Moraes negociou pessoalmente até os centavos de seu preço para Vorcaro (texto)
2 de setembro de 2026 § Deixe um comentário

O Estadão antecipou, e as provas liberadas por André Mendonça confirmam, agora com as palavras do próprio acusado: Alexandre de Moraes não foi só o verdadeiro objeto do contrato de compra e venda celebrado entre o escritório Barci de Moraes Advogados e o maior trambiqueiro da história deste nosso paraíso dos trambiques.
Ele foi também o redator do contrato entre a “laranja” dessa transação, sua esposa Viviane Barci de Moraes, e Daniel Vorcaro, que tinha por finalidade última conseguir, como quase conseguiu, a ocultação do maior cadáver financeiro jamais produzido no Brasil, com o concurso de ninguém menos que o presidente da República em pessoa, diretamente interessado em enterrar a última das criaturas da escola petista de corrupção antes que ela empesteasse de vez os ares numa véspera de eleição.
Com o paladino do “Estado Democrático de Direito” lulista pago para comandar a operação, o objetivo só não foi atingido porque a profundidade do rombo que ele deixou é de proporções abissais.
Não podia ser tapado nem com o concurso do Tesouro Nacional, depauperado que ele já estava pela operação ampla, geral e irrestrita de suborno de eleitores que Lula, sentindo o poder fugir-lhe por entre os dedos, vem tocando com verdadeira fúria nos últimos dois anos do seu mandato.
As provas apresentadas são, todas elas, fotos de telas de celulares: não dá pra pôr em dúvida.
O Estadão já tinha mostrado em julho que a primeira versão do contrato enviado ao Vorcaro partiu do celular pessoal da Viviane.
Às 17h23 de 11 de janeiro de 2024, ela escreveu:
“Prezado Daniel, boa tarde.
Conforme conversamos, estou enviando minuta de contrato de prestação de serviços para sua análise. Estou à disposição para qualquer esclarecimento.
Abraço.
Viviane Barci de Moraes”.
Quatro dias depois, em 15 de janeiro de 2024, às 21h22, o trambiqueiro devolveu o documento à mulher do ministro pelo WhatsApp, com marcas de revisão.

“Boa noite!
Segue o documento preenchido. Foi incluída apenas a cláusula III. Por favor, nos indique se está adequada. Caso estejam de acordo, combinamos a assinatura!
Um abraço”.
É então que surge a novidade bombástica, que encerra qualquer especulação mais benevolente sobre a natureza da relação entre o trambiqueiro master e o suposto paladino do “Estado Democrático de Direito” lulista.
Na mensagem seguinte, a mencionada cláusula III do contrato, aberto e modificado no sistema Office 365 pelo perfil intitulado “Ministro Alexandre de Moraes”, segundo os metadados registrados, o autor da nova redação da cláusula define o seu preço nos seguintes termos:

III. Prazo, honorários advocatícios e forma de pagamento
- Para cumprimento do objeto do presente contrato, cujo prazo de vigência será de 3 anos, são estipulados honorários advocatícios devidos ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da seguinte forma:
O pagamento a título de pro labore de 36 parcelas mensais e sucessivas no valor fixo de R$ 3 milhões líquidos.
- “Os valores descritos na cláusula 10 ‘a’ são líquidos, sendo descontados os tributos incidentes em um total de 17,73% (…) recolhidos pela CONTRATADA conforme determinado pela legislação. Desta forma, os valores mensais de pro labore mencionados no item ‘a’ da Cláusula 10a acima terão valor bruto de R$ 3.646.529,77 (três milhões, seiscentos e quarenta e seis mil, quinhentos e vinte e nove reais e setenta e sete centavos), a serem depositados pelo CONTRATANTE até o 5º dia útil de cada mês”.
Ou seja, o “herói da democracia brasileira” discutiu o preço dele com um trambiqueiro até a segunda casa decimal dos centavos!!
Procurado, ele, como de costume, se fez de rogado e não se manifestou. Mas o escritório Barci de Moraes confirmou, candidamente, que o ministro Alexandre de Moraes acessou e editou o contrato.
Em troca do que comprou, Daniel Vorcaro passou a insistir que ele intercedesse junto ao diretor da Polícia Federal lulista, Andrei Rodrigues, e ao seu fiel procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que travassem as investigações das falcatruas dele, sempre em termos que denotam o grau da intimidade que existe entre os dois.
A mensagem de 30 de outubro de 2025 diz assim:
“Boa,
vou mudar minha ida para Abu Dhabi (notório esconderijo de dinheiro sujo) pra conseguir te ver, se você puder na terça-feira!
As coisas aqui do ponto de vista econômico estão andando bem. Consegui colocar no banco 800mm ja devem entrar na conta mais 400mm na próxima semana (sic).
E FGC começa a fazer aos poucos.
O problema agora é que tive informações informais e em confidencia da turma do banco central, que G (de Galípolo) e os diretores estão na pressão máxima de novo para uma medida pois o Bacen esta sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que faça algo contra mim. Ê importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco.
Estou disponível pra tratar e explicar qq coisa, só não pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farão algo em breve”.
Andrei e Gonet são, portanto, tratados como coadjuvantes do contratado, e Galípolo como resistente a entregar o “leite de pato” que lhe pediam…
As mensagens pedindo para segurar Andrei e Gonet se estenderam até 5 horas antes da prisão de Vorcaro na noite de 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos.
E dois dias antes dessa data, ele chegou a consultar o seu contratado sobre um plano de fuga…
Tudo isso sinaliza até onde foi a trama.
Como indicação de que Moraes sabia exatamente qual era o crime que estava cometendo com essa relação, ficou estabelecido que a troca de mensagens entre ele e o trambiqueiro master se daria no “modo de visualização única” por meio de capturas de telas e textos redigidos no aplicativo de notas dos celulares, com o qual, em caso de investigação da transa pela polícia, com a captura do celular de Vorcaro (claro que os do ministro não corriam esse risco), apenas as imagens enviadas por Vorcaro, sem as respostas do comparsa, poderiam ser recuperadas.
Mas mesmo sem elas, fica claro que, a cada passo dado com seus advogados, Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, Moraes era informado e consultado, sempre em mensagens eivadas de gírias e palavrões como as que costumam rolar entre “brothers”, entre baforadas de charuto e goles de Macallan.
“Não vou fazer nenhum movimento que você não achar produtivo”, ele repetia.
Mas, do outro lado, exigia ação. 20 dias antes de ser preso pela primeira vez, passou ao seu contratado os nomes de 4 delegados da PF e 3 procuradores da República que o estavam incomodando mais, pedindo providências.
Agora, vejam isso aqui:
Às 13h51 de 30 de outubro de 2025, 20 minutos depois de pedir pela primeira vez que Moraes enquadrasse Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, o trambiqueiro master, depois de afagar o bolso, sentiu que faria efeito afagar também o ego do autor da “trama golpista”:
“Tudo de importante fica no seu colo!
Impressionante!
Mas seu legado para o Brasil será eterno. Tenho muito orgulho e tenho certeza que cada vez mais se consolidará como a pessoa mais importante do país. Então todo sacrifício pessoal no final valerá a pena! Do meu lado, estou vendo chance real de sair ainda mais forte, e poder contribuir também inclusive c Brasil (sic). Temos só que bloquear essa sacanagem pq é muita gente querendo que não dê certo, ainda mais agora que estão sentindo que podem não conseguir. Juntos em tudo. Muito obrigado por tudo. Esse fim de semana tratarei do tema lá fora e te dou notícia.”
Na Batalha da Inglaterra, que àquela altura estava lutando sozinha para deter a ocupação completa da Europa por Adolf Hitler, Winston Churchill disse, sobre os pilotos da RAF que conseguiram deter os ataques da Luftwaffe que preparariam a invasão do país:
“Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos”.
Pois eu emendo a mão:
Nunca, no campo da luta pela sobrevivência da democracia brasileira, na sua hora mais escura, tantos deveram tanto a um único homem quanto o Brasil passou a dever a André Mendonça.
O ministro, que vem trabalhando isolado e hostilizado por seus colegas no STF, deu despacho dizendo que os novos diálogos colhidos nos celulares entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes indicam que ele teve conhecimento prévio dos procedimentos em curso no Banco Central que poderiam lhe ser prejudiciais; e que demandava intervenção junto a autoridades públicas para obstaculizar a atuação desses agentes públicos.
E que, diante disso, e da norma constitucional replicada no Regimento Interno do próprio STF que exclui a possibilidade de sigilo “se acaso a sua imposição prejudique o interesse público à informação”, determinou o levantamento do sigilo dos presentes autos, cuja avaliação cabe inevitavelmente ao Plenário do Supremo Tribunal Federal… para deliberação em sessão pública e transparente, como manda a Constituição, em data a ser definida pelo presidente do STF.
Até o STF, como se sabe, está dividido diante da vergonha em que se viu envolvido. Tem o núcleo duro do golpe lulista, com Gilmar, Flávio Dino e Zanin, além do próprio Moraes, e tem só dois votos que, antecipa-se, podem apoiar a iniciativa — os de Luiz Fux e do próprio Mendonça. O resto, inclusive Toffoli, cujo voto pode ser influenciado pelas mágoas que ele tem lá dentro, é dúvida.
Mas, venha o que vier, está definitivamente dada a dimensão verdadeira do homem escolhido por Lula para aterrorizar seus opositores: o autor da obra de ficção da “trama golpista” inventada para tirar Jair Bolsonaro da eleição à custa da prisão de inocentes, da destruição de famílias, da perseguição a parentes e filhos menores de idade, à la Gestapo, do confisco de bens, das proibições de trabalhar, das condenações sumárias ao degredo das redes sociais, da vasta sucessão de atos de covardia impostos com ostensivo prazer sádico, das agressões aos eleitores e à soberania do povo, das interferências nas eleições e atos obscenos de acobertamento da corrupção, cada um deles um atentado à Constituição da República e à Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Tudo isso já está denunciado como o que é até pela imprensa esquerdista mais engajada do mundo civilizado.
Mas sobrevive aqui, endossada pelo comportamento inclassificável de grande parte da imprensa brasileira que, vergonhosamente, segue descrevendo Alexandre de Moraes, suas obras de ficção e suas motivações nos mesmos termos que Daniel Vorcaro usou na mensagem de puxação de saco transcrita aí em cima.
Não tá na hora de aproveitar essa deixa para sair dessa atitude nefanda e permitir que o Brasil acorde desse pesadelo?
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