Mau pensamento

27 de janeiro de 2013 § 2 Comentários

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Cada passo de cada ser humano está registrado “na nuvem” desde o nascimento.

O log dos seus hábitos, suas preferências, seus vícios, suas doenças, seus contatos e relações no mundo está indelevelmente guardado na memória inapagável que ela abriga.

Todas as ruas e recintos do planeta estão monitorados.

Todas as movimentações que sustentam a vida do Hommo economicus passam por um único canal.

Carros começam a sair das fábricas com rastreadores.

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Estado e Capital andam de mãos dadas.

Os governos são os donos das corporações gigantes.

Drones voam por aí, implacáveis, com o nome, a fotografia e o cheiro dos seus alvos inscritos nos chips dos seus detonadores.

E a humanidade anseia como nunca por segurança (física e financeira).

(…)

Está tudo pronto para começar a mãe de todas as ditaduras.

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Fechô!

13 de julho de 2012 § 1 comentário

Ver Pedro Bial – o do BBB – reclamando “na moral” de invasão de privacidade e cobrando “uma espiadinha” de um paparazzi na casa dele com a mais plana cara de “pimenta no rabo dos outros não arde”  já é alguma coisa.

Agora ver Pedro Cardoso transformar isso num comício “contra os capitalistas que enriquecem comprando e publicando as fotos que esses paparazzi fazem” e tomar pela goela a informação de que tanto a revista (Quem) quanto o site da internet (G1) que mais compram e publicam tais fotos pertencem aos mesmos donos da Globo em plena Globo, é tudo!

Mas aí a gente lembra que a frase que o simpático Agostinho, de A Grande Família, mais gritava no seu comício era que: “É mentira; é tudo mentira o que esses capitalistas nos vendem na sua fome de lucros!”  e, de repente, se toca que, sendo aquele um programa editado do canal dos ditos capitalistas, até essa suposta  “saia justa” também pode ter sido (mentira).

Será!!

E por que não se este é o país em que o Lula nunca vê nada, a Dilma troca ladrão por ladrão, o Senado laranja por laranja e nem por isso a “dor em quem doer” passa de uma volta ao cargão público com direito a atrasados, ibopes e marcas de popularidade recorde?

Fechô! País coerente taí!

O maravilhoso mundo novo em que você vai viver amanhã

28 de junho de 2011 § 1 comentário

Enviado por Carlo Gancia

“Nós sabemos quem voce é; nós sabemos o que você faz”

25 de abril de 2011 § 2 Comentários

Quando os lobos e os leões tentam devorar um ao outro sempre sobra alguma coisa de útil para os cordeiros aqui de fora que deixam temporariamente de ser o menu.

A briga entre Rupert Murdoch, o rei da old mídia, com Steve Jobs e a dupla de canídeos que criou a Google, os reis da new mídia, é um desses casos: acaba por revelar antecipadamente ao menos com que tipo de tempero eles pretendem nos devorar na próxima rodada do banquete.

O Wall Street Journal, que Murdoch tragou em 2007, tem, de fato, feito o melhor trabalho jornalístico da praça para desvendar aquilo que os alquimistas dos telefones inteligentes prefeririam manter escondido. Foi esse jornal que revelou ha cerca de seis meses, em matéria impecavelmente apurada e espetacularmente detalhada, como os sites todos por onde navegamos, inclusive o do próprio WSJ (coisa de que seus jornalistas até então não sabiam e denunciaram junto com os demais investigados), plantam, cada um deles, dezenas, às vezes centenas de programas espiões nos nossos computadores que, daí por diante, relatam-lhes o que fazemos internet afora. E revelou também como os fabricantes, os provedores de internet, os fornecedores de aplicativos e outros dividiam entre si o dinheiro que amealham armando e vendendo o produto dessas emboscadas cibernéticas de que todos somos vitimas, na maioria das vezes sem sabermos.

Na semana passada o WSJ fechou o foco em novas e bombásticas revelações. Ele mostrou que tanto a Google (que “motoriza” celulares de diversos fabricantes com o seu sistema Android) quanto a Apple com seus iPhones e outros gadgets animados pelo sistema iOS, monitoram até os deslocamentos físicos dos portadores de seus telefones. Informações cruzadas contendo marcações de GPS, de distancia de torres de conexão e informações sobre as chamadas que você faz colhidas “a cada poucos segundos” são remetidas para a Google diversas vezes por hora”. A Apple já tinha sido flagrada fazendo a mesma coisa e, no ano passado, intimada pelo Congresso dos Estados Unidos, admitiu que essas informações eram remetidas para a sua central “duas vezes por dia”.

As duas empresas alegaram em sua defesa que essas informações eram “anonimizadas” e serviam para prestar melhores serviços aos usuários, que podiam, se quisessem,  desligar os serviços de localização (que vinham ligados de fábrica, o que vai contra o principio do opt-in, ou de autorizar as invasões).

O WSJ, porém, contratou agencias especializadas em segurança de comunicações e provou que isso era mentira (aqui): os telefones seguiam captando e enviando informações sobre localização às centrais mesmo depois que os dispositivos tinham sido desligados pelos usuários, e as informações são relacionadas a um numero IP exclusivo de cada telefone que pode ser ligado ao seu dono.

Na sexta-feira santa, alguns dias depois da denuncia, a Google concordou em falar ao jornal e deu desculpas esfarrapadas. A Apple nem isso. Consentiu calando-se.

Hoje o jornal publica extensa matéria (aqui) revelando diversas “experiências cientificas” que vêm sendo levadas a cabo por renomadas instituições europeias e americanas com base no monitoramento dos movimentos de voluntários com a ajuda dos seus celulares, e os detalhes são de arrepiar.

Nunca houve um aparelho tão pessoal quanto um celular, que o usuário carrega por toda parte onde anda e usa para quase tudo que faz. Nunca houve antes uma oportunidade tão completa de acompanhar tão minuciosamente o que alguém faz”. E isso explica a curiosidade dos cientistas que vem de encontro ao interesse dos fabricantes dessas máquinas.

Uma experiência do Massachusetts Institute of Technologies (MIT) que monitorou 60 famílias vivendo em seu campus durante dois anos concluiu que cada indivíduo tem uma rede particular de “influenciadores” capazes de faze-los mudar de ideia sobre consumo e até sobre política em direções que se tornam previsíveis com margens de acerto superiores a 87% baseado apenas nos seus deslocamentos e na frequência com que essas pessoas entram em contato umas com as outras.

A experiência foi reconfirmada com precisão ainda maior quando foram acoplados aos telefones monitorados equipamentos capazes de reconhecer outros telefones de participantes que se aproximassem a menos de 4 metros, o que caracterizaria um encontro “cara a cara” entre seus donos.

As principais companhias telefônicas já estão usando essa tecnologia (um programa de computador capaz de interpretar essas informações cruzadas foi desenvolvido em cima da experiência) para enviar propaganda especialmente dirigida para clientes que começam a fazer muito contato com outros usuários identificados como capazes de influenciar a troca de companhia telefônica.

Cruzadas com outras informações sobre relações pessoais, estados de humor, saúde, gastos e hábitos em geral, fornecidos voluntariamente pelos pesquisados, mais os seus movimentos e a analise das variações dos seus contatos telefônico, uma experiência de Harvard desenvolveu modelos de “contagio” de ideias, doenças e modas e a velocidade de sua dispersão com altíssimo grau de acerto.

O estudo mostrou, também, que um terço dos pesquisados mudou de ideia a respeito de seus votos nos três meses que antecederam a eleição, e que é possível prever a direção dessa mudança monitorando a frequência dos contatos telefônicos e, principalmente, pessoais, entre indivíduos com diferentes pontos de vista políticos previamente conhecidos.

Outra experiência conduzida sobre o Twitter, com base em incidência de palavras em mensagens trocadas entre grupos específicos, conseguiu antecipar movimentos do Indice Dow Jones da bolsa de valores americana com até seis dias de antecedência com 87,6% de acerto.

Na Europa, pesquisa envolvendo 100 mil usuários avaliando posicionamento, contatos telefônicos, duração e data desses contatos levou à capacidade de prever deslocamentos futuros dos usuários com 93,6% de acerto.

Malte Spitz, um deputado do Partido Verde alemão, exigiu da Deutsche Telekom que abrisse todas as informações que detinha sobre ele. Num período de seis meses, sua localização tinha sido registrada mais de 35 mil vezes. Cruzando esses dados com registros jornalísticos de suas andanças, o site de jornalismo Zeit Online conseguiu reconstituir minuciosamente todos os seus passos naquele período.

As telefônicas europeias descobriram também que uma pessoa fica cinco vezes mais propensa a mudar de companhia telefônica se algum de seus amigos chegados tiverem feito isso antes dele. E passaram a enviar propaganda seletiva a seus clientes com base nesse tipo de informação.

Por enquanto, até onde sabemos, esse tipo de experiência tem em foco encontrar meios de chegar mais facilmente ao seu dinheiro. Mas, obviamente, os usos “civis” não são os únicos que se pode dar a tais ferramentas, assim como cientistas pagos por empresas em princípio pacíficas não são os únicos que estão levando a cabo esse tipo de pesquisa.

Dinheiro, política e guerra são diferentes gradações do tamanho da sede com que se vai ao mesmo bom e velho pote do Poder. E tudo que é inventado para uma forma de mitigar essa sede, pode, facilmente, ser adaptado para as outras.

O que a História comprova, no final das contas, é que a única condição para que uma nova arma venha a ser usada em todas as versões disponíveis pela velha humanidade de sempre é ela ter sido inventada.

Maravilhas da tecnologia

3 de novembro de 2009 § 1 comentário

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Por enquanto já está decidido para os carros.

Em menos de cinco anos, começando pelos de SP, todos vão ter um chip que transmitirá diretamente para Brasília e em tempo real, por onde você anda, se você pagou seus impostos, se está transitando na velocidade permitida, se está ou não no seu rodízio, se passou num pedágio, etc.

O tal chip, dizem, vai custar uns R$ 50. Mas podemos ficar sossegados porque tudo vai ser pago pelo Fundo Municipal de Trânsito (que reúne o dinheiro arrecadado com multas). Trata-se, portanto, de um investimento nos negócios futuros, do qual as autoridades e seus parceiros privados esperam ter rapidíssimo retorno. Agora ninguém escapa, com ou sem polícia, de noite ou de dia, faça chuva ou faça sol. Vinte e quatro horas por dia!

Deu uma paradinha em local proibido só pra pegar aquela encomenda? A multa já caiu no seu cartão de crédito. Estacionou com o carro virado para o lado errado? Plin – $ – plin – $.

São Paulo vai começar com umas duas mil antenas pra que não existam “pontos cegos” onde o cidadão possa se lembrar do que era a liberdade. E todo município do país vai ser obrigado a ter as suas. As estradas idem.

Obaaaa! Quanta licitação!

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Mas, péra aí! Porque só dos carros pra fora? Afinal um monte de infrações gravíssimas são cometidas do carro pra dentro e não poderão ser captadas por chips e antenas externos. Não faz nenhum sentido. O certo é colocar, também, câmeras dentro dos automóveis. E se o motorista resolve fumar no carro? Afinal carro tem teto e não pode fumar debaixo de teto. E se não usar o cinto de segurança? E se falar no celular? Puser criança no banco da frente?

Tudo isso sem o governo saber? De jeito nenhum! A sociedade não pode correr esse risco…

Agora, já que não existe mesmo lugar onde se possa acelerar, pra que seguir fazendo carros com esses motorzões? Boa pergunta! Vamos discutir criteriosamente se é melhor fazer só carroças, logo de uma vez, ou cobrar um imposto por cada cavalo de força, para desincentivar a condição para a contravenção…

E, pensando bem, porque cuidar de vigiar só os carros se dentro dos carros é o lugar onde menos se cometem crimes hediondos?

Não! Mais importante que tudo é fazer isso dentro das casas. Vejam só o que as câmeras nas ruas têm feito para coibir o crime e ajudar o trabalho da polícia! Porque dar ao cidadão a chance de se esconder dentro de casa para cometer suas infrações? De que adianta todo esse zelo pela saúde publica se ele chega em casa e acende um charutão ou, pior ainda, um cigarro de maconha?

E os crimes hediondos, então?

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Alô, alô, Viva Rio! Que bobagem é essa de ficar proibindo arma de fogo? Vamos acabar com a impunidade dentro de casa que, ela sim, é que faz subir as estatísticas “da violência”. E não me venham com essa balela de presunção de inocência até prova em contrário. Se nós já tínhamos concluído que a posse de uma arma é indicio seguro da intenção do cara de assassinar alguém, porque vamos aceitar agora essa história que o cara foi pra dentro de casa porque quer paz? É nada! Se ele entrou em casa, foi para se esconder das câmeras. E se foi se esconder das câmeras é porque está mal intencionado. Assim como todo mundo que tem uma arma é um assassino enrustido, todo mundo que vai se esconder entre quatro paredes ta mesmo é querendo praticar uma monstruosidade.

Não vamos dar mole não! Olho nele!

E mais: vejam só o efeito que a instalação dos chips nos automóveis provocou na arrecadação. Agora sim, nós pegamos aqueles contraventores, aqueles sonegadores filhos da puta! Olha quanta gente praticava atos anti-sociais e saía impune. Porque só os automobilistas? Isso é uma discriminação odiosa baseada na condição social do indivíduo. No que ele tem e não no que ele é. Nada disso, vamos instalar chips subcutâneos em cada cidadão na maternidade.

Totalitarismo?! Invasão de privacidade?

Quem não deve não teme! Esse pessoal que fica vendo fantasma debaixo da cama quer mesmo é acumular só para si e não dividir nada com os pobres. Há 500 anos que essas zelites são isso aí! Mas a gente ensina eles!

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Nesse momento, acordei, suando, do pesadelo.

Naquela confusão estremunhada, pensei: Que nada! Quiéisso, cara! Nós vivemos numa democracia, num Estado de Direito. Taí o Congresso Nacional, taí o Judiciário pra defender os nossos direitos…

Um pigarro dos grandes subiu e quase me afogou…

Então tateei o criado mudo atrás da caixinha dos remédios, peguei o maior sonífero que eu tinha e me apaguei.

Desta vez de propósito…

Onde estou?

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