Lula X Alcolumbre

30 de abril de 2026 § 2 Comentários

No auge das emoções pelos dois tiros abaixo da linha d’água do seu governo (e potencialmente do seu projeto de reeleição) em menos de 24 horas, Lula arreganha os dentes: diz que não existe a hipótese de ele não nomear o sucessor de Luís Roberto Barroso no STF.

E como é improvável que ele passe o recibo aceitando o candidato de Alcolumbre, Rodrigo Pacheco, o rei do Senado dá de ombros e repete: não existe a hipótese de eu pautar mais uma sabatina antes da eleição.

Mas como neste nosso Brasil a política passa por cima de qualquer “honra” ferida, salvo raras exceções, o melhor é não apostar em nada e pagar para ver.

DE ALIADOS A INIMIGOS

Lula é o segundo presidente que Alcolumbre afronta diretamente.

O primeiro foi Sarney, de quem foi pupilo político até traí-lo para chegar ao Senado.

A rejeição da indicação de Messias ao Supremo azedou uma relação de antigos aliados.

Admirador de Antônio Carlos Magalhães, patriarca do PFL e do DEM, partidos que deram origem ao União Brasil, Alcolumbre se reelegeu à presidência do Senado em 2025 com apoio do governo, recebendo 90% dos votos.

Antes disso, emplacou dois ministros no terceiro mandato de Lula: Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações).

Também apoiou a indicação de Flávio Dino ao STF.

Como presidente do Senado, Alcolumbre ajudou como pôde o governo Lula.

Além de facilitar a agenda do executivo, foi decisivo nas votações da Reforma Tributária, do Orçamento 2026 e do Arcabouço Fiscal, permitindo ao governo arrecadar mais e gastar além do teto, com foco na reeleição.

À frente da CCJ, filtrava pautas de acordo com interesses da base de Lula.

Também segurou demandas da oposição como a anistia aos envolvidos nos atos de 8/1 e os pedidos de impeachment para ministros do STF.

O INÍCIO DA RIXA

A rixa entre Alcolumbre e Lula começou quando o presidente contrariou o senador e indicou o Bessias para o Supremo.

Em princípio, havia uma articulação para que Rodrigo Pacheco fosse para o STF.

O mesmo Pacheco colocado por Alcolumbre na presidência do Senado em 2021, depois de ter ocupado ele mesmo a cadeira no começo do governo Bolsonaro, tendo derrotado o poderoso Renan Calheiros.

O mesmo Pacheco também que Lula queria como candidato ao governo de Minas.

No fim, o presidente anunciou a indicação de Bessias sem falar previamente com Alcolumbre, que soube pela imprensa e se irritou.

O presidente do Senado passou a recusar até ligações, inclusive do líder do governo, Jaques Wagner.

O clima já era de ruptura, mas as negociações continuaram, sem que Alcolumbre concordasse em receber Jorge Messias.

A novela durou meses e terminou com final infeliz para o indicado de Lula.

A cereja do bolo veio hoje com a derrubado do veto do presidente ao PL que reduz a pena de Bolsonaro.

CLIMA DE GUERRA

Agora, o clima é de guerra.

Ambos têm telhado de vidro.

O nome de Alcolumbre aparece de alguma forma em quase todos os escândalos recentes da República.

Segundo o Uol, ele recebeu de presente canetas emagrecedoras Mounjaro (quando eram desconhecidas) de “Beto Louco”, empresário que está foragido por ser acusado de ligações com o PCC.

Também tem um ex-chefe de gabinete, Paulo Boudens, apontado como uma das conexões do Careca do INSS no Congresso – chegou a decretar sigilo de 100 anos para os registros de entrada do lobista na Câmara e no Senado.

Seu irmão e um ex-tesoureiro investiram R$ 400 milhões do fundo de pensão dos servidores do Amapá (Amprev) em papéis “podres” do Banco Master.

Considerado o pai do chamado orçamento secreto, ele conseguiu que cinco das dez cidades que mais receberam recursos por habitante do governo federal fossem do seu estado natal, o Amapá.

No caso de Lula, cujo filho também tem relações com o Careca do INSS, assim como o irmão é vice-presidente de uma das entidades acusadas de fraudes contra aposentados e pensionistas, há escândalos novos e antigos.

No caso do banco Master, ex-ministros como Lewandowski e Guido Mantega tinham contratos de consultoria com Daniel Vorcaro e Lula recebeu o banqueiro em reuniões fora da agenda, inclusive com o então futuro presidente do BC.

Da mesma forma, a cúpula do PT da Bahia está na origem de todo o esquema montado por Augusto Lima, ex-CEO do Master.

A situação pode levar a um conflito desastroso para os dois lados ou uma paz assegurada pela doutrina MAD, ou seja, destruição mútua assegurada.

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