Inquietações…

12 de dezembro de 2014 § 32 Comentários

a12

Já tinha batido super mal em meus ouvidos essa história dos promotores do Paraná descreverem como “vítima” essa Petrobras que se deixa gostosamente roubar na denuncia oferecida ontem contra 36 envolvidos na roubalheira do século. Essa Petrobras que deixa-se roubar mas é implacável com todos quantos traem a “omerttá” que se exige dos “da casa” e ousam denunciar de dentro essa bandalheira, como foi o caso dessa Venina Velosa da Fonseca, demitida em 19 de novembro, agora, que está hoje no Valor (íntegra aqui) mostrando farta documentação que prova que todo mundo foi avisado na atual diretoria blindada por dona Dilma desde pelo menos 2008, não só das falcatruas já conhecidas graças à Lava Jato mas também de outras que ela teve oportunidade de descobrir no exílio que pagou em Cingapura por ter insistido candidamente em pedir providências contra a ladroagem a Sérgio Gabrielli, Graça Foster e, finalmente, ao fresquíssimo Jose Carlos Cosenza, substituto de Paulo Roberto Costa.

a4

A história dela é de longe a mais arrasadora publicada até agora pois dá provas de como os criminosos não apenas perseveraram no crime como desdobraram-se em mais e mais manobras para seguir praticando-os enquanto a polícia corria atrás deles, o Ministério Público estava enfiado dentro da empresa e o país “se convulsionava”, para usarmos a expressão do Procurador Geral, Rodrigo Janot, com o que lhe ia sendo dado a conhecer.

Para a denunciante, abordagens na rua, à noite, “arma na cabeça“, ameaças à sua vida e às de suas filhas…

Não ha limites para essa gente e nada autoriza ilusões quanto a que tipo de afronta às instituições e ao próprio regime eles serão capazes de recorrer para continuar eternamente em condições de se lambuzar.

a8

Daí o grau de alarme que me sobe ao constatar que todos os vícios e mentiras fundamentais do “sistema” que roubou o futuro à minha geração aparecem reafirmados, de alguma forma, neste que tantos querem que venha a ser o ataque que finalmente lhe quebrará as pernas.

Estão lá, indisfarçavelmente presentes, não só no que vem das autoridades judiciárias envolvidas mas também no modo como a imprensa descreve o que se tem passado, um ranço primitivo de “luta de classes” no tratamento inversamente “privilegiado” dispensado aos empreiteiros ladrões face aos políticos e funcionários ladrões ainda que estejam todos democraticamente irmanados no mesmíssimo crime; está lá a intocabilidade dos amigos do rei transfigurada no absoluto silêncio em relação aos políticos de cujos proventos os empreiteiros faturam meras comissões; está lá o privilégio dos amigos dos amigos do rei na persistente blindagem dos funcionários envolvidos, exceção feita aos “traidores” que denunciam a roubalheira que, estes sim, são execrados e punidos.

a9

Resume todos esses maus sinais a severidade dos juízes e procuradores autorizados a lidar com a “gentalha” aqui de fora do Estado posta ao lado do silêncio obsequioso, só interrompido por ordens de soltura e proibições de acesso aos fatos, dos juízes encarregados de julgar e acusar as “excelências”, ou seja, os pau-mandantes sem o comando dos quais rigorosamente nada desse monumento ao escracho poderia sequer sonhar com instalar-se no seio da República e em todas as intersecções dela com o dinheiro grosso.

E tudo isso apesar de já nem os “da casa” merecerem o perdão dos ladrões pois há ramos da quadrilha situados nas mais altas instâncias do partido no poder especializados em roubar a poupança dos funcionários aposentados depositadas em fundos de pensão, em golpear empregados do Estado cooperados para comprar casa própria e até, em tungar antigos “sem-terra” contemplados com lotes que hoje estão no meio de áreas valorizadas.

Tudo isso o país e sua imprensa tragam, não direi já sem o escândalo que seria de esperar, mas sem sequer identificar tais “nuances” claramente como o que são, o que autoriza os criminosos a negar o crime diante da prova do crime ou até, a apresentar a prova do seu próprio crime como uma espécie de álibi, como se estivéssemos todos mergulhados num sonho sem nenhum sentido.

a10

Sim, ok, dizem que a coisa virá por etapas sucessivas e que chegará a vez das matrizes depois da execração pública e das condenações das filiais, e eu acredito mesmo que entre os supostos paladinos do MP haja paladinos de fato. Mas a persistência desse “respeito” a essa hierarquia dos bandalhos não me desce pela garganta sem engasgar. Não é tanto a defesa intransigente dos diretores que se deixaram roubar porque isso é bandido segurando as pontas de bandido. Mas é o condenado que continua sendo “excelência” até durante as seções de acusação e a leitura da sentença; é essa rigorosa “ordem na fila” dos bandidos segundo a sua “estirpe”, como nos tempos do feudalismo, que me dizem que os poucos meses de prisão para os zés dirceus e genoínos contra os 40 anos dos marcos valérios podem não ser a última bofetada na cara dos brasileiros que ganham o pão com o suor do seu rosto.

Queira deus, mesmo não sendo brasileiro como já provou que não é, que desta vez eu esteja errado!

a3

A guerra está declarada

10 de dezembro de 2014 § 17 Comentários

a2Com o juramento do Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, de lutar “sem descanso” até que “os corruptos e corruptores” resposáveis “pelo incêndio de grandes porporções que consome a Petrobras e convulsiona um país que não tolera mais a desfaçatez de alguns agentes públicos e maus empresários que precisam conhecer o cárcere” porque “a corrupção também sangra e mata”, seguido da ordem expressa de Dilma Rousseff ao seu constrangido ministro da Justiça, Jose Eduardo Cardoso, que ouvira praticamente calado o repto do mais alto representante do Ministério Público, para que convocasse toda a imprensa nacional e voltasse a público para desafia-lo, está oficialmente aberto o confronto final entre a lei e a ordem e a liberação geral do vale-tudo em que estamos embarcados e do qual, se confirmado, não haverá retorno.

a6Janot entende perfeitamente com o que está lidando e qual a importância desta batalha:

A resposta aos que assaltaram a Petrobrás será firme dentro e fora do País, e caberá aos procuradores que atuam na primeira instância do Judiciário propor ações penais e de improbidade contra todos aqueles que roubaram o orgulho dos brasileiros pela sua companhia. Aqui e alhures (EUA, Holanda…), a decisão é de ir fundo na responsabilização penal e civil daqueles que engendraram esse esquema. Não haverá descanso. A Procuradoria Geral da República age e o Ministério Público Federal fará com que todos os criminosos envolvidos no esquema respondam perante o Judiciário”.

Pois Dilma Rousseff fez questão de responder-lhe com um desafio direto, sustentando a diretoria conivente com o assalto à Petrobras pessoalmente nomeada por ela cuja demissão ele acabara de exigir.

a1Rodrigo Janot foi responsável pela criação do grupo de procuradores que investigam o caso a partir da Justiça Federal do Parana e é quem tem a competência para pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de ação penal nos casos em que há envolvimento de políticos e outras “autoridades” com foro privilegiado.

Dilma Rousseff é conhecida pela permanente confusão que faz entre a sua pessoa e a institucionalidade do cargo que ocupa mas, a esta altura, isto não pode mais ser tido apenas como acidente. É exatamente essa a natureza do desafio que o PT lança contra a “democracia burguesa” cujos rituais e valores o partido não tem nenhuma noção do que sejam e tem raiva de quem tenha, seja ele um cidadão comum, seja o mais alto representante da defensoria pública.

a5A promessa de justiça do procurador Janot, para consubstanciar-se, terá de ser convertida em ações de um processo cujo relator é Teori Zsavaski, o ministro da Suprema Corte onde deverão ser julgados os mandantes do assalto à Petrobras e à Nação. E todas as manifestações desse ministro sobre o caso, até o momento, foram claramente enviesadas: houve três mandando soltar empresários e “operadores” de políticos presos pela Polícia Federal do Paraná e uma negando acesso da CPI aos autos da delação de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef.

Alinha-se nesse mesmo exército a banda podre do Congresso Nacional onde, entretanto, uma oposição que parecia morta nos últimos 12 anos se tem mostrado mais aguerrida do que nunca. Foi lá que, agora ha pouco, sofreu a primeira baixa o exército do Brasil bandalho com a cassação de André Vargas, o eterno comparsa de Alberto Yousseff, por 349 votos contra 1 e 6 abstenções.

Quem decidirá esta guerra é o brasileiro das ruas. O Ministério Público só poderá derrotar o Brasil bandalho, que está solidamente plantado em todas as encruzilhadas do sistema que lhe podem garantir a impunidade, se todos nós formos às ruas tantas vezes quantas for necessário para ecoar a exigência de Justiça que Rodrigo Janot colocou nos termos exatos que esta calamidade pede.

a7

Onde estou?

Você está navegando em publicações marcadas com Rodrigo Janot em VESPEIRO.