Do que vive e sobrevive o bolsonarismo

23 de setembro de 2021 § 18 Comentários

  • Anulada a prisão após condenação em 2a instância e soltos os presos pelas propinas pagas “para destruir a democracia brasileira” segundo sentença passada na Ação Penal 470 ao fim de 69 quilométricas seções do STF, a CPI das propinas não pagas pelo governo Bolsonaro, cujo relatório está sendo montado pelo advogado Kakay dos ladrões do PT, “convidado” para assessorar “o paladino da probidade na política” Renan Calheiros, prende ou “torna réus” todos quantos ganham as discussões ou apresentam provas contra seus acusadores.
  • Ricardo Lewandowski, dileto amigo da “Galega”, mulher “do cara”, suspende mais duas ações contra a associação com a Odebrecht para subornar com “mesadas” 189 deputados e senadores do “maior assaltante de todos os tempos”, segundo o Banco Mundial. Na semana seguinte, a defesa de Lula aciona a OAS para devolver-lhe os pagamentos pelo triplex do Guarujá que “não era dele”.
  • Depois da derrubada da cláusula de barreira e do financiamento exclusivamente estatal das campanhas dos “partidos politicos” sem povo decretadas pelo STF que “prende quem pratica atos antidemocráticos”, o novo código eleitoral dá R$ 6 bi às suas criaturas e restabelece as coligações entre elas.
  • Por via das duvidas, fica instituída a quarentena para juizes como Sérgio Moro e militares e policiais como os que apoiam Bolsonaro candidatarem-se em eleições.
  • Depois dos 433 votos a 7 a favor do comprovante impresso, anulados por “inconstitucionalidade”, o monocrata Barroso “convence” um Congresso recheado de réus do Supremo da inviolável virgindade da única máquina de processamento de código com essa qualidade em todo o planeta, e reduz essa maioria a 229 contra 218 votos, insuficientes para confirmar a decisão anterior e, olhando nos olhos da Nação, estabelece que “a impossibilidade de provar a ocorrência de fraudes de que se queixa o eleitor brasileiro é a prova definitiva de que nunca existiram (nem existirão) fraudes”.
  • O TSE, sob o mesmo Barroso, “investiga” quem “armou” o 7, contra a censura, as prisões de “antidemocratas”, a “desmonetização” de sites que apoiem Bolsonaro e os decretos monocráticos inconstitucionais do STF, mas não o 12 de setembro dos partidos que pregam oficialmente a substituição da execrável “democracia burguesa” pela “ditadura do proletariado”
  • Com a eleição à vista, mutirão do “Judiciário democrático” duplica a quantidade de precatórios julgados em um ano e inviabiliza o pagamento do Bolsa Família aumentado para as vítimas da pandemia.
  • O mesmo STF que acusa o “genocida” Bolsonaro de mentir quando diz que foi desautorizado quanto às decisões sobre o enfrentamento da pandemia, determina que também a decisão que vale sobre a vacinação de adolescentes é só a de prefeitos e governadores.

A lista não tem fim…

O primeiro da minha raça que aprendeu a ler aderiu aos “Caifazes” do Largo de São Francisco. Emcapuçados, invadiam fazendas à noite e soltavam escravos. Junto com Vicente de Carvalho, o poeta com cujas sobrinhas casaram-se dois de seus filhos, articulava uma rede de esconderijos onde os fugidos acoitavam-se durante o dia para, na escuridão da noite, irem “Fugindo ao Cativeiro” Serra do Mar abaixo, até o “quilombo do Jabaquara”, no litoral de São Paulo. Viveram, os dois do sangue que deu o meu sangue, a saga da Abolição que fez nascer, ajudada no parto pelo jornal que ele criou, a autêntica nacionalidade brasileira em sua libertária americanicidade.

Golpeada a Republica pela qual lutara o pai, seu filho liderou a Revolução Constitucionalista de 1932. Foi preso 17 vezes e exilado duas pelos Alexandres de Moraes de Getulio Vargas e teve seu jornal confiscado pela ditadura. Restituído ao dono, os filhos deste que, honrando “norma sagrada” instituída pelo pai empregavam em suas redações todos os fugidos de todos os regimes, desafiaram sozinhos a censura, primeiro, e “as mordomias” dos militares, mais além, em plena ditadura. Adolescente ainda fui, por mais de uma vez, deslocado de meu quarto onde esconderam-se “jornalistas antidemocráticos” procurados pela polícia e, mais tarde, já na trincheira, trabalhei tanto para contrabandear para fora do país quanto para tirar da prisão gente que se opunha ao regime.

É caminho demais para voltar atras. Minha casaca não vira, é pele, e sigo cantando, aqui da minha capoeira, que haverá sempre moicanos

Ha excelentes razões para os da minha raça oporem-se à dos Bolsonaro, mas todas elas referem-se às questões que os identificam como lídimos produtos da privilegiatura. A “esquerda” e a “direita” dessa casta são, entretanto, essencialmente iguais na defesa de tudo que define seus privilégios e requer negar o Brasil à democracia porque não se sustentam pelos critérios de justiça que configuram o estado de direito. Por isso as “diferenças” que os separam referem-se exclusivamente ao que é acessório – costumes, gênero e as múltiplas configurações da libertinagem – e transferem para essas margens toda a radicalidade e violência do que realmente está em jogo: nada mais nada menos que perenizar o “direito adquirido” de continuar vivendo da exploração vil do favelão nacional.

O Jair, dos Bolsonaro, existe pelo que não é, porque denunciá-lo pelo que é seria, para a esquerda da privilegiatura, denunciar-se a si mesma. Por isso lhe é dado viver e sobreviver exclusivamente do choque que, mesmo no mais instintivo e desinformado dos seres humanos, provoca a límpida, a translúcida, a completa e despudorada desonestidade dos seus detratores.

§ 18 Respostas para Do que vive e sobrevive o bolsonarismo

  • Marcos Andrade Moraes disse:

    Vivem de textos como o seu, embora, tenho certeza, a ampla maioria não consegue chegar ao final, pois adormecem de roncar. Vivem de mentiras, complexos e delírios… MAM

    Curtir

  • Jeronimo disse:

    Pois é, Fernão,
    Essas coisas aí das quais você falou, parece que não são vistas pelas pessoas.
    Particularmente, eu não gosto do Bolsonaro mas, tenho que reconhecer que quando as esquerdas o acusam de querer instalar uma ditadura, estão, além de outras finalidades, claro, procurando desviar a atenção sobre as próprias ações.
    Fala-se muito que Chávez (e Maduro, por consequência) cooptou os militares e outras “autoridades” de maneira a dispor de forças internas que sustentem o regime e rechacem as formas de oposição. E já se acusou Bolsonaro de querer fazer o mesmo, o que até não duvido, pode até ser mas, é improvável pois, não acredito que ele tenha essa capacidade. Enquanto isso, vemos, como você bem denuncia, a formação de uma rede, silenciosa a princípio mas, que já vem dando sinais mais explícitos, de autoritarismo, coisa que lembra muito o “modus operandi” de Chávez.
    Enquanto isso, aguardamos uma terceira via que possa vir a nos salvar da catástrofe que fatalmente virá com a eleição de qualquer um da primeira ou da segunda via.
    Não me considero religioso mas, nesta hora, só nos resta clamar aos céus que nos ajudem.
    Abraço

    Curtir

  • jaquesgoldstajn disse:

    Adorei seu artigo

    Curtido por 1 pessoa

  • sergiolevy2015 disse:

    Artigo medíocre, digno de um esquerdeopata…

    Curtir

  • A Direita brasileira perdeu sua grande oportunidade, se é que se pode chamar de Direita quem está mais para populismos e não é chegado à livre concorrência de mercado. Salvam-se os chefes de família e donas de casa que foram às ruas por estarem fartos de tanto horror e iniquidade…
    Estamos agora muito próximo do inimaginável retorno do lulopetismo e toda desgraça que isso representa. Não temos alternativa, simplesmente isso. Basta ver os terceiros nomes que têm aparecido, exceto o de Moro que apesar de bem intencionado, não faz política.
    Esse PR ladrão de galinhas conseguiu a façanha de não só estragar tudo, como também conseguir ser tão rejeitado a ponto de dar razão aos que não querem uma verdadeira democracia para o país.
    Está cada vez mais longe a possibilidade de implantarmos o voto distrital com recall. Resta ainda podermos juntar milhão e meio de assinaturas de pais de família e donas de casa brasileiros de verdade!

    Curtir

    • Jackson Blecker disse:

      Começa quando a coleta dos milhão e meio de assinaturas? Quem da o pontapé inicial?

      Curtir

      • Gostaria de ouvir o Fernão sobre essa iniciativa muito pouco usada e até mesmo esquecida. Apesar da lei de iniciativa popular prevista na CF ser de difícil aplicação, já aconteceu quatro vezes.
        Precisávamos de um nome com repercussão nacional que capitaneasse essa iniciativa, com apoio de outras figuras de renome que lutam em prol da democracia representativa.
        Todos estamos de acordo com o voto distrital com recall, vamos procurar agora viabilizá-lo.

        Curtir

      • Jackson Blecker disse:

        Ambula e Fernão, acredito que o maior trabalho seria a implantação da Constituição proposta pelo Prof. Modesto Carvalhosa, mas o voto distrital com recall já seria um passo. Precisa começar e um nome forte na sociedade para capitanear

        Curtir

  • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

    Fernão, gostei que você lembrou episódios da vida familiar amalgamada com a vida do grande jornal O ESTADO DE SÃO PAULO e suas melhores participações nas grandes decisões da vida política nacional, como protagonistas defensores dos ideais democráticos republicanos.
    Veio-me a memória as declarações de Jânio da Silva Quadros sobre a atuação das “forças ocultas”, que certamente continuam a atuar no cenário nacional e mundial, manobrando as democracias com o combustível preferido delas: a sordidez do vil metal, o emprego maléfico do capital para fins do lucro fácil para quadrilhões, em detrimento das necessidades mais comezinhas da humanidade.
    Como pode a imprensa,que é a melhor defensora dos direitos dos cidadãos e das leis, continuar com liberdade se as forças ocultas conspiram descarada e incessantemente para dissolvê-la, tirando-a do controle daqueles que a faziam com um ideal democrático de vida?
    Quantos dão a vida para defenderem a imprensa livre e democrática, sabendo que a qualquer momento podem ser enquadrados como terroristas, inimigos da pátria e do povo?
    É muio fácil identificar quem são no Brasil os representantes das forças ocultas que financiam o obscurantismo em que vivemos. Por isso o medo deles das reformas administrativa, política, fiscal, econômica que incluam a maioria dos cidadãos como cidadãos de fato. A distribuição do poder é tão necessária quanto a distribuição da renda nacional de modo a evitar as privilegiaturas. Somos um país riquíssimo dominado por safados que exploram uma grande maioria de cidadãos entorpecidos, pelas mazelas que praticam.
    Cada cidadão de bem tem o dever de acordar os demais que ainda não o conseguiram fazer por si, criando uma força democrática poderosa para expurgar aqueles representantes das forças ocultas infiltrados nos Três Poderes de nossa combalida República.
    A via legal é possível, pois se assim não o fosse o movimento das Diretas Já não teria deixado de ser apenas um ideal.
    O Movimento hoje é : VOTO DISTRITAL PURO COM RECALL JÁ !
    A grande massa popular do interior do Brasil virá para as ruas e praças, sem temor de forças ocultas ou de perseguições por privações de empregos, alimentos, educação, saúde e justiça célere e justa!
    A vontade transformadora do povo será a arma legal que nos libertará!

    Curtir

  • NADER MURAD disse:

    O PODER ESTA TOMADO COMO DIRCEU PRECONIZOU , A
    REVANCHE DA ELEICAO DO PRESIDENTE ACIDENTAL , ESTA
    EM ANDAMENTO PELO STF VIOLANDO A CF COM LEIS NAO
    ESCRITAS E O TSE COM SUAS MALDADES…O DATA FOLHA
    COM SUAS PESQUISAS E A GRAN IMPRENSA CONIVENTE…..

    Curtir

  • Gilson Almeida disse:

    Esse artigo é de uma clareza que pertuba. Um prazer ser seu leitor, Fernão.

    Curtir

  • Herbert Silvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

    O eleitor/cidadão já está entendendo que as grandes mudanças na vida de uma nação somente ocorrem quando sabem escolher e apoiar os verdadeiros líderes, bem preparados e com vivência para guiá-los em meio as tempestades que desfazem a República.

    O povo já percebe que não adianta se comportar como criança, que diante de situações de caos dizem: “Alguém precisa fazer alguma coisa”!

    Esse alguém somos nós que devemos exercer cidadania republicana e até nas coisas mais comezinhas do dia-a-dia fazermos frente aos maus políticos, aos maus cidadãos, aos maus empresários, e a quem quer que seja que se oponha ao Estado Democrático de Direito.

    A pressão ´política popular tem que cercear os maus representantes lá no Congresso Nacional, através de críticas e cobranças via mídia, o que equivale àquela caricatura do povo cercando o Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais, podendo ser realizado na hora de votar dizendo não a todos os que não nos representam.

    A grande alquimia é o voto distrital puro com recall.

    As atuais reformas me fazem lembrar da novela “Casarão”, quando o grande ator e escritor Mário Lago, no papel de um ancião demente, no porão do casarão tentava criar o ouro que traria os antigos tempos de fartura, valendo-se de uma banheira de metal, cheia de água e excremento de boi, na qual passava horas a revirar um remo de madeira, aguardando o resultado daquela alquimia…

    O desgoverno Bolsonaro me faz lembrar a tal banheira.

    O povo anseia por um líder que conheça bem a casa Brasil e seu povo e com atitudes republicanas reconstruir o Estado à luz da Constituição Federal de 1988 , ou do estabelecimento de uma Constituinte.

    Curtir

Deixe uma resposta para Jackson Blecker Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

O que é isso?

Você está lendo no momento Do que vive e sobrevive o bolsonarismo no VESPEIRO.

Meta

%d blogueiros gostam disto: