Dilma vive a “síndrome de Robespierre”

17 de novembro de 2014 § 16 Comentários

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Pedro Barusco, assessor de Renato Duque que é preposto de Zé Dirceu, o ex-braço direito de Lula, entrou na delação premiada e vai devolver à Petrobras US$ 97 milhões (R$ 252 milhões) encontrados em uma de suas contas no exterior. Renato Duque, chefe de Barusco, foi o titular da Diretoria de Serviços da Petrobras e é tido como o “operador do PT” no saque organizado à maior empresa do Brasil.  Se o quarto da fila, seu assessor, tem isso numa conta pode-se imaginar até que profundidade alcança esse iceberg.

Continuam foragidos Adarico Negromonte Filho, o irmão de Mário, ex-ministro das Cidades da “faxineira” Dilma, que transportava dinheiro em malas para o doleiro Youssef lavar e operava a cota do PP de Paulo Salim Maluf, cabo eleitoral, com Lula, do atual prefeito Fernando Haddad de São Paulo, no “Clube” dos assaltantes da Petrobras, como era chamado pelos diretores das 9 empreiteiras que faziam parte desse seleto grupo, assim como Fernando Soares “Baiano”, tido como o “operador” do PMDB. Do PMDB latu sensu, isto é, porque os figurões mais graudos desse partido, como Renan Calheiros por exemplo, mantinham operadores e diretorias inteiras só para sí, como era o caso de Sergio Machado e da Transpetro onde movimentavam-se valores tão importantes que a Pricewaterhouse declarou ao mercado que não podia auditar o balanço da empresa enquanto Machado permanecesse lá dentro.

a7Duque

Dezessete diretores das maiores empreiteiras do Brasil já estão presos e ha ainda 6 sendo procurados pela polícia, mas a “fase política” da Operação Lava Jato ainda nem começou. E nem bem passaram três dias dormindo no chão de uma cela de um presídio de Curitiba e vários desses diretores, um dos quais foi ao Paraná em seu proprio jatinho para entregar-se à polícia, já pediram o benefício da delação premiada.

Eram todos “intocáveis“…

Nesse meio tempo, além da Price, dois governos estrangeiros com legislações anticorrupção com alcance internacional – o dos Estados Unidos e o da Holanda – já identificaram positivamente casos de aceitação de suborno de companhias nacionais suas por funcionários da estatal brasileira de cuja diretoria geral Dilma Rousseff resiste a remover Graça Foster, aquela cujo marido detém 42 contratos só dele com a Petrobras.

Brasília treme; Brasília não dorme…

a00Barusco

Como “trailer” do que vem vindo por aí na “fase política” prestes a ser revelada, já se sabe que 8 das 9 empreiteiras até agora acusadas ajudaram a eleger 259 dos 513 deputados federais eleitos no mês passado, aos quais foram distribuídos R$ 71 milhões em doações de campanha, “provavelmente como mais uma forma de lavar o dinheiro” por elas desviado com corrupção e superfaturamento de contratos com a Petrobras e sua cadeia de fornecedores e prestadores de serviços, segundo os investigadores da Lava Jato.

Outros 70 políticos, pelo menos, informa-se no Ministério Público e no tribunal de Curitiba que centraliza as investigações, “estão envolvidos diretamente” em atos de corrupção ligados à operação. E os chefões das empreiteiras ainda nem começaram a falar…

Desse nível parlamentar e executivo para baixo a rede de agentes do vasto aparato montado para eleger e reeleger o PT e seus associados diretamente sustentados por pagamentos regulares do caixa geral da corrupção na Petrobras, o doleiro Alberto Youssef, segundo as provas recolhidas pela Polícia Federal até o momento, inclui do varejo de “blogueiros” individuais até prestações mensais pagas a um laranja que se apresenta como proprietário e diretor de um “jornal” inteiro, com staff e redação completos, o “Brasil 247″ publicado na internet.

a8Sergio Machado

E para completar, o “Eletrolão” promete estrear logo numa delegacia da Polícia Federal perto de você.

Para a Petrobras o custo dessa mega operação iniciada com a infiltração do engenheiro Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da companhia em 2004, no início do governo Lula quando Dilma Rousseff era presidente do Conselho de Administração da estatal, chega a um volume tal que, 10 anos depois, a companhia está virtualmente paralizada.

Sem seu balanço auditado ela não pode, nem distribuir dividendos a seus acionistas, nem fazer novas captações no mercado de capitais. Os gestores dos grandes fundos internacionais, por exemplo, não têm mandato para por dinheiro em companhias que não tenham passado por auditorias internacionais. A Petrobras assumiu, porém, compromissos de investimentos de US$ 206,8 bilhões (R$ 535,6 bilhões) no período 2014-2018 e já ultrapassou todos os limites aceitáveis de endividamento, o que a deixa totalmente dependente desse mercado ao qual está, entretanto, com o acesso vedado até segunda ordem.

a12Renan 

A companhia tinha em caixa R$ 66,4 bilhões em junho, valor suficiente para cobrir os R$ 23 bilhões em dividas vencendo até meados de 2015 e para sustentar dois trimestres de investimentos. Para manter o ritmo atual a empresa precisará de US$ 20 bi (R$ 52 bi) por ano em investimentos. Este ano conseguiu apenas US$ 13,6 (R$ 35,3 bi) antes que o mercado fechasse as portas para ela.

Com tudo isso a perspectiva de uma desclassificação do rating para baixo do “grau de investimento” determinada pela proporção entre endividamento em alta e Ebitda em queda, que obrigaria os fundos que ainda matêm ações da companhia a colocá-las à venda, torna-se uma ameaça mais que palpável.

Tão palpável, aliás, que o Tesouro Nacional foi contaminado pelo descrédito geral e só está conseguindo captar dinheiro pagando por antecipação, desde já, os juros que só deveria pagar depois de uma desclassificação do rating do Brasil. O papel de prazo mais longo que ele emite, que no mes passado pagava 5,3% de juros, este mes não encontrou colocação por menos de 6,35%.

a9O Negromonte ministro

Some-se a isso a virtual impossibilidade de se cortar consistentemente o gasto público num país onde tudo que está sob o vasto chapéu do Estado é intocável e, pior que isso, as repetidas afirmações da presidente reeleita e dos assessores que se mantiveram em seus cargos nesta transição de que tudo na economia brasileira vai às mil maravilhas e não ha nada que seja necessário fazer senão mudar o nome oficial do deficit para superavit primário e a conclusão será de que a situação da ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras e ex-ministra-chefe da Casa Civil no período em que a empresa foi tomada de assalto por essa máfia está se tornando tão insustentável que até o PT que sobrou começa a virar-lhe o rosto.

Num panorama como esse a repetição mecânica do mote de campanha de Dilma sobre a implacável “eficiência” e disposição da “sua polícia” de levar às últimas consequências uma investigação da qual ela é figura indesligavel até por obrigação legal como decorrência da descrição das funções e responsabilidades inerentes aos cargos que ocupou nos tres diferentes momentos de sua carreira ao longo do processo de tomada de assalto da Petrobras, soa cada vez mais como um mantra suicida.

Se tudo se passar como ela afirma que quer que se passe, quando a lâmina cair é a cabeça dela que vai rolar.

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A Dilma “não se representa”

7 de novembro de 2014 § 37 Comentários

a4Ouvir o que diz dona Dilma re-presidenta é uma perda de tempo tão grande quanto ouvir o que dizia dona Dilma candidata à reeleição. Nos dois casos não ha nenhuma relação entre as palavras e a realidade ou compromisso de que daqui a meia hora ela não vá fazer o contrário do que disse e dizer o contrário do que fez.

Entretanto sempre se aprende alguma coisa quando se analisa o discurso petista como fenômeno fechado em si mesmo e não como algo que tenha relação com a realidade.

O Brasil já conhece o método petista de mentir sobre o passado. O partido se apropria à vontade da autoria dos fatos e das políticas que o tempo venha a consagrar como positivas e atribui a terceiros as de sua autoria que venham a ter a trajetória contrária de forma soberanamente independente ao registro histórico dos fatos.

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A entrevista coletiva dada aos quatro maiores jornais do país ontem sugere que agora o método passa a estender-se também para o presente e para o futuro. Pois dona Dilma anuncia a quem interessar possa, para começar, que ela “não representa o PT” e nem tem nada a ver com “as opiniões” que ele emite. Ainda que seja a Executiva Nacional, instância máxima do partido, que as tenha emitido na forma de uma “Resolução Política” oficial, não se trata de uma posição “do partido“, mas só de “opiniões” de um grupo dentro dele. A menos, é claro, que tenha sido positiva a repercussão dessa opinião, caso em que ela decerto se transformará em mais uma política oficial desde sempre defendida pelo partido.

Essa deliciosa afirmação veio em resposta às perguntas que lhe foram dirigidas com respeito ao roteiro do que o partido pretende fazer daqui por diante – e com o recurso a quais métodos – divulgado na “Resolução Política” de 3 de novembro último da sua Comissão Executiva Nacional (aqui). Nela o partido reitera a promessa de impor pela via do plebiscito uma “hegemonia popular democrática”, o “controle da mídia“, a entrega de parte das prerrogativas legislativas exclusivas do Congresso Nacional eleito por todos nós aos “movimentos sociais” eleitos pela Secretaria Geral da Presidência da Republica e o mais que a gente sabe.

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Como toda essa sinceridade “pegou mal” e vem ajudando a consolidar a união das oposições democráticas num Congresso Nacional em que o PT perdeu substância, a presidenta houve por bem dizer que não tem nada a ver com essas “opiniões do PT” e até que, radicalmente democrática como é, acha que “mesmo a opinião de quem defende o golpe deve ser respeitada“.

Não ficou claro, a essa altura da entrevista, quem é que a presidenta acha que defende o golpe, se é quem tem essa “opinião” dentro do PT ou não. Em caso positivo, o fato dela própria ter assinado um decreto que impunha exatamente essa mesma receita ao país sem pedir a opinião de ninguém enquanto presidenta cinco meses antes da reeleição teria sido, também, uma tentativa de golpe? E agora, depois de abertas as urnas, teria ela deixado subitamente de ter a “opinião” coincidente que tinha antes com esta do PT de que, presidenta de novo, ela passou a discordar?

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O esclarecimento dessas emocionantes questões foi coisa com que preferiram não perder tempo nenhum dos muitos jornalistas presentes…

A decorrência, entretanto, é clara: fica de qualquer maneira estabelecida a dualidade que já valia para o passado também para o presente e eventualmente para o futuro.

Por enquanto registre-se que ha um PT que trabalha para acabar com a democracia brasileira mas a presidenta dos petistas não tem nada a ver com isso. Para o momento ela está a favor da democracia contra a qual “opina” e promete agir o seu partido. Mas se eventualmente o PT com que a presidenta “não tem nada a ver” vier a prevalecer e a implantar o que o decreto dela já tinha tentado implantar, ainda que, a julgar pelo que ela afirma agora, à sua revelia, então valerá a norma do passado e a presidenta apropriará como sua desde criancinha, no futuro, a tese que se mostrar vencedora.

Deu pra entender? Não é fácil mesmo…

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Com relação à Venezuela dá-se a mesma coisa. Não importa que a ditadura bolivariana estabelecida na Venezuela tenha dado o golpe via plebiscito e armado os seus “movimentos sociais participativos” com fuzis para garantir a “hegemonia” que pedem os “palpiteiros” da Executiva Nacional do PT. Não importa que tudo isso tenha seguido estritamente a cartilha escrita e recomendada por Lula a todos os partidos políticos e movimentos guerrilheiros da América do Sul e do Caribe reunidos no Foro de São Paulo, aquela instituição criada e dirigida por ele. O decreto e o plebiscito da Dilma (infere-se posto que os jornalistas de novo não perderam tempo em esclarecer essa questão de somenos) nada têm a ver com os seus exatos similares aplicada pelos demais sócios do Foro e nem visam os mesmos fins, ainda que todos usem as mesmas palavras alinhadas na mesma ordem.

Assim também o fato do Ministro do Poder Popular, das Comunas e do Desenvolvimento Social da Venezuela, Elias Jaua, justamente o homem que comanda as tais milícias armadas que nos ultimos meses prenderam e mantêm presos pelo menos 13 mil manifestantes contra o regime que foram submetidos a estupros e outras formas de tortura denunciadas ontem pela ONU; o fato de justamente esse homem ter estado no Brasil enquanto transcorriam as nossas eleições assinando acordos de treinamento de possíveis futuros milicianos do MST, um dos “movimentos sociais” mais umbilicalmente ligados ao PT, candidato a escrever nossas leis e garantir a hegemonia do “poder popular” se tivesse prevalecido o decreto assinado pela presidenta em pessoa, tudo isso não passa de outra mera concidência que nada tem a ver com suas preferências pessoais e nem sequer com as dos eventuais defensores de golpes de dentro do PT ou, menos ainda, com expectativa que alimentavam de ganhar a eleição “de lavada“.

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Não, nada estava sendo tramado nem tampouco preparado. Foi tudo coincidência. Para comprová-lo dona Dilma mandou que o seu ministro de Relações Exteriores interpelasse oficialmente o encarregado de negócios da Venezuela no Brasil (releve-se o desnível de patentes) para que explique essa “ingerência nos assuntos brasileiros”.

Dona Dilma jurou de pés juntos que nem sabia da presença de um ministro de Estado da Venezueal no Brasil nem, muito menos, que fosse de dar aulas de revolução ao MST que ele estava tratando. Ocorre que enquanto ele ministrava seus ensinamentos em Guararema, foi presa no aeroporto de Guarulhos com um 38 carregado dentro da bolsa uma assessora dele  que declarou à Polícia Federal pertencer a arma ao ministro que lhe tinha ordenado que a trouxesse para ele junto com o “material escolar” especialmente preparado para os alunos do MST que ela também carregava. O jornal O Estado de São Paulo fez uma detalhada matéria a respeito desse incidente que, porém, sua direção de redação houve por bem não publicar antes da eleição, sabe-se la em função de qual critério jornalístico. Continua sem publicá-la até hoje, aliás, pelas mesmas misteriosas razões.

Mas se o resto do Brasil não sabe dona Dilma, e mais especialmente o seu ministro de Relações Exteriores que certamente foi chamado a dirimir esse “incidente diplomático”, posto que a meliante armada acabou sendo solta com intervenção do Itamaraty, certamente sabiam da presença dessa boa gente entre nós.

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Não obstante tudo isso, fica dona Dilma, para todos os efeitos e até segunda ordem,  posicionada “contra golpes bolivarianos”, apesar do decreto que ela assinou embaixo e do plebiscito no qual continua insistindo coincidirem exatamente, seja com a receita que nos prescreve a Executiva Nacional do PT que ela “renega“, seja com o seu próprio decreto revogado sob protestos pelo Congresso Nacional,  enquanto o ministro da ditadura vizinha, que festejou sua reeleição como a mais importante vitória da revolução bolivariana na América Latina, retorna com uma advertência para casa onde poderá seguir estuprando e torturando soberanamente quem ouse desafiar sua hegemonia.

Esclarecidas as coisas com este grau de clareza, ergue-se em riste o dedo da presidenta para cobrir de opróbrio e “vergonha” quem quer que tenha tido a má fé de apontar as exatas semelhanças entre o decreto que ela assinou embaixo e as resoluções políticas oficiais do seu partido e os expedientes que deram a Elias Jaua as condições de dispor hoje de uma milícia armada para garantir a “hegemonia” das suas “opiniões“.

O resto das contradições da entrevista foram menos divertidas embora as tenha havido para todos os gostos.

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Por exemplo; dona Dilma continua no “doa a quem doer” a respeito da roubalheira na Petrobras mas os ministros do STF nomeados pelo PT reconfirmaram ontem que tudo que consta das delações premiadas do doleiro Youssef e do diretor da Petrobras de Dilma presidente do Conselho, Paulo Roberto Costa, “é sigiloso” e nem o Congresso Nacional que nos representa a todos terá acesso a eles. Se, portanto, os “vazamentos seletivos” até agora havidos (expressão que se tornou obrigatória em todas as menções ao caso, seja do PT que representa, seja do PT que não representa as opiniões da presidenta) levarem à anulação de todas as provas reunidas por eles de modo que tudo acabe não doendo a ninguém a culpa não será de dona Dilma, que simplesmente alegará discordar de mais essa “opinião” do PT e seus agregados.

Aumentos de tarifas no dia seguinte da eleição? Não, “não é estelionato eleitoral”. É só mais uma coincidência. “Estelionato mesmo seria um choque de gestão”, essa violência de condicionar o salário do servidor público à prestação de serviço público.

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Pode-se, eventualmente, ainda, especular sobre que nome dar ao prejuízo de US$ 60 bilhões que a Petrobras teve enquanto o preço da gasolina permaneceu congelado — releve-se como troco o esmagamento e a desnacionalização do setor canavieiro que isso custou — já que o aumento no dia seguinte da eleição é outra mera coincidência.

Um desavisado como eu – ou estarei na categoria dos golpistas? – pode, por fim, considerar que a politica oficial do PT contra o automóvel no âmbito dos seus governos municipais como o de São Paulo mostra o que o partido pensa da questão pelo ângulo do interesse público, enquanto a política de subsidiar a venda de automóveis e a gasolina exatamente até o dia do fechamento das urnas reflete o que o partido e a presidenta pensam da questão pelo ângulo do interesse eleitoreiro.

Mas eu sou apenas um cara lógico que avalia os fatos políticos pelo ângulo do interesse público, que humildemente reconhece que há muito mais coisas entre os atos e as políticas do PT e a lógica do interesse público do que sonha a minha vã filosofia.

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Nascidos um para o outro

8 de julho de 2014 § 6 Comentários

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O PT e a Fifa foram feitos um para o outro.

Nunca antes na história deste país uma Parceria Público Privada funcionou tão azeitadamente.

Se para as práticas e as habilidades que se requer para conquistar o poder nos grotões do mundo onde ainda são aceitos truques e expedientes postos fora dos limites do receituário democrático nos países centrais o PT é professor e pontifica para todo aventureiro disposto a lançar mão deles de cima da tribuna do Foro de São Paulo em cuja platéia sentam-se disciplinadamente ouvintes do quilate de Fidel Castro, ninguém bate a Fifa em matéria do que pode-se acumular de conhecimentos ao longo de toda uma vida mandando incontestavelmente no “esporte das multidões”.

É das melhores provas disponíveis depois do fim do absolutismo monárquico para a verdade da máxima de lord Acton: “Se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente”.

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A Copa do Mundo da Fifa, afirmam alguns observadores em cujo critério confio, é um negócio que fatura “por dentro” algo como cinco a seis bilhões de euros por edição. Não é pouca porcaria para quem não tem nenhum mandato para nada e conseguiu criar essa rede aparentemente indestrutível de interesses apoiada exclusivamente nos poderes da lábia e do dinheiro mas sem exércitos nem bancos centrais com que sustentar seus delírios de poder.

Mas minha intuição diz que esse valor é troco perto do que realmente se movimenta por trás do pano, sobretudo se for incluído aí o tráfico internacional de passes de jogadores que dão saltos estratosférios a cada convocação.

Vende-se tudo no evento de Joseph Blatter & Amigos, a começar pela escolha de quem serão os Amigos de cada edição, conforme está sendo apurado neste momento com relação aos Amigos de Catar, que virão depois de Putin, este que esboça no momento a urdidura de uma União das Republicas Bandidas. Mas fiquemos só no que é mais diretamente palpável.

South Africa Brazil 2014 Soccer WCup Emblem

Pelo que se pode constatar pelo que está rolando no Brasil, a coisa evoluiu praticamente para o “aluguel” de um país inteiro pela empresa de Joseph Blatter & Amigos onde eles – e apenas eles e mais quem lhes outorga tais poderes – ganham pelo que o evento “acrescentar de movimento” às industrias nacionais coadjuvantes do acontecimento.

Essa lista de afinidades e de troca de amabilidades inclui:

1 – A exclusividade da geração de todas as imagens e entrevistas dos atletas participantes o que, além da chave para a valorização de passes, garante que somente as perguntas adequadas serão dirigidas aos participantes adequados e somente as imagens convenientes serão repassadas aos telespectadores.

Ter o controle absoluto das informações em torno do evento, nos limites do possível para quem está em terras estrangeiras e não dispõe de tropas nem de armamento pesado, é tão necessário para quem aborda a questão com as intenções que Blatter & Amigos aborda quanto é para o político mal intencionado, e pelas mesmas razões.

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O que ele exige quanto a essa questão não é, portanto, nada que os políticos brasileiros também não exijam, por enquanto só nos períodos que antecedem as eleições o que, pelo calendário vigente, deixa-nos um ano “livre” a cada ano censurado. O PT, aliás, declara todos os dias que quer acabar com essa exceção e passar a exigir a censura sobre seus atos e os de seus associados em qualquer dia de qualquer ano.

2 – Não é preciso lembrar que a transmissão do evento é também o mais suculento “filé” que ele serve. É essa a plataforma de toda a publicidade que sustenta o circo. Pegar uma beira nesse direito é coisa tão cobiçada, portanto, quanto ganhar um ministério no governo do PT. Mas custa aos candidatos nacionais à retransmissão o mesmo compromisso de cumplicidade com o “poder concedente” para que haja as mesmas garantias de “governabilidade” de todo o evento e do que mais possa ser incluído no aparentemente inesgotável saco de lesa-contribuinte/espectador que gira em torno dele.

Conforme ao clima geral de “explicitude” deste governo, chegou-se, no Brasil, ao extremo de modificar leis nacionais de segurança pública para não perder “bifes” grandes o suficiente nesse campo, como foi o caso da lei sobre consumo de álcool nos estádios.

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Sobre as outras regras draconianas impostas aos co-participantes nacionais ainda haveremos de saber um dia. Os comentaristas das TVs brasileiras, encurralados, as têm mencionado indiretamente a toda hora durante as transmissões, com indisfarçável tom de irritação.

3 – O contrato de aluguel do país sede inclui também as mais “icônicas” praias e praças públicas de cada capital ou cidade importante para a montagem dos Fifa Fan Fest’s, os telões, acompanhados ou não de shows, que extendem as platéias dos estádios reservadas aos VIPs e aos aspirantes a VIPs para a gente das ruas. Nós construímos; eles vendem. Em algumas, montadas em estádios de futebol, cobra-se ingresso. Em todas vende-se milhões em publicidade, não tendo sido informado se os “entes de governo” abaixo do federal também levam “algum” nessa.

4 – Não sei o que acontece com relação a passagens aéreas, mas os hotéis brasileiros foram constrangidos por prefeituras e ministérios a vender para a Fifa, pela interposta pessoa do mesmo senhor Ray Whelam, da subsidiária Match Services, preso ontem e solto hoje por venda de ingressos no câmbio negro, todas as suas reservas para o período do evento a preço de temporada baixa. Todo o sobrepreço fica para Joseph Blatter & Amigos, aí incluídas as autoridades nacionais outorgantes e, como estamos constatando agora, esse sobrepreço é nada menos que abusivo, ficando para o Brasil e para os brasileiros a pecha de exploradores de turistas.

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5 – Com os ingressos é a mesma coisa perpetrada pela mesma interposta pessoa. A Fifa não se contenta com vendê-los a preços apenas exorbitantes. Quer “privatizar” também as vendas no câmbio negro onde pratica-se a exorbitância da exorbitância da exorbitância. Assim o sr. Whelam fixa-se nos territórios-alvo com meses, às vezes anos, de antecedência para montar a necessária rede de varejo de distribuição da sua mercadoria ilegal, tomando o cuidado de construir uma “escada” de testas-de-ferro entre ele e o cambista da porta do estádio, de modo a dificultar a ligação entre uma coisa e outra. A Fifa posa de “democrática” vendendo ingressos a preço oficial pela internet e ajudando aos demagogos locais com um “corte” para vendedores de carteirinhas de estudantes, de vantagens para “idosos” e para donos de outras searazinhas particulares com alguma importância eleitoral mas, pelas costas, pega tudo isso de volta e muito mais explorando os US$ 200 ou 300 milhões do “mercado” de ingressos no câmbio negro.

No país do livre-grampo, deu-se mal. Está tão flagrado na falcatrua quanto 90% dos nossos políticos. Em compensação, contratando bons advogados ligados a ex-ministros, ainda é capaz de, como eles, sair como herói.

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6 – Shows de abertura e encerramento também correm por conta de Joseph Blatter & Amigos. O de abertura, de qualidade abaixo da crítica, foi atribuído a “uma empresa belga” cuja ligação com Blatter nenhum jornalista brasileiro se preocupou em desvendar mas que certamente existe para fazer com que U$ 18 milhões (oficiais) fossem entregues a eles para um espetáculo de dar sono em histérico no país mais festeiro do mundo e que tem à mão gente como o carnavalesco Paulo Bastos capaz de fazer o mundo tremer de encantamento por uma fração desse valor.

7 – Acrescente-se a isso o que deve estar rolando pelo direito de vender comidas e bebidas nos estádios, no transporte dos VIPs e não VIPs e até, quem sabe, na indicação “preferencial” de restaurantes e casas de divertimento e se terá uma idéia do porque os tais Amigos fizeram de Joseph Blatter um intocável, até pelas autoridades suíças que sabem quanto, de fato, ele fatura.

Os sinais são de que poder-se-ia encher uma biblioteca inteira com a história dos bilhões laterais e sub-laterais que rolam em torno da Copa, se houvesse tempo, dinheiro e disposição para por jornalistas infensos aos efeitos ideológico-eleitoreiros do evento e policiais dispostos no seu encalço. Isso sem contar, é claro, com a parte do leão de que muito já se falou, que são os “por fora” que os políticos corruptos sempre fazem nos estádios, aeroportos, estradas, viadutos e o mais que, adquirida a condição de amigos preferenciais de Joseph Blatter, eles conseguem colher em tempo recorde o que, de outro modo, levariam décadas para amealhar.

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