20 de abril de 2020 § 5 Comentários

Enquanto o tsunami passa

20 de janeiro de 2015 § 4 Comentários

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Quanto mais você paga, menos você tem.

O aumento das tarifas e dos impostos no mesmo dia do primeiro ensaio do apagão nacional é proverbial. Com a água, então, é pior: quanto mais ela faltar — e em São Paulo o governo sozinho perde mais de 30% no caminho entre o reservatório e a sua torneira por “furos nos canos” — mais você vai pagar.

O “ajuste” é necessário porque sem ele não vamos só ficar estacionados, sem crescer, como vimos vindo, vamos andar mais e mais para tras já e isso pode acabar tirando o PT do poder. Entretanto, para andarmos um milímetro que seja para a frente, que fique anotado, vai faltar energia (além de água).

Sinuca de bico…

No mais, é o de sempre: como é proibido por lei tocar em qualquer privilégio dos “de dentro” do Estado brasileiro, os “ajustes” são SEMPRE feitos nas costas dos “de fora”. E como isso vem de longe e já estamos no osso, estão arrancando os músculos da galinha dos ovos de ouro para que os privilégios desse pessoal possam continuar intocados por mais um tempinho.

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Vai daí, aos 20 dias do ano que ainda tem 345 pela frente, já fomos tungados em 43 bi pelos cálculos das medidas anunciadas pelo dr. Levy nas primeiras duas “demãos” que ele deu no “ajuste”. Não está nessa conta o imposto particular que a Petrobrás está nos cobrando sobre o petróleo barato que anima a festa do mundo. E hoje o dr. Tombini, um “oriundi” cujo nome em italiano significa “bueiro“, “ralo” — seria um presságio? — anuncia mais um aumento de juros. Ele é o “sim senhora” que operou o Banco Central em Dilma 1, onde foi cavado o buraco, mas que Dilma 2 manteve na equipe econômica. Merecimento, sabe?

E, quer saber? Vai piorar. É questão de tempo. Dona Dilma não admitiu nem por um segundo que tudo que fez para arrebentar as contas do país estava errado. Apenas mandou segurar os ladrões onde estão e amordaçou-se para não dizer o que pensa e permitir que o seu CEO particular nos esfole durante dois anos, possivelmente pelo dobro do necessário, para poder voltar a ser a Dilma que compra votos à mão larga nos últimos dois do seu mandato detonando setores tão “insignificantes” para o resgate da miséria nacional quanto os de energia e biocombustíveis com que comprou votos na eleição passada, e assim garantir junto aos desmemoriados de sempre mais quatro anos de impunidade para o PT.

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De modo nenhum é um “ajuste de fé“, como nos confirma enfaticamente a sua opção por Evo Morales de preferência a Davos.

Somos Bolívia e não Suíça, e o dr. Levy que se vire para explicar praqueles chatos como é que isso sinaliza o restabelecimento da confiança dos investidores no Brasil.

Enquanto isso ela vai se fingindo de avestruz. Mais um pouco nesse mutismo e veremos surgir na imprensa os “dilmólogos“, como já houve os “sovietólogos” e os “sinólogos” do passado que tentavam interpretar os sinais vindos de dentro do sistema político hermético da União Soviética e da antiga China comunista que ela quer reviver para antecipar o que mais ia pela cabeça daqueles velhinhos sinistros que tratavam aquela metade escravizada da humanidade como ela nos trata: decidindo tudo sobre nossas vidas e as da nossa descendência sem perguntar nada a ninguém.

Essa “apatia” da Dilma, é bom reparar, é, entretanto, das mais seletivas. Ela é louca mas não rasga dinheiro.

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Enquanto o tsunami passa ela trata de ir armando o seu exército de mercenários varrendo o lixo dos fundões do Congresso Nacional com a ajuda de Gilberto Kassab, o “Rei da Sucata”, e outras figuras igualmente promissoras que ela quer legar às próximas gerações de brasileiros, e instalando a guarda pretoriana da “Democracia Socialista” da esquerda do PT nos postos mais próximos do pescoço da democracia brasileira à espera de uma oportunidade. Conforme a força que conseguir amealhar aí – e não em função do erro ou do acerto do seu ajuste e do efeito que ele produzir nas ruas — é o que me diz o cruzamento desses sinais todos, é que ela decidirá o modo como voltará a agir acima da superfície.

Em paralelo, a signatária da compra de Pasadena, ajudada pelos quintas-colunas que as redações mais irresponsáveis deste país ainda abrigam, trata de delatar seus delatores.

Venina, primeiro, Paulo Roberto Costa, agora…

É só o primeiro passo. Tipos como ela começam delatando seus delatores e, se não houver reação, passam a “suicida-los“. Melhor reagir agora pra não correr o risco, como os argentinos, de quando ela vier te buscar não haver mais ninguém para reagir.

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A maldição das commodities

17 de dezembro de 2014 § 12 Comentários

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O desastre econômico é o corolário obrigatório das autocracias que misturam ignorância com arrogância resultando em instabilidade institucional, desconfiança e destruição do habitat do progresso e da criação de riquezas. E aprofunda-se exponencialmente quando, enfraquecidas pela colheita daquilo que semeiam, essas autocracias passam a se agarrar ao poder na base da violência.

Mas não ha força terrena que faça isso durar para sempre. Não foram as democracias ocidentais ou as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte que derrubaram o socialismo imposto à metade do mundo no século passado. Foram os próprios habitantes do outro lado da Cortina de Ferro que, cansados de olhar o mundo andando de Mercedes de dentro dos seus Lada, derrubaram O Muro que já estava roído de podre e marcharam para Oeste sob o olhar impotente do Exército Vermelho.

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Desde então, com exceção do parque jurássico ideológico criado pelo Foro de São Paulo sob a batuta do nosso Luis Ignácio Lula da Silva, um autoproclamado inimigo do conhecimento, ninguém mais neste planeta fala em socialismo.

Nesta “nuestra América” o dinossauro, ironicamente, reviveu por consequência do seu DNA, “congelado no ambar” da falta de escolas, ter sido tocado pelo fulminante arranco dado por aquele quinto da humanidade que ficou meio século paralisado pelo terror da versão maotsetunguiana do surto socialista que ensanguentou o século 20 quando ele finalmente adotou o capitalismo, ainda que numa forma pervertida. Aquele bilhão e meio de famintos acuados livres outra vez para fazer por si voltando subitamente a comer e a consumir mais que o estritamente necessário para sobreviver até amanhã provocou uma explosão no preço das commodities de um mundo que não estava pronto para produzi-las na escala necessária.

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Para o Brasil essa inesperada onda de bonança foi uma tremenda falta de sorte!

Já é um clássico o artigo de Jeffrey Sachs e Andrew Warner, de 1995, “A Maldição do Petróleo”, em que tratam de demonstrar porque os países muito ricos em recursos naturais – o petróleo em especial – crescem em geral muito menos que os demais. Tudo é uma função ampliada daquilo que todo ser humano aprende de observar o seu próprio círculo de relacionamentos, e que pode ser resumido no seguinte axioma: toda riqueza corrompe; mas a riqueza que não é consequência do esforço e do trabalho corrompe absolutamente tanto indivíduos quanto sociedades inteiras justamente porque quebra essa educativa relação de causa e efeito entre a arrogância ignorante temperada pela violência institucional e o desastre econômico que, cedo ou tarde, será a consequência obrigatoria delas.

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A disponibilidade de riqueza fácil enterrada a poucos metros do solo ou produzida pela luz do sol associada à amenidade do clima aumenta exponencialmente os hiatos de crime desacompanhado de castigo, transformando-os em armadilhas psicológicas de consequências funestas, capazes de desgraçar populações e sacrificar gerações inteiras. Pois por maiores que sejam as estupidezes perpetradas pelo energúmeno no poder continua chovendo mais dinheiro no cofre do que ele consegue dissipar com a sua incúria e com os seus crimes, passando aos seus súditos a impressão de ser ele o responsável pelo “milagre” da fartura sem suor.

Com os cofres abarrotados ele ganha, por cima do “egotrip” que a tudo isso agrava muito, a condição de comprar apoios e eleições dando “provas” cotidianas de que “melhorar de vida” é coisa que não tem nenhuma relação com trabalho, investimento em conhecimento, esforço individual ou mérito, basta a sua “vontade política” de distribuir privilégios que, para serem revertidos mais adiante, haverão de custar sangue, suor e lágrimas posto que esse tipo de droga vicia organicamente ao primeiro contato com o organismo do usuário.

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Eis aí o resumo do fenomeno do “renascimento do socialismo” entre os grandes produtores de petróleo e de commodities da América do Sul, tais como a Venezuela, o Brasil e o resto da grei bolivariana, espelhado pelo recrudescimento das autocracias que sobreviviam ao Norte do Equador como a da Russia de Vladimir Putin que, ao contrário da China que teve de enriquecer trabalhando, nadava numa tal abundância de petro e gasodólares que convenceu-se de que era “iluminado” o bastante para patrocinar um “revival” do velho imperialismo soviético que o desastre econômico socialista matara à mingua, e voltou a invadir seus vizinhos.

Agora acabou.

O petróleo mergulhou de volta para a casa dos US$ 60 depois de chegar quase ao dobro desse valor porque passou a interessar aos árabes inviabilizar fontes alternativas de energia e os tanques de Putin estão voltando para casa onde a crise se avoluma. Bye, bye pre-sal, mesmo se ainda houver uma Petrobras. A China anda mais devagar e as commodities agrícolas e minerais estão em limite de baixa. Tudo que deixou de ser feito ou foi destruído sob o manto enganador da abundância “sino-propulsada” de quatro ou cinco anos atras está aparecendo como o que de fato sempre foi: a obra de energúmenos arrogantes que só construíram mesmo de sólido gigantescas redes de corrupção.

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O esvaziamento dos tesouros nacionais é sempre vertiginoso a partir do momento que saem de cena os ingressos alheios à conta doméstica de entrada e saída de valores, reflexo da quantidade de esforço investido em educação e em produção real, mais o que os especuladores internacionais sempre prontos para a fuga no momento exato punham por cima desse numero para morder o seu pedaço do bolo artificialmente inflado para enganar eleitores. E isso cria uma conjuntura de altíssimo risco pois a cada minuto que passa fica mais claro para os autores da fraude que não ha mesmo meios de continuar a escondê-la e que o último caminho que resta para não perder o poder é parar de disfarçar e puxar a arma. É o estágio de que já passou a Venezuela e no qual estão ingressando a Argentina e tantos outros, e que se prenuncia no horizonte do Brasil na forma de pesadas nuvens de tempestade.

No que diz respeito ao tempo histórico, não ha a menor dúvida: no final eles “não passarão”. Mas podem, sim, sacrificar mais uma ou duas gerações de brasileiros condenando-as a ser devastadas por uma doença cuja cura já era conhecida desde meados do século passado.

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Sobre sístoles, diástoles e otários

3 de dezembro de 2014 § 15 Comentários

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Artigo para O Estado de S. Paulo de 3/12/2014

Começou com aquela senhora sob cuja responsabilidade a Petrobras esteve nos últimos 12 anos – diretamente, enquanto presidente do Conselho que comprou a “Ruivinha” de Pasadena, ou indiretamente enquanto ministra à qual ela estava afeita e, logo, como a “presidenta” que nomeou pessoalmente os diretores da última etapa do “petrolão” que acaba de reconfirmar em seus cargos – nos apresentando como “prova” da sua disposição de “dar combate sem tréguas à corrupção e à impunidade” os flagrantes da Polícia Federal dos delitos de que ela própria é coautora! Agora ela se nos oferece como o antídoto contra si mesma.

É preciso aproveitar desse mau teatro ao menos o que tem de educativo. Com a morte das utopias o que restou é a verdade nua e crua. Não ha quem não saiba que a continuação do saque organizado à Nação tem tido um único objetivo: comprar eleições para permanecer em posição de continuar a fazê-lo ad infinitum.

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A convocação para a Fazenda Nacional de um liberal ortodoxo da “escola de Chicago” que chefiava as missões do FMI no Brasil e é irmão ideológico do apedrejado Armínio Fraga – o próprio Lúcifer segundo a demonologia petista de até 32 dias atrás – constitui-se numa enfática confissão de que toda a patacoada “ideológica” e “social” maniqueísta com que o PT vem tentando atear fogo ao país não passa de isca para atrair otários. Com a eleição no bolso são os primeiros a admitir que não existe mais que uma maneira – e, talvez, mais meia – de se gerir a economia, e que a que serve para o Bradesco e o FMI é a mesma que serve para o PT, para FHC e para o Brasil.

A roubalheira na Petrobras é isso. Os indivíduos que enriquecem em torno da atividade principal são apenas caronas. Empreiteiros e “operadores”, que por mais ricos que fiquem vão dormir na prisão sempre que o pessoal que realmente manda nas coisas estala um dedo, não têm o poder que se requer para saquear as “brases”. Os únicos com força para tanto são os políticos que entregam a cada “operador” o seu cofre previamente arrombado junto com o alvará para que saia à caça do empreiteiro que lhe proporcione servir-se do que eles contém em escala industrial sem que ninguém na empresa assaltada lhes oponha a menor resistência.

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Os tais R$ 10 bilhões de que se fala são fichinha perto do que cada nova revelação indica que realmente se passou numa estatal que faz R$ 60 bi em compras por ano, 90% das quais sem licitação, ao longo de 12 anos. Mas mesmo considerado esse numero esta é a menor conta que vamos pagar pela aquisição de mais quatro anos no comando da ordenha do Brasil por PT & Co.

O subsídio aos combustíveis custou R$ 60 bi. Isso mais o resto jogou o valor da Petrobras R$ 198 bi para baixo. A indústria do álcool foi tragada no arrasto e a de manufatura minguou até desaparecer naquele dólar falso pró-Miami. A “redução” na marra do preço da energia destruiu R$ 32 bi da Eletrobrás só no dia em que foi anunciada. A rasteira nos investidores que financiam a infraestrutura do mundo não dá pra calcular. Fez da energia o maior buraco negro dos próximos anos. Por antecipação o preço dela no mercado “spot” multiplicou-se por oito. Foi a pá de cal na indústria. Salvaram-se os “campeões nacionais” de financiamentos de eleições que embolsaram R$ 230 bi do BNDES.

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Tudo para que a “nova classe média”, entulhada de quinquilharias “made in China”, pudesse continuar acreditando, a bordo de seus automóveis “desonerados” em 22 bi por ano, que a festa nunca ia acabar.

Por cima de tudo há o aumento de 740% no custeio da máquina pública com seus 39 ministérios e a multidão dos “companheiros” que, de Lula até hoje, ocuparam o Estado. Eis aí – mais as “ONGs” chapa-branca, os “movimentos sociais” amestrados e o exército dos linchadores da internet sustentados com dinheiro público – a famigerada “militância” sempre cheia de tempo para “militar”, e com a fúria de quem luta pelo que “é seu”.

Nada disso, é claro, foi feito para melhorar o país ou a vida dos pobres. É só o preço da eleição do PT, pelo PT, para o PT. Os R$ 24 bilhões do Bolsa Família são um troco perto dessa conta.

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Para coroar a obra, trocou-se a educação de toda uma geração pelo “aparelhamento” do sistema nacional de ensino por professores “organicamente” encarregados de rebaixar seu senso crítico, mantê-los referenciados a um passado morto e barrar-lhes o acesso à discussão da modernidade.

Qual é o sentido de todo esse sacrifício imposto à Nação para, no final, tudo acabar em Joaquim Levy?

O que há é só o de sempre: esse negócio de andar de jatinho, ficar olhando o mundo lá de cima, dizer qualquer besteira e ser obrigatoriamente ouvido, não fazer fila nunca, não ter de pagar as próprias contas vicia tanto e tão rapidamente quanto ganhar sem trabalhar, aposentar-se sem contribuir, ter um emprego eterno qualquer que seja a crise. E tudo que é preciso fazer pra que não acabe nunca é não perder eleições.

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Todo o resto é pura tapeação.

E lá vamos nós de novo. Sístole: os donos do poder bombam dinheiro para os músculos e os pulmões da Nação; os otários que vivem de trabalho, asfixiados, respiram e agradecem com votos a graça recebida. Diástole: com a eleição garantida eles relaxam e drenam de volta para si e para os seus o sangue da Nação que, ainda assim, respira aliviada porque o que se anunciava era muito pior.

O dr. Levy chega prometendo “superavits”; dona Dilma açula no Congresso o homem que tem uma Transpetro para chamar de sua para livrá-la da obrigação legal de entregá-los. É o prelúdio. Como é contra a lei tocar quem tenha posto um pé dentro do Estado ou “adquirido” algum “direito” por doação de alguém lá de dentro, o desfecho será o de sempre: o “doloroso ajuste” pelo alargamento do duto de entrada e não pelo estreitamento do de saída dos cofres públicos.

Para cima; para baixo. A cada volta no círculo, maior fica o Estado e menor fica o país. Além de um limite de que já estamos perigosamente próximos, contrai-se a “síndrome argentina”. A partir de então é só para baixo.

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Não se iludam: este é o duelo final

13 de outubro de 2014 § 35 Comentários

a4É assustador esse abraço sem nenhum pudor do PT na mentira.

Dia após dia os jornais trazem novas coleções de dados e de desmentidos que confirmam a profundidade do buraco em que o país vai entrando mas nada abala a cega confiança do partido de Dilma Rousseff, seja na impermeabilidade dos grotões que vivem da Bolsa Família à informação que circula nas velocidades do 3º Milênio pelo Brasil metropolitano, seja na condição que acredita ter de calar esse Brasil mais moderno de que o PT se vai divorciando cada vez mais irreconciliavelmente com esse seu casamento acintoso com a mentira.

Quanto mais avança a campanha mais claro fica que o PT, encurralado, está assumindo um risco calculado do qual não ha retorno possível: ou perde a eleição, ou ganha e fecha o regime quando os fatos já não puderem mais ser encobertos por palavras.

Ver João Santana repetir friamente todos os dias pela boca de uma Dilma Rousseff despida dos seus atributos e características pessoais, com um olhar cândido, que a chuva de lama da Petrobrás sobre o PT, o PMDB, o tesoureiro Vaccari Neto e o resto do círculo íntimo do governo da ex-presidente do Conselho de Administração da estatal assaltada pelos “petrolões” não é senão o reflexo “da luta sem tréguas que o PT vem travando contra a corrupção” é algo que, por mais que se procure forçar outras leituras, só pode ser interpretado como antecipações das violências futuras que se tornarão necessárias quando as provas adiantadas pelas delações premiadas virarem processos e os fatos que os indicadores econômicos antecipam, já descidos inteiros às ruas, passarem a exigir do partido que mate mais do que apenas a verdade para não ser apeado do poder.

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A desmontagem do IBGE e a desconstrução da PNAD, termômetros do real estado da equação social brasileira e bússolas de orientação do investimento público, junto com a falsificação sistemática dos dados (hoje ha matérias em todos os jornais apontando as despesas subestimadas e as receitas irreais do orçamento de 2015), nos dizem das reais prioridades do partido que tem plena consciência do quanto são curtas as pernas dessas mentiras todas. Afinal, de que servem instrumentos criados para interrogar a realidade e proporcionar um balizamento racional do investimento público para um partido que não se vexa de construir a sua em pleno ar, à revelia dos fatos, e que afirma quase textualmente todos os dias que toda a ação do Estado, sob sua batuta, está voltada exclusivamente para comprar os meios de perpetuar o PT no poder?

Os passos anteriores nessa estrada são ainda mais inconfundíveis.

A promessa sempre reiterada de “controlar a mídia” deixou para traz o estágio dos “balões de ensaio” e dos “morde-e-assopras” de um partido supostamente “dividido” a esse respeito para entrar no programa oficial do PT para o segundo governo Dilma travestido num “controle econômico” que sinaliza que é do modelo argentino que se trata agora: pretendem “fatiar” as maiores empresas como foi feito com o grupo Clarín e, possivelmente, controlar o resto da imprensa livre apropriando-se da cadeia de insumos básicos (papel e telecomunicações) e exercendo chantagem regulatória e fiscal (multas e taxação da mercadoria “informação”).

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O Congresso Nacional que, desde o Mensalão, é este que, com os pouquíssimos desvios da regra de praxe, vai de Michael Temer, o possível vice-presidente de 5 bilhões de reais, a André Vargas, o sócio condenado ha décadas por falcatruas pregressas com o doleiro Alberto Youssef que dá punhadas no ar, como as de Genoíno e Zé Dirceu, na cara do degredado Joaquim Barbosa, mas resiste à renuncia enquanto os companheiros cozinham-lhe um novo julgamento.

Para o que porventura venha a sobrar em pé dessa instituição, já está vigente – conquanto ainda não aplicado – o Decreto 8243 assinado por Dilma Rousseff que dá aos “movimentos sociais” a serem escolhidos, nomeadamente segundo o decreto pelo Secretário Geral da Presidência, a prerrogativa de fazer leis ou de triar as leis feitas pelo Legislativo vetando as que estiverem fora do novo padrão de “direitos humanos” estabelecido pelo partido.

Por cima de tudo, Dilma acaba de incluir formalmente nas suas promessas de campanha também um “plebiscito” sobre as suas “reformas políticas”, uma forma, talvez, de legitimar um decreto nitidamente inconstitucional.

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A frente dos previsíveis recursos judiciais contra essas violências todas já está devidamente coberta pelo aparelhamento do Supremo Tribunal Federal que coroou os movimentos anteriores de domesticação das entidades de defesa da cidadania e dos direitos humanos tais como a OAB, hoje transformada em mais uma UNE, agora a dos advogados, que recebe mesada do governo.

Acentua o desconforto com essa sucesssão de “avisos prévios” a hesitação da campanha de Aécio em afirmar claramente – como afinal fez Marina Silva ao dizer que é de garantir ou não a alternância no poder que caracteriza a democracia que se trata – que é isso, nada mais, nada menos, que está em disputa nesta eleição.

A maioria democrática do eleitorado brasileiro, com o povo de São Paulo na vanguarda da corrida que, nos últimos dias da campanha, virou a eleição a favor de Aécio e Marina, compreendeu isso antes e mais completamente que os próprios marqueteiros do candidato.

O PT já entendeu que este duelo é final e abriu mão da metade do Brasil na esperança de levar a outra + 1 a dar-lhe a condição, se salvo pelas urnas, de mudar suficientemente a regra do jogo para calar a outra. Está na hora da campanha de Aécio comprar essa briga nos termos em que ela lhe foi proposta para que ninguém, lá na frente, possa alegar que votou desavisado do que realmente estava em jogo.

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