As digitais de Lulinha em mensagem para a lobista Roberta Luchsinger
17 de agosto de 2026 § Deixe um comentário


A Polícia Federal confirmou a existência de mensagens trocadas entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeitas de tráfico de influência e por usar sua proximidade com o filho do presidente para facilitar negócios e acesso ao governo.
As conversas, obtidas pelo portal Metrópoles e datadas de 2024, mostram que Lulinha e Roberta tratavam explicitamente de negócios e de atuação em lobby junto ao núcleo duro do gabinete presidencial, indicando que a relação entre eles ia além de uma simples amizade.
Em um dos diálogos, de 22 de março de 2024, Roberta afirma que o futuro do “trabalho” deles é a Suíça, e Lulinha revela que participava de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e com Swedenberger Barbosa, o Berger, à época secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Naquele período, Marcola era braço direito do presidente, despachava na antessala de Lula e fazia os principais contatos com ministros.
Já Berger, investiga-se, facilitava a aproximação do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, com o Ministério da Saúde, em esquema que envolvia tentativa de contrato milionário para compra de cannabis medicinal pelo SUS.
A PF tem evidências de que Roberta recebeu do Careca do INSS repasses que somam R$ 1,5 milhão e, em uma das transferências, o empresário teria informado a um interlocutor que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”, referência que, segundo os investigadores, seria uma alusão a Lulinha.

As investigações também identificaram que os termos “Fernando” e “Fefe”, usados nas mensagens, se referem a Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha e um dos donos formais do sítio de Atibaia, o famoso sítio frequentado pelo presidente.
Em outra conversa, Roberta diz a Lulinha que Bittar estaria usando o nome dele para tentar fechar um “negócio gigante” na Telebras, e ela afirma ter desmentido essa versão, alertando que, se Bittar fechasse negócio com o presidente da estatal, não faria mais negócios com ela.
A Polícia Federal ainda investiga se Roberta Luchsinger comprou joias, deu presentes e pagou boletos de Marcola para ampliar seu acesso e manter influência no núcleo do governo Lula.


Em diálogo de 29 de abril de 2024, véspera do Dia das Mães, a lobista e o então chefe de gabinete conversam sobre a compra de joias de diamante; Marcola envia fotos de modelos, diz que gostou de algumas, e Roberta envia imagens de um par de solitários e de um colar de diamantes.
A PF acredita que Roberta pagou uma fatura de R$ 9,2 mil referente a essas joias e que, ao longo de 2024, repassou a Marcola um total de R$ 217 mil, entre transferências bancárias, pagamento de boletos e presentes.
Quatro meses após a apreensão do celular de Roberta, Marcola devolveu R$ 249 mil a ela, valor que corresponderia ao total desembolsado pela lobista, acrescido de juros e correção monetária.
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