Mate com prazer! Afirme-o com orgulho!

4 de abril de 2014 § 1 comentário

a1Fernando Llano, da AP, na capa do Estadão de hoje

A Venezuela ainda vai muito bem, obrigado.

Os trogloditas de Nicolas Maduro ainda usam máscaras quando invadem universidades para quebrar ossos de estudantes dissidentes a porretadas e capacetes quando saem às ruas para assassinar a tiros, da garupa de motos, quem pensa diferente deles.

Mas, com o endosso da nossa Unasul, ainda haverá de chegar o dia em que sairão do armário e assumirão o orgulho homicida que hoje ainda reprimem e passarão a fazer isso de cara limpa como os assassinos políticos do nosso passado recente como este que nos fala neste vídeo.

O que autoriza essa previsão auspiciosa é a forma como a imprensa “democrática” das Américas está noticiando hoje essa história do “twitter” que os americanos — esses criminosos! — criaram para intoxicar os corações e mentes da juventude cubana.

Não houve uma voz, abaixo da fronteira do México – e a maioria das que se expressaram acima dela também o fizeram nessa mesma linha – que tenha comemorado essa nova possibilidade que a moderna tecnologia oferece de furar o bloqueio dos que os querem mudos e submissos para sempre e dar voz a todos quantos, pelo mundo afora, estão sendo mantidos calados na porrada.

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A coisa foi vendida em toda a parte na forma de “denúncia” de um plano sinistro “para desestabilizar o governo cubano” que tinha por objetivo “atrair um grande número de jovens para depois conduzi-los a dissidência“, possivelmente mediante o uso inadvertido de alguma droga cibernética ou técnica subliminar urdida pelos terríveis feiticeiros da CIA capaz de hipnotizar a exultante juventude cubana – que perigo é a guerra química! – a ponto de fazê-la enxergar no paraíso da família Castro em que tem vivido um inferno de que faz sentido dissidir.

Joseph Pulitzer, o grande patrono e teórico da imprensa democrática americana, morto em 1911, dizia que “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

Esse tempo, obviamente, já chegou.

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Sartre e a corrupção pela vaidade

10 de fevereiro de 2014 § 3 Comentários

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No clássico mas pouquíssimo divulgado “Amor, Luxo e Capitalismo”, livrinho que é uma preciosidade que merece ser mais conhecida, Werner Sombart demonstra, com a meticulosidade dos sábios alemães, como foi que, no momento em que um príncipe italiano apaixonado tirou sua mulher da alcova onde todas eram mantidas até então e a pôs no comando das festas do seu castelo, como todos os de então uma mera fortaleza de pedra sem conforto interno nenhum, a arte da decoração e a busca do luxo detonaram o surgimento da burguesia, aquele extrato dos artesãos e comerciantes capazes de viver nas cidades do produto do seu trabalho que não existia na sociedade da Baixa Idade Média onde ou se era “nobre”, ou seja, proprietário de terra, o único meio de produção de riqueza, ou se era “servo“, ou seja, o miserável que trabalhava a terra e entregava a parte do leão ao barão.

É, por assim dizer, o exato momento do parto das sociedades modernas.

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Quem mora neste nosso país que viveu por séculos da troca de espelinhos e miçangas que atendiam a vaidade dos índios pelo “pau-de-tinta” que produzia o raro corante vermelho que tingia a roupa que atendia a vaidade dos ricos e poderosos da Alta Idade Média já devia ter suspeitado do peso da vaidade na aventura humana. Mas essa é a história que abriu o Vespeiro e você pode conferi-la neste link.

Eu a retomei só para lembrar que a vaidade sempre moveu a História, e entre as diversas formas que ela assume, a da vaidade intelectual talvez seja a mais forte de todas posto que dobra e escraviza não apenas o bruto mas os cérebros mais refinados que se entregam ao pecado de Fausto em troca do brilho fácil e do viciante gostinho de onipotência que vêm junto com o insensamento e a adoração públicas.

O Caderno 2 do Estadão de hoje traz matéria que faz pensar a respeito sobre “As Ligações Perigosas”, a nova biografia do casal Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir recém publicado pela historiadora escocesa Carole Seymour-Jones (aqui).

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O que o livro confirma, para além dos detalhes carregados de sal e pimenta da vertente sexual dessa relação, é algo que quem viveu aquele período sem se deixar intoxicar pela ideologia tida como “politicamente coreta” na época já sabia. Jean Paul Sartre não se tornou o homem intelectualmente venal que foi de repente. Nem descobriu-se quem era ele com revelações até então insuspeitadas feitas após sua morte. Ele sempre foi regular e consistentemente dócil a quem quer que estivesse com a força nas mãos no seu habitat parisiense, na época o grande palco planetário dos candidatos a “maitre-a-penser“, fossem eles os nazistas com que ele confraternizou durante toda a Ocupação – abjeção que fez com que o ex-amigo de sempre, Albert Camus, rompesse ruidosamente com ele – ou fossem eles os “ditadores do proletariado” cujos crimes ele acobertou e justificou não apenas antes mas, principalmente, depois que deixou de haver qualquer dúvida de que eles estivessem mesmo sendo perpetrados, num tempo em que denunciar o genocídio que estava em curso pela Ásia afora (depois do da Rússia e dos da Europa Oriental) expunha quem ousasse faze-lo, com raríssimas exceções, ao apedrejamento moral na praça pública da imprensa, abjeção que colocou Raymond Aron frente a frente com ele, denunciando “O ópio dos intelectuais”.

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Como quase sempre, é a ocasião que faz o ladrão. O pensador circunscrito ao diálogo consigo mesmo ou ao quase anonimato dos textos antigos tinha poucos apelos para se prostituir (e mesmo assim já havia os que o fizessem). Mas nas sociedades midiáticas da “Era das Comunicações” a coisa muda de figura. O que passou a haver então, como continua havendo até hoje, era uma imprensa instrumentalizada pela luta pelo poder – e ela sempre foi e continua sendo um alvo prioritário de quem está empenhado nela – trabalhando consciente e dolosamente para falsificar a imagem “dos sartres” da vida e pinta-los como o avesso do que são, transformando-os em semi-deuses do “pensamento progressista” para seduzí-los pela vaidade, em troca de fazer deles o grande ponto de referência do sistema de “lavagem  de argumentos” carregados de má consciência montado para justificar os crimes de lesa-humanidade dos loucos pelo poder da vez.

Ele próprio era menos condescendente consigo mesmo e, nos momentos críticos, frente a frente com sua própria consicência, descrevia-se como “um canalha desprezivel; um funcionário público sádico e nojento“, como revelam documentos exibidos por Seymour-Jones.

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Brilho intelectual, dotes artísticos e outros talentos excepcionais quase nunca andam juntos com caráteres íntegros ou, muito menos, com coragem moral e intelectual. Ao contrário, tendem a ser mais um elemento de corrupção de seus portadores.

É isso que faz do ofício de relatar a história de hoje buscando permanentemente o necessário distanciamento das paixões políticas do momento, como se requer do jornalista profissional, uma especialidade tão difícil e perigosa, requerendo um policiamento ético permanente e todo um aparato de “checks-and-balances” para garanti-lo tão fundamental e rigoroso quanto o que cerca qualquer outro dos poderes constituídos de uma democracia.

Lições esquecidas neste momento em que, com o mundo entregue mais que nunca ao vale tudo pela adoração do “bezerro de ouro“, a crise global do capitalismo democrático, da qual a crise do modelo de negócios que sustentava o jornalismo profissional é ao mesmo tempo causa e consequência, tirou-o das mãos dos vocacionados para essa missão e depositou-o preferencialmente, como tudo o mais, nas dos agentes da luta pelo poder pela vertente do dinheiro.

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Saindo do armário

24 de janeiro de 2014 § 3 Comentários

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Foi registrada a sua presença numa perturbação da ordem social.

Foi esta a SMS enviada pelas forças policiais do regime do presidente Viktor Yanukovytch que pegou de surpresa milhares de manifestantes na Ucrânia no dia em que entrou em vigor a nova lei baixada por ele proibindo as manifestações que explodiram desde que, ha dois meses, abortou sem aviso prévio a assinatura de um acordo com a União Europeia em favor de uma aproximação com a Rússia.

O efeito foi o inverso do desejado. As manifestações se multiplicaram com violência redobrada e levaram às primeiras cinco mortes nos embates com a polícia. Um clima de pré-guerra civil instalou-se no país.

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É que os ucracianos passaram décadas a fio no “paraíso” para o qual o PT quer nos levar e preferem morrer lutando a voltar para ele.

Felizmente Yanucovitch sentiu o peso da barra e recuou, convocando a oposição para negociações que, muito provavelmente, só terminarão com a queda do governo dele.

Mas esse SMS ameaçador estabelece um marco.

É a primeira vez que um governo não totalitário usa abertamente a tecnologia de telefonia móvel como prova de “delito político” para tentar intimidar o povo.

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Governos de todo o mundo fazem o mesmo tipo de espionagem interna valendo-se, os que sentem que precisam de explicações para faze-lo, de medos artificialmente incutidos como a “ameaça terrorista” para vasculharem e-mails, chamadas, SMS e basicamente qualquer aspecto da vida dos cidadãos e, outros mais à vontade com a cara-de-pau, de batalhões de “pesquisadores” e espiões pagos para municiar ONGs chapas-brancas, blogueiros assalariados, espalhadores de boatos, montadores “aloprados” de falsos dossies, pauteiros e chefes de reportagens da “old mídia” e outros agentes de expedientes indiretos para promover linchamentos morais de  dissidentes, de críticos e de adversários políticos.

Mas até agora  nenhum, fora do círculo dos amigos mais íntimos do PT como Cuba, China, Venezuela e quejandos, o tinha feito de forma tão direta e explícita para criminalizar comportamentos políticos, mostrando que nós já vivemos, todos, dentro de um Big Brother perto do qual as previsões de Geoge Orwell são até otimistas.

Ponham-se, portanto, as barbas de molho e mantenham-se olhos e ouvidos atentos porque, como já se disse inúmeras vezes aqui no Vespeiro,o sonho de todo ditador é saber sobre cada cidadão o que o Google já sabe e a única condição para que uma nova arma venha a ser utilizada um dia para o mal, é o fato dela ter sido inventada.

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O jogo dos contrários

29 de novembro de 2013 § 3 Comentários

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Uma coisa que nunca deixa de me incomodar, por mais banalizada e onipresente que esteja a expressão hoje em dia, é esse negócio de “políticas públicas”.

Que política haveria de não ser pública, especialmente em se tratando de governos?

Enfim, é um desses vícios de linguagem que nascem em tribos bem identificadas e acabam por se transformar numa espécie de distintivo delas. No caso, trata-se da militância do PT. A expressão “políticas públicas”, sobretudo quando dita entre “cicios”, identifica um militante do PT com mais precisão que a estrela vermelha pespegada ao peito.

Mas aí comecei a dar-me conta de que uma grande parte das políticas do PT de fato não são políticas voltadas para o bem público, são políticas de aparelhamento de instrumentos e de próprios do Estado para colocá-los a serviço do projeto de poder do partido, quase sempre em detrimento do interesse público.

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Ocorreu-me, então, que a expressão pode ter tido origem em figuras admiradas por seus imitadores de hoje que enxergavam com toda a clareza a distinção entre essas duas formas de operar que os mais ingênuos não vêm – as políticas “nossas” (para anabolizar o partido) e as “políticas públicas” (pata atrair eleitores e o mais) – e que a tropa simplesmente a repete agora possivelmente sem ter muita consciência do seu sentido original.

A hipótese se encaixa perfeitamente numa tradição de que as atuais gerações estão distantes mas que marcou indelevelmente a minha.

Hoje eles já são pacificamente tidos como “heróis da democracia” neste país que honra Antonio Granmsci. Mas nos anos 60, 70 e 80 quando ainda se afirmavam clara e orgulhosamente como “ditaduras do proletariado” e fuzilavam sumariamente quem discordasse delas esse pessoal já tinha consciência de que o peso desses crimes acabaria por se voltar contra eles.

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Assim é que, embora na ação fossem explícitos e inequívocos na afirmação da sua obsessão pelo controle “total” dos pensamentos, palavras e obras alheias (daí o “totalitário”) assim como da sua absoluta intolerância para com qualquer forma de dissidência, por tênue e pacífica que fosse, eles passaram a se especializar num meticuloso trabalho de subversão conceitual e linguística que George Orwell, no seu clássico “1984”, imortalizou como a “novilíngua”.

Conscientes de que democracia já era, desde pelo menos o fim da 2a Guerra Mundial, um valor universalmente aceito e adotado como o objetivo a ser conquistado pela maior parte da humanidade, mesmo a parcela dela que não sabia então e continua não sabendo até hoje exatamente como defini-la nem, muito menos, como estruturá-la institucionalmente falando, esses inimigos jurados da democracia passaram a trabalhar para se apropriar das expressões que historicamente a definiam.

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Tudo, então, passou a ser designado como o contrário do que era. Enquanto as verdadeiras democracias, que eles qualificavam naquela altura de “burguesas” e tentavam matar a tiros e explosões, chamavam-se, anodinamente, “Estados Unidos da América”, “Japão” ou “Canadá”, as mais sanguinárias ditaduras, às vezes instaladas em países cercados por muralhas, controlados por elites que não apeavam nunca do poder, em que qualquer expressão de dissidência resultava no fuzilamento sumário com um tiro na nuca aplicado em um porão, a perseguição e o confinamento de toda a descendência do condenado e até o apagamento de todos os traços de sua passagem pela Terra inclusive em fotografias, eram todas batizadas de “Republicas Populares Democráticas”.

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Havia a da Alemanha (Oriental), cercada de muros com ninhos de metralhadoras apontadas não para a porta de entrada, que vivia às moscas, mas para a de saída, que era disputada mesmo à custa de sangue, havia a do Campuchea (Cambodja), onde um terço da população foi exterminada, havia as “Repúblicas Socialistas Soviéticas“, “unidas” por implacáveis exércitos de ocupação estrangeiros que enfrentavam passeatas com tanques de guerra, e por aí a coisa ia com milhões de pessoas assassinadas e de prisioneiros submetidos à fome e ao trabalho escravo em intermináveis “arquipélagos” de campos de concentração.

Não eram repúblicas, não eram populares e não eram democráticas. Fuzilavam todo e qualquer homem, mulher ou criança que agisse como se estivesse em uma, sempre sob os aplausos entusiasmados dos “guerrilheiros” que lutavam explicitamente, com armas e com bombas, para por o Brasil sob esse mesmo tipo de regime. Mas faziam questão absoluta de ser chamados assim…

Para os nativos do Terceiro Milênio tudo isso parece distante como a Idade Média. Mas aconteceu, foi “ontem” e eu estava lá, como tanta gente que mora hoje em nossos palácios…

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Esse negócio de “políticas públicas” não passa de um restolho temporão desse culto à subversão semântica e conceitual que tão bem caracterizou aqueles anos.

A distribuição maciça de benesses e pequenas esmolas eleitorais; a oferta de homens vestidos de branco mas sem diploma quando faltam médicos; as desonerações pontuais em setores da produção com repercussão rápida nos sonhos de consumo das classes mais resistentes ao partido; o controle do preço de insumos básicos para melhorar estatísticas ou a distribuição de mão em mão de “remédios” que viciam a título de cura da miséria são, todos eles, expedientes que, segundo o jargão do militante, constituem as tais “políticas públicas” do PT. Mas o que se pretende obter com elas, evidentemente, não é reforçar o regime representativo, nem melhorar a saúde pública, nem aumentar a competitividade da indústria nacional, nem acabar definitivamente com a miséria.

Segue com tudo o velho jogo dos contrários…

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De que foi que morreu junho?

9 de outubro de 2013 § 2 Comentários

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E segue a conversa: quem são os Black Blocs? É um movimento espontâneo? É orquestrado? Reminiscência daquela “estética da destruição dos símblos capitalistas” da Europa dos anos 70, precurssores do terrorismo à Baader Meinhoff e Brigatte Rosse? São só baderneiros? E o que é que isso tem a ver com as manifestações de junho?

Que tem uma pitadinha de cada uma dessas coisas, é claro que tem (além dos ladrões). Tem até “filósofos” assassinos, como Achile Lollo (conheça o personagem aqui) importados diretamente dessa safra de europeus século 20 e postos, agora, de “gurus” do PSOL, aquele partido que quer porque quer jantar o Rio de Janeiro de entrada.

Mas, refinamentos retrô àparte, eu, na dúvida, faço sempre aquela pergunta que o Sherlock Holmes fazia: “A quem interessa o crime?”

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Quando a resposta me parece duvidosa é a ele que eu recorro de novo: “Quando descartadas todas as outras respostas, por mais estranha que pareça a que restar, é ela a verdadeira”.

E a que restou é a seguinte. Junho foi o resultado da soma do primeiro julgamento do STF com a televisão. Com gente daquele calibre condenada à cadeia o “gigante” sonhou que tinha acordado de frente para o impossível: “E não é que este país pode mudar!

Cheios de esperança, os amadores foram pra rua, expulsaram os chapas-brancas e passaram a exigir que mudasse já, e muito..

Pânico no Planalto! Então os profissionais, impedidos de vestir vermelho, retomaram as ruas mascarados, porretes nas mãos, pro povo aprender bem aprendido a quem é que elas pertencem. Aí veio o Celso de Merda, enterrou o sonho, e o país mergulhou de volta naquela de “nossos heróis morreram de overdose”

Agora os Black Blocs, a esta altura já seguros o bastante para se abraçar aos profissionais, estão jogando a pá de cal.

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