Se não matar a rainha…

18 de novembro de 2010 § 2 Comments

Escaneio as capas de quatro jornais de hoje – Estado, Globo, Folha e Valor – e encontro merda para qualquer quantidade de apetite.

  • prossegue a novela do Enem que nos fala da desgraça educacional, mãe de todas as outras desgraças deste pais;
  • a alcatéia de apoio ao Lula quer se organizar em “blocão” para nos devorar;
  • depois da CPMF já estão pensando em liberar os bingos, isto é, o crime organizado, para sustentar, veja bem, a saúde dos brasileiros;
  • governo barra a convocação de Erenice para depor no Senado;
  • tem 60 mil homicídios não esclarecidos no Brasil, fora os de seis estados mais o Distrito Federal que se recusaram a passar seus números para o Ministério Publico;
  • segue o rolo do Silvio Santos: ninguém sabe, ninguém viu e um mico de 800 milhões sobrou para o Brasil;
  • Lula quer fechar a compra dos caças franceses que ninguém quer antes de passar a faixa pra Dilma: muitos, MUUUITOS bilhões;
  • continuam armando o rolo do trem-bala, o próximo “caso Rafalle”: mais 33 bilhões;
  • promotores do Distrito Federal agiram “com sordidez, premeditação, cumplicidade, ousadia, traição, ganância e desrespeito”, extorquindo a torto e direito em torno do “mensalão do DEM”;
  • depois da Petrobras, governo tira os números da Eletrobrás do cálculo para fazer suas contas “fecharem” na marra;
  • também não vai corrigir o Imposto de Renda, pra nos tomar mais um pouquinho;
  • deputados passam Medida Provisória 472 recheada de “contrabandos” em benefício próprio, um deles dirigido exclusivamente ao próprio relator;
  • ha 18 aumentos permanentes de despesas sem as correspondentes receitas escondidos no orçamento de 2011;
  • vão sobrar pelo menos R$ 90 bi de “restos a pagar” do PAC para o próximo governo…

Sem novidades.

É só mais um dia na vida deste brasilzão legal, “um pais para todos”…

Em cada matéria por baixo dessas manchetes, o mesmo desfiar de “carências” que é preciso “sanar” com mais empregos públicos e mais dinheiro para salários do funcionalismo “mal pago”, ou não se consegue resolver o problema. Falta isso, falta aquilo. É preciso criar mais um impostozinho…

E como fazer se para mudar seria preciso que eles próprios aprovassem a mudança?

Tanta coisa…

E tudo amarrado a tudo…

É um brejo! Isso nunca vai ter fim! Melhor é aderir à bandalheira geral, já que é essa a regra do jogo…

Mentira!

Tudo isso se arruma com uma única medida: o fim da impunidade dos políticos. Se fizermos isso, transferimos todos os outros problemas para eles. Se eles puderem ser derrubados a qualquer momento e, do chão, mandados para a cadeia, tudo o mais se arruma como por milagre.

Eles nos ferram porque nós deixamos.

O Brasil só começa a mudar quando a imprensa der o primeiro passo que é parar de perguntar aos criminosos o que é preciso fazer diante das consequências dos seus próprios crimes e publicar suas respostas como se fossem diagnósticos sérios e receitas dignas de serem consideradas para resolver esses problemas.

A imprensa tem de remeter todos os problemas que ela noticia à sua origem comum. É preciso, sempre e a cada vez, rodar o filme para trás até o seu início, sempre o mesmo, mostrando como cada cena foi gerada pela anterior. Sistematicamente. Persistentemente. Até que cada brasileiro saiba isso de cor e repita como um mantra: “Temos de acabar com a impunidade de quem distribui impunidade por aí”; “NÓS EXIGIMOS QUE ACABE A IMPUNIDADE DE QUEM DISTRIBUI IMPUNIDADE POR AÍ”.

Se não matar a rainha o cupim não para de roer a gente.

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