28 de agosto de 2019 § 10 Comentários

Mostrando cenas de pastos queimando em áreas onde ñ subsiste nenhum toco de árvore da antiga floresta (3a à noite), a TV continua olimpicamente falando de desmatamento hoje. Jornalismo e realidade ostensivamente exibem seu divórcio. A democracia ñ sobreviverá se esse casamento ñ for reatado.

Enquanto isso em Babilônia…

15 de julho de 2015 § 8 Comentários

baba25

O que Lula sabe sobre o Lula da televisão

8 de setembro de 2010 § Deixe um comentário

Todos os estudos sobre a comunicação mediada pela televisão (ou pelo rádio) mostram que muito mais que a mensagem em si, o que cria ou não cria empatia entre quem fala na telinha e quem ouve lá fora é a atitude ou, mais exatamente, o grau de “convicção” (com ou sem aspas) com que discursa quem se dirige ao espectador.

Se você perguntar a uma pessoa que acabou de assistir o discurso de um político na TV o que foi que ele disse pouquíssimas serão capazes de repeti-lo. Mas todas terão um adjetivo na ponta da língua para descrever o que sentiram vendo ser dito o que foi dito.

A razão pesa muito pouco nesse tipo de avaliação.

É exatamente o contrário do que acontece na mensagem mediada pelo texto, onde a idéia vem despida da circunstância em que foi engendrada e tudo que pode ser avaliado, na silenciosa intimidade dessa cerebrina transação entre comunicando e comunicado, é o seu sentido e a sua coerência interna.

Em cada uma dessas diferentes formas de comunicação atuam diferentes órgãos dos sentidos e são acionadas diferentes áreas do cérebro que, como reação, manda estimular a produção de diferentes tipos de hormônios.

Ver e ouvir, assim como palpar, degustar e farejar, são operações mecânicas comuns a todos os animais. No homem como nos demais, a capacidade de intelecção do que se apreende pelos olhos, pelos ouvidos e pelos demais órgãos dos sentidos é inata e automática. Mas as sensações que elas produzem estão presas ao momento em que ocorrem.

Já a leitura e a capacidade de avaliação lógica são construções culturais que só podem ser adquiridas pela educação e aperfeiçoadas pelo uso continuado e pela acumulação de perspectiva histórica. Mas são elas que permitem ao homem escapar dos limites do presente e fazer projeções para o futuro.

É dessa diferença que vem a hierarquia dos sentidos na qual o que se vê (ouve, palpa, cheira ou degusta) pesa mais que aquilo que o raciocínio abstrato é capaz de construir para a composição do que cada indivíduo chama de realidade. Senão por precedência histórica, pelo fato de que os sentidos todo mundo nasce com e aos produtos da cultura só uns poucos têm acesso.

O problema central da democracia, ela mesmo um produto cultural, é que à universalização do direito de voto não correspondeu a universalização do direito à educação. E para agravá-lo ainda mais, o século 20 – o do rádio e da televisão – substituiu a imagem e a comunicação unidirecional ao texto e ao contato direto, bi-direcional, como elementos primordiais da relação entre governantes e governados. E essa primazia do espetáculo e da mensagem desbalanceada pelo contraditório (vulgo marketing), mesmo nos exíguos espaços do globo onde a força deixou de ser tudo que decide no campo da política, levou à progressiva substituição do cérebro pelos órgãos dos sentidos na mediação do contato entre eles.

A democracia, o governo da maioria, nunca se restabeleceu completamente dessa avassaladora invasão dos sentidos na sua seara.

Ainda que moral e coerência ética continuem sendo medidas de aferição da qualidade da ação humana, até pela falta de qualquer outra, é impossível detectar a sua presença ou a sua ausência pela simples intermediação das cinco ferramentas dos sentidos. Um comportamento imoral, isto é, onde ha conflito entre o que a razão de quem comunica tem como certo e honesto e o que a sua língua expressa, pode até revelar-se por sinais que os sentidos são capazes de captar. Mas isso sempre pode ser trabalhado pelo cinismo.

É aí que se abre o espaço para o político “ator”.

Já um comportamento amoral, esse não pode ser detectado nunca apenas pelos cinco sentidos. Porque uma amoralidade pode ser praticada ou afirmada com tanta e tão autênticas convicção e ausência de pudor quanto a mais indiscutível e acatada das verdades. E, assim, configurar-se como um ato de comunicação perfeito do ponto de vista televisivo.

Não sei se o Lula, que é movido por doses equivalentes de inteligência e instinto, já pensou em tudo isso com tanta minúcia. Mas que ele sabe que é isso que faz dele um fenômeno de comunicação, isso ele sabe.

Jobs e Google: duas visões antagônicas da web

27 de agosto de 2010 § Deixe um comentário

Steve Jobs deve anunciar na quarta-feira, 1 de setembro, o seu esquema de web-TV, na sequência do lançamento da Google TV na semana passada (dia 19).

Bem ao estilo de cada um, o esquema da Apple TV é uma parceria com produtores de conteúdo para vender seus produtos muito barato na rede – o já mítico US$ 0,99 por unidade de Jobs que deu certo na musica e acabou com as grandes gravadoras – enquanto o da Google TV é uma parceria com gigantes do hardware e do software para permitir o funcionamento de mecanismos de busca nos conteúdos alheios e variadas operações interativas pela TV afora.

O CEO da Google, Eric Smith, acompanhado de representantes da Intel, da Adobe, da Sony, da Logitech, da Dish Network e da Best Buy, seus sócios no empreendimento, apresentou a novidade na semana passada em São Francisco dizendo que seu projeto “requer todo um ecossistema de sócios” e “só se tornou tecnicamente viável com o advento da computação na nuvem” (isto é, com o internauta recorrendo a vários softwares e bancos de dados diferentes que não precisam ser instalados diretamente em seu computador; podem ser acessados remotamente).

Com a Google TV o usuário poderá, em resumo, alternar entre a televisão e a internet, ter acesso aos seus sites preferidos por meio do televisor e neles fazer todas as operações que está acostumado a fazer no computador. “Com toda a internet na sua sala, a TV torna-se mais do que uma TV – pode ser um visualizador de fotos, um console de games, um leitor de músicas e muito mais”, diz o site da Google.

A Sony vai fabricar uma linha de televisores e Blu-ray players com o sistema operacional Android e o navegador de internet Chrome, da Google, animados pelo chip Atom, da Intel. A Logitech vai lançar um decodificador com teclado integrado e um controle remoto. A Dish Network vai integrar o sistema ao satélite permitindo buscas extensivas em toda a programação das TVs. E a Best Buy terá prioridade na venda dos novos equipamentos.

A expectativa é que a novidade chegue ao mercado em 2011. E a Intel afirma que, desde já, as vendas do seu chip para fabricantes de TV dispararam e que “a TV Inteligente é a maior revolução no setor desde o advento da TV a cores”.

O esquema da Google aparentemente baseia-se na sua tradicional linha de ação de re-empacotar os conteúdos alheios sem pedir licença, aproveitando-se do vazio regulatório de um ambiente em constante mudança para criar fatos consumados. Com suas ferramentas invasivas apropria-se de virtualmente todos os conteúdos em circulação na rede e os redistribui “de graça”, o que lhe rende um volume de trafego insuperável. E este tráfego, sim, a Google, “proprietariamente”, monetiza.

Ela própria, entretanto, dá sinais de estar consciente de que não poderá continuar trabalhando assim para sempre. Com o que está amealhando com essas ações de caráter predatório trata, um tanto erraticamente mas sempre em escala mégalo, de fincar os pés em todo tipo de negócio que se mostra promissor na web, ultimamente usando mais o talão de cheques que capacidade própria de inovação. No momento prepara uma guerra contra o Facebook, que disputa com ela a hegemonia da veiculação de publicidade na rede, e outra contra o Skipe, que explora telefonia IP. Por via das duvidas, vai comprando o que pode de conteúdo não perecível como direitos autorais (o que é uma confissão de dolo), bibliotecas, coleções de filmes e imagens e bancos de dados em geral pelo mundo afora. Investe pesado, também, naquele que vai se definindo como um de seus nichos de especialização, os mapas interativos que, quando estiverem acoplados à reprodução fotográfica de todas as ruas e lojas do mundo – operação ora em curso apesar dos inúmeros problemas jurídicos que tem provocado – pode lhe proporcionar uma vantagem praticamente irreplicável no comércio virtual. (Veja no filme publicado aqui como isso vai funcionar).

Já a estratégia de Steve Jobs é se aliar aos produtores de conteúdo oferecendo-lhes plataformas globais de venda dos seus produtos relativamente protegidas contra a pirataria, cobrando um fee por cada venda feita. Engenheiro e designer de indiscutível capacidade de sedução, Jobs desenvolve sozinho seu hardware e seu software, no mais absoluto segredo. Seu objetivo, ao “fechar” seus sistemas, é dar a quem usa suas plataformas de vendas o máximo de proteção contra a pirataria e, assim, tornar sustentável a produção de conteúdos de qualidade em esquemas profissionais “high-end”.

Seja quanto for que possa durar a proteção que ele oferece, o fato é que foi essa característica que fez dele o primeiro grande operador a conseguir montar, ao lado do seu negócio de desenho e fabricação de hardware e sistemas de operação, uma plataforma de negócios altamente rentavel sustentada pela venda de conteúdos online, seja na música, onde tudo começou, seja na venda de aplicativos, no iPhone, seja na de produtos editoriais, no iPad.

No que diz respeito ao modo de abordar a rede, portanto, Steve Jobs apresenta-se cada vez mais explicitamente como um antípoda da Google, que vive basicamente de dar a seus clientes ferramentas para “pular a roleta” e consumir sem pagar o que terceiros colocam na web.

Sua nova operação de TV parece ser um passo decisivo nessa direção.

Embora nada ainda esteja confirmado oficialmente, o que seria anunciado na próxima quarta-feira, 1 de setembro, é uma associação formal da Apple TV com a Disney e a sua rede ABC de televisão e com a Fox/News Corporation, de Rupert Murdoch, para vender seus conteúdos “on demand” a US$ 0,99 o programa, sejam eles filmes ou produções especiais para TV. A Apple tentou incluir também a CBS e a Time-Warner/Turner no acordo mas elas ainda estão resistindo porque têm investimentos pesados na TV a cabo que deverá ser a principal vitima da novidade se os novos sistemas de web-TV vingarem.

Jobs usará o mesmo sistema operacional que anima o iPhone e o iPad e, alem dos conteúdos de TV de terceiros que ele faz questão de remunerar, oferecerá ao publico games para a “telona” e aplicativos para customizar sua programação escritos por quem quiser usar sua plataforma para vende-los, como já faz com esses dois equipamentos.

Parece claro que o anuncio um tanto apressado de Jobs “corre atras do prejuízo” que lhe possa advir da iniciativa da Google com os pesos pesadíssimos aos quais se uniu. Ha cerca de três anos Jobs lançou uma “caixa” complementar aos seus computadores que interliga todos os computadores e aparelhos de TV em uso numa residência, dando-lhes alguma condição de interatividade. Mas não é um sistema tão integrado e acabado como promete ser o da Google e seus novos sócios. Ele nunca chegou a funcionar de modo totalmente satisfatório.

Ferramentas capazes de “catar” programas nas TVs a cabo ou abertas e baixá-los pela internet para que o consumidor possa assisti-los quando quiser já existem ha alguns anos. Os dois mais conhecidos e difundidos são o Netflix e o Hulu, este ultimo pertencente à uma sociedade da rede NBC, da Universal, com a Fox/News Corporation e a Disney. Ele surgiu como uma manobra de defesa dessas empresas que acharam melhor entrar elas próprias no novo sistema (comprando uma ferramenta que já estava operando no mercado) mesmo sem terem antes um modelo de negócio bem definido do que deixar o caminho livre para terceiros piratearem seus conteúdos.

Já o modelo de negócios do Netflix, que só opera nos Estados Unidos, inclui uma assinatura de US$ 9 por mês (contra US$ 100 a 150 dos provedores de TV a cabo), para dar ao consumidor a opção de escolher cada programa e baixa-lo para assistir quando quiser em lugar de ter de comprar o pacote inteiro oferecido pelos provedores de cabo e ser obrigado a se submeter aos seus horários de exibição. A Netflix também vende DVDs por e-mail, o que foi suficiente para por a Blockbuster de joelhos. Mas é só.

Os novos sistemas que agora se anuncia prometem entregar, alem dessa capacidade de escolha e compra seletiva de programação, interatividade completa com os sistemas de TV existentes.

Com a entrada da Google e da Apple na disputa pela TV online os analistas acreditam que os provedores de TV a cabo como conhecemos hoje tendem a desaparecer. Hollywood, que vinha sendo fortemente sangrada pela pirataria, saudou como positivas as notícias vindas da Apple que acenam com uma nova e promissora plataforma de venda dos seus produtos. Também devem ser menos atingidos os produtos em que o ineditismo e/ou a instantaneidade – como nos shows, nos eventos esportivos e no jornalismo – integram a cadeia de valor.

Seja qual for o vencedor, está cada vez mais claro que Steve Jobs e a dupla de criadores do Google representam duas filosofias antagônicas de modelos de negócio na internet e que o resultado do duelo entre eles vai ajudar a definir o futuro da rede como ambiente de negócios.

Jesus a prestação

29 de outubro de 2009 § Deixe um comentário

Jesus a prestação” é uma contribuição de Fernando Portela.

“Os Nonatos” são repentistas de muito suceso na Paraiba.

Clique no link e ouça: $ JESUS CRISTO $

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O companheiro Sarney de ontem e o de hoje

31 de agosto de 2009 § Deixe um comentário

Alô, Rede Globo!

Cadê os seus 40 anos de arquivo?

Alô, alô Bandeirantes! Alô emissários de deus! Alô homem do baú!

Tem alguma coisa de diferente entre vocês?

Não?!

E o que é que os une?

Os sócios, caro leitor! Os sócios!

São todos senadores!

“Zé Sarney tambem faz parte dos nossos 40 anos”.

“Fernando Collor tambem faz parte dos nossos 40 anos”.

Né mesmo, Willian Bonner?

A lista vai embora. E pra todas as redes. A cada uma o seu bandinho de “coronéis eletrônicos”.

“Uma imprensa cínica, mercenária e demagógica vai produzir, com o tempo, um povo parecido com ela.” Palavras de Joseph Pulitzer, gravadas na entrada da Columbia Journalism School.

Pois é…

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