A verdade no Congresso, para variar

29 de julho de 2016 § 23 Comentários

Quem discursa é o deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS). O Orlando de quem ele fala é o Silva, do PT, ex-ministro de Lula, ex-presidente da UNE, ex-presidente da União da Juventude Socialista, ex-editor da revista Debate Sindical do país que, de longe, mais tem sindicatos no mundo: 15 mil.

Encara a tua doença, Brasil!

13 de junho de 2013 § 5 Comentários

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Ao fim de seis anos de furiosa torcida pelo declínio e morte da “democracia burguesa” e de incontáveis milhares de quilômetros de palavras justapostas para vaticinar a “irreversível decadência americana”, é para lá que corre o dinheiro do mundo em busca de um abrigo seguro enquanto se vão acumulando, um por um, os fatos que indicam que, mais uma vez, serão eles que sairão da crise reformados e mais fortes enquanto o resto do mundo – a velha Europa Latina e seus rebentos d’além mar em especial – seguem atolados no brejo de sempre.

Choverá todo tipo de amarga “denúncia” para tirar-lhe o mérito do feito acompanhadas das acusações do costume sobre como o “Império” impõe aos outros os ônus da abundância de que desfruta, mas o fato que a História sempre reafirma e que a plêiade dos países grandes ou pequenos, ricos ou miseráveis de recursos naturais que adotaram o modelo americano de democracia confirma, é que o que determina o sucesso ou o fracasso das sociedades no campo econômico (e não só nele) é a qualidade do sistema político que elas constroem.

A democracia americana não admite poder ou dinheiro que não seja fruto do mérito, e foi concebida para aperfeiçoar-se constantemente. Se não é isso, 100%, o que obtém, é o que continua perseguindo com afinco. E isso faz toda a diferença.

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Com um mínimo de regras básicas “imexíveis” e a da igualdade perante a lei como a mais sagrada entre todas, o sistema é absolutamente flexível, podendo reformular-se à vontade para adaptar-se a toda e qualquer circunstância.

O jogo lá é fluido e as vitórias e derrotas se alternam segundo a capacidade de cada um sem que seja necessário alterar as regras fundamentais.

Já entre os que vivemos desde os tempos das caravelas em “economias de conquista”, colhendo sem ter plantado, de preferência à “economia de produção” onde a riqueza tem de ser criada pelo esforço, cada vitoriazinha transforma-se num novo “direito adquirido” inscrito na lei ou até na Constituição que “O Sistema” passará a garantir em seus tribunais onde nenhuma regra é clara e nenhum processo tem prazo para terminar.

Pulverizadas nesses arquipélagos de interesses mesquinhos, com cada grupelho agarrado ao seu pequeno privilégio e dependente de um poder concedente que, para continuar a garanti-lo, precisa voltar a eleger-se, essas sociedades não conseguem mais identificar qualquer coisa que se possa definir como de interesse coletivo.

Constituídas de ilhotas sem comunicação umas com as outras, sua representação política é igualmente pulverizada entre traficantes de privilégios cujo negócio é criar e depois zelar por interesses particulares em troca de votos.

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Nossos 30 ou 40 partidos políticos (lá sabe alguém quantos eles são hoje em dia?), cada um, por sua vez, dividido em “tendências” correspondentes ao número dos indivíduos que o integram, representam fielmente o que eles próprios fizeram de nós aqui fora.

Eles nos representam ou nós é que os representamos? É uma estranha inversão…

Perdido nesse cipoal com incontáveis pontos de enraizamento que a tudo amarram e onde nenhum membro do corpo social pode movimentar-se livremente, todo súdito de tais arapucas consciente da sua finitude logo perde qualquer esperança de mudar as coisas antes que a morte o colha, por mais longevo que seja, restando-lhe, assim, a única alternativa existente: a de conformar-se com ser explorado ou a de transformar-se ele próprio em explorador.

No Brasil do passado o sonho do escravo era sair do eito para a Casa Grande ou transformar-se, ele próprio, no feitor. No Brasil de hoje, o sonho do contribuinte explorado é entrar para o serviço público; o do achacado, tornar-se achacador; o do opositor chutado de casuísmo em casuísmo, passar à “Situação” que distribui as botinadas a torto e a direito e está dispensada de seguir as leis que edita com o único propósito de perenizar-se no poder.

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O sistema ajusta-se à nomenclatura e aos limites internacionalmente aceitos de seu tempo, enfim, mas não muda essencialmente nem um milímetro.

Nem o refinamento formal é capaz de dobrá-lo. O esforço de cercear suas manifestações sem alterar a essência da sua natureza acaba sempre na recriação da relação explorados/exploradores, ainda que sob formatos menos evidentes. Como o da Europa Latina de hoje onde, vedadas as formas mais explícitas de tempos idos, ela ressurge nesta última versão que aí está em que uma geração de hedonistas preguiçosos explora a geração seguinte porque esta não tem representação política suficiente para defender-se.

E lá está aquele triste espetáculo de pais aferrados aos seus pequenos confortos e privilégios sacando contra o futuro de seus filhos, não por acaso desempregados e jogados ao deus dará.

Não ha alternativa nem meio termo, brasileiros! Ou é a servidão, ou é o mérito.

E nada de desanimar porque a primeira condição para a cura é reconhecer-se doente e entender a natureza do mal que o aflige.

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A charada do ensino público

10 de abril de 2013 § 4 Comentários

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Escola é prédio.

Mas educacão não é prédio.

No entanto, prédio é a única coisa que o eleito para um mandato de quatro anos pode mudar na equação da educação pública.

No mundo real o que decide tudo é a qualidade do professor. E qualidade, todo mundo sabe, é função da competição.

Meça por você mesmo. Você compete no seu trabalho, aprende e se renova todos os dias porque não tem alternativa; porque se não competir, perde o emprego.

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Mas como todo funcionário público, o professor empregado do Estado é indemissível. Uma vez posto um pé dentro do sistema, ele se torna para sempre “estável”.

Bem feito ou mal feito o trabalho, o salário vem no fim do mês. O funcionário público avança nas promoções em função do simples transcorrer do tempo.

O responsável eleito pela educação pública está, portanto, proibido de lidar com a qualidade do ensino. Seja o que for que acontecer ele, seus antecessores e seus sucessores só poderão alterar a quantidade dos professores e, mesmo assim, só para mais.

Por isso nunca há salário que chegue.

e11Caímos, então, na contradição insanável de esperar que pessoas que jamais sentiram o que é viver sob pressão por desempenho formem profissionais capazes de disputar o campeonato mundial do desempenho que é cada minuto da vida de cada profissional no mundo real hoje em dia.

Agora, para ter e manter o luxo de manter-se “estável” num mundo cada vez mais insanavelmente instável, só mesmo às custas dos outros, coisa que só se consegue pelos artifícios da política, e da política no sentido mais pejorativo do termo.

Isto é, especializando-se na arte de manter-se a salvo, venha o que vier, sem ter necessariamente de fazer força, e cavando privilégios junto a quem tem o poder de outorgá-los em troca de concentrar todo o seu esforço em manter o poder de seus protetores de continuar a protegê-los.

É essa a lógica da ação corporativa.

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Ha, como em toda a parte, as exceções. E dentro do ambiente viciado do funcionalismo, elas são especialmente heróicas. Mas a maior parte acaba por se corromper e por se transformar num profissional da ação corporativa. E estes, tudo que sabem ensinar é a fazer política corporativa e a falsificar os fatos para justificar o injustificável.

Por isso seus alunos entram na vida semi analfabetos mas com a cabeça cheia de slogans contra os que competem e sonhando em pular, um dia, para dentro do barco dos indemissíveis.

Enquanto houver dois Brasis – um, como o mundo real, regido pela permanente pressão por desempenho, outro regido pelas blandícias do tempo de serviço e das aposentadorias precoces – não haverá lugar para nós fora das sombras do mundo, por mais prédios que os encarregados eleitos pela educação pública construam, ainda que sejam prédios de fazer inveja a clube de lazer de rico.

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Uma imensa Argentina?

10 de janeiro de 2013 § Deixe um comentário

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A Folha de hoje atirou no bicho certo mas exibiu o troféu errado.

A longa entrevista por ela publicada (aqui) com o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, continha uma revelação importante e um alerta importantíssimo, mas não foi nenhuma dessas duas preciosidades que a equipe encarregada de editá-la destacou.

A revelação importante é a de que, ao se aproximar o prazo para a sua recondução ou não ao cargo de Procurador Geral da Republica, Roberto Gurgel mandou avisar à presidente Dilma que estava terminando a peça acusatória do Mensalão, a ser apresentada dois dias depois da decisão, e que manteria nela todas as acusações que hoje o Brasil inteiro conhece contra os maiorais do PT e, mesmo assim, a presidente o confirmou no cargo.

Já o alerta importantíssimo que a Folha deixou de amplificar, pode ser resumido nestes tres pontos:

1- A luta não está ganha (vejam que manchete atraente para sair sobre uma foto de Gurgel!);

2- Não ha nada no horizonte que indique que vamos ganhá-la, ao contrário.

3- Se não ganharmos agora não haverá segunda chance.

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Ok. Foi “um esforço magnífico”, “um marco histórico”, e coisa e tal, “mas isso não basta”. “Nós não acabamos. É preciso dar efetividade a esse julgamento … É preciso que os juízos condenatórios proferidos pelo Supremo tenham as devidas consequências (tanto) na questão dos mandatos parlamentares (quanto) na questão dos mandados de prisão … Respeito a posição do ministro Joaquim (de recuar de pedir as prisões imediatas)… (mas) Meu temor é assistir cenas como as das fotos recentes do Cachoeira (condenado mas em liberdade) no resort. Isso demonstra a falta de efetividade da Justiça. Essa é a preocupação que o Ministério Público tem. Nosso sistema processual é muito generoso e muito propício a certas manobras da defesa…”

Nenhuma voz tem mais autoridade que a do acusador-chefe de um país sem prisões para nos alertar para a seriedade da ameaça que paira sobre nossas cabeças.

Roberto Gurgel, assim como Dilma, faz parte de uma elite do funcionalismo público que, já nem tão por baixo do pano assim, vem num conflito surdo com a canalha oriunda dessa grande universidade do crime que é o sindicalismo pelêgo que Getúlio Vargas nos legou e vem tomando literalmente de assalto o Estado brasileiro desde o momento em que Lula chegou “”.

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Não digo que essa elite seja constituida só de santos nem que não existam diferenças ideológicas ou de comportamento ético a diferenciar os que fazem parte dela. Nem mesmo que ela não se aproveite e componha com a outra quando se trata de preservar seus privilégios.

Mas também é indiscutível que, tomada em seu conjunto, há um verdadeiro abismo moral e, principalmente, cultural entre essa nata do funcionalismo concursado, de carreira, e a escória cevada no sindicalismo que Getúlio plantou aqui precisamente para destruir o Estado e deixar o país inteiro nas suas mãos, segundo a receita de Juan Domingo Perón e suas periguetes de palanque.

E já lá vão 10 anos ao longo dos quais para cada concursado que sai pela porta da aposentadoria são dois ou tres predadores que entram pela das nomeações “políticas“.

A Argentina está aí, descambando desabaladamente ladeira abaixo há quase um século, trágica, irrecuperável, aos trambolhões, a nos gritar que não tem fundo o abismo em que ameaçamos despencar.

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Dilma sabe disso. Mas, criatura de “deus” que é, hesita. Balança entre “o pai” e o que lhe diz a sua consciência. O dr. Gurgel mostrou que sabe o que vai pela alma dela…

Quanto às cenas como as das fotos do Cachoeira que tiram o sono do promotor-chefe, elas já estão aí, atiradas nas nossas caras.

A ocupação da tribuna do povo em Brasília pelo chefe da grei dos cuequeiros sob os aplausos da alcatéia dos vendidos num congresso nacional que parece antecipar o nosso destino bolivariano é a repetição, como farsa, do acinte do caudilho dos pampas ao amarrar seus cavalos no obelisco do Senado da Republica da antiga capital federal da Guanabara.

Por quanto tempo ainda os “condenados” do Mensalão poderão andar pelas nossas ruas e praias exibindo o seu sucesso?

No mínimo mais um ano, diz o dr. Gurgel mais em tom de torcida que de afirmação…

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O país que acompanhou por quatro meses, ao vivo, as seções solenes do Supremo Tribunal Federal para vê-las desaguar numa hermética “dosimetria” onde tudo faz lembrar o Jogo de Truco, síntese da malandragem brasileira onde nenhuma carta vale o que diz o número estampado nela, fica sabendo, depois desse primeiro balde de água fria, que a “última palavra” da nossa “ultima” corte de justiça, de ultima não têm nada. Que vai recomeçar a ciranda dos recursos e dos recursos sobre os recursos, agora batizados de “embargo” disso, “agravo” daquilo, enquanto os “condenados” refestalam-se ao sol dos vencedores na Bahia.

Que país sairá dessa travessia? O que terá restado em pé?

É preciso um esforço de união nacional aberta e francamente apoiado na única dicotomia real que, pelo mundo afora, sobreviveu à entrada do Terceiro Milênio – mocinhos x bandidos; ladrões x roubados – como a derradeira tentativa de incentivar os brasileiros honestos de todas as antigas cores que nos separavam no século passado a se unirem para gritar que “Não, nós não somos todos a mesma merda que Lula quer que sejamos”, ou seremos nós a próxima e imensa Argentina.

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