Defesas brilham e Moraes é flagrado em mais uma falsificação

2 de setembro de 2025 § Deixe um comentário

Alexandre de Moraes abriu o julgamento de Bolsonaro com sua marca registrada pessoal: um discurso político violento e intimidatório, antecipando seu julgamento e ameaçando qualquer um entre seus próprios pares que ousar contestá-lo com a pecha de covardia, palavra que ele repetiu ao menos uma dezena de vezes.

Nada a ver com o que se espera de um relatório técnico da mais técnica das cortes, da lavra do relator de uma ação que se pretende como tal.

Moraes declarou legais todos os seus atos ilegais, enumerou todas as inconsistências, imaterialidades, ilegalidades e violações do devido processo apenas para decretá-las consistentes, materiais e legais. E ponto. Nenhuma argumentação em torno de qualquer dos pontos questionáveis. Apenas mais decretos para justificar decretos anteriores.

Mentiu, enfim, com toda a virulência que o tornou internacionalmente célebre e fez dele o primeiro pária internacional de papel passado da História do Brasil.

No mesmo momento em que ele fazia isso, Eduardo Tagliaferro, seu cúmplice arrependido, depunha no prédio ao lado à Comissão de Finanças Publicas do Senado, uma das poucas a escapar à máfia chefiada por Davi Alcolumbre, mostrando como ele falsificou provas contra o grupo de empresários calados à força na véspera da eleição de 2022 por apoiarem Bolsonaro.

Ele foi atras de Luciano Hang e seus interlocutores movido por uma nota de Guilherme Amado para o site Metrópole sobre a conversa havida entre esses empresários e, em cima disso e apenas disso, nada mais, mandou quebrar o sigilo fiscal e de comunicações de todos eles e fazer a busca e apreensão dos telefones de todos, que é como monta todas as suas falsificações jurídicas.

E com eles em mãos, determinou a Taglieferro e equipe, nos termos que você poderá constatar na matéria na sequencia desta, que forjassem “provas” contra eles para, torturando o significado das mensagens e conversas encontradas, congelar-lhes os bens para cortar financiamentos de campanha e calar-lhes as redes sociais.

O fundamento da busca e apreensão, em resumo, foi apresentado depois de feita a busca e apreensão, o que é, como tudo que ele em feito, um crime grosseiro, a profundidades abissais de distância de algo que se possa chamar de uma corte suprema de uma democracia…

O desfile dos primeiros advogados de defesa a se apresentarem hoje encaixa-se perfeitamente nesse figurino.

A razão da suspensão dos sigilos costumeiros e a redução do rito sumário em que vinha a implantação da ditadura lulista que cavalga a “trama golpista” já foi, obviamente, uma resposta cuidadosamente “soberana”, ao fato surpreendente de, no meio da festa, as violações de direitos humanos e brutalidades perpetradas pelo STF a reboque de Moraes terem começado, pela primeiríssima vez na história do Brasil, a produzir consequências para os seus autores.

Foi a primeira oportunidade que o país teve de ouvir as defesas dos múltiplos acusados pelo “golpe” – que tem de ser “trama” porque não aconteceu, e o que não aconteceu não pode ser julgado como crime por nenhuma lei civilizada, inclusive a que existia no Brasil quando ainda guardava traços de civilização – com começo, meio e fim.

As argumentações dos cinco primeiros advogados de defesa que se apresentaram hoje proporcionou uma visão de conjunto: nos poucos casos em que houve qualquer ponto da acusação que se parecesse com um fato, foram apresentadas provas materiais indiscutíveis para desmenti-los; e no mais, tudo que os advogados fizeram foi demonstrar a impropriedade das fantasiosas interpretações de indícios variados arrancadas a fórceps dos roteiristas de Alexandre de Moraes, e montadas invariavelmente sob a mesma dose insuportável de pressão obsessiva que, no seu discurso de abertura, ele não se pejou de transferir para os seus próprios pares.

Os advogados de Cid demonstraram claramente que o tempo todo os enredos montados por Tagliaferro e pela policia chefiada pelo nefando delegado Schor, procuram confundir as atribuições funcionais do ajudante de ordens da presidência com participação voluntária em supostas conspirações.

Que Cid não escreveu a “minuta” que só existe em seu celular, e conforme foi mostrado pelo advogado Schiquini e vocie poderia constatar aqui mesmo no Vespeiro rolando para as matérias publicadas 2a feira, tambem não é a que teria sido apresentada na reunião em que teria sido tramada a trama.

Ponto por ponto, enfim, ao demonstrar que Cid – cuja denuncia é a única fonte de toda a acusação – não participou de trama nenhuma, sua defesa demonstrou indiretamente que isso aconteceu tambem porque não houve trama nenhuma.

Paulo Renato Garcia Cintra, por Alexandre Ramagem, demonstrou conclusivamente que a maior parte das “provas” e “acusações” assacadas contra seu representado simplesmente não constam dos autos e, portanto, não puderam ser contestadas até que o advogado tivesse o tempo hábil, que lhe foi negado, de ler a trolha toda. E assim como Cid, anotações pessoais suas que jamais foram repassadas a quem quer que seja, sobre urnas eleitorais e temas “conspiratórios” desse calibre, foram tomadas como prova de “trama para desacreditar a eleição”. Nem mesmo o teste das urnas para o qual a Abin está formalmente pautada foi feito na eleição de 2022.

Demostenes Torres, pelo almirante Garnier, foi arrasador.

Demonstrou, adjetivo por adjetivo entre os repetidos dezenas de vezes por Paulo Gonet minutos antes para justificar a traição do Estado a Mauro Cid por sonegar-lhe todos os benefícios prometidos depois de arrancar-lhe a delação praticamente sob tortura – ele o chamou de “depoente omisso”, “contraditório”, “desleal”, “resistente ao prometido e combinado” e muitos etceteras que não tive tempo de registrar – que se assim é, essa delação deve ser rescindida e não homologada, o que literalmente extingue o caso.

Demostenes repetiu os argumentos da liberdade de expressão como fundamento da civilização contra a barbarie e advertiu, na cara dos Dinos todos, para o desastre certo de revoga-la e criminalizar discursos.

Repetiu a prova material e indiscutível da ausência de Garnier na reunião em que ele teria oferecido tropas ao presidente, a única acusação formal contra ele e a mais pesada “prova” de que haveria uma intenção real de golpe.

E encerrou seu discurso com um paralelo brilhante dado o palco em que estava:

Lembrou que Rodrigo Janot, ex-Procurador Geral da Republica como Gonet, admitidamente entrou armado no STF para matar Gilmar Mendes, mas desistiu. E nada aconteceu com ele porque, não tendo havido o crime, não havia causa legal.

Finalmente, o advogado de Anderson Torres, um homem notoriamente inocente e de uma boa fé que beira a ingenuidade e foi literalmente linchado pelos criminosos no poder, destruiu a acusação contra seu cliente prova por prova, de forma esmagadora.
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A “fuga de Anderson Torres para os EUA” era uma viagem sonhada que foi comunicada ao governador Ibaneis Rocha desde o momento em que ele o contratou como secretário de Segurança Publica do Distrito Federal, antes de ser chamado para o ministério de Bolsonaro.

A tal “minuta do golpe” encontrada na casa dele, que lhe atraiu a fúria de Alexandre de Moraes, estava circulando no Google, onde foi enfiada … em janeiro de 2023.

As mensagens dele no 8/1, desde os Estados Unidos, então, confirmam o dolo da tentativa de destrui-lo.

O MPF e o PGR Paulo Gonet saem desta primeira seção do julgamento mais sujos que pau de galinheiro, enfim. Este senhor dá provas diárias, ontem confirmadas de modo acachapante, do temor reverencial que tem pelo Grande Tuchaua da tribo do STF. Ele apareceu em todos os arrazoados de hoje como quem, na ânsia de puxar-lhe o saco, quer ser mais realista que o pretenso novo rei do Brasil.

E com ele a PF do desclassificado Fabio Schor, que tem a desculpa de ser apenas pau-mandado.

Ou seja, sai coberta de lama a linha de ataque inteira que joga sob o comando direto de AdeM.

Mas quem sai mais irremediavelmente destruído disso é a imprensa golpista, que comprou cada um dos achismos hoje indiscutivelmente expostos como tal como fatos incontestáveis, especialmente a CNN, acusada por Eduardo Tagliaferro de ter recusado por dois meses a fio as provas de falsificação de provas de Alexandre de Moraes que ele estava exibindo no prédio ao lado.

As provas de Tagliaferro, que compõem os capítulos já conhecidos da Vaza-Toga, ao contrário das dos roteiristas do Alexandre, foram auditadas e periciadas.

A incompetência da direita é a maior prova de sua boa fé. Não ha cálculo nas suas ações neste país de cartas marcadas. Mas deveria haver. Não ha lugar para amadores na luta feroz pelo poder. E a resistência democrática só dispara seus traques no auge dos grandes bombardeios dessa guerra. Parece decidida a garantir que eles não tenham mesmo repercussão.

Cadê a CPI da Vaza-Toga?

Se depoimentos como os de hoje, que pela primeira vez pintam uma história com começo, meio e fim da maior trapaça da história do Brasil e da maior violência já cometida aqui depois do enforcamento de Tiradentes, não mudarem o rumo prometido deste processo, é porque o Brasil não tem mesmo mais salvação.


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