O segundo contrato de R$ 50 mi entre Vorcaro e a família Moraes

6 de junho de 2026 § Deixe um comentário

Rejeitada pela PF, a primeira proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro mencionou um novo contrato de uma empresa ligada ao fundador do Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, informou Malu Gaspar de O Globo.

Segundo a versão apresentada, o documento, elaborado semanas antes de o banqueiro ser preso pela primeira vez, previa o pagamento de R$ 50 milhões à família do magistrado.

Seria uma manobra para garantir que Viviani Barci recebesse a totalidade dos R$ 129 milhões mesmo depois de o Master ser vendido – ainda não se sabia que ele seria liquidado.

No fim, o documento não foi assinado.

De acordo com fontes que tiveram acesso à delação ouvidas pela coluna, esse segundo documento foi redigido em agosto de 2025 quando já havia a previsão de venda do banco no curto prazo e, nesse caso, seria preciso garantir o pagamento de todo o valor estipulado no primeiro contrato, de R$ 3,6 milhões mensais entre janeiro de 2024 a janeiro de 2027 e somaria R$ 130 milhões no período – mesmo que o escritório já não estivesse mais vinculado ao Master, que era o cliente inicial.

O que não fica claro e ao mesmo tempo esclarece muita coisa é por que Vorcaro precisava garantir pagamentos à mulher de Moraes por outra empresa, já que em tese o contrato de prestação de serviços era com o Master – nem por que não seria possível esperar a venda do banco para que o novo dono decidisse se daria continuidade aos serviços.

Na proposta, o banqueiro não menciona o nome da outra empresa que assinaria o contrato.

A mulher de Alexandre de Moraes ainda não explicou a discrepância entre o valor do contrato de R$ 129 milhões e a falta de comprovações de serviços prestados, deixando dúvidas sobre a natureza real do que estava por trás de tanto dinheiro.

À CPI do Crime Organizado, a Receita Federal informou que o Banco Master pagou ao Barci de Moraes R$ 80.223.653,84. de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, declarados como prestação de serviços jurídicos e consultoria.

Faltaram exatamente R$ 50 milhões, já que foram quitadas 22 parcelas das 36 combinadas.

Reforçando a inconsistência da delação que não convenceu os investigadores, além de não explicar qual a necessidade de um novo contrato e qual o seu objeto, a proposta também não esclarece como se chegou ao valor de R$ 50 milhões.

De acordo com o G1, Vorcaro apresentou nesta semana uma nova versão de sua delação premiada, que ainda está sendo analisada pelos investigadores.

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