A carta de um cubano brasileiro para Lula
9 de março de 2010 § 2 Comentários
Atualizando a onda de protestos pelo alinhamento automático de Lula a tudo quanto os irmãos Castro fizeram ou vierem a fazer, aí vai a integra da carta de Pedro Yinterian que a imprensa mencionou sexta-feira
“Eu sou um bandido”
Por Dr. Pedro A. Yinterian
Não se assustem não. Os chimpanzés, os grandes primatas e o GAP nada tem a ver com isso. Isto está relacionado com o meu passado cubano.
Eu sou um ex–prisioneiro político, que, para o nosso Presidente, são comparáveis aos bandidos que lotam as prisões paulistas, e não teria direito a protestar, nem a fazer greve de fome, como o operário cubano Orlando Zapata, que morreu após 85 dias desse protesto.
Em 1961, eu tinha 20 anos. Desde os 16 lutei contra a Ditadura de Batista e anos depois tive que lutar contra a dos irmãos Castro, amigos fraternos do nosso Presidente.
Na prisão de Cabana, dirigida por Che Guevara, passei várias semanas. Presenciei a morte de vários de meus companheiros estudantes, garotos até mais jovens do que eu.
Também presenciei a morte do Comandante Humberto Sori Marin, que redigiu a primeira lei de Reforma Agrária quando lutava na Serra Maestra, junto aos irmãos Castro, e depois lutou contra a ditadura implantada por eles.
Todos aqueles fuzilados no Paredão da Cabana nunca tiveram um julgamento, um advogado de defesa, nem puderam falar sua verdade. Essa história se repetiu centenas, milhares de vezes.
Algum dia essa história terrível e tenebrosa da Cuba Castrista será conhecida.
Eu era Secretário Geral da Federação de Estudantes Católicos de Cuba, com três universidades e dezenas de colégios. Todas as universidades e escolas foram fechadas e ocupadas pelo regime ditatorial e nunca mais o ensino privado existiu.
Para a Justiça Castrista só opinar contrário ao regime te condena. Se fosse publicada em Cuba, esta carta me levaria à prisão por longos anos. Por isso Orlando Zapata morreu, por querer opinar, falar sua verdade. Isso em Cuba é um privilégio dos irmãos Castro e os que vivem sob sua sombra.
Eu fiz o compromisso de nunca falar de política cubana neste espaço, já que as causas dos grandes primatas e ambientais não têm cor política e precisam do apoio de todos.
Porém, estaria traindo a mim mesmo, aos meus companheiros que caíram em 50 anos de luta, e ao meu “país adotivo” – o Brasil – se não falasse o que sinto neste instante, ao ser humilhado duplamente pelo Presidente do meu país, que me condenou sem conhecer-me, sem julgar-me e sem poder defender-me, como os irmãos Castro – assassinos múltiplos – fazem com o seu povo.
Dr. Pedro A. Yinterian
Diretor Presidente e Fundador do Grupo Interlab, Dr Pedro A. Ynterian criou no município de Sorocaba, São Paulo, um criadouro conservacionista para fauna silvestre e um santuário para grandes primatas que se converteu no maior centro de primatas da América Latina de origem privada.O empreendimento recebe e mantém primatas e outros animais ameaçados de extinção.
Sexta-feira passada, dia 26 de fevereiro, manifestantes da Assembleia da Resistência Cubana ocuparam o Consulado Brasileiro em Miami para “denunciar a cumplicidade do presidente Lula no assassinato do prisioneiro de consciência Orlando Zapata Tamayo pelo regime castrista”.
A Assembleia da Resistência Cubana, que postou o filme no Youtube, agrupa mais de 50 organizações dentro e fora de Cuba na Campanha de Não Cooperação com a Ditadura.
Sylvia Iriondo falou em nome dos manifestantes, interpelando diretamente os funcionários do Consulado.
“Estamos aqui num protesto pacífico para condenar o presidente do Brasil, Lula da Silva, por se abraçar com os ditadores que assassinam o nosso povo. Este homem (ela mostrava a foto de Tamayo) foi assassinado nas prisões castristas. Lula estava em Cuba no dia 23 de fevereiro, o dia em que Zapata Tamayo morreu ao fim de uma greve de fome e, em vez de interceder em seu favor, abraçou o tirano Fidel Castro”.
Enquanto Lula jantava com Raul Castro no Palácio do Governo, a blogueira Yoani Sanchez, do Generacion Y (http://www.desdecuba.com/generaciony/), uma das vozes internacionalmente mais conhecidas da resistencia cubana, cujo tio tambem está preso desde 2003, gravava esta entrevista com a mãe do prisioneiro morto, na porta do necrotério para onde ele foi levado.
Entre aquela noite e o dia seguinte, o governo cubano bloqueou estradas e promoveu uma série de prisões para impedir que amigos e manifestantes assistissem ao enterro de Tamayo.
Neste mini-documentário gravado pela Telemadrid, mostram-se diversos aspectos da vida em Cuba. Mas ele vale principalmente pelo depoimento de Elsa América Gonzales que começa aos 6 minutos da metragem. Elsa é mulher de Victor Rolando Arroyo, outro dissidente preso na mesma operação que levou Zapata Tamayo (a Primavera Negra de 2003). Com 54 anos quando foi preso, Arroyo foi sumariamente condenado a 26 anos, o que vale dizer, à prisão perpétua.
Elsa conta como são as punições aos prisioneiros e o filme mostra cenas impressionantes das prisões políticas de Cuba e das “celas para castigo” usadas para este fim.
O prisioneiro morto durante a visita de Lula, por exemplo, foi inicialmente condenado a 3 anos mas, em função de “sucessivos atos de rebeldia” dentro da prisão, em protesto contra os castigos e violências que sofria lá, sua pena foi sendo aumentada, em novos julgamentos sumários, até chegar a 25 anos e oito meses.
Casa de cristal
A ultima postagem de Yoani Sanchez, que me trouxe desconfortaveis reminiscências dos ultimos tempos no Brasil, merece ser lida:
Junto com a telenovela brasileira, os documentários pirateados ao Discovery Channel e as chatíssimas mesas redondas coexiste uma modalidade de reportagen televisiva digna da saga do Big Brother. Nas nossas telinhas, vemos cidadãos filmados por câmeras ocultas e assistimos à divulgação das mensagens gravadas em seus correios eletrônicos sem nenhuma ordem judicial. Como se vivessemos numa casa de cristal inpecionada pelo olho severo do estado, até a própria empresa telefonica grava as conversas de seus clientes e as transmite a milhões de atônitos telespectadores.
A ultima modalidade desse cerimonial de dissecação publica é exibir médicos que, violando a privacidade do que foi dito numa consulta, falta tão grave quanto a do padre que revela segredos de confissão, fala dos pormenores de um caso médico que passou por suas mãos.
Publicam fotos do interior das casas e das geladeiras de quem ousou contrariar a opinião oficial, de modo que o paparazzi e o policial político se fundem num só personagem muito próximo do voyeur. Não me estranharia nada que, num próximo dossiê, apareça o corpo nu de algum não conformista, como se estar em pêlo fosse a prova irrefutável da sua “maldade”.
Imagens fora de contexto, frases editadas e ângulos desfavoraveis tomados para provocar aversão na opinião publica, são algumas das técnicas sobre as quais se apoiam esses informes televisivos. Em nenhum deles entrevista-se a “vítima” para evitar o risco de que a audiência acabe se dando conta de que compartilha suas opiniões críticas. Mas para azar dos produtores desse tipo de reality show a tecnologia nas mãos dos cidadãos começou a tornar transparentes tambem as paredes das suas vidas. Depois de tanto tempo sendo vigiados, descobrimos que existe um buraco pelo qual nós tambem podemos olhar o outro lado da cerca.

La complicidad de Lula de Silva con el castrismo es una pena para Brazil.
Es increíble como Lula puede hacerse el ciego frente a la represión, la muerte y el odio que el gobierno causa en Cuba.
me sinto envergonhado com isso por lula.
mas tenho certeza de que o coração dos brasileiros está com vocês.