Derrota de Viktor Orbán não tira direita do poder na Hungria

13 de abril de 2026 § Deixe um comentário

A Hungria encerrou os 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán, elegendo nesse domingo o partido Tisza, de centro-direita, com 53% dos votos e 138 das 199 cadeiras no Parlamento, garantindo maioria absoluta para governar e até reformar a Constituição.

O líder vencedor é Péter Magyar, de 45 anos, um ex-aliado de Orbán – já foi até chamado de “Orbán baby” quando eram do mesmo partido.

A queda do Fidesz é atribuída ao desgaste econômico do país, com estagnação e inflação, que corroeram o poder de compra dos húngaros.

Apesar da derrota do atual premiê, as eleições parlamentares na Hungria consagraram uma vitória esmagadora das forças de direita e centro direita, que somaram mais de 97% dos votos, e a esquerda ficou com menos de 2%.

Houve um domínio absoluto.

Enquanto partido de Magyar obteve mais da metade do Parlamento, a sigla de Orbán alcançou 38,43% e o Mi Hazánk, também de direita, registrou 5,83%.

Orbán reconheceu a derrota em pronunciamento, classificando o resultado como “claro” e “doloroso”, e mostrou ao mundo que não é o “monstro autocrata” pintado pela esquerda.

Filho de advogados e formado em direito, Magyar construiu sua carreira no partido de Orbán, o Fidesz, chegando a trabalhar como diplomata húngaro em Bruxelas.

Também dirigiu o Centro de Empréstimos Estudantis da Hungria e ocupou cargos em empresas estatais e no Banco de Desenvolvimento do país.

Foi casado com Judit Varga, ex-ministra da Justiça no governo Orbán.

Eles se divorciaram em 2023 em parte por divergências políticas, segundo Magyar, que foi acusado de agressão pela ex-mulher, sem que o caso tenha ido a julgamento.

O futuro primeiro-ministro húngaro se diz “conservador de centro-direita” e elegeu mais da metade do Parlamento com discurso de combate à corrupção sistemática no país, o fortalecimento da independência da mídia e do judiciário, maior transparência em licitações públicas e a limitação do exercício de primeiro-ministro a apenas dois mandatos, o que impediria a volta de Orbán ao cargo.

No âmbito internacional, conforme disse em campanha, Magyar pretende reduzir a dependência energética da Hungria em relação à Rússia até 2035, realinhar o país com a União Europeia – Orbán é visto como um aliado da Rússia dentro do bloco – e adotar postura mais favorável à Ucrânia do que a de Orbán, embora mantenha a posição do governo atual de não enviar armas a Kiev.

O nome do partido Tisza significa “Respeito e Liberdade” em húngaro (Tisztelet és Szabadság).

Ele foi fundado em 2020, mas ficou inativo até Magyar assumir seu controle, em 2024, após romper com a legenda de Orbán.

Naquele ano, com apenas três meses de campanha, o partido estreou nas eleições para o Parlamento Europeu de junho de 2024 e obteve 29,6% dos votos, elegendo sete deputados.

Nos meses seguintes, Magyar visitou 500 municípios durante a atual campanha parlamentar, chegando a cidades pequenas e vilarejos que historicamente eram redutos do Fidesz, além de cidades em países vizinhos, como a Romenia.

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