Da “Era de Aquarius” ao pesadelo “corporate”

11 de agosto de 2009 § Deixe um comentário

ganancia

(para entender bem a sequencia do que vai neste blog hoje, comece duas matérias abaixo, em “Raízes da impunidade – 1”).

Só a ganância pode controlar a ganância com um mínimo de eficiência, como sabiam as gerações passadas de americanos do Norte que tiveram o bom senso de criar as leis anti-truste.

Foram elas que tornaram possivel o melhor momento da democracia vivido até hoje pela humanidade. Ainda que  tenha sido uma realidade vivida por muito poucos (na verdade, só pelos norte-americanos), temo que ainda venhamos a ter muita saudade dela.

Se antes havia um bom parâmetro para se tomar como meta, agora não ha mais. Não vejo, mesmo, até como eles, os americanos do Norte, possam vir a reconquistar algo de parecido com o nível de democracia que alcançaram no século passado.

“Se o poder corrompe”, reza a frase atribuida a lord Acton, “o poder absoluto corrompe absolutamente”.

Sendo o dinheiro o meio “democrático” de se conquistar poder, mesmo o mundo mais evoluido, que conseguiu controlar um pouco melhor que nós a corrupção política, está diante de um tremendo problema, que a presente crise financeira põe em maior evidência, depois que a desmontagem do aparato anti-truste fez da competição sem limites a regra do jogo econômico global.

Da competição total, por definição, só um sai vencedor. Assim, desde que ela foi liberada, o mundo passou a caminhar inexoravelmente para o reino dos monopólios, com poder de corrupção ainda maior que o dos antigos Estados nacionais. E é ingenuidade pensar que se poderá vir a controlá-los com regulamentos feitos pelo Estado.

Ao abrir essa porta do inferno dentro de sua própria casa, os norte-americanos não se deram conta de que estavam abrindo mão, também, do poder de fechá-la, se viessem  a se arrepender do que fizeram, coisa que, obviamente, já está acontecendo.

Como sempre acontece na História, uma série de circunstâncias excepcionais abriram a brecha para o início do processo, que foi acelerado e potencializado pelos oportunistas do momento. A grande maioria dos norte-americanos, o unico povo servido de ferramentas democráticas fortes o suficiente para deter o processo, só tomou consciência do que estava acontecendo quando já era tarde demais. E a imprensa — historicamente a ultima linha de defesa dos direitos individuais — teve um papel decisivo nesse fracasso. Tornou-se parte interessada no processo que devia mediar e traiu a sua função.

Hoje, está pagando o preço por isso.

Os lances decisivos dessa história estão relatados em detalhe no artigo “A Ameaça da Imprensa Corporate”, armazenado neste Vespeiro.

O efeito foi fulminante. Ao acelerar o  ritmo da vida no centro econômico de um planeta que a tecnologia da informação transformou num sistema de vasos comunicantes, os Estados Unidos aceleraram a economia do mundo inteiro. Quando liberaram o crescimento sem limites das corporações no ambiente doméstico, desencadearam a vertigem monopolística global que, com o processo de consolidação que se seguirá à presente crise, dará mais um salto irreversível.

Agora, mesmo que queiram voltar atras, não têm como obrigar seus concorrentes planetários a fazê-lo. Condenaram-se, e a nós todos, a viver sob o jugo de monstros econômicos para o controle dos quais literalmente não existe tecnologia institucional, nem nos Estados Unidos, onde o cidadão comum ainda tem algum poder de influência sobre seus representantes políticos, nem, muito menos, no resto do mundo, onde, com raríssimas exceções, a regra é o representante explorar o representado, em vez de serví-lo.

Assim, a geração que sonhou com “a Era de Aquarius”, acordou mergulhada até o pescoço no pesadelo do vale tudo “corporate”.

E nada que seja possivel discernir no horizonte se apresenta como um  obstáculo palpável ao mergulho do mundo naquuele que se anuncia como o grande Século da Corrupção, que fará com que tudo que vimos até agora se pareça com uma brincadeira de criança.

Voltarei ao assunto.

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