O resto da matemática do crime

30 de setembro de 2013 § 1 comentário

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Carlinhos Brickman, na coluna que escreve para vários jornais no domingo, registra a parte que eu esqueci de mencionar nessa matemática do crime:

O Fundo Partidário distribuiu no ano passado R$ 286,2 milhões entre os 30 partidos existentes então. A propaganda eleitoral “gratuita” nos rádios e TVs custa R$ 900 milhões nos anos eleitorais, que os partidos não pagam mas nós pagamos pra eles.

O dois novos partidos – PROS e Solidariedade – passam a fazer jus, só por terem nascido, a R$ 30 milhões cada um por ano.

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Isso é, por assim, dizer, o “dinheiro de bolso” que eles recebem porque o grosso mesmo vem depois, das fontes que eu mencionei: os  cargos públicos, as nomeações sem concurso, o aluguel do horário gratuito e tudo que fica ao alcance das mãos ávidas dos contemplados com o controle das grandes encruzilhadas por onde flui o dinheiro público.

Brickman lembrou bem: Dona Dilma, na maior cara-de-pau, ainda teve o desplante de “responder à voz rouca das ruas” de junho (antes delas serem caladas a pau pelos profissionais que passaram os três meses seguintes mostrando aos amadores que se  insistissem em falar nas ruas iam ter de pagar com sangue), “propondo” o “financiamento público das campanhas”.

Que campanha já não é financiada com dinheiro público? Quem é que põe um tostão de seu pra criar  esses partidos?

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Entenda a matemática do crime

26 de setembro de 2013 § 1 comentário

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Dois novos “partidos políticos” acabam de nascer no Brasil e ainda temos mais um no forno.

Um deles responde pela adequada sigla PROS (Partido Republicano da Ordem Social) e já nasceu falando que é pró governo. O outro chama-se Solidariedade e é propriedade daquele Paulinho da Força, nosso velho conhecido que doravante passa a ser Paulinho da ex-Força, e diz que vai ser da oposição, ainda que estejam ambos abertos a negociações.

Com isso o Brasil chega ao recorde de 32 partidos políticos, a caminho de 33 porque ha pelo menos mais um em gestação, fato que absolutamente não quer dizer que existam 33 maneiras diferentes de se gerir a coisa pública que é o critério que, pelo mundo afora, faz partidos políticos nascerem. Mas explica porque o Brasil tem 40 ministérios quando ninguém no resto do mundo passa muito dos 10.

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Desde a Queda do Muro em 1989 ha consenso de que não existem sequer duas maneiras de gerir a coisa pública. Uma e meia, talvez, a diferença resumindo-se a permitir ou não permitir que, nos momentos de crise, o Estado ponha a ponta de um de seus pezinhos dentro da economia. Por isso são raros, hoje, os países onde haja mais que dois partidos, sendo as exceções admitidas em modelos parlamentaristas que abrigam partidos dedicados a temas específicos como os “verdes”, que adoram essa cor, ou os “piratas” que propõem a livre roubalheira de trabalho alheio e doses maiores de “democracia direta” não muito honesta via internet.

Porque, então, nascem tantos partidos no Brasil?

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Primeiro porque a função dos governos no Brasil não é gerir a coisa pública, é roubar a coisa pública. E para disputar tão gigantesco butim há muito mais do que apenas dois candidatos. Segundo porque o povo brasileiro e a representação política do Brasil são entidades absolutamente divorciadas entre si, não havendo nenhuma possibilidade de contato entre ambas salvo nos momentos em que os eleitores são chamados a sancionar a hierarquia da roubalheira dos próximos quatro anos negociada previamente entre essas 30 e mais agremiações especializadas no alto “comércio de governabilidade” que é o nome que se atira à imprensa para descrever as idas e vindas de cada ladrão ao longo de cada temporada oficial de saque à Nação.

Trata-se de um jogo no qual só se ingressa constituindo-se um “partido político” e no qual a moeda de troca é o tempo de exposição no “horário gratuito eleitoral”.

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A regra é acertada entre os próprios contendores. Formar um partido é a parte mais fácil. Basta juntar 101 asseclas dispostos a tudo, criar a marca do novo produto e colher assinaturas de 1/1000 dos eleitores que votaram na última eleição em 9 estados. Escolhendo os 9 estados de menor eleitorado bastarão 7.641 assinaturas.

Conseguido isso, só por ter aderido à máfia, sem ter feito nada por ninguém, sem ter tido de pedir nada a ninguém, o “partido” já recebe, automaticamente, um cacife inicial bancado por nós todos para entrar num jogo em que o prêmio final é o resto do nosso couro.

Funciona assim:

O “horário eleitoral gratuito” colocará candidatos no ar em rede nacional dizendo o que quiserem dentro da melhor embalagem que conseguirem comprar, sem contraditório que fica proibido nos meses que antecedem as eleições, durante 30 minutos por dia.

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Dez desses 30 minutos serão distribuídos “igualitariamente” pelo numero de partidos existentes. Se forem 32, cada um terá 18 segundos e 75 centésimos. Se forem 33, 0’18”18 centésimos.

Os outros 20 minutos serão distribuídos pelos 513 deputados federais eleitos e atribuídos ao partido a que eles estiverem filiados no momento, o que dá 0’02”33 centésimos para cada um.

É, no entanto, uma propriedade inalienável desse deputado, que ele leva com ele independentemente de trair ou não o seu eleitor.

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Aí começa o jogo que consiste nos partidos roubarem deputados eleitos uns dos outros fazendo a eles a melhor oferta de posicionamento privilegiado para futuros assaltos à coisa pública em caso de vitória da agremiação à qual se aliou.

Essa primeira fase desse jogo de rouba-montinho envolve todos contra todos. O Solidariedade, ex-Força, por exemplo, nas mãos de um veterano de comprovada competência na modalidade, garante que já vai nascer com 46 deputados tirados do alheio.

Isso lhe daria um cacife de 2 minutos 10 segundos e 58 centésimos por dia na TV (2”33 x 46 = 107”60 + 18”75 de cacife inicial = 126 segundos e 35 centésimos ou, /60 = 2’10”58 centésimos).

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Aí começa a segunda etapa do jogo que, a essa altura, passa a ser de rouba-montão. É quando os donos de partidos negociam entre si a qual dos dois partidos mais cotados para a disputa final eles vão entregar os seus preciosos minutos, e em troca de quais ministérios, autarquias, empresas estatais ou simples encruzilhadas boas de assaltar em caso de vitória.

Esses minutos valem tanto assim porque este é um país onde até os universitários, ou pelo menos 38% deles, são analfabetos funcionais, interessados exclusivamente em ver bundas na televisão e, em boa parte dos casos, comporem-se futuramente com os ladrões postos no seu caminho pra ver se garantem algumas migalhas no mole para si mesmos.

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Pros alfabetizados sem adjetivos os contendores desse jogo nem olham porque não são suficientemente numerosos para mudar nada nas eleições. Uma vez eleitos, eles cuidarão de manter o sistema de educação pública com o nível de eficiência necessário para parir, na próxima geração, uma igual proporção de otários e miseráveis, contingente que tem de ser amplamente majoritário para que eles possam seguir comprando-os eternamente com bundas e com migalhas.

Passada a eleição começa a fase do rouba-bilhão onde cada voto no Congresso, cada gatuno pego no pulo, cada julgamento que chega ao judiciário, cada crise que eles ajudam a insuflar, cada pânico nacional é uma nova oportunidade de faturamento tanto maior quanto mais grave for a ameaça envolvida. Nessas ocasiões, não é ajuda que venderão, é só a promessa de parar de jogar gasolina na fogueira.

De modo que se você sonha sair dessa arapuca um dia, comece por fazer tudo que você puder para destruir esse tal de “horário gratuito” mantido o qual não ha esperança de nada.

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Solidariedade…

13 de março de 2013 § 5 Comentários

papa6

Dá quase para palpar com as mãos a esperançazinha que se insinua neste momento nos corações de todos quantos, vergados sob a brutalidade cafajeste dos Kirshner, já tinham desistido de sonhar com uma Argentina democrática e civilizada, de que Francisco I seja para a máfia de Neuquén e para o peronismo, avô do bolivarianismo, o que João Paulo II foi para a máfia de Varsóvia e para o sanguinário comunismo soviético.

Que assim seja!papa2

O medo da Europa e o único antídoto possível

8 de maio de 2012 § 1 comentário

A França ainda é um rebelde racional.

Por 3,24% de diferença, trocou a meia direita pela meia esquerda.

Um luxo que se pode conceder somente quem ainda tem menos de 10% da população economicamente ativa desempregada.

A Grécia, com 22% e 1/4 dos anéis (cortes nos salários, aposentadorias e outros gastos do Estado) ainda por entregar, já votou francamente sob o signo do medo.

As correntes democráticas da política foram literalmente apedrejadas no berço da democracia; os incendiários da esquerda e da direita, incluindo os nazistas, foram carregados pela turba enfurecida até o limiar do poder.

Não é ainda o mergulho no ódio, mas é quase.

A Itália, em eleições locais, pende para a mesma direção da Grécia. E o que se poderá esperar da Espanha, com 24,4% de desemprego? De Portugal, com 15,3%? Dessa Europa com 17 milhões de desocupados e milhões de outros na fila do bilhete azul?

A fera enterrada desde 1945 sente o cheiro de sangue e começa a dar estremeções.

A imprensa ligeirinha, cabeça século 20, fala em vitória “do crescimento” sobre “a austeridade”.

Mas a Europa não está indo pelo ralo em função do erro no emprego de palavras mágicas. O caminho pela frente é íngreme e longo. O abismo é muito fundo e não ha espaço para brincar.

Não haverá o “novo começo” prometido nas campanhas eleitorais. A França não abandonará a liderança da Europa do euro dividida com a Alemanha para liderar a rebelião aberta da Europa do Sul.

Pelo menos por enquanto.

Desde a boca de urna, antes mesmo que fosse anunciado o resultado oficial, François Hollande já procurava os meios de continuar agindo racionalmente, composto com uma Ângela Merkel agora mais disposta a concessões cosméticas para não obrigá-lo a perder a face e deixá-la sozinha.

Mas eleições na Europa – em qualquer lugar da Europa – não poderão mudar nada de muito concreto a não ser para pior se o sofrimento chegar ao ponto de fazer com que o ódio ocupe definitivamente o espaço da racionalidade, como já se começa a ensaiar.

E este é o verdadeiro problema.

A crise é global. Não pode ser resolvida com aspirinas nacionais.

Não ha como deter a queda. Pode-se no máximo tentar regular a velocidade dela.

Recessão, desemprego, desmonte de benefícios sociais, a quebra de arrecadação (que enfraquece ainda mais a capacidade dos estados nacionais de proporcionar anestesias); tudo isso é efeito do processo de redistribuição da renda proporcionado pela chegada ao mercado agora planetário de trabalho dos bilhões de trabalhadores que, congelados pelo comunismo, pelo islamismo fanático, pelo caos africano, nunca tiveram direitos, nunca tiveram benefícios sociais, nunca tiveram emprego como isso é entendido no Ocidente.

Para esse lumpen do mundo, o morno “inferno” que ameaça os confortos de um francês, de um grego, de um americano parece o mais ameno dos céus.

Os vasos todos, de repente, passaram a ser “comunicantes” e, segundo a lei da física, todo o líquido que eles contêm procura, agora, o nível médio: sobe quem estava abaixo, desce quem estava acima da média mundial na escala do valor do trabalho.

Mas os europeus e os americanos em queda estão muito ocupados culpando-se uns aos outros para ver que o que os atinge não vem dos lados – direito ou esquerdo – vem de baixo.

O processo começou ha mais de 30 anos e foi chegando aos poucos. Seu efeito foi mascarado com overdoses de crédito, numa reação autoimune das economias mais abertas, como a dos Estados Unidos, e com overdoses de anestesias políticas e proteção social nas economias mais mediadas, como as europeias. Mas agora está aí de corpo inteiro. E veio para ficar.

A solidariedade não é mais uma opção altruísta; é um imperativo de sobrevivência.

A luz no fim do túnel só começará a bruxulear de novo quando cada francês, cada grego, cada americano se lembrar que suas ilhas antes inexpugnáveis estão neste nosso mesmo sofrido mundo e que os sinos estão dobrando por todos.

Só haverá direitos do trabalho de novo quando todos tivermos direitos do trabalho. Só haverá benefícios sociais quando todos tivermos benefícios sociais.

Os salários só subirão quando subirem para todos, ou os empregos continuarão saltando pra lá e pra cá, em busca dos miseráveis de ocasião.

Lutar eficazmente por mais direitos e melhores salários em Paris ou em Nova York hoje, é lutar, a partir de Nova York ou de Paris, por mais direitos e melhores salários em Pequim.

O poder do dinheiro, agora formalmente associado ao poder do Estado e livre de fronteiras, só recuará se todos os indivíduos de todas as ilhas se derem as mãos para enfrentá-los e impor-lhes limites.

Enquanto cada um continuar olhando somente para o próprio umbigo e querendo levar vantagem em tudo num mundo onde a alternativa é vencer ou morrer, não haverá espaço para a dignidade e todas as antigas conquistas da civilização continuarão sendo apenas “custos” a serem desbastados e devidamente apropriados pelos tubarões de sempre.

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