O mundo que se estrumbique
30 de setembro de 2013 § 5 Comments
A ONU apresentou sexta-feira mais um daqueles relatórios sobre o aquecimento global, agora “tomando redobrados cuidados para recuperar a credibilidade perdida” desde que um hacker divulgou, em 2009, e-mails trocados entre os cientistas que indicavam ter sido empregadas doses cavalares de “matemática criativa” para forçar conclusões alarmistas no relatório de 2007.
E, no entanto, as conclusões desta nova edição têm destaques tais como:
- se na edição anterior calculava-se que os oceanos subiriam entre 18 (nem 17, nem 19) e 59 centímetros (nem 58, nem 60) até 2100, agora eles subirão entre 26 e 82 centímetros, sendo o espaço entre a 1a e a 2a hipóteses de quase quatro vezes, como da vez anterior;
- se a temperatura até 2100 ia subir “entre 1,1 e 6,4 graus” (6 vezes de diferença, incluídas as casas centesimais), agora vai subir “entre 0,3 e 4,8 graus” (16 vezes entre a mínima e a máxima!)…
Nunca me canso de me fascinar com esse negócio!
Se antes de 2009 havia dúvidas, depois tornou-se uma certeza que a história do aquecimento global tinha virado uma indústria e era isso que explicava o ibope que o tema dava. Era uma daquelas palavras mágicas que abriam, ao mesmo tempo, os cofres das instituições internacionais a toda e qualquer “pesquisa” que incluísse “aquecimento global” como seu objeto, e a cabecinha travada dos jornalistas de manada sempre presa ao atávico pavor de pensar só com os miolos e correr o risco de ser fulminado por um “quiéquiéisso companheiro”.
Mas agora isso acabou e mesmo assim continuam gastando zilhões de bits e toneladas de papel com esse bestialógico.
Veja bem: eu não sou um eco-cético, como chegaram a chamar todos quantos apresentavam reações lúcidas a essa história. Não duvido, mesmo, que o globo possa até estar a se aquecer em função da interferência humana.
A minha questão é outra. A minha questão é: e daí?
É evidente que a metástese da espécie humana é uma doença potencialmente terminal do planeta, e eu poderia invocar toda a minha experiência de observador ultra especializado da natureza para apresentar as provas que indicam que assim é.
Mas não é necessária especialização nenhuma. Qualquer idiota pode ver, a esta altura, que o planeta não tem condições de sustentar 7 a 8 bilhões de pessoas nos níveis de consumo necessários para uma vida digna para todos e, ao mesmo tempo, manter a bio-diversidade que sustenta a renovação da vida.
Mais que isso. Não dá pra manter essa gente toda e ter, ao mesmo tempo, sequer um ambiente minimamente higiênico e salubre.
Agora, cretinice maior ainda só pretender que dá pra sustentar essa gente toda sem industria, agro-indústria, combustíveis fósseis, geração de energia com dano ambiental e defensivos agrícolas; pretender que da pra sustentar essa gente toda sem a destruição de todos os biomas naturais, sem o envenenamento paulatino de todos os fluidos de que depende a continuação da vida na Terra e tudo mais que está óbvio que já está acontecendo.
É claro que é urgentemente necessário tomar uma providência quanto a tudo isso, sendo a única providência que pode produzir efeitos remover a causa do problema, ou seja, reduzir fortemente as taxas de natalidade e a quantidade de seres humanos comendo e “obrando” por aí.
Porque então continuam gastando trilhões de dólares para fazer contas imbecis sobre a temperatura de daqui a 100 anos e ninguém fala em controle de natalidade quando já está óbvio que nos afogaremos em lixo ou, na melhor hipótese, morreremos de tédio olhando uns para a cara dos outros como única e solitária espécie sobrevivente neste planeta que já foi tão interessante, muito antes de chegar lá?
Porque essa discussão infindável sobre apenas um dos efeitos e nenhuma palavra sobre a causa do problema?
E eu mesmo respondo: pela mesma razão pela qual o PT investe bilhões em juntar gelo (de consumo sustentado com moeda falsa) em torno dos termômetros que medem a febre da miséria nacional mas não investe um tostão em educação, a única forma de removê-la de uma vez para sempre.
Porque o que esse pessoal quer é voto e verba e não soluções. O mundo que se estrumbique depois que eles terminarem a festa deles “lá”.
A recaída de Dilma
18 de março de 2011 § Leave a comment

Levou menos de 12 horas para que os fatos expusessem de forma definitiva a desonestidade da alegada “expectativa” da diplomacia brasileira de que uma ação concreta da ONU contra o candidato a genocida, Muamar Kadafi, pudesse piorar a situação dos líbios que ele vem massacrando ha 10 dias com o fogo cerrado de todo o armamento pesado de que dispōe.
Ainda que a carnificina até então consumada não tivesse sido bastante para convencer o Itamaraty da necessidade de detê-lo a qualquer custo, o fato de Kadafi em pessoa ter grunhido entre dentes para os rebeldes de Bengazi “Vamos chegar esta noite e não teremos piedade” no mesmo momento em que a embaixadora Maria Luiza Viotti e seus auxiliares estavam redigindo o voto brasileiro deveria te-lo feito.
Foi, na verdade, o que aconteceu, como sugerem os oito parágrafos de constrangidas desculpas que ela leu antes de pronunciar o voto que estava prestes a dar para tentar convencer a audiência de que ele não significava o que significou.

É um evidente exercício de contorcionismo essa peça onde todas as premissas contrariam a conclusão. E ela parece ainda mais fora de lugar por ter sido emitida na véspera da chegada ao Brasil de Barak Obama, presidente do país com que Lula fez questão de nos atritar sistematicamente durante os oito anos anteriores a 2011, mas que sua sucessora distinguiu com um inédito convite para visitar o país acompanhado de toda a sua familia e dirigir um discurso em praça publica ao povo brasileiro.
Na sequencia de inúmeros discursos com o mesmo tom, esta visita está sendo unanimemente entendida como o coroamento da mudança de rumo da política externa brasileira tantas vezes anunciada pela presidente Dilma.
Alteração esta que, é bom lembrar, não é um acontecimento isolado mas faz parte de um conjunto amplo e coerente de correções de rumo que desde antes da posse ela anunciou que faria para afastar o Brasil da senda do autoritarismo em que ia afundando e reafirmar o compromisso do seu governo com tudo quanto define um estado de direito, a começar pela liberdade de imprensa e pela democracia representativa que Lula e a gangue do Plano Nacional de Direitos Humanos punham sistematicamente em duvida.

As diferenças que Dilma tem feito questão de marcar em relação às posições mais retrógradas de seu antecessor refletem fielmente as divisões que por toda a parte se nota entre o PT escolarizado da elite de tecnocratas do funcionalismo publico que ela representa e o PT com raízes no sindicalismo que, por desconhecer a História e desprezar o conhecimento, tende a confundir instituições com pessoas e não tem referências para medir o alcance e a consequência de seus atos.
No meio dos dois e, no momento, no ostracismo, esgueira-se a banda podre do PT ideológico, aquele que, ao contrário da esquerda honesta que se recusou a compactuar com a bandalheira e deixou o partido, aderiu abertamente à corrupção. É este mesmo grupo, que o Ministério Publico identifica como uma quadrilha organizada no processo do Mensalão que, seguindo os ensinamentos recebidos de seus professores caribenhos, pressiona o governo petista a manter um apoio ostensivo aos mais patológicos e sanguinários ditadores que sobrevivem no planeta.
Por tudo isso a conclusão que me ocorre para explicar a dissonância desse voto com todos os atos deste governo que o precederam e reacende duvidas que pareciam definitivamente dirimidas, é que houve algum tipo de interferência externa à qual a presidente Dilma acabou por ceder. E o único personagem com força para consegui-lo é, indubitavelmente, o “amigo e irmão” do bom e velho Muamar que nos governou nos últimos oito anos.

PS.: A recusa de Lula de comparecer ao almoço em homenagem a Obama, 24 horas depois de escrito o texto acima, confirma a sua incapacidade de distinguir pessoas de instituiçōes e reforça a probabilidade de que tenha sido ele a impedir o Brasil de se somar ao esforço internacional para deter o assassino da Líbia.
Porque as reuniões do clima são uma farsa
13 de dezembro de 2010 § 1 Comment

Em Cancun, assim como nas 15 reuniões anteriores convocadas pela ONU para discutir o que, em ultima análise, é apenas um efeito da superpopulação, a palavra superpopulação sequer foi mencionada.
No começo da noite de sexta-feira, 10/12, publiquei um artigo sobre a inevitabilidade do fracasso das reuniões sobre aquecimento global promovidas pela ONU, a corrupção que alimenta essa industria nascida da instrumentalização ideológica do problema ambiental e a conivente ausência de senso critico da grande imprensa na cobertura que dá a esse tema.
No sábado, diante das manchetes de todos os jornais do pais festejando um “acordo de ultima hora” alcançado em Cancun, ainda que já convencido, pelas primeiras notícias, de que ele continuava válido quanto à essência do que tinha escrito, tirei o artigo do ar para reavaliá-lo quanto à forma, diante das novidades.
Depurado o noticiário do fim de semana, confirmei que não ha razão nenhuma para modificá-lo, muito ao contrario.
O acordo festejado pelos delegados dos 193 países participantes é, antes de mais nada, um acordo para salvar a sua própria função e garantir os próximos encontros que estavam seriamente ameaçados pelo fato de que, ha três edições da conferencia da ONU sobre clima, não se aprova rigorosamente nenhuma medida referente ao assunto que ela se propõe tratar. E nos anos anteriores aos últimos três todos os raros acordos alcançados foram apenas pró-forma. Nenhum dos países signatários estava obrigado por eles a fazer nada de prático.

Um dos objetivos da reunião de Cancun era aprovar acordos que gerassem “obrigações legais” para os signatários. Apesar de todo o estardalhaço que faz em torno desse tema, a imprensa tradicional omite sistematicamente o fato de que, dos 193 países representados na reunião, conta-se nos dedos de uma mão, se tantos, aquele cujos governos estão de fato obrigados a seguir suas próprias leis nacionais. Que dirá as internacionais. O Brasil, sob Lula mais que nunca, é um exemplo disso. E, ainda assim, comparados aos demais, somos dos que mais lembramos aquilo que de fato é um Estado de Direito.
Esse é um ponto de crucial importância para a configuração da farsa que se encena em torno do tema ambiental porque um acordo “legally binding” obrigaria os Estados Unidos, um dos poucos governos representados em Cancun obrigados a se submeter às leis do seu próprio pais, a tomar providencias reais para reduzir emissões. Nas conferencias do clima da ONU porta-vozes de ditadores ou de governos autoritários que não esperam cumprir o que propõem “puxam” as propostas de cortes de emissões a níveis impraticáveis para quem se dispusesse de fato a implementá-las para provocar sua rejeição e depois acusar esses países de conspiração para destruir o planeta.

Os dois acordos aprovados na ultima hora em Cancun tratam da outra força por traz desse movimento que é o enorme volume de dinheiro que irriga a corrupção em torno desse tema, da qual a comunidade científica é uma das principais protagonistas e beneficiárias.
Ficou definida, para a próxima reunião, o início da discussão sobre a implementação de um multibilionário “fundo verde” para “ajudar países em desenvolvimento a prevenir mudanças climáticas e/ou se proteger delas”, e outro fundo para subsidiar países que se dispuserem a proteger suas florestas. Como sempre, não se tratou do principal que é estabelecer de onde virá esse dinheiro, discussão que consumirá mais alguns anos de reuniões pelo mundo afora.
Ou seja, o que houve foi um acordo sobre a necessidade de haver um acordo para definir quem pagará pelas reduções de emissões, a mesmíssima questão que esteve em pauta nas 15 edições anteriores desse fórum.

O fato de todos os grandes jornais do mundo terem dedicado manchetes bombásticas para tão pouco (o Estadão trocou uma denuncia inédita que comprova a participação do presidente da Republica num dos mais escandalosos esquemas de corrupção em funcionamento no país por esse tanto pouco na sua hierarquia de destaques na primeira página) comprova o outro ponto que denuncio em meu artigo: a conivente predisposição da quase unanimidade dos jornalistas da “grande mídia” de desligar seu senso crítico toda vez que se trata desse tema.
A ultima e maior prova da má fé e da irresponsabilidade com que se empurra essa discussão para o impasse permanente está no fato de, em Cancun, assim como nas 15 reuniões anteriores convocadas para discutir o que, em ultima análise, é apenas um efeito da superpopulação humana que realmente ameaça a continuação da vida na Terra e requer providencias urgentes, sequer se mencionou a palavra superpopulação.

Se nestes 16 anos a ONU tivesse tratado da causa e não do efeito do problema e gasto em educação para um planejamento familiar que leve em conta a sustentabilidade da vida na Terra um centésimo do que se tem gasto para medir o imensurável e atribuir culpas pelos efeitos de menor significação dessa ameaça tão real quanto grave à saude do planeta, muito provavelmente já estaríamos colhendo resultados concretos.
São essas as razões pelas quais decidi manter o artigo abaixo deste como estava e voltar a publicá-lo, apesar do delay em relação ao acordo de ultima hora alcançado pelos participantes da 16a conferencia da ONU sobre o clima para garantir a continuação dessa enganação na 17a.














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