Festa dos inimigos e choque para o aliado no acordo de Trump
15 de junho de 2026 § Deixe um comentário

O primeiro navio a cruzar o Estreito de Ormuz, usando a rota patrulhada pelo Irã, após o anúncio do armistício, foi o Disha, um petroleiro com bandeira da Ilha de Malta.
Donald Trump, depois de “N” idas e vindas tentando conseguir uma saída digna da encalacrada da guerra contra o Irã, finalmente cedeu no dia do seu aniversário e com as eleições de meio de mandato logo além da próxima curva.

Mas, falando nos diretamente envolvidos na guerra, foi festa entre os inimigos e luto entre os aliados de Donald Trump que o anúncio do memorando de entendimento provocou.
Putin, o grande sustentáculo do regime dos aiatolás, foi discreto mas gostou. Em nota no X, Mikhail Ulyanov, representante permanente da Federação Russa junto às Organizações Internacionais em Viena, registrou que: “Parece ser um bom acordo”. E a China, pai dos dois, manteve-se, como sempre, em silêncio obsequioso e prudentemente discreto.
Mas o Irã, que segundo Trump é o derrotado no conflito, fala como quem está concedendo deter a guerra e o bloqueio de Ormuz se e quando os Estados Unidos lhe derem bem mais do que ele tinha antes da guerra começar, conforme ficou prometido no acordo.
Por isso o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, cantou de galo:
“A entrada nas negociações de 60 dias está condicionada à implementação, pelos EUA, de seus compromissos (…) Assim que o Irã verificar o cumprimento dessas medidas, especialmente as financeiras (que incluem o desbloqueio de todas as contas que estavam bloqueadas antes da guerra e a formação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões), as negociações técnicas de grupos de trabalho (em torno de uma promessa, ou nem isso, relativa à questão nuclear) começarão”.
Ele acrescentou que alguns arranjos foram discutidos “na noite passada (sábado)“, mas que novas conversas na Suíça, após a assinatura formal do Memorando de Entendimento de Islamabad, irão tratar da estrutura das negociações, da criação de grupos de trabalho e de outros acordos necessários.
“Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”

Na noite do domingo, em uma publicação na Truth Social, o presidente americano anunciou a conclusão do acordo provisório de paz entra EUA e Irã, depois que o premiê paquistanês, Shebaz Sharif, declarou que o documento seria assinado na próxima sexta-feira (19).
Em Israel, a primeira manifestação quase oficial veio ainda no domingo, de um funcionário veterano do governo:
“Esse acordo é nada menos que chocante para Israel (…) não ha um único membro graduado do governo que não veja a coisa desse jeito, do primeiro ministro ao chefe das IDF” (Força de Defesa de Israel).
Segundo esse funcionário, a “mídia estrangeira” registrou que Steve Witkoff e Jared Kushner acertaram os termos com os iranianos e “empurraram Trump a aceita-los”, e que Marco Rubio e Pete Hegseth “se opuseram fortemente” a eles.
Mas tudo aconteceu durante as comemorações do octogésimo aniversário de Trump, comemorado com um furdúncio na Casa Branca que misturou a comemoração pessoal dele com a dos 250 anos da Independência (cuja data é 4 de julho próximo), e incluiu, de sobrevôos da USAF, a lutas de UFC.

Em uma coletiva de imprensa na noite passada, Netanyahu declarou aos repórteres:
“Se não tivéssemos atacado quando e com que força atacamos, o Irã já teria uma arma nuclear. A luta não acabou e continuaremos vigilantes contra ele (…) Há momentos em que discordo do presidente Trump. Nesses momentos, o importante é manter os interesses de segurança de Israel.

Hoje, depois de uma reunião entre o primeiro ministro, o ministro da Defesa, Israel Katz, e o chefe da Força de Defesa de Israel (IDF), Katz declarou que “Israel não se retirará das zonas de segurança”, que ele e o primeiro ministro Netanyahu lideram uma política clara que foi comunicada ao presidente Trump e ao secretário Hegseth (…) e que as IDFs permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por tempo indeterminado, para proteger as fronteiras e comunidades israelenses das forças jihadistas (…) e se o Irã atacar Israel por causa dos eventos no Líbano, Israel atacará o Irã com força total e deixará clara a disparidade de poder”.
Hoje, passando das apalavras aos atos, Israel bombardeou mais uma vez posições do Hezbolah no Líbano e do Hamas em Gaza.
Já o Hezbollah comemorou o acordo com festa.
Moradores de cidades do Sul do Líbano que tinham abandonado suas casas atendendo aos avisos prévios de Israel de que haveria bombardeios, voltaram por estradas margeadas por dezenas de bandeiras do grupo terrorista iraniano que ocupa o Libano e se mistura com sua população.

L’Orient Le Jour, o principal jornal da comunidade cristã que ainda resiste no Líbano, abriu uma manchete cética, por cima de uma foto de um carro carregando uma bandeira iraniana pelas ruas de Sidiquine, cidade no Sul do Líbano devastada pelos bombardeios israelenses: “É sempre a mesma piada de mau gosto”: este o ceticismo dos sulistas diante do anúncio do enésimo “cessar-fogo” no Líbano, rezava o título.
Os líderes das 7 maiores economias do mundo adiaram o início do evento para que Trump pudesse curtir sua festa de aniversário. De lá ele partiu para Évian-les-Bains, na França, onde até 4a feira, o principal tema serão as guerras da Ucrânia e do Oriente Médio.
Estão lá os chefes de estado de França, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos, representantes da União Europeia, da India, do Quênia e da Coréia do Sul, e até Lula, o amigo querido de Emmanuel Macron.
E também, Volodymyr Zelenskiy, e mais os dignitários da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Egito, os países mais impactados pelo conflito envolvendo o Irã ou engajados em iniciativas de mediação.
Como
foi a festa de
Trump
Trump misturou tudo.
Dizia estar comemorando os 250 anos a independência americana (a data é 4 de julho próximo) e o seu aniversário.
Um octógono, batizado de The Claw (A Garra), para 4 mil pessoas, foi montado nos jardins da Casa Branca onde foram travadas sete lutas entre 14 contendores (entre eles três brasileiros, um dos quais, Alex Pereira, o “Poatan”, aparece apertando a mão do presidente na foto), no evento batizado “UFC Freedom 250” que custou US$ 60 milhões.
Aos críticos, Trump disse que o UFC assumiria todos os custos, e que o evento seria assistido por bilhões de pessoas.

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