CVM abre a caixa preta do Master, da Reag e da Trustee
7 de fevereiro de 2026 § 2 Comentários


A Comissão de Valores Mobiliários mantém pelo menos 126 processos abertos relacionados ao Banco Master, à corretora Reag e à Trustee —instituições investigadas por fraudes e lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado—, conforme levantamento interno revelado ontem na primeira reunião de um grupo de trabalho que apura falhas de fiscalização da autarquia no caso do banco controlado por Daniel Vorcaro.
Desses casos, 47 tratam diretamente do Master, 77 da Reag e dois da Trustee, com o mais antigo datando de 2017.
Segundo coluna de Malu Gaspar em O Globo, o número deve crescer ao incluir pessoas físicas e jurídicas vinculadas.
O grupo terá três semanas para detalhar quais processos foram arquivados, duplicados, represados sem justificativa ou apenas pedidos de informação.
Embora o Banco Central fiscalize bancos, a CVM supervisiona fundos de investimento —que representavam metade dos ativos do Master, muitos superprecificados e usados em transações suspeitas sob investigação da Polícia Federal—, e o foco da apuração recai sobre áreas como a Superintendência de Supervisão de Investidores Institucionais (SIN), responsável por ofícios de alerta enviados ao Master e à Reag como alternativa a processos formais por irregularidades menores, prática que agora levanta suspeitas de leniência ou subestimação de riscos graves.
De acordo com Malu Gaspar, fontes indicam que um objetivo implícito nesse grupo de trabalho é identificar responsabilidades por eventuais omissões, má-fé ou incompetência na SIN e na Superintendência de Securitização e Agronegócio (SSE).
Um episódio emblemático envolve o ex-diretor da CVM Henrique Machado, que atuou entre 2016 e 2020 e, em dezembro daquele ano, recomendou um acordo generoso para encerrar processo por fraude em emissão de R$ 49 milhões em debêntures do Master (então Máxima), ignorando histórico da corretora intermediária Indigo —suspensa por fraudes em fundos de pensão na Operação Fundo Fake— e sem aguardar diligências que ele mesmo solicitara.
No termo de compromisso, Vorcaro e o diretor Luiz Antonio Bull (presos em novembro de 2025) pagaram multas de R$ 250 mil, sem ressarcir investidores pelos desvios.
Após deixar a CVM, Machado tornou-se sócio do Warde Advogados em julho de 2021 —mesma época em que o escritório começou a defender o Master— e participou de 21 das 59 reuniões com a autarquia sobre o banco, algumas tratando de processos abertos em sua gestão, ao lado de Vorcaro e Bull.

A CVM, foi criada para substituir (assumir) funções que eram do Departamento de Mercado de Capitais(DEMEC) do Banco Central do Brasil. Foram varias as “alegações” utilizadas pra justificar a transferência de funções/atribuições, em especial a conveniência de se adotar fiscalização menos rigorosa nessas instituições.
O que não esta claro em hipótese nenhuma e a inclusão dos fundos de investimentos nesse balaio de gatos já que essa atividade é mais adequada aos bancos de investimentos que continuam sob a supervisão do Bacen.
E, como se vê, esses fundos têm sido utilizados para finalidades bastante duvidosas atualmente.
Se alguém disser que tais “ingerências” atendem a propósitos “extra vagantes”… Não estará de todo incorreto não.
Com quase 81 anos de idade, dos quais 60 dedicados à Advocacia, alguns escritórios ainda conseguem me surpreender.