Ensaio sobre a cegueira

13 de abril de 2026 § 4 Comentários

O título veio-me imediatamente à cabeça na medida em que fui avançando na leitura.

Um brasileiro da estatura intelectual e com a experiência vivida de um Pedro Malan, depois de ler o tal Crises of Democracy, do tal Adam Przeworski, sair desse livro inspirado apenas e tão somente em escrever para um jornal brasileiro um artigo alertando o publico para a possibilidade dessa distopia se tornar realidade nuns Estados Unidos imaginários, sem se dar conta nem por um minuto, de que estava descrevendo, passo a passo e palavra por palavra, a doença presente do Brasil, realmente reduz minha esperança de que este país acorde do seu pesadelo um dia, e de que haja, afinal, algum grau de imunidade que possa ser adquirido pela cultura e pela experiência vivida à cegueira da polarização ideológica.

Não! Ninguém está à salvo! E nenhum dado da realidade será antídoto para essa doença…

Confiram aí os trechos sublinhados e me digam se o louco sou eu.

§ 4 Respostas para Ensaio sobre a cegueira

  • dercioconceicao disse:

    Palavras do próprio Fernão em uma matéria publicada aqui mesmo no Vespeiro:

    “Às vezes, a única maneira de aprender as coisas é pelo caminho mais difícil. Às vezes, a única maneira de aprender o valor do que você tem é perdê-lo. Se for esse o caso, o Marxismo e o Socialismo podem ser exatamente o que o médico receitou”.

  • carlozende disse:

    Alguns aprendem com as experiencias dos outro (o que é ideal), ou aprendem com a própria experiencia e o Malan não aprende nunca.

  • gracefullyf6aa39b6a3 disse:

    A história sempre se repete…
    O dirigente bom e honesto, porém, sério e exigente, limpa a sujeira, exige responsabilidade de todos e reforma a casa vandalizada pelo dirigente bandido, permissivo, odiento, porém, demagogo e carismático.
    O povo sofre com ambos, porque é o protagonista do esforço de recuperação moral e ética, imposto pela política do honesto e sofre igualmente pelo vandalismo proporcionado pelo dirigente do desonesto.
    Por isso, o povo sempre adere às promessas de campanha da oposição, pois concorda com as críticas feitas por ela ao sofrimento imposto pelo dirigente da situação.
    Assim, Biden foi um velho decrépito, enquanto presidente e Trump era o salvador. Agora, Trump é truculento e Biden era um velho bonzinho.
    A alternância está garantida por essa gangorra de conceitos e preconceitos.
    Logo, no momento em que todos os políticos buscam mais poder e se agitam para o combate de acusações mútuas, espera-se muitas promessas que não serão cumpridas, redenções que se tornarão um inferno e verdades absolutas que se tornarão mentiras e “gópis”…
    Para que haja mais transparência e decência é preciso que as campanhas sejam mais honestas, mas isso é algo impossível, em se tratando de políticos, assim como é impossível exigir de certos ex-ministros a coerência de quem foi contaminado pela política faz tempo.
    Desta forma, não basta ler mecanicamente best sellers; não basta ser erudito; é preciso ter discernimento, questionar-se, até que a informação se transforme em conhecimento, e este seja assimilado, mudando o perfil comportamental do indivíduo, pela evolução cultural adquirida.
    Aí está o cerne da sabedoria e da intelectualidade desenvolvida.
    Portanto, citar autores, por conveniência ou intencionalidade, porém, sem integridade, é seguir o caminho político ideológico mais cômodo; é associar-se a um viés de confirmação que acomode aplausos a informações catalogadas como certezas, e não como reais dúvidas de uma cultura sólida.
    Essa é a retórica a serviço de narrativas hipócritas; é a parcialidade de quem fez fama como se intelectual fosse, mas acomodou-se melhor na cama da estupidez.

  • Evol 1 disse:

    Essa distopia por parte de quem não reconhece o próprio rabo parece ser uma doença viral que se espalha entre grupos de um determinado perfil intelectual. Estou falando do finado PSDB. Confissões como essa só nos dão ainda mais certeza de que filosofia demais não serve para porr@ nenhuma. A perplexidade de um zé-mané como eu, que já até nutriu admiração por um Malan da vida, é saber que o ponto divisor de águas desses bunda-moles é a frívola ESTÉTICA.

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