Receitinha infalível

9 de novembro de 2015 § 21 Comentários

Henrique Pizzolato, o ladrão do mensalão dentro do Banco do Brasil, reclama das condições de atendimento médico do Centro de Detenção Provisória da Papuda (veja bem, “pro-vi-só-ri-a“).

Magine se o pé-de-chinelo vizinho dele fizesse a mesma queixa: saia no jornal pontuado de exclamações da OAB ou morria numa “esculachada” nos queixos da parte do carcereiro?

É como tenho dito: as prisões brasileiras só serão resgatadas da sua condição medieval quando a perspectiva dos criminosos “nobres” passar a ser a de gramar nelas temporadas tão longas quanto as impostas aos plebeus pelos mesmos crimes, e nas mesmas celas.

Enquanto tiver um tipo de prisão para eles e outro para os plebeus, fodam-se os plebeus.

Com o labirinto regulatório é a mesma coisa: só serão removidas as leis que atrasam e atrapalham a nossa vida se passarem a atrasar e atrapalhar a vida “deles” também.

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Para que qualquer dessas coisas aconteça tudo que é preciso é que todos os funcionários públicos, a começar pelos juízes, possam ser demitidos a qualquer momento pelo maior interessado nessa mudança, sua majestade o eleitor. Se o eleitor não tiver esse poder, fôda-se o eleitor.

É assim que a humanidade funciona.

PS1.: Para que esses processos de demissão (“recall“) possam ser feitos a qualquer momento sem atrapalhar a vida dos próprios interessados neles, é preciso que todo funcionário com atribuições que não sejam essencialmente políticas passe a ser eleito e não mais nomeado, e que as eleições sejam distritais puras de modo a atrelar cada funcionário demissível aos seus respectivos demissores autorizados. Só assim o jogo vira a nosso favor e não sou eu que o digo, é a História: quem fez tá de vento em popa; quem não fez tá no mar de lama.

PS2: Não me venha com aquele chororô de criancinha mimada, “Ah, mas isso eles não vão deixar“… Não conte com um “papai” para te emancipar politicamente e nem fique esperando pelos “outros“. Quem tem de fazer isso é você e tudo que é preciso é estar decidido a tanto. Comece focando em eleição distrital com recall só nos municípios que o resto vem com o uso. “Fuzilar” filhos da puta é atividade que vicia organicamente. Feita a primeira experiência, o povo passa a querer sempre mais.

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+ Sobre demissão de juízes

+ Sobre recall

Liberdade, igualdade e o jogo dos contrários

18 de março de 2014 § 2 Comentários

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Invasão gringa no Vale do Silício” (aqui e aqui ) é um par de matérias que informam que já são 46% os estrangeiros trabalhando em empresas de alta tecnologia naquela região da Califórnia que é o centro mundial de excelência em tecnologia e inovação, coisas virtualmente impossíveis de serem promovidas em países como o Brasil.

MP questiona construção de ala de luxo na Papuda”(aqui) é uma matéria que relata que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiróz, do PT, tomou toda uma ala daquele presídio que os promotores da área de Execuções Penais do Ministério Público tinham requisitado da administração para a construção de mais um conjunto de celas para desafogar a superlotação e as condições sub humanas em que vivem os presos comuns, e reformaram-na como quartos de hotéis, revestindo as paredes de cerâmicas, instalando banheiros privativos, portas de madeira e pias e vasos sanitários elevados proibidas no resto do presídio por razões de segurança. Montou-se até uma unidade de saúde intensiva nessa ala que os presos comuns batizaram de “Ala Genoíno” (a ser utilizada por ele se e quando sair do regime de prisão domiciliar com que foi agraciado), para atender apenas três prisioneiros “de luxo”: Delúbio Soares, João Paulo Cunha e José Dirceu.

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O que duas matérias tão díspares publicadas num mesmo jornal – O Globo desta segunda-feira – têm a ver uma com a outra?

Tudo.

Elas são a síntese dos dois conceitos mutuamente excludentes que dividem a humanidade em dois grupos inconciliáveis, um que estimula incansavelmente a inovação e a reforma recorrente do sistema institucional para adaptá-lo às constantes mudanças do meio – mas é universalmente classificado pela imprensa de “conservador” – outro que bloqueia toda e qualquer tentativa de reforma do sistema institucional e, com isso, inviabiliza a inovação – mas é universalmente classificado pela imprensa de “progressista”.

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O resto decorre do cruzamento entre a boa distribuição ao redor do globo de indivíduos dispostos a fazer o que é necessário para merecer o que têm e a má distribuição de regimes políticos que permitam que o sucesso esteja condicionado ao esforço individual.

Lá, no Vale do Silício – onde a utopia é a liberdade – investe-se no esforço individual e festeja-se tudo que for adquirido mediante o emprego dele sem que  ninguém veja nisso uma manifestação odiosa de “desigualdade” como ocorre no mundo latino.

Aqui – onde a utopia é a igualdade – a única condição desigual que um indivíduo pode ostentar livre de contestação violenta e ameaça de expropriação é a que decorre da sua adesão incondicional aos “fiscais da igualdade“.

Estes, ditos “excelências“, estão autorizados a viver na mais ostensiva desigualdade até no interior dos presídios onde, pelo mesmo crime, pagam penas diferentes em condições diferentes dos demais internos.

É um mundo cheio de contradições?

Nada disso.

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É apenas um mundo que se debate, exausto, na armadilha da subversão conceitual permanente onde o sistema que estimula incansavelmente a iniciativa individual e a inovação por meio da reforma recorrente do equipamento institucional para adaptá-lo às permanentes mudanças do meio é universalmente classificado pela imprensa – e portanto, pelo discurso político – como “conservador” (ou seja, que precisa ser mudado nem que seja a força, em nome do progresso) e o sistema que sanciona pesadamente a iniciativa individual e bloqueia incansavelmente todo tipo de reforma, não importa quanto mude o mundo lá fora, e com isso mata qualquer chance de inovação, é universalmente classificado pela imprensa e pelos políticos como “progressista” (e portanto, que precisa ser conservado nem que seja a força, igualmente em nome do progresso).

Esse contingente maciço dos estrangeiros que, todos os anos, asilam-se nas universidades e empresas dos Estados Unidos, fogem precisamente desse jogo enlouquecedor dos contrários que elimina completamente a possibilidade de um homem mudar seu próprio destino por aquilo que for capaz de fazer por si mesmo, e deixa-lhes como única alternativa para alcançar mobilidade social e afluência material aderir incondicionalmente aos “fiscais da igualdade” e acumpliciar-se com os crimes que eles praticam em nome dela.

Parece um raciocínio complicado de compreender? Sem dúvida. Mas não poder ser racionalmente compreendido é a essência da racionalidade desse jogo dos contrários.

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Natan Donadon disse tudo!

13 de fevereiro de 2014 § 9 Comentários

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O voto aberto vai fazer com que meus colegas votem contra o coração e a vontade deles“.

E não é com isso que o Brasil sempre sonhou? Que eles votem SEMPRE contra o coração e a vontade deles e a favor da nossa?

Democracia é exatamente isso; nem mais, nem menos.

Essas duas votações em menos de seis meses – 233 votos pela cassação, 24 a menos que o necessário a 172 pela manutenção do mandato (mais abstenções) há seis meses; 467 pela cassação x 1 abstenção (de outro deputado presidiário) ontem – são a prova do que se tem afirmado desde sempre aqui no Vespeiro: a civilização (que é o outro nome da democracia) não é muito mais que a presença da polícia.

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O voto distrital com recall põe polícia na política. É a chegada do xerife a este faroeste dominado pelos bandidos em que vivemos.

Não há povos piores nem povos melhores; “gentinha” nem gentona. O que há são os que já experimentaram e os que ainda não experimentaram. E mesmo entre os que já experimentaram, se tirar a polícia de cima volta tudo pra traz. Até o Steve Jobs, o Leonardo da Vinci cibernético; o “inventor da modernidade”; se tiver certeza de que não vai pagar por isso, vira explorador de menores miseráveis na China.

O voto distrital com recall arma a mão da polícia da política – que é você – para que ela possa exigir o cumprimento da lei. E o efeito é imediato e automático, como previa o anteontem ainda deputado e hoje mero presidiário Natan Donadon. E se é assim diante da simples perspectiva de ser identificado pelo eleitor, imagine o que seria se eles soubessem que o eleitor pode, a qualquer momento, sem manifestação de rua nem bagunça, retirar o voto que lhes garante o emprego.

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O recall é isso.

Divide-se o numero de eleitores pelo número de deputados e cria-se um distrito eleitoral delimitado pela geografia com aquele numero de eleitores. Cada candidato só pode pedir votos em um único distrito eleitoral. Se eleito, fica-se sabendo exatamente que eleitores ele representa. E se “mijar fora do pinico“, qualquer eleitor daquele distrito tem direito de passar uma lista pedindo a confirmação ou não do mandato do porcalhão. Se colher as assinaturas de 5% dos eleitores daquele distrito, convoca-se uma nova votação, só entre eles, cassa-se o mandato do cara e manda-se ele conversar com o ministro Joaquim a respeito de que direitos vão lhe restar lá na Papuda.

Isso faz milagres! Muda a vida! Qualquer outra reforma fica fácil de arrancar com essa arma na mão.

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Agora que estamos na bica de acabar com essa tapeação dos mascarados assalariados, todo mundo sabe de quem, quebrando tudo por aí, taí uma boa razão pra você voltar pra rua.

Mas jogue fora o cartaz inútil, por mais engraçadinho que tenha sido o trocadilho usado na última vez.

Espalhe esta convocação: vamos todos pra rua com o mesmo cartaz; vamos todos exigindo a arma que temos direito de portar pra podermos construir um Brasil do jeito que a gente quer.

VOTO DISTRITAL COM RECALL, JÁ!

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MAIS INFORMAÇÕES SOBRE COMO FUNCIONA O RECALL NESTE LINK

 

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