Os rastros financeiros que ligam os Esley Batista ao escândalo Tayayá

27 de abril de 2026 § 1 comentário

“Estou doido para processar vocês. Essa informação de vocês é falsa, fraudulenta. Vai você e o gerente do banco para a cadeia. Vou fazer questão de colocar o senhor na cadeia. Moleque! Vá para o quinto dos infernos”.

A frase acima foi dita, por telefone, ao repórter Vinícius Valfré, do Estadão, pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que presta serviços à J&F, dos irmãos Esley Batista, e comprou a participação de Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná.

O jornal teve acesso a um documento do Coaf que sugere uma triangulação financeira envolvendo a gigante multinacional, um escritório nanico de advocacia em Goiás e o autor das gentis palavras do começo desta postagem, o mesmo que tem uma estreita relação com o ministro e ex-advogado do PT indicado por Lula ao Supremo.

Segundo o relatório, a J&F e a JBS transferiram R$ 11,5 milhões, em dezembro de 2023, ao escritório da advogada Maísa de Maio Marciano, que registrava faturamento mensal de R$ 9 mil e aluga uma sala compartilhada do bairro Setor Sul da capital goiana, e, no mesmo dia, ela transferiu R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa.

Barbosa é dono da PHB Holding, que recebeu R$ 25,9 milhões dos irmãos Batista em 2025, mesmo ano em que adquiriu o que restava na ocasião da participação da Maridt dos Toffoli no resort Tayayá.

Foi a suspensão da quebra de sigilo justamente da Maridt que levou à inclusão de Gilmar Mendes no relatório final da CPMI do INSS, que pediu seu impeachment, além dos de Moraes e do próprio Toffoli.

“Maridt” combina o nome da cidade natal do ministro, Marília (SP), com as iniciais DT (Dias Toffoli).

SIGA O DINHEIRO

Uma agência do Sicoob de Goiânia soou o alerta sobre as entradas e saídas do escritório de Maísa Marciano, em fevereiro de 2024.

O relatório diz que “não foram apresentados documentos comprobatórios que justifiquem e forneçam lastro para as expressivas transações”, o que aponta um “alto risco para lavagem de dinheiro”.

Em 15 de dezembro de 2023, a JBS repassou R$ 8 milhões e, no dia 18, a J&F pagou outros R$ 3,5 milhões.

No mesmo dia 18, Maísa Marciano fez um pagamento de R$ 3,5 milhões a Paulo Humberto Barbosa.

Segundo o documento, no mesmo dia 15 em que recebeu da JBS, ela também repassou R$ 6,9 milhões ao BK Bank em uma conta no Banco do Brasil.

Principal alvo da Operação Carbono Oculto de agosto de 2025, o BK movimentou R$ 17,7 bilhões de forma suspeita, com origem direta na exploração de jogos de azar, na venda de combustíveis adulterados ou em fraudes metrológicas na venda de combustível – as autoridades investigam se a fintech opera com as chamadas “contas bolsão”, mecanismo que mistura dinheiro de vários clientes para dificultar o rastreamento, e de ter servido a esquemas do PCC.

Em 2023, Toffoli suspendeu o pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões do grupo J&F, fechada no acordo de leniência com o Ministério Público Federal.

Ninguém conseguiu explicar ao Estadão qual o serviço prestado pela advogada Maísa Marciano ao grupo dos irmãos Batista que justifiquem o pagamento de R$ 11 milhões.

§ Uma Resposta para Os rastros financeiros que ligam os Esley Batista ao escândalo Tayayá

  • creationmellow02ccff327a disse:

    Todos bandidos, que deram estar presos. Não faz sentido os Esley controlarem o Brasil. Já não é um país.

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