Russomano?! Tem que drenar o brejo…
17 de setembro de 2012 § 1 comentário
Boris Fausto deu uma entrevista interessante ao Aliás, do Estado, neste domingo, especulando sobre o panorama que se desenha na eleição de São Paulo.
Registra os fatores mais óbvios – como a rejeição de Serra e a “fadiga de material” que se lhe acrescenta, a força dos padrinhos de Haddad, insuficiente ainda, e o poder do voto evangélico que, “graças a deus” não é uma força monolítica dada a proliferação das novas confissões – e aponta duas novidades interessantes: a perda da importância decisiva que já teve o programa eleitoral na TV que em São Paulo já ninguém assiste, embora ainda sustente toda a corrupção que entorta a política antes mesmo dela se instalar no poder, e “a emergência de uma formidável classe C que se vai constituindo como sujeito político para quem o julgamento do Mensalão, com o seu palavrório empolado, não incomoda tanto quanto o dia a dia numa metrópole emperrada, extenuante, cujos serviços não funcionam” e que vota mais como consumidor insatisfeito que como eleitor politizado.
É esse eleitor que, com a não desprezível ajuda dos pastores evangélicos, explica as intenções de voto em Celso Russomano e seu histórico de defesa do consumidor, apesar do pouco tempo de TV que ele tem.
“Estamos atravessando um período de relativa regressão política (…) como se o processo eleitoral fosse convertido numa concorrência mercadológica entre pessoas. Ao longo desse processo, figuras políticas perdem força. (…) Russomano está sendo identificado não como o preferido pelo cidadão eleitor, mas como o preferido por um cidadão consumidor. (…)Existe uma grande irritação na cidade com o mau funcionamento dos serviços (…) se alguém aparece como o paladino do consumidor, como defensor do usuário da cidade, alcança repercussão“.
Si non é vero, é ben trovato!
Acredito que ha verdade nisso, sim.
A questão da corrupção no Brasil, tanto no julgamento do Mensalão, vazado no jargão do século 19, quanto na imprensa que ainda reza pela cartilha das categorias ideológicas do século 20, ainda é tratada como uma questão, ou moral, ou ideológica, ou como uma mistura das duas coisas às quais certas classes – e suas “vanguardas”- estariam mais propensas que outras.
Assim, trocando a pessoa ou a classe no poder…
Mas corrupção é, antes de mais nada, uma questão de qualidade da tecnologia institucional que se usa. Tecnologia institucional funciona quando parte do pressuposto, baseado na experiência concreta que também esta geração de brasileiros já tem, de que a humanidade é intrinsecamente corrupta e de que é esse seu pendor natural que é preciso cercear com métodos e organização especificamente desenhados para serem aplicados para este fim sobre a parcela dela a quem caberá temporariamente operar a coisa pública.
O resto é consequência.
Dado o arsenal de que se dispõe nessa área na prateleira internacional das experiência concretas, o grau de ineficiência institucional brasileiro é deliberado. Não tem outra explicação. Instituições tortas são plantadas e mantidas assim pelos políticos não pela falta de opções melhores conhecidas de todos mas sim para facilitar a roubalheira.
O que falta é alguém com disposição e peito para mostrar didaticamente que o mau funcionamento dos nossos serviços públicos é consequência direta da corrupção, que pode ser drasticamente reduzida se mudarmos o nosso equipamento institucional para controla-la e não para incentiva-la como acontece hoje.
Boris Fausto nota que o eleitor já intuiu isso. Falta aparecer o político que, entendendo que é isso que o povo está pronto para ouvir, ligue uma coisa a outra e comece a mostrar o nexo que existe entre elas. E pare de falar que basta a sua dedicação e o seu brilhante tirocínio aplicados sobre o mesmo brejo que está aí para que as coisas passem a funcionar melhor.
Mentira!
É preciso drenar o brejo.
E isso se faz com o fim da estabilidade no emprego do funcionário público, com o fim dos fóruns especiais, o fim do poder de delegar poder (mais eleição e menos nomeação de funcionários), a redução do espaço da política partidária aos âmbitos estadual e federal, o controle do judiciário, prisão mais dura pro ladrão de povos que pro ladrão de galinhas e o mais que o resto do mundo já faz.
Só drenando esse brejo é que o serviço público melhora.
Foi isso que o Serra só começou a entender depois que vaca dele ameaçou atolar no próprio.
Antes tarde do que nunca!
Bem melhor assim!
6 de setembro de 2012 § 1 comentário
Olho no olho, sem promessas, nem musiquinhas nem figuras cafajestes no último, é o seguinte: “Sai da prefeitura com o seu endosso para evitar que um governo petista reduzisse o estado inteiro ao que eles tinham reduzido a cidade de São Paulo. Você aprovou isso com seu voto para governador“.
A verdade, quando se apresenta, tem a força esmagadora dos fatos.
E ao se reconciliar com ela, Serra, não sei com quanta consciência disso, fez uma síntese perfeita do sentido do confronto PT x PSDB como o eleitor que não se deixa subornar o vê: “venho para ser tudo que eles não são” (o que não inclui, naturalmente, o que eles possam ter feito de bom).
Essa tomada de posição é algo que ele nos deve desde 2002 quando, para a suprema alegria de um incrédulo Lula, Serra ouviu calado no debate, endossando-os, os ataques do barbudo à essência do que tinha sido construído pelo governo FHC: o fim da farra com o dinheiro público (responsabilidade fiscal), o drástico encurtamento do território privativo de caça dos ladrões que são as estatais, a institucionalização dos mecanismos de decisão e as demais reformas que mataram a febre da hiperinflação que resultava do desembesto da putaria política.
Não foi pouco o que essa atitude inexplicável ajudou a reinstalar no Planalto, sob nova direção, a mesma máfia que as reformas de FHC desbaratara.
Na TV – até as criancinhas sabem disso! – o que o espectador capta não é o que se diz mas com que convicção se diz.
Cara a cara, olho no olho, mentira nenhuma decola a menos que quem estiver mentindo seja um tremendo de um ator.
Quando é, é um inferno. Mas se tem uma coisa que José Serra definitivamente não é, é um tremendo de um ator.
Lula sim. É “o cara” nessa arte. Faz, com a maior tranquilidade, até aquele clássico papel do gêmeo bonzinho x o gêmeo malvado, invertendo na mesma cena o que disse agora ha pouco na maior cara de pau e mostrando idêntica “convicção”. O Youtube está aí, recheado de provas, pra quem precisar refrescar a memória
Mas isso não é para quem quer. E nem dura para sempre.
Felizmente a abertura desastrosa da campanha de Serra tentando cavalgar o “tchan” cercado de uma coleção de figuras tenebrosas dos porões da televisão levou poucas horas para devastar o falso Serra.
Sobrou na raia, lá atrás e bem machucado, o Serra verdadeiro. Se conseguir se livrar da sua eterna dinamarca e prosseguir reconciliado com aquilo que é, pode ser que a pátria seja salva.
Ele acredita no Brasil?
30 de agosto de 2012 § Deixe um comentário
Da vez passada tentou ser mais Lula que o Lula.
Agora piorou: quer ser mais Valdemar da Costa Neto que o Valdemar da Costa Neto!
No momento em que um STF empurrado a tanto levanta-se para liderar o enfrentamento final da Nação contra a esculhambação definitiva da politica brasileira, ele tira do ar todo mundo que tem algo a dizer – e os únicos que têm ainda estão no partido! – e enche o horario eleitoral deste PSDB que só sobrevive pela memoria que o eleitor insiste em guardar da diferença de qualidade que um dia representou em relação a fauna dos predadores que nos devoram, de Tiriricas colecionados no que ha de pior no que ha de pior na televisão brasileira.
Assim não dá! Burrice tem limite!
Serra ou não Serra
21 de março de 2012 § 4 Comentários
Se colocar José Serra, o do “papelzinho”, competindo pela Prefeitura de SP é a única maneira de impedir que o PT conquiste o penúltimo baluarte importante que continua a rejeitá-lo no Brasil, que é a cidade de SP, que dirá para impedir que ele conquiste o último, que é o Estado de São Paulo.
É nessa ilusão que o PSDB vai se desmilinguindo e desanimando qualquer um de se filiar a ele, para alegria do melífluo Kassab, já que a unica perspectiva que se abre para quem o fizer é, na hora H, ser obrigado a sair do palco para deixar Serra, o ubíquo, sozinho nele.
Tal “estratégia” se autoalimenta pois, desse jeito, nunca o partido poderá dar a “sangue novo” a chance de testar o eleitorado e acumular cacife para campanhas futuras.
E, no entanto, daqui de onde estou o que parece não é que SP resiste ao PT porque vota em Serra. O que acontece é exatamente o contrário. SP vota puto da vida naquele Serra que disputa com Lula para ser mais Lula que o Lula porque ainda ve nele qualquer coisa de menor que aquilo que o PSDB representa. São Paulo vota em Serra apesar de Serra porque essa é a única alternativa que lhe oferecem para os candidatos criados no laboratório do sapo barbudo.
Se, de tanto insistir em Serra, o PSDB acabar convencendo o eleitorado paulista de que ele é menor que Serra, como está tentando fazer, aí sim, conseguirá o milagre de fazer São Paulo – a cidade e o Estado – se renderem ao lulopetismo que, pelo menos, não se esforça para parecer aquilo que não é.
E se…
11 de março de 2011 § 1 comentário

Na crise, “back to the basics”, dizem os americanos.
Nada como a sabedoria popular!
É o que a “oposição” brasileira está precisando fazer.
O que se lê nos jornais sobre ela é de dar pena.
Serras, kassabs, chalitas…
A coisa vai de mal a pior.
E mesmo o Aécio, coitado, não sabe pra onde se virar.
A oposição está, como diria Voltaire, como aquele “cego, num quarto escuro, procurando um gato preto, que não está lá”.
Pois de volta ao básico!

E o básico é o seguinte. Desde que Roma inventou a Republica, só existe uma questão importante para o desenvolvimento da democracia: como submeter o representante ao representado.
É isso que conserta ou entorta tudo.
O Império Romano caiu porque não resolveu esse problema. A Inglaterra inventou a modernidade construindo essa resposta. E os Estados Unidos dominaram o mundo depois que conseguiram aperfeiçoá-la.
O Brasil balança na mesma alternativa: ou cria controles da cidadania sobre os políticos e a máquina publica ou o desembesto geral em que eles andam desmoraliza de uma vez por todas a ideia de democracia nestes tristes trópicos.
Aécio tem procurado associar a ideia de “choque de gestão” à sua “marca” política.

É por aí mesmo!
Só que está na hora de sairmos do “choque de gestão” opcional, episódico, cosmético, para o choque de gestão permanente e irreversível no setor publico. Só isso permitirá ao Brasil sair da alternância entre o péssimo e o apenas ruim. Só isso dará ao país a oportunidade de mudar definitivamente de patamar e deixar de festejar o sofrível.
É desta ilusão que Lula tem vivido. E superá-la é a única forma de superar o lulismo.
O mundo mudou mais nos últimos 30 anos do que tinha mudado nos 30 milhões de anos precedentes justamente porque passou por um profundo “choque de gestão”. E esse choque de gestão consistiu em retirar do entorno do trabalho todos os anteparos de que os políticos o cercaram para tornar a garantia de emprego, o desenvolvimento nas carreiras e a remuneração de cada trabalhador mais dependentes da sua submissão à política que do esforço pessoal e do mérito de cada um.
Dirão os mal intencionados que derrubar a parafernália de falsificações de que se cerca o trabalho até hoje em países como o Brasil é tirar “direitos dos trabalhadores”. Mas isso é uma mentira grosseira que a globalização da produção e dos empregos e a revolução das comunicações tornam a cada dia mais evidente.
A verdade é que foi o “choque de gestão”; as regras internacionais de governança corporativa; os sistemas de trabalho baseados no mérito que trouxeram a democracia para o andar de baixo da sociedade e colocaram-na – finalmente! – ao alcance da massa trabalhadora.

Porque num sistema de mérito não é preciso puxar o saco do patrão (nem do político) para subir na vida. Cada um pode ganhar tanto quanto estiver disposto a cavar com seu trabalho. Não ha mais limite. Pela primeira vez na história do mundo, é possível ficar rico vendendo apenas “mais valia”, sem se tornar dono do capital.
Os trabalhadores recuperaram, enfim, o direito à dignidade e o controle sobre o seu próprio destino.
Isto sim é que é democracia! O resto é conversa para enganar trouxa.
É claro que, humanos que somos, logo passamos a inventar novas maneiras de viciar o novo sistema para que também ele passe a abrigar privilégios.
Mas os privilégios de hoje no mundo corporativo são, na maior parte dos casos, privilégios que se combate com a polícia e não privilégios protegidos por ela. Distorções que decorrem de relações libidinosas entre as corporações e os políticos. Mas, mesmo assim, são privilégios infinitamente mais limitados que os que definiam a situação anterior.
Não foi necessário arquitetar qualquer projeto especial para que essa revolução se processasse no universo privado brasileiro. Bastou deixar o Brasil exposto à competição mundial e à globalização do emprego e da produção, que “cassa” implacavelmente quem não se ajusta, para que todo o resto acontecesse de motu próprio.
O instinto de sobrevivência faz milagres…

É isso que precisa acontecer no Brasil oficial.
A impunidade é uma cadeia que, num sistema onde prevalecem as nomeações, desce como uma praga hierarquia abaixo.
Garanta a impunidade aos cabeças e atribua-lhes o poder de outorgar esse privilégio com uma simples nomeação e você estará criando uma máfia onde o único valor que restará em pé, com a força do instinto de sobrevivência, será a cega lealdade ao chefe.
Exponha o primeiro da fila à responsabilização e você estará expondo todos os demais. Faça o emprego dele depender do desempenho dos seus nomeados e ele tratará de fazê-los, todos, mostrarem para que servem.
Impunidade e estabilidade no emprego são os dois pilares que sustentam todos os vícios do Brasil oficial. Enquanto cada político, cada funcionário publico souber que posto um pé dentro do “sistema” o emprego e a impunidade estão garantidos, aconteça o que acontecer, a continuação de tudo quanto temos lamentado nos últimos 500 anos será mera consequência.
Só a instabilidade dos políticos e dos funcionários públicos poderá gerar um Brasil estável.
Tornar os nomeadores imputáveis pela obra dos nomeados é, portanto, o caminho.
Eis aí uma bandeira para um partido de oposição que aqueles 44 milhões de brasileiros que, apesar do Serra, se recusaram a votar no Lula, abraçariam com todas as suas forças.

Não ha como leva-la adiante?
É outra mentira.
Será preciso carregar essa proposta pela porta dos fundos para dentro do Legislativo, hoje um inimigo do Brasil real posto a serviço do Brasil oficial. Mas os caminhos institucionais para isso estão postos e abertos. O Brasil conta com as figuras da Lei de Iniciativa Popular, a que gerou a lei da Ficha Limpa, e do Referendo, que adiciona força a esse instrumento. É com essas duas que se poderá dar mais agilidade à terceira, que é a que torna as outras duas realmente efetivas: o direito de determinar a demissão de qualquer funcionário eleito – legisladores inclusive e principalmente – a qualquer momento e por qualquer motivo que os eleitores achem suficiente, mediante um abaixo assinado seguido de plebiscito dos eleitores interessados (ou manifestação especifica na eleição seguinte, ja que temos uma a cada dois anos por aqui).
Os americanos usaram esse caminho ha cerca de 100 anos. O resultado foi que a corrupção foi reduzida em pelo menos 80%, o que os transformou no que são hoje: o povo mais rico e mais dono do seu próprio nariz em todo o mundo. Dado o primeiro passo, completaram a obra reduzindo drasticamente as funções preenchíveis por nomeação, concentrando nos municípios e nos Estados a maior parte dos serviços públicos e passando a eleger diretamente a maior parte de seus funcionários públicos (para poder cassá-los a vontade e a qualquer momento). Hoje a cédula de cada eleição americana inclui, em média, 60 quesitos, entre recalls (cassações) de funcionários, leis de iniciativa popular e eleições de funcionários como policiais, diretores de escolas publicas e outros. O pais discute, agora, o direito à cassação de juízes e sentenças judiciais que o povo julgue viciadas.
Para o Brasil bastaria a primeira parte da receita, para começar. Tornar instável – periclitante mesmo – a carreira dos nossos políticos, já faria uma revolução. Mesmo despreparados como são, você se surpreenderia com o que eles se mostrariam capazes de fazer a seu favor se a sobrevivência deles dependesse disso.
Tudo que está faltando é um líder de oposição que acredite que os brasileiros não são piores que os egípcios e se disponha a dar o primeiro grito.















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