A rebelião das baratas (e a esperança de que essa ira santa se espalhe)

30 de julho de 2026 § 1 comentário

“E se todas as baratas se unissem?”

Bateu!

27 milhões de jovens indianos, por enquanto, ja se aliaram ao Cockroach Janta Party, o Partido das Baratas (CJP), lançado em 16 de maio deste ano na Internet pelo estrategista político Abhijeet Dipke, de 30 anos, aluno da Boston University, como uma resposta às ofensas de um gilmar mendes lá deles que, numa audiência da Suprema Corte, disse que os jovens desempregados e ativistas, que se têm manifestado cada vez mais na India, não passam de “baratas” e “parasitas da sociedade”.

O primeiro ministro Narenda Modi está há 12 anos no poder, período em que o crescimento médio anual da economia foi de 6,5%. O PIB da Índia, que era o sétimo do mundo, agora já é o quarto, superando US$ 4,2 trilhões – quase o dobro do brasileiro.

O número de graduados universitários na faixa etária de 20 a 29 anos quase dobrou nos últimos 15 anos, passando de cerca de 32 milhões para 63 milhões. No entanto, cerca de 40% dos graduados com menos de 25 anos estão desempregados. Entre os com idade entre 25 e 29 anos, o percentual dos sem ocupação estável é de 20%.

Apesar do rápido crescimento econômico, as desigualdades na Índia permanecem abissais. O movimento das baratas capturou a insatisfação reprimida, que extravasou em protestos com milhares de pessoas nas ruas de diversas cidades.

Começou pela indignação com a suspeita de corrupção nos vestibulares e concursos públicos. E se estendeu, também, ao decreto para misturar 20% de etanol na gasolina (os brasileiros engolem 32% sem chiar), sendo o filho de outro ministro de Modi sócio de um fabricante de etanol.

Os manifestantes exigiram a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. Modi, que costuma ser rápido e duro na contenção de levantes populares, não conseguiu evitar que os protestos se espalhassem. Os manifestantes só deixaram as ruas depois da renúncia do ministro da Educação, no sábado.

Abhijeet Dipke voltou à india no começo de junho e ninguém ousou prende-lo, como era de se esperar pelas ações precedentes do governo.

Ele define seu partido como “uma frente política da juventude, pela juventude, para a juventude”. O nome do CJP é um jogo de palavras com o Bharatiya Janata Party (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi.

As ‘baratas’ deram uma trégua, mas ameaçam voltar às ruas porque centenas de estudantes foram presos nos últimos dias. Os líderes do movimento dizem que o Governo não cumpriu a promessa de não retaliar contra os manifestantes.

Saurav Das, o principal porta-voz do CJP e um de seus negociadores, disse que os governantes precisam “cair na real”.

“As pessoas não vão mais aceitar que eles imponham suas políticas e leis sem que haja debate.”

De um artigo do BrazilJournal

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