O recesso é moral

18 de julho de 2025 § 6 Comentários

O Brasil amanheceu hoje com mais um espetáculo jurídico-policial digno de enredo de novela autoritária. Às seis da manhã, a Polícia Federal bateu à porta do ex-presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, em mais uma operação cercada de arbitrariedades e conveniências políticas. Sob o manto de medidas cautelares, determinou-se tornozeleira eletrônica, busca e apreensão, proibição de contatos e vigilância 24 horas por dia. O crime? Nenhum com prova concreta. A justificativa? Indícios amplos, genéricos e absolutamente flexíveis, moldáveis à vontade da corte que hoje governa o país de toga.

Encontraram em sua casa cerca de 14 mil dólares em espécie, uma quantia absolutamente dentro do limite permitido por lei — o mesmo limite que vale para qualquer brasileiro, seja ele político ou camelô. Nenhum depósito suspeito, nenhuma movimentação oculta, nenhuma conta no exterior, nenhum vínculo com doleiros, narcotráfico ou lavagem de dinheiro. Apenas o suficiente para uma viagem, para uma reserva pessoal, para o que quer que seja, dentro do legal. Mesmo assim, a imprensa correu para pintar o quadro de escândalo, como se fosse algo inédito ou criminoso. O mais grave é que tudo isso já constava em registros de viagem: a Receita, a PF, o Banco Central, todos sabiam. Ou seja: não havia novidade, apenas oportunidade para o circo.

Mais grave ainda é que a operação de hoje, embora travestida de “medidas cautelares”, tem cheiro de retaliação política, gosto de vingança e textura de pré-condenação. Uma condenação antecipada, executada sem julgamento, sem contraditório, sem direito pleno de defesa. Trata-se de uma inversão perversa da ordem jurídica: primeiro se pune, depois se pergunta. O ministro Alexandre de Moraes, que há anos age como delegado, promotor e juiz, segue acumulando poderes que nenhuma constituição democrática jamais concedeu. E o Congresso? Assiste em silêncio, inerte, acuado, incapaz de lembrar que representa o povo e não um comitê de censura judicial.

Enquanto isso, figuras do PT vibram. Políticos condenados no passado, agora reabilitados pela mesma justiça que os perseguia, exigem prisões como se fossem promotores. O diretório do PT de Minas Gerais, por exemplo, foi além: pediu publicamente a prisão de Bolsonaro como se fosse ministério público, ignorando que nem mesmo a PGR solicitou tal medida. E o STF, claro, respondeu não com uma negativa, mas com novas imposições cautelares. Uma dança de acenos entre quem deseja sangue e quem tem a faca.

A pergunta que não cala é: onde está o devido processo legal? Onde está a imparcialidade? Onde está a garantia constitucional de que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado? O que se viu hoje foi um ex-presidente ser tratado como inimigo público, não por atos comprovados, mas por conveniência narrativa. Um cidadão que até hoje não teve condenação definitiva em nenhuma instância, mas que já cumpre pena, já foi banido da política e já é exibido à opinião pública como se fosse um fugitivo da Interpol.

O Brasil não pode continuar nesse estado de exceção informal. O país que assiste calado hoje é o mesmo que já está sendo censurado por piadas, por opiniões, por likes. A instrumentalização da justiça, a seletividade da fúria legal, o uso da caneta para moldar o adversário como criminoso — tudo isso é incompatível com qualquer democracia que se queira respeitável. A lei não pode ser escrita de forma tão flexível que caiba o amigo e exclua o adversário. Quem aplaude hoje, com certeza não entendeu que esse filme já passou em outros países — e nunca terminou bem.


§ 6 Respostas para O recesso é moral

  • Motivação disse:

    Pois é onde estao.os 380 deputêdos? Escondidos debaixo da cama? O cara triplicou a aposta e peitou o laranjao

  • Maristela Sorensen disse:

    Virou uma obsessão, uma vingança ampliada pelo Lula/STF /imprensa comprada.

  • Evol 1 disse:

    Mas se deixarmos o velhote fantoche sangrar, e se Trump não der discurso para nossa esquerda, na eleição em 2026 tudo se resolve. Pode confiar.

  • inventive2b4fa30bf9 disse:

    Hoje, pra mim é dia de comemoração. Dia de vitória. Não a definitiva ainda, mas vitória sim.

    Vejam bem. O gamba de nove dedos já contou isso um milhão de vezes: ” se não temos argumentos basta criar uma narrativa, a narrativa certa”.

    O que aconteceu ontem e foi realizado hoje pela manha foi a derrota anunciada. Eles não em mais, nem mesmo a narrativa.

    Ontem eles viram a nova declaração do presidente TRUMP. Se borram todos.
    Ontem do dr, Chiquini pôs o xandão de quatro quando interrogou ao GDIAS sobre a capacidade militar para dar segurança aos prédios públicos em 8 / janeiro. E o GDIAS afirmou que eram 900 (novecentos) homens de prontidão, à disposição. Ele admitiu que oque houve foi crime de omissão do governo que facilitou a entrada dos vândalos para criar a narrativa do golpe..

    O xandão interrompeu a fala, cassou a palavra do advogado e encerrou a sessão.

    Não havia mais narrativa. Não havia mais golpe, não havia mas sentido no julgamento.

    O que restou foi o que ele fez. Soltou todos os cachorros que tinha e partiu pra briga de rua, briga de moleques. Comprovou que não é juiz, não caráter, não tem vergonha.

    O xandão reconheceu a derrota. Perdeu a batalha e a guerra, tudo junto. Não tem mais moral.

    Agora a tarde deve estar havendo uma sessão do pleno do STF para avaliar as “ações” do xandão. O que vai sair de lá? São duas as opções. O leno pode anular tudo, atirando o xandão ao meio do lixo que representa, ou podem confirmar as besteiras todas. Mesmo assim sabem que estão assumindo a cumplicidade expressa com o crime. SE declaram uma facção criminosa institucional.

    Nos comemoramos a vitória. primeira de muitas mais!

  • gracefullyf6aa39b6a3 disse:

    Natura non facit saltus – A Natureza não dá saltos…
    Da mesma forma, a natureza humana depende das gradativas mudanças do imaginário coletivo; e isso leva tempo e exige persistência inabalável, embora evolutiva e multifacetada. Isto é, desde que a visão seja ampla e o leque de opções seja aberto, como o de uma pessoa madura, a cada passo se descobre algo novo e revelador.
    É a tal da serendipidade, que só acontece com quem avança com um objetivo em mente, embora não se saiba como esse objetivo estará no futuro.
    Sim, o objetivo de hoje não será o de amanhã.
    Como já dizia o tropeiro experiente: a carga se ajeita no lombo do burro durante a viagem…
    O brasileiro é descendente de um povo milenar, remanescente dos romanos peninsulares católicos, foi isolado pelos bárbaros, refugiou-se nas Astúrias, manteve a fé cristã, se preparou para combater os suevos e visigodos, mas os viu derrotados antes pelos muçulmanos. Retornaram quase setecentos anos depois, preparados e, com a liderança de Afonso Henriques, acabaram com o califado ibérico em menos de cem anos em todo o território Portucalense. Instituíram ordens religiosas importantes, negociaram o poder com o Vaticano, tornaram-se a maior frota exploradora dos mares, criaram aliados importantes, venceram a sanha napoleônica, geriram seu reino, mesmo que a partir do outro lado do Atlântico, ultrapassaram as linhas do Tratado de Tordesilhas e conquistaram um enorme território na América e o mantiveram unido em um só país, enquanto o lado espanhol se esfacelou em republiquetas.
    Nesse caldeirão de diversidades tem de tudo, mas todos têm orgulho da terra que pisam e compõem um grupo muito especial de pessoas cordiais, embora broncas, hospitaleiras, embora ressabiadas, corajosas, embora pacíficas e até pouco enérgicas.
    Em suma, uma receita que gerou um povo versátil, capaz de se safar em situações diversas, mesmo subjugado pelos desmandos despóticos e oligarquias tirânicas.
    Mesmo que digam o contrário, é um povo fadado ao crescimento, mas que ainda tem muito a usar de seu DNA de negociador, até que o visgo dos bonecos de piche que os tenta impedir de crescer desapareça.
    Com calma, persistência, muitos desvios, erros e acertos, o Brasil brotará e florescerá, apesar dos venais, entreguistas, traidores, corruptos, estúpidos e ingênuos que não enxergam, ou não querem enxergar, o enorme potencial desse povo valoroso.
    Brasil, acima de tudo e Deus acima de todos… Isso, nós já aprendemos, bem como o valor das cores da nossa bandeira e o amor ao chão que ainda será nosso e não mais de pilantras entreguistas…

  • gracefullyf6aa39b6a3 disse:

    Essa justiça canhestra que ora presenciamos de ilegitimados togados está cansada de saber que o direito natural não aceita afrontas de prepotentes e pretensiosos…
    Não reclamem, portanto, do epílogo dessa história.
    A fanfarronice do Foro de São Paulo acabou, depois da derrota de Kamala Harris. O jogo se inverteu…
    Rendam-se, canalhas, enquanto há tempo, antes que ânimos mais exaltados resolvam por um tribunal à Nuremberg ou cordas em um posto de gasolina, como em Milão de 1945.
    Os crimes já foram feitos e qualquer outro arroubo de autoritarismo ou poder indevido somente afundará mais seus corpos na lama da história.

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