Oferta de gás natural no Brasil deve crescer 50% mesmo com demanda estagnada
8 de setembro de 2026 § Deixe um comentário


A oferta firme de gás natural no Brasil deve crescer 50% na próxima década, saltando de 58 milhões para 87 milhões de metros cúbicos por dia entre 2026 e 2035, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia.
Dois grandes projetos ancoram a previsão.

O projeto Raia, da Equinor (com Repsol Sinopec e Petrobras), entrará em operação em 2028 com capacidade de até 16 milhões de m³/dia.
Já o projeto Sergipe-Alagoas, da Petrobras (com IBV Brasil Petróleo e ONGC Campos), está previsto para 2031 com capacidade de 22 milhões de m³/dia.
No projeto Raia, a Equinor já concluiu a instalação de mais de 200 quilômetros de gasoduto em águas ultraprofundas na Bacia de Campos e está na fase final de conexão da infraestrutura submarina ao terminal de Cabiúnas, em Macaé (RJ).
Em Sergipe-Alagoas, a Petrobras aprovou investimentos de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 60 bilhões) para construir duas plataformas, 32 poços e um gasoduto de 134 quilômetros, com início da produção de óleo em 2030 e exportação de gás a partir de 2031.
Apesar do aumento da oferta, especialistas alertam que a demanda por gás natural no Brasil está estagnada há cerca de duas décadas, pois indústrias ainda preferem combustíveis mais baratos, como o carvão coque, criando risco de excedente.
Para enfrentar esse cenário, o governo colocou em consulta pública um programa de “gas release”, que prevê leilões anuais de volumes de gás detidos pela Petrobras, com expectativa de reduzir o preço de cerca de US$ 12 para US$ 5 por milhão de BTUs, embora especialistas digam que a queda não será imediata.
A Petrobras, por sua vez, critica a medida, afirmando que apenas novos investimentos em produção são capazes de reduzir preços, e acelera projetos de fertilizantes, como a unidade de Três Lagoas (MS), prevista para 2029, que usará gás como matéria-prima para produzir amônia e ureia.
Paralelamente, o primeiro leilão de gás da União está previsto para uma data entre outubro e novembro de 2026, com comercialização iniciando em março de 2027, oferecendo pouco mais de 1 milhão de m³/dia.
Enquanto isso, empresas como Equinor, Shell, PetroReconcavo e Prio buscam novos mercados e consumidores industriais para absorver o excedente.
As informações são de O Globo.
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