presidência do Senado e por pautas de confronto institucional com o STF.
Um novo
presidente
do Senado
Fortalecido, o PL pretende tirar de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) a presidência do Congresso.
O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda se prepara para disputar a presidência do Senado em 2027 e apoiar o senador Rogério Marinho (PL-RN) para comandar a Casa.

“O Rogério é o que reúne as melhores condições para ser presidente do Senado, é muito preparado. Nós vamos ter o PP do nosso lado, vamos ter o União Brasil, vamos ter o Republicanos. Nós fazemos maioria lá”, declarou ao SBT News.
A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade, e a condenação com perda do cargo exige o voto favorável de dois terços dos senadores, ou 54 votos.
Decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, justamente quando o escândalo do caso Master escalou após a divulgação de um contrato de R$ 131 milhões do banco com o escritório da mulher de Alexandre de Moraes, manteve a exigência de 54 votos também para a instauração do processo, em substituição à regra de maioria simples prevista na Lei do Impeachment de 1950.
O decano alterou, por decisão individual, uma regra que caberia ao Congresso definir, elevando o quórum para a abertura de impeachment de ministros do STF de maioria simples para dois terços dos votos e criando uma blindagem para si e seus pares.
A abertura e o julgamento dependem de um caso concreto, da acusação apresentada e da posição efetiva de cada parlamentar na votação.
Moraes se
frustrou com
resultado
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, acompanhou a apuração do primeiro turno das eleições de 2026 na sede do TSE, em Brasília, ao lado de André Mendonça.
Alexandre de Moraes, que trocou 52 mensagens com Daniel Vorcaro antes de sua prisão, acreditava que o cenário eleitoral seria bem diferente do que se revelou, segundo compartilhou com pessoas próximas, informou O Globo.
Ele esperava que a bancada de senadores eleita não formasse uma maioria consolidada a favor do impeachment de ministros do STF, na verdade, do seu.
Outra expectativa de Moraes dividida com colegas era que estados como Rio de Janeiro e São Paulo elegeriam, em ao menos uma das duas vagas, nomes que não tivessem a ofensiva contra o STF como bandeira.
Além disso, o ministro contava com a eleição de parlamentares como Randolfe Rodrigues (PT-AP), cuja postura crítica contra o impeachment de ministros é conhecida, mas ele não conseguiu se reeleger.

Capitaneada pelo PL de Flávio Bolsonaro, a direita tirou cadeiras do centrão no Senado e fez o presidente Lula amargar a sua pior votação em termos de votos válidos em um primeiro turno desde 1998.
Além disso, o Congresso Nacional terá quatro integrantes da família de Jair Bolsonaro em 2027, incluindo Michelle (PL-DF), ex-primeira-dama, e Carlos (PL-SC), filho, ambos eleitos para o Senado, que prometem liderar tanto o impeachment como a anistia das vítimas de Moraes.

O ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo Guilherme Derrite (PP) se tornou o senador mais votado da história do Brasil em números absolutos.
Foi eleito por São Paulo com 13.273.880 votos, o equivalente a 30,59% dos votos válidos, atingindo 2.084.712 votos.
André do Prado (PL) conquistou a 2ª vaga paulista, com 12.703.089 votos (29,28%).
O recorde anterior pertencia a Aloysio Nunes Ferreira, eleito pelo PSDB em 2010, também por São Paulo, com 11.189.168 votos (30,42% dos válidos).
Entre os 27 senadores que permanecerão no mandato até 2031, apenas seis se declararam contrários ao impeachment de integrantes do STF, entre eles Marília Arraes (PDT-PE) e Jaques Wagner (PT-BA).


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