Não estamos sozinhos…

28 de setembro de 2017 § 11 Comentários

O presidente da França, Emmanuel Macron, assinou sexta-feira passada cinco decretos para reformar a legislação trabalhista francesa.

Montado ao longo de um século, o Code du Travail francês contém mais de 10 mil artigos. Das suas 3324 páginas, 170 regulam demissões, 420 tratam de questões de segurança e saude do trabalho, 50 cercam o trabalho temporário, 85 impõem regras sobre negociações coletivas, e vai por aí. Ha regras minuciosas para tópicos como salários, diferentes industrias, extensões multinacionais, tempo de interrupção para ir ao banheiro, o tamanho requerido das janelas, consumo de álcool no trabalho, como comer na mesa do escritório, regras para a emissão de emails em dias de semana e nos fins-de-semana, etc., etc., etc.

É uma festa para a China; é uma benção para os trabalhadores e centros financeiros de Inglaterra, Alemanha e, ultimamente, até de Portugal, primeiros portos de eleição dos empreendedores e investidores franceses refugiados.

A tentativa de Macron de por a legislação trabalhista francesa mais próxima da impiedosa realidade da competição global por empregos no 3º Milênio provocou aproximadamente 4 mil greves somente no mes de setembro.

Ah, se metade dos professores da USP tivessem sido ingleses, alemães e americanos em vez de só franceses!

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§ 11 Respostas para Não estamos sozinhos…

  • Amaury Machado disse:

    Se o trabalho e os trabalhadores fossem tão importantes para as esquerdas, eles trabalhariam mais e falariam menos. Até parecem que são sérios.

  • Fernando Lencioni disse:

    Nossa Fernão tenho dito isso já há muitos anos. É certo que naquela época a cultura dominante era a francesa, mas, mais uma vez nós erramos na escolha, não é? Sabendo que foram seus ancestrais os grandes responsáveis pela criação da USP – o que, certamente, só pode ser objeto de elogios – o que vc pode nos contar sobre aquele momento histórico que ninguém melhor do que vc e seus familiares podem relatar?

  • Olavo Leal disse:

    Observa-se que o excesso de legislação jamais contribui para o bom relacionamento – não só entre patrão e empregado, mas entre todos os envolvidos em qualquer situação, ao longo da nossa passagem neste vale de lágrimas.
    O ideal é que tenhamos patrões e empregados (em situação de litígio ou não) bem instruídos, culturalmente evoluídos e lutando para o atingimento de objetivos complementares, ou seja, contribuindo para o bem comum e não se desgastando com base em legislações que somente fazem bem aos advogados (com todo respeito que os bons merecem!).
    Alguém já disse (e concordo): “O Brasil precisa de mais engenheiros e menos advogados”. (Repito: com todo respeito que os bons advogados merecem.)

  • MARCOS A. MORAES disse:

    “Ah, se metade dos professores da USP tivessem sido ingleses, alemães e americanos em vez de só franceses!” Impagável! MAM

  • José Silvério Vasconcelos Miranda disse:

    Os professores da Escola de Agronomia de Viçosa, no seu início eram os americanos, oriundos de Purdue. Com o tempo a cultura ” iluminista”
    francesa tomou posse do lugar e subverteu os princípios de P.H.Rolphs.
    No Brasil, só o ITA foi salvo do sindicalismo tupiniquim.

  • luizleitao disse:

    Estou pasmo. Parece pior que a nossa complicadíssima CLT!

  • […] Source: Não estamos sozinhos… […]

  • Fernando Lencioni disse:

    Bom pra vcs entenderem a nossa herança jurídica

  • Fernando Lencioni disse:

    O Direito Administrativo no Brasil foi totalmente copiado do francês por Hely Lopes Meireles

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