A “esquerda honesta” e o “PT que sobrou”

10 de abril de 2014 § 14 Comentários

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Ela anda “por baixo” e com a consciência ultra-pesada pela contribuição que deu para a outra chegar ao poder, mas ela existe e será tão essencial quanto todas as outras forças democráticas do país para a estruturação da resistência contra o que vem vindo por aí.

Falo da “esquerda honesta” – os quadros oriundos da antiga esquerda católica e os segmentos da esquerda universitária e da intelectualidade – que, no passado, deram a chancela de qualidade e o aval moral sem os quais o PT jamais teria chegado onde chegou, e que começou a desertar quando, uma vez no poder, o “PT que sobrou” revelou-se como o que é.

Hoje só divide esse grupo a quantidade de coragem moral de cada um em admitir o seu erro, declará-lo e posicionar-se claramente contra o monstro que ajudou a criar ou omitir-se para não ter de dar o braço a torcer. Ninguém mais tem qualquer dúvida razoável quanto à natureza do “PT que sobrou” e sobre para onde ele está levando o Brasil.

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Já esse “PT que sobrou” é o que mistura a nata que boia por cima do lodo do peleguismo sindical com os restos da “esquerda armada” que atuou contra a ditadura militar – formando o “nucleo duro” de poder do partido – aos quadros do funcionalismo publico e do staff das estatais que “são de esquerda”, digamos assim, por dever de ofício.

O sindicalismo pelêgo é bandalho e antidemocrático na alma; por formação; essencialmente.

Seus quadros carregam a marca do pecado original. Quem está lá, está lá porque “é” . São os Faustos da periferia que venderam consciente e deliberadamente a alma à versão getulista do mesmo veneno que condenou a Itália fascista ao desastre e a Argentina peronista ao mergulho sem fim na decadência em que ela se afunda ininterruptamente ha quase um século:

Crie um sindicato, não importa se algum trabalhador realmente o tem como seu representante, que o Estado passará a te sustentar. Mas não de graça, naturalmente…”

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São eles os mercenários do Sistema de poder que o peleguismo sustenta; os paus-pra-toda-obra que já deram provas do seu valor nas inúmeras “eleições sindicais” disputadas na fraude e na bala porque passaram; os dispostos a tudo para permanecer agarrados à teta abocanhada.

Já a “esquerda armada” nasceu dentro de uma elite da classe média que embarcou no canto de sereia da “moral revolucionária” leninista que fez o mundo mergulhar na onda terrorista dos anos 60, 70 e 80 do ultimo século do milênio passado, quando era “chic” ser radical e “bonito” matar, principalmente inocentes, por uma “causa”.

Misturam-se em suas fileiras os idealistas autênticos que hesitaram sempre em cruzar a linha do crime de sangue e os psicopatas que aproveitaram essa rara “janela de oportunidade” para libertar essa sua segunda natureza e que resistem até hoje em atravessá-la de volta para os aborrecidos campos da paz, gente para quem sempre foi mais importante o inebriante sentimento de onipotência proporcionado pelo ato de matar que o “sentido político” das mortes que infligiram em nome da “causa”. Tão mais importante que nunca hesitaram em assassinar os próprios companheiros que, por razões de “consciência burguesa” hesitaram diante do homicídio ameaçando acabar com a festa dos bebedores de sangue.

Percorra-se a lista dos crimes da “esquerda armada” e saltarão dela, imediatamente, os nomes que se repetem em todas as ações mais bárbaras. Não é mera coincidência…

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Depois do Foro de São Paulo a “esquerda revolucionária” trocou oficialmente o fuzil pelos bilhões como arma de conquista do poder. Mas conservou os mesmos objetivos: “matar” adversarios, matar instituições, matar liberdades.

As nuances nas hostes dos “acima da lei” migraram intactas para a nova realidade. Estão, todas as de sempre, representadas dentro do governo petista onde há um ou outro gato pingado que ainda hesita em assassinar as liberdades democráticas mais fundamentais e os que as desprezam e apedrejam diariamente; ainda há quem mantenha algum limite no expediente de “roubar pela causa” e quem já não enxergue mais nenhuma fronteira entre ele e a volúpia de se locupletar, seja porque se corromperam pelo dinheiro mesmo, seja porque se corromperam pela onipotência que o dinheiro proporciona seja, ainda, porque viciaram-se no ato mesmo de tomar o que não é seu e sorver a agonia da vítima assim “justiçada”.

De qualquer maneira, uma coisa é certa. A remissão não começará senão quando o Brasil aqui de fora redefinir seus critérios e recolocar a fronteira no lugar de onde ela nunca deveria ter saido: na linha que separa esquerda e direita democráticas de esquerda e direita antidemocráticas.

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Cala-te boca!

20 de março de 2014 § 5 Comentários

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Diz dona Dilma de Pasadena que “foi induzida a erro” por um relatório da Diretoria Internacional da Petrobras que “omitia a referência a cláusulas contratuais de que, se tivesse conhecimento, não teria autorizado a compra”.

Essa senhora morre sempre pela boca! Ha dois probleminhas com essa declaração oficial da “presidenta” da República:

1-   Ela se constitui numa confissão de que ela foi cúmplice com dolo na primeira parte dessa operação em que a Petrobras pagou 8,5 vezes o que o vendedor tinha pago menos de um ano antes – de US$ 42,5 para US$ 360 milhões – pela metade de uma refinaria desativada e incapaz

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de processar o tipo de petroleo produzido pelo Brasil. As cláusulas contratuais supostamente omitidas só se referiam a obrigação de comprar a outra metade que acabou saindo por mais US$ 820 milhões.

2-   Mesmo depois da “nossa” Petrobras ser obrigada a desembolsar essa segunda metade, o Diretor Internacional criminosamente “omisso” continuou empregado na empresa a quem sua suposta omissão deu um prejuízo de 1,180 bilhão de dólares. Continua lá até hoje, aliás, no momento desfrutando “férias na Europa”.

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Que raio de povo é este?

20 de julho de 2011 § 1 comentário

É incrível a resistência do vício dos jornalistas, especialmente os de Brasília, nas distorções do jogo político brasileiro (se é que se pode chamar aquilo de jogo).

Pela primeira vez em dois mandatos seguidos do mais puro deboche, que deixaram em estado terminal qualquer resquício de probidade em todos os níveis da administração publica, temos uma presidente que está realmente “botando pra quebrar” o mais notório dos antros de corrupção deste país que é o covil onde reinava Valdemar da Costa Neto (ex-das Costas Quentes), o deputado de dois bilhões e meio de reais, 1,2 bilhão dos quais declaradamente “investidos” em fundos estrangeiros fora do alcance da polícia, se este país vier um dia a ter uma para essa gente.

Pela primeira vez, também, essa limpeza vem despida dos sinais evidentes de seletividade ideológica ou cinicamente dirigida ostensivamente presentes em todas as outras ações espetaculares que, de vez em quando, Lula ordenava que a sua Polícia Federal fizesse contra os ladrões dos outros.

Não. Desta vez ataca-se a corja toda do Ministério da Roubalheira, os ladrões do PT inclusive, para não falar dos “aliados” históricos e especialmente diletos do “nosso líder”.

E, no entanto ainda não li ou ouvi na televisão um texto, um discurso de apoio irrestrito à luta contra a corrupção que se ensaia e que os brasileiros estão esperando ha 500 anos que um dia começasse.

Ha quem se lembre, todos os dias, que Dilma também faz parte do grupo que semeou e se beneficia da corrupção. Há os que “estranhem” que ela só aja depois que a imprensa aponta podres dentro de um ministério que todo mundo sabe que sempre foi podre. Há os que reclamam porque ela está caçando os corruptos a conta-gotas e, com isso, um “importante executor de obras essenciais”, como o Ministério dos Transportes fica parado. Como se até então ele viesse trabalhando como louco para nos garantir essas belezas de estradas, ferrovias e portos que temos. E há, finalmente, a legião dos “preocupados” – incluindo de Lula à quase unanimidade dos jornalistas – com o jeito “duro” da Dilma, a sua “inabilidade política” e o isolamento em que ela pode ficar “com grave prejuízo da governabilidade”.

A preocupação de Lula eu até entendo. Porque se a moda pega mesmo ele não escapa. Agora, “grave prejuízo da governabilidade” é o que resulta desse sistema de chantagem institucionalizado que ela está tentando quebrar. Ou sou eu que estou enganado? O governo deste país funciona como um relógio? Estamos esbanjando educação e saúde publica? Não dá pra mexer que vai piorar?

A mim a única coisa que preocupa é como a Dilma poderá continuar levando adiante essa saudabilíssima intransigência para com a corrupção sem implodir o seu próprio partido, o único que tem força para derrubar presidentes desde o advento da Nova Republica.

O país que Lula nos legou está tão podre que só se pode tratar desse problema como se trata das guerras civis: “anistiando” o que ficou para trás e não constitui “crime hediondo”. Senão vamos para um Gotterdamerung, para um Juízo Final do qual não escapa ninguém.

Agora, tem de ser uma anistia apenas tácita; não declarada. Porque o que não pode nunca, de jeito nenhum, é um presidente declarar tolerância com a corrupção. Topar de frente com ela e fechar os olhos. Vê-la denunciada, com todas as provas na imprensa e fingir que não aconteceu nada.

Isso é o Lula. O cu da cobra. Não dá pra ir mais baixo. É entregar o país pros valdemares.

Vira zona.

Então é o seguinte: “Daqui pra frente, tudo vai ser diferente”. É o que dá pra fazer. E já é muito. É muitíssimo. Eu, por exemplo, já não tinha nenhuma esperança de que isso pudesse vir a acontecer um dia, sobretudo antes que acabasse a Era PT.

Por isso eu continuo CHOCADO com a atitude dos jornalistas. Esse discursinho vaselina; essas tantas “preocupações” carregadas de ameaças veladas é o papel dos valdemares. Dos ladrões.

O dos roubados é “fechar” de corpo e alma com quem, num momento e numa posição em que peitar essa pedreira requer uma enorme dose de coragem, está tendo a ousadia de enfrentar a bandidagem política. O papel dos roubados é pedir mais. É exigir que os Transportes seja só o começo. É ir pra rua e quebrar tudo se alguém ousar fazer ela voltar pra traz e engolir um desses pulhas.

Qualquer sujeito que não esteja doente dos critérios entende isso na hora como é o caso daquele jornalista do El País que, chegado da Espanha que nem é lá essas coisas, escreveu a matéria que inúmeros jornalistas brasileiros têm citado no meio dos seus textos que tresandam a medo dos zé sarneys, se preguntando que raio de povo é este que marcha pela liberação da maconha e do casamento gay mas não põe um pé na rua para exigir que parem de roubá-lo.


É isso aí, Dilma!

15 de julho de 2011 § 2 Comentários

Com a arrogância e a desfaçatez que caracterizam suas palavras e atos nos últimos anos, e que certamente não refletem apenas um traço de personalidade mas antes aquilo que aprendeu dos protetores que tinha no PT que está liberado para fazer, o PR de Valdemar das Costas Quentes, digo, da Costa Neto, começou a exigir, no dia seguinte do seu depoimento no Senado, a volta de Luiz Antônio Pagot, por enquanto “em férias”, para o cargo de diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes do qual foi apeado pela presidente Dilma Roussef por envolvimento em corrupção.

Hoje, poucas horas depois de receber a edição do dia de O Estado de S. Paulo que revela que a mulher de José Henrique Sadok de Sá, o substituto do titular “em férias” no DNIT, possui uma empreiteira que, entre 2006 e 2011 assinou diversos contratos irregulares para a execução de obras rodoviárias em Rondônia no valor de R$ 18 milhões, Dilma demitiu sumariamente também este marido pródigo, o que encerra definitivamente as expectativas de Pagot e seus patrocinadores, começando pelo inefável Blairo Maggi, de empurrá-lo de volta goela abaixo da presidente.

Assim é que se faz!

Theodore Roosevelt, o primeiro presidente norte-americano a enfrentar, no início do século 20, os chefões políticos corruptos que agiam de forma muito semelhante a estes que roem o Brasil hoje para manter os governos dos Estados Unidos permanentemente sob chantagem e saquear o país, formulou um critério definitivo sobre essa questão.

O problema não é haver corrupção”, dizia. “Corrupção é inerente à espécie humana. O problema é o corrupto poder exibir o seu sucesso. Isso é subversivo”.

A política, no Brasil, é ainda mais virgem de saneamento básico que a maioria das cidades brasileiras. Mas os corruptos nunca puderam “exibir o seu sucesso” com tanta desfaçatez quanto nos oito anos em que Lula foi presidente.

A subversão que decorreu não só da sua leniência para com a corrupção mas, antes, da sua opção preferencial pelas figuras mais podres da nossa farta coleção de meliantes políticos para constituir o cerne da sua base de apoio parlamentar e o seu alinhamento automático com todo ladrão pego com a boca na botija durante os oito anos em que se sentou na cadeira presidencial e ainda depois disso arastou o país para profundidades abissais nesse quesito.

Tanto por seus gestos políticos – como as repetidas deferências que, não por acaso, fez ao ex-presidente que seu patrono e chefe politico fazia questão de abertamente hostilizar – quanto pelas ações concretas que ela determina cada vez com menos hesitação contra a corrupção dentro dos ministérios que herdou, Dilma Roussef tem mostrado desde o primeiro dia a sua inflexível decisão de não compactuar com a bandalheira e fazer a vergonha na cara voltar a ser um imperativo de sobrevivência em seu governo, coisa que até mesmo a imprensa já tinha desistido de acreditar possível em qualquer instância de governo no Brasil.

É isso aí, Dilma! Todos os brasileiros de bem estarão ao seu lado contra essa canalha.

É só manter firme a sinalização que, não demora nada, mesmo essa esmagadora maioria que naturalmente não tem nenhuma, começará a se comportar como se tivesse vergonha na cara.

E isso, como Theodore Roosevelt já sabia, é tudo que é necessário.

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