Recado
8 de fevereiro de 2011 § Deixe um comentário

A Veja também dá suas contribuições para que o brasileiro desvie o olhar do foco de onde provêm as suas desgraças.
Um exemplo típico é a matéria de capa desta semana que repete tudo que desde sempre já se sabe sobre como Fernandinho Beira Mar continua comandando o tráfico de drogas e armas e ordenando assassinatos de dentro de sua cela na única “prisão federal de segurança máxima” deste país onde os interesses dos cidadãos são sempre os últimos a ser comtemplados na lista de prioridades de nossos políticos e autoridades.
Pois a matéria deveria começar exatamente no ponto em que parou:
Quem comanda essa prisão com mais furos na segurança que um queijo suíço?
Quem foi o juiz no Tribunal Regional Federal da 3ra Região que derrubou a determinação do juiz Odilon de Oliveira de que ele só recebesse visitas no parlatório, sob fiscalização cerrada e com um vidro blindado separando-o de seus interlocutores, como se faz com qualquer criminoso desse calibre no resto do mundo?
Quem, no Congresso, trabalhou para abrandar o Regime Disciplinar Diferenciado inventado por São Paulo e transformado em lei, prevendo cela individual, banho de sol solitário e visitas restritas para presos perigosos? Quem são os responsáveis por negar essa proteção elementar às famílias brasileiras?
Quem, no Judiciário e no Legislativo, tem trabalhado para permitir visitas íntimas, garantir a inviolabilidade da correspondência e assegurar às feras do crime organizado que debocham de suas vítimas sob a proteção do Estado o contato com outros presos que, todo mundo sabe, funcionam como seus ajudantes de ordens?
Qual é a história das tentativas recorrentes de dar aos criminosos perigosos do Brasil o mesmo tratamento que se dá no mundo inteiro? Quem tem tentado fazer o óbvio e quem tem desmontado essas tentativas? Quem vota a favor e quem vota contra essas medidas?
Quem dá os pareceres a favor do crime organizado? E quem processa esses pareceres para que a lei continue favorecendo o crime?
Que ligações pregressas têm esses parlamentares e juristas com o crime organizado?
Só haverá esperança de mudanças quando toda a imprensa brasileira transformar em ponto de honra dar nomes a esses bois, investiga-los obcessivamente em busca dos sinais do suborno que certamente recebem e expô-los constantemente à execração publica.

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