O que é que alimenta a mentira

30 de setembro de 2014 § 19 Comentários

O mergulho das “brases” na Bolsa de Valores de São Paulo soa como a “ficha caindo” da rendição daquele mítico “país do futuro” à mentira petista.

A interpretação mais benigna que se ouve é a de que, sim, nós vivemos em plena Torre de Babel e é impossível a comunicação no país dos 85% de analfabetos funcionais onde o “povão” não sabe de nada e está sujeito a qualquer mentira.

É verdade que isso é verdade e que os 85 milhões de cheques distribuídos pelo PT de mão em mão todo santo mês podem se transformar no empurrãozinho que faltava para que os dependentes do esquema façam vistas grossas para a mentira.

Mas mesmo entre esses não se perde a noção do verdadeiro e do falso. Pensar o contrário é embarcar naquela outra mentira que embala o petismo, de que o crime é função da miséria.

A verdade e a noção do certo e do errado têm força por si mesmas e quando são afirmadas com a necessária energia impõem-se igualmente para quem come bem e para quem come mal. Diante delas o criminoso e o vendido – rico ou pobre – só podem apresentar-se como o que de fato são. E isso cria um constrangimento que faz a maior parte das pessoas desanimar.

A campanha eleitoral na TV é uma oportunidade rara. Ela permite escapar ao cerco em que o poder invariavelmente tenta encerrar a verdade e mostrar ao povo, nua e crua e em rede nacional, mesmo aquela que só a parcela dele que lê conhece.

Mas não é o que tem acontecido. Ha, portanto, de fazer-se justiça à monumental incompetência das campanhas da oposição para explicar o movimento que as pesquisas estão registrando.

Campanhas nada menos que alienadas estão permitindo que o PT, reconfirmando a cada novo degrau galgado, até para a sua própria surpresa, que suas mentiras nunca lhes serão atiradas na cara, anime-se a seguir escada acima até chegar a essa inversão, que beira o surrealismo, de apresentar os próprios flagrados praticando esse crime como os paladinos da luta contra a corrupção e a impunidade.

Publicitários não são exatamente apóstolos da verdade. Não vai nenhum demérito nisso. É do metier. Mas até para eles ha um limite. O Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária, que zela pela continuação da profissão e do negócio, não admite peças de propaganda inteiramente descompromissadas com qualquer fundo de verdade.

No presente momento brasileiro é diferente. A mentira sistematizada – junto com a corrupção no nível a que já chegou por aqui – é letal para a política. Mas este PT que sobrou depois da debandada da esquerda honesta não tem nenhum compromisso com a continuação da política “liberal” que, como sabe quem conhece um pouquinho da história recente deste nosso mundo, é a única que existe.

Política é, para eles, uma atividade provisória. O que eles entendem é a força. O PT que está aí é o que lutou de armas na mão, no século findo ha 14 anos, para impor ao Brasil a ditadura totalitária que ainda era possível naquela época. Agora lutam para nos levar para a ditadura tão total quanto ainda possível nestes grotões sul-americanos, a dita “bolivariana” que se conquista com mentiras e se mantém com as falsificações plebiscitárias que, do programa oficial do partido já saltaram, como avant premiére, para os decretos presidenciais.

Isso nos traz de volta à oposição. Numa guerra de mentiras vence o profissional em embalagens mais treinado na mentira. E nesse campo ninguém bate João Santana, o homem que modula as palavras na boca de Lula ha vária décadas.

O modelo formal da verdade, em política, está no bom jornalismo. Assim, só uma campanha feita com base no modelo jornalístico, como tem sido a de Geraldo Alkmin, é capaz de derrubar uma campanha inteira e assumidamente baseada na mentira.

Alexandre Padilha não é o maior fracasso da história de Lula e do PT apenas pelos belos olhos dele. Nem, muito menos, pelo sex apeal do governador que tem feito as alegrias do novato escatológico que o ninho de cobras do PMDB pariu para correr na paralela e comer São Paulo pelas bordas.

O que tem acontecido é que os marqueteiros de Alkmin não deixam ninguém esquecer por um minuto sequer quem é o “Pad”, como era carinhosamente chamado o ex-ministro da Saude de Dilma nas mensagens que o vice-presidente da Camara dos Deputados do PT, Andre Vargas, trocava com o doleiro Alberto Youssef, parceiros no crime ha décadas, para tramar entre os tres o golpe que garantiria a todos a tão sonhada “independência financeira” às custas da saude do brasileiro pobre.

O que tem acontecido é que as mentiras do PT sobre São Paulo não ficam um minuto sequer sem resposta. A contraprova vem na sequência da mentira posta no ar, e em geral no mesmo dia, como foi o caso com relação à controvérsia recente surgida com a tentativa de factóide lançada contra o sistema de prevenção do crime importada de Nova York pelo governador ou, mais ainda, com as de culpá-lo pela falta d’água em São Paulo, mesmo com ela de fato existindo e apesar das repetidas manifestações fajutas da militância profissional pela ruas da cidade.

A campanha de Alkmin serenamente trata de reportar os fatos na sequência em que aconteceram e de por no ar suscintas e contundentes reportagens sobre o estado das represas, a intensidade da seca e as medidas adotadas para enfrentar a emergência.

Os números confirmam que não ha telespectador, seja qual for a classe de renda, que não as compreenda.

Ja Marina e Aécio Neves, por mais acintosa que seja a última mentira exibida pelo PT, continuam olimpicamente falando em vagos “choques de gestão” e outras amenidades do gênero, como se essas fabricações não lhes dissessem respeito.

Alguém se lembrará de que sendo uma novata e o outro o dono de um currículo apenas estadual, não teriam o que apresentar sob esse formato jornalístico a um eleitorado nacional.

Mas não se trata de mostrar o que eles fizeram ou pretendem fazer. Trata-se de mostrar o que o PT não é mas afirma solenemente ser e, o que é melhor, pela boca dos próprios protagonistas das mentiras aventadas.

Imagine-se a edição dessa conversa sobre “a luta sem tréguas do PT contra a corrupção, doa a quem doer” entremeada das 12 vezes em que Paulo Roberto Costa, o agente colocado pelo partido para rapelar a Petrobras, se “reservou o direito de permanecer calado” na CPI, das cenas de André Vargas fazendo o mesmo gesto de Zé Dirceu e Genoíno na cara de Joaquim Barbosa, da construcão das suites especiais da Papuda, do Lula gritando do palanque que “tem o meu aval” uma mobilização da militância contra a condenação dos mensaleiros pelo STF, da “aposentadoria” precoce de Joaquim Barbosa e dos ministros amestrados do STF soltando a corja de volta pra rua. Ou de trechos de qualquer dos vídeos, catados a esmo, exibidos nesta postagem.

Qualquer estudante de primeiro ano de edição de imagens é capaz de matar a pau as mentiras petistas. Se pesquisar um pouquinho mais para tras no Youtube, então, põe os próprios mentirosos se desmentindo a si mesmos. Ou até se auto-denunciando como nos filmes que todo mundo sabe que estão lá, onde Lula explica que esquemas como o da sua “bôça família” é o mesmo truque sujo dos portugueses dando miçanga pra comprar índio. Ou aquele outro em que explica porque cooptar a familia Sarney só pode ser coisa de criminoso mal intencionado.

Seriam os responsáveis pelas campanhas de Marina e Aécio os únicos brasileiros minimamente ilustrados que não sabem da existência da internet? A esta altura já não importa. De qualquer maneira eles já são culpados de crime de lesa-pátria.

Dilma e o Estado Islâmico

25 de setembro de 2014 § 36 Comentários

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Pensei em iniciar este artigo lembrando que ao propor, de cima da única tribuna do planeta voltada para toda a humanidade, entre os costumeiros elogios a si mesma e à obra do PT, “o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU” junto aos genocidas decapitadores, estupradores, cruxificadores, chicoteadores e apedrejadores de mulheres do Estado Islâmico que têm horrorizado um Oriente Médio treinado no cotidiano da barbárie, a nossa preclara “presidenta” colocou-se à esquerda da Al-Qaeda que, antes mesmo dos governos dos países atacados pelas bestas-feras que se escondem por tras daquelas máscaras negras, renegou essa seita sanguinária e instou o mundo a varre-la da face da Terra antes que não sobre ninguém até mesmo contra quem praticar-se o bom e velho terrorismo tradicional.

Mas logo lembrei-me de que valores mais altos se alevantam ou no mínimo se sobrepõem a esse posicionamento relativo. Ao proferir impropério desse grau em plena Assembléia Geral da ONU o “poste de Lula” coloca-se abaixo do mais desinformado entre os menos informados dos homens comuns e do mais alienado entre os alienados deste mundo. Coloca-se, portanto, em algum ponto entre a indigência mental e a incapacidade orgânica de processar os dados da realidade, condição que, se fosse finalmente diagnosticada, proporcionar-lhe-ia o bonus de inocentá-la de toda a carga de ignomínia e comprometimento moral embutido na insanidade que ela propôs aos homens que governam o mundo com cara de quem dá aulas a principiantes.

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Como uma coisa puxa a outra lembrei-me, então, de que sua excelência não estava ali em mais um dos seus delirantes improvisos sem edição mas sim lendo um documento cuidadosamente elaborado pela elite da sua equipe de governo que traduz a visão oficial de mundo de seu partido e que, para vergonha nacional, estava sendo apresentada ao concerto das nações como a posição oficial de todos os brasileiros a respeito da carnificina que vem horrizando até os terroristas da velha guarda.

Consolei-me, então, com as provas que o mundo tem dado de que já entendeu a diferença entre o PT e o Brasil, de que nos dá testemunho o presente estouro da boiada dos investidores internacionais para fora de nossas fronteiras, esta que assume ritmo frenético cada vez que Dilma Rousseff e seu fiel escudeiro Guido Mântega, na sua incoercível arrogância, concebe uma nova intervenção para conter os efeitos da última intervenção.

Para que essa fuga em massa se tornasse possível hoje foi preciso que tivesse havido o movimento inverso antes, que se deu quando a aposta ainda podia ser feita no Brasil e nos brasileiros por cima dos quais Dilma e o PT parecem decididos a passar a galope, convencidos que estão de que é seu destino manifesto substituir-se a nós todos e às nossas história e tradições não só no concerto das nações como na obra de construção nacional.

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O lado positivo deste episódio é que, estando ele fora das injunções da eleição, pode-se dizer que constitui-se numa rara manifestação autêntica e espontânea da verdadeira anima petista que, quanto mais se aproxima o 5 de Outurbo, mais se emburaca no mar de mentiras com que eles nos vêm intrujando.

Vai-se destacando como síntese perfeita do que esse partido se tornou o prefeito da maior e mais carregada de problemas concretos  entre as metrópoles brasileiras, Fernando Haddad, que deixou de lado as pranchetas e as obras públicas e adotou um pincel e uma lata de tinta como seus únicos instrumentos de “realizações” com os quais vai esterilizando, rua após rua, as fontes de geração de riqueza e criação de empregos da maior cidade do pais criando barreiras intransponíveis entre comerciantes e consumidores em troca da “demagogia ciclística” que a imprensa resolveu comprar, do esquartejamento de vias públicas sufocadas por automóveis e combustíveis eleitoreiramente subsidiados e da distribuição “socialmente determinada” de privilégios no que resta de mobilidade numa metrópole atravancada à fatia mais gorda do eleitorado.

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O PT, enfim, assumiu-se como fraude.

O que apresenta como obra sua e como provas de seu desempenho tem tanto valor quanto as faixas coloridas que o sr. Haddad esparge por aí a título de prestação de contas pelo uso e pelo abuso do maior orçamento da Republica depois do da União.

As contas públicas nacionais são uma mentira, a taxa de inflação é uma mentira, os números do desemperego são mentiras, a “crise internacional” só de Dilma é uma mentira, o programa de “remissão da miséria” do PT com os 85 milhões de cheques distribuidos de mão em mão todo mês é uma mentira, os preços represados da energia, bombas de neutrons contra o nosso amanhã, são mentiras.

O alegado amor de Dilma à democracia é mentira. O compromisso com a liberdade de imprensa de quem censura até o IBGE é mentira. Suas acusações contra os demais candidatos são mentiras. A “luta sem tréguas do PT contra a corrupção”, é a mãe de todas as mentiras.

Até os “eleitores” das campanhas dos ministros candidatos do PT são mentiras.

aaO próprio PT e sua candidata à reeleição são mentiras, enfim.

Mas a espontânea manifestação de apreço da “diplomacia” peto-marcoaureliana pelos genocidas do Estado Islâmico é genuina e verdadeira. É, no mínimo, aquilo que no jargão do tênis seria chamado de “erro não forçado”.

Mesmo assim, enquanto as carótidas são cortadas a faca pelo Oriente Médio afora e as hordas de mães e crianças em estado de choque se espremem em pânico nas fronteiras do “califado islâmico” para escapar à única forma de “diálogo” praticada pelos amigos de dona Dilma, Aécio Neves segue, inabalável na sua fleugma, dedicando todos os escassos minutos de que dispõe na televisão a prometer vagos “choques de gestão”, programas de “recuperação da malha ferroviária” ou esquemas de “poupança estundantil” e Marina Silva vai em frente especulando vagamente sobre sustentabilidade.

Que mentira é maior que a de coonestar tanta mentira, calando-se quando confrontados com elas?

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A mentira no estado da arte

12 de setembro de 2014 § 4 Comentários

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Que Marina Silva é um produto perecível que se deteriora tanto mais quanto mais aparece na TV era algo que me parecia claro desde sempre. Em matéria de falta de sex appeal ela é pareo duro para a Dilma Rousseff real, com a diferenca que os competentes marqueteiros do PT sabem disso desde sempre e os de Marina parece que ainda não tiveram tempo de percebê-lo.

A Dilma real despencou naquela safra fortuita de entrevistas ao vivo e debates na TV; a Marina virtual subiu como um foguete em função daqueles 15 dias em que aparecia da telinha sem dizer nada – apenas um avatar – que se seguiram à morte de Eduardo Campos.

Subiu porque tornou-se visivel.

Desde então a coisa inverteu-se. A Marina real começou a falar com sua propria voz e expor suas próprias idéias e quanto mais fala mais cai. Já a Dilma real calou-se; saiu de cena a sua desarticulação crônica de idéias. Foi substituida pela Dilma virtual, esse boneco de ventríloquo dos marqueteiros do PT bem editado, photoshopeado e produzido, e quanto mais eles mentem em seu nome, mais ela sobe.

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A grande “qualidade” dos marqueteiros do PT, aliás, é a sua convicção absoluta de que a realidade não conta para nada para a massa dos desinformados eleitores deste brazilsão “du bôça familha”; o que vale é o “acabamento”, o “padrão Globo de qualidade” que se venha a dar a toda e qualquer mentira que se lhes atire.

Conta a favor deles a disciplina imposta pelo “centralismo democrático” do partido, onde as vaidades pessoais cedem lugar ao valor maior que se alevanta que é continuar montado no cavalo do poder e manter os empregos e a impunidade garantidas. Assim, em vez de chocar os eleitores com aquelas pílulas de quatro ou cinco segundos para cada candidato a soldado da aliança pelo poder nas futuras casas legislativas (enquanto eles as mantiverem abertas), põem uma única mocinha bonitinha, sempre a mesma, profissional, vendendo o que o partido não é num texto perfeitamente articulado, sem caretas, nem hesitações nem olhos desviados para o teleprompter, enquanto os candidatos e seus numeros e nomes vão aparecendo mudos por tras da cena, cruzando os braços, um por um, como naquelas apresentações das seleções da Copa do Mundo.

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O que resulta é um discurso totalmente coerente e articulado de “propostas”, “realizações” ou ataques aos adversários com começo, meio e fim – não importando a mínima o pormenor delas terem ou não sido de fato realizadas ou acontecido – em vez da colcha de retalhos sem nexo em que se perdem os seus adversários, com aquelas figuras em geral teratológicas que aparecem dizendo frases grotescas ou ininteligíveis.

Confusão e desarticulação x coerência e articulação, embora na vida real – na economia, na ordem institucional e na roubalheira, as obras reais do PT – o que se constata é precisamente o contrário: está tudo caindo aos pedaços.

Pouco importa. Como Dora Kramer nota bem no Estado de hoje, o PT desistiu de convencer e assumiu francamente a missão de enganar, com a Dilma ventríloqua dizendo “com fé” e em frases suerpreendentemente cheias de nexo, não só que Marina Silva é a candidata dos banqueiros já que vai dar autonomia ao Banco Central (!!!???), como explicando didaticamente como, quando e porque seu governo deu combate sem trégua à corrupção, e tanto e com tanto empenho que acabou passando a falsa impressão de que a corrupção aumentou…

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Aécio, espremido nos seus poucos minutos de presença na telinha, navega em trajetória do erro semelhante. Brilhou quando teve a chance de se mostrar como é, nas entrevistas e debates; virou uma nota de 3 reais incapaz de passar autenticidade nas peças produzidas em estúdio quando recita o discurso paupérrimo do seu marqueteiro que, aliás, tem embolsado o dinheiro mais mal gasto de toda a história das campanhas do PSDB. Ele não é só um zero à esquerda. Ele acrescenta pontos e mais pontos negativos à imagem do candidato cada vez que se manifesta.

Se pusessem Aécio numa sala discutindo em seus próprios termos os problemas do Brasil e gravassem de longe o seu modo de se expressar sobre eles, não economizavam apenas o pagamento das horas de estúdio que estão desperdiçando hoje; podiam editar as conversas e, assim, mostrar o candidato real que, posto ao lado das duas senhoras reais que disputam com ele, brilha na escuridão.

Nesse incrível circo de realidade fantástica – eis o que é pior – não entra nas considerações de ninguém o único tema importante desta eleição onde se joga a permanência ou não do Brasil no campo democrático. Como nenhuma das “fontes” trata desse pormenor num contexto em que a imprensa se auto-lobotomizou e proibe-se de dizer qualquer coisa que elas não tenham dito, tudo leva a crer, a julgar pela pesquisa de hoje (39% x 31% x 15%), que o país cruzará para o “outro lado” sem ter a mais leve suspeita de que é isso que está fazendo.

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A força da mentira por omissão

25 de agosto de 2014 § 3 Comentários

a4O Secretario Nacional de Finanças do PT, João Vaccari Neto, “esteve várias vezes na sede da CSA Project Finance Consultoria e Intermediação de Negócios, do doleiro Alberto Youssef, para tratar de operações com fundos de pensões” e de outras falcatruas, contou o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, apontado pela Policia Federal como laranja de Youssef e do deputado federal Carlos Janene, morto em 2010, depois de fazer acordo de delação premiada. Ele está preso desde março pela Operção Lava Jato, acusado de remessas ilegais do Laboratório Labogen, aquele atraves do qual o deputado Andre Vargas, do PT do Parana, em conluio com o Ministério da Saude do atual candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Alexandre Padilha, tungava dinheiro de remédio de pobre.

A denuncia da Policia Federal publicada no Estadão de hoje não para aí. Tem mais um monte de gente e de falcatruas mencionadas, desde irmãos de ministros (o do Negromonte, das Cidades, aquela celebridade das nossas páginas policiais) carregando “malas de dinheiro” com Youssef para o exterior, até o próprio doleiro se fazendo “herdeiro” não testamentado do falecido Janene, embolsando o que ele tinha escondido para si em contas estrangeiras.

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João Vaccari Neto, recorde-se, não era um “ficha limpa” antes dessa denuncia. O Secretário Nacional de Finanças do partido da presidente da Republica candidata à reeleição é réu de ação criminal por “formação de quadrilha, estelionato e lavagem de dinheiro” relacionadas ao desvio de R$ 70 milhões da Cooperativa Habitacional dos Bancários que foi de onde ele saltou para onde está hoje. E a empresa citada de Youssef é a mesma que, de novo segundo a Polícia Federal, foi usada para lavar R$ 1,6 milhão do mensalão.

Nos filmes da mafia que a gente assistia antigamente a trama frequentemente acabava quando a policia pegava os livros dos tesoureiros do crime organizado mostrando quem dava dinheiro pra quem e, em cima dessa prova, a corja toda ia em cana.

Aqui nem assim…

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Ta aí em cima um pouquinho do que a PF já sabe sobe o Secretário Nacional de Finanças do PT. Já a “caderneta” de falcatruas de Paulo Roberto Costa, o  rapelador da Petrobras, onde constam, entre outros, todos os grandes doadores da campanha da ministra Gleisi Hoffman, da Casa Civil, também esta publicada ha meses na internet (examine-a, página por página, neste link) com todos os nomes, endreços e valores que ele andou distribuindo e lavando de e para deus e todo mundo, e não rola nada.

Agora, Graça Foster é flagrada passando seus bens pros filhos com registro em cartorio assim que se viu ameaçada de te-los bloqueados pela Justiça e a presidente da Republica, em plena campanha eleitoral, vem em seu socorro gritando “factoide” e vai pra televisão pra dizer, em peças publicitárias pagas pelas próprias vítimas da mentiraiada, que está salvando a pátria e que a presidente da Petrobras, com seu marido de 42 contratos, 20 sem licitação, é uma das que mais a tem ajudado nisso.

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Como é que tudo isso se tornou possível? Porque a mentira se impõe ao Brasil tão implacavel e inexoravelmente?

Isso vem de longe como já se explicou em vários outros artigos aqui no Vespeiro. A Contrareforma, a Inquisição, o monopólio da educação jesuíta especializada em enquadrar qualquer fato à “explicação” pré-fabricada da única fé admitida por 400 anos, o absolutismo monárquico e a escravidão, tudo isso justificando a mentira como um imperativo de sobrevivência de quem podia ir pra fogueira acusado de ter pensado errado (não precisava agir) ou pro poste mesmo sem ser acusado de nada, fizeram-nos “sentir confortaveis demais dentro da mentira”, como dizia Octavio Paz.

Tudo isso preparou bem o caminho. Mas agora a coisa degringolou de vez. Se antes, pelo menos, todo mundo sabia que a mentira era mentira, agora nem isso mais.

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O que foi que mudou nessa última quadra da nossa via crucis, especialmente nesses últimos 12 anos?

Mudou especialmente a imprensa. Ela permitiu que à mentira por ação dos políticos, viesse se somar a mentira por omissão que tem sido a sua. E o vaso, que já andava repleto, transbordou.

Com a ocupação gramsciana das escolas pelo pensamento único dos inimigos da dúvida, da tolerância e da verdade, especialmente as de jornalismo (e não é por acaso que uma das cláusulas pétreas da “patrulha” é obrigar todo jornalista a passar por “escolas de jornalismo” controladas por eles pra ter a cebecinha feita do jeito que melhor lhes convém), uma nova “ética jornalística” que é a exata negação não só do jornalismo democrático mas da própria ética jornalística sem aspas foi martelada pra dentro das cabeças que hoje povoam as redações, especialmente as de certas chefias.

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Segundo essa norma, a imprensa se obriga apenas a reagir. Não se proibe apenas de pensar com a própria cabeça fora das páginas segregadas de opinião: proíbe-se até de reagir à mentira na hora que se depara com ela, não porque seja uma “questão de opinião” reagir a uma mentira separada da verdade frequentemente apenas por um par de minutos ou menos, mas porque a imprensa que a “patrulha” quer não se coloca como uma interlocutora das suas “fontes”; obriga-se a ser apenas a amplificadora ou a divulgadora “neutra” de uma discussão de que ela não está autorizada a participar nem nos níveis mais elementares do exercício do raciocínio.

Essa imprensa esqueceu-se do porque dela estar formalmente mandatada, em toda democracia digna do nome, como o Quarto Poder, encarregado de agir e reagir, em nome da cidadania, como ela própria ou qualquer outro ser humano normal reagiria diante dos seus representantes eleitos ao tomar uma desaforada mentira em plena cara.

Não a imprensa brasileira! Exige-se hoje do reporter que atue como um mero gravador com pernas e do produto jornalístico como um todo que nunca afirme ou permita que alguém afirme uma verdade, por mais evidente que ela seja, em seu canal, sem por ao seu lado um mentiroso para nega-la, por mais antiga, conhecida e consagrada como tal que seja a mentira por ele reafirmada.

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Assim, quando alguém mente na cara de um repórter brasileiro tudo que lhe resta fazer, ainda que seja honesto, é ficar esperando que alguém mais, presente na mesma entrevista, se houver, denuncie a mentira pir ele, ou que algum adversário do mentiroso ligue pra redação e peça outro reporter pra acusar o cara de estar mentindo. Ou, ainda, chamar um “especialista” para por na boca dele o que ele, repórter, gostaria de retrucar ao mentiroso, o que abre um enorme território para a falsificação e para a multiplicação da mentira pelo expediente de convocar o “especialista” que o jornalista desonesto (que os ha, e muitos, como em toda profissão, ao lado dos apenas desorientados ou dos reprimidos) já sabe que irá corroborar a mentira para torná-la mais crível.

Ele mesmo, reporter, esta proibido de desmascarar a mentira na hora com uma pergunta, com a lembrança de um fato de ontem ou confrontando o mentiroso com suas próprias ações e declarações anteriores.

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Por exemplo, quando Dilma diz que a roubalheira na Petrobras é um “factóide” (eufemismo para “invenção desonesta da imprensa”) e que estão fritando a Graça Foster por pura perseguição ao PT, nem o reporter da própria televisão que descobriu os fatos retruca na hora para lembrar sua excelência, primeiro de que todas as denuncias contra a Petrobras vieram da polícia ou da própria Petrobras e não de alguem de fora, jornalista ou partido de oposição e, segundo, que o fato de Graça Foster ter distribuido seus bens para filhos e outros quando se viu ameaçada de te-los embargados pela Justiça está registrado no cartório “tal” com a data “tal” e não é invenção de ninguém.

Fica no ar, sozinha, a declaração da presidente e um pepino pro ouvinte. Restabelecer a verdade vira, para o distinto público, um daqueles joguinhos de milhares de pares de figurinhas embaralhadas num imenso painel de tempo, cabendo ao leitor e ao telespectador lembrar-se de onde está o par daquela carta falsa que prova que o que a presidente está dizendo é uma grossa e deslavada mentira.

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E ha mais. A imprensa não checa mais o que publica. Como as denuncias lhe chegam na forma de filmes ou gravações que lhes são jogadas no colo, ela sente-se dispensada de outras formas de apuração. Pois não está todo mundo vendo o ladrão em pleno ato? Contenta-se só com o pedaço de informação que recebe e não vai atrás, nem da circunstância que pode esconder muito mais que o que queriam que ela mostrasse (como no caso da reunião para fraudar a CPI da Petrobras: filmada por quem? e por que? quais as relações e conexões dessa pessoa?, etc.), nem, muito menos, da pergunta “porque é que estão querendo que eu mostre isso“?, mesmo o repórter conhecendo as ligações partidárias e/ou as relações e intenções de quem o municiou.

A imprensa está virando um revólver que atira as balas com que lhe recheiam de fora o tambor, sem nenhum controle sobre o que publica e, principalmente, sobre o que deixa de publicar.

Graças a isso tudo vira sempre a palavra de um contra a palavra de outro, sem ninguém que ajude a desempatar isso confrontando fatos ou, partindo deles para desvendar as intenções por trás da divulgação de pedaços de fatos.

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Repita-se isso à exaustão ao longo do tempo e você terá o que temos: não ha mais verdade nem mentira. Nem mesmo candidatos em disputa ousam sequer recorrer ao Youtube para desmentir as mentiras do adversário com as declarações dele próprio que estão lá pra quem quiser ver.

Isso explica por que a nossa democracia deixou de apenas balançar no nosso vício ancestral na mentira e passou a caminhar reto pra mesma lata de lixo onde estão as da Venezuela et caterva enquanto os mentirosos, na maior cara de pau, aparecem na TV posando como o contrário do que são em belas peças publicitárias pagas com o dinheiro dos próprios otários que elas pretendem enganar.

Agora que o PT já fala de peito aberto que se ganhar extingue de vez o jornalismo no Brasil, noto que está havendo um esforço para romper a censura que se esconde por trás dessa pseudo “ética” imposta às redações por figurinhas carta-marcada que existem em todas elas e que, dos donos da mídia para baixo todo mundo sabe quais são, e alguns jornalistas honestos antes encurralados por ela, começam a poder reagir e fazer as perguntas que todo ouvinte ou leitor faria ao ter sua inteligência agredida por mentiras tão grosseiramente patentes que ouví-las calado transforma-se, ou numa confissão, ou numa ofensa.

a1Resta saber se já não é tarde demais.

Joseph Pulitzer, célebre jornalista americano do começo do século 20 que empresta seu nome ao maior prêmio de jornalismo que se concede naquele país, dizia que “Nossa Republica e sua imprensa vão se consolidar ou desaparecer juntas. O poder de moldar o futuro da democracia estará nas mãos dos jornalistas das próximas gerações”.

É isso mesmo.

O que aconteceu com o jornalismo brasileiro, da resistência à censura que matou uma ditadura até este que se auto impõe uma forma insidiosa dela velha demais para enganar quem quer que seja “do ramo“, permite reciclar essa mesma ideia numa nova formulação. “É impossível matar mesmo uma democracia muito imperfeita se sua imprensa estiver minimamente sudavel. Assim, se uma democracia estiver dando sinais irreversíveis de que está caminhando para a morte é porque sua imprensa já tinha morrido antes dela”.

Esta eleição vai definir exatamente qual é o caso.

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É muita Cinderela! Mas…

25 de abril de 2014 § 4 Comentários

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Fernando Gabeira escreveu um artigo brilhante no Estado de hoje. Chama-se Bom dia, Cinderela. Tem que ler.

Ele mostra como funciona a cabeça dos petistas; de onde vem essa obsessão deles de, mais que negar, apagar na marra as consequências de seus atos, impedir que a gente as veja, e para onde essa obsessão pode nos levar.

A aliança do governo é aberta a todos os que possam ser controlados (…) Tudo que escapa, evidências, vozes dissonantes, estatísticas indesejáveis, tudo é condenado à lata de lixo da História”.

O próprio Estado também tem um editorial interessante sobre A estatização da CCEE que, além de mostrar quanto custou a brincadeira de dona Dilma para comprar votos com as contas de luz, analisa o remendo ainda mais desastrado e irresponsável que eles estão fazendo pra esconder o abalo sísmico que isso provocou mediante a destruição de mais uma instituição, a contratação de mais alguns bilhões em dívidas para serem atiradas pra cima da gente e a preparação de contas de luz dobradas de 2015 em diante.

O único defeito desse editorial é chamar tudo isso de “política energética de Dilma”.

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Não existe uma “política energética de Dilma” assim como não existe política nenhuma para nada neste país. A única coisa que existe no governo do PT é uma política eleitoreira.

Tudo está a serviço dela.

Eles se apropriaram da máquina pública, detonaram todas as empresas estatais e toda a infraestrutura do país, corromperam as instituições e esmagaram as que lhes resistiram, destruíram a indústria nacional e o comércio exterior e agora, como o Gabeira registra bem, pra “provar” que nada disso aconteceu, estão tratando de destruir todos os medidores e sistemas de alarme da Nação, arrastando junto para o lixo os equipamentos que permitem fazer estudos abalizados para orientar, no futuro, a escala de prioridades e um direcionamento adequado dos investimentos públicos.

Tudo isso pra esconder o rombo no casco e ver se o navio afunda sem que os passageiros percebam.

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Brigar com os fatos e tentar destruir quem grita que os está vendo é parte de uma cultura doente. “A concepção de aniquilar o outro não é vivida com culpa por certa esquerda, porque ela se move num script histórico que prevê o aniquilamento de uma classe pela outra“, lembra Gabeira.

Mesmo assim ele é otimista. Acha que “nem o poste nem seu inventor hoje conseguem iluminar sequer um pedaço de rua” e que nem a máquina do Estado, o prestígio de Lula, a montanha de grana gasta em propaganda e o exército de blogueiros amestrados do PT somados serão bastantes para impedir que se restabeleça um debate baseado no respeito às evidências que olhe um pouco adiante das eleições, o que acabará fazendo com que em 2014 eles “acabem se afogando nos próprios mitos“.

Ha mesmo sinais cada vez mais evidentes disso. Nos bilhões do doleiro Alberto Youssef, “irmão” de Andre Vargas e possivel sócio de ” Pad“, o ex-ministro da Saude candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, já está claro, cabe o PT inteiro, de Lula em pessoa para baixo. Nem a “bala de prata” de sempre pra quando a Dilma der xabu, portanto, tem mais aquele efeito 100% garantido.

Mas eles ainda têm aqueles 70 milhões de cheques que distribuem todo mês, de mão em mão. É muita Cinderela pra acordar!

Mas o cheiro e o barulho já são tais que eu estou começando a acreditar que vai dar, dependendo do que mais a imprensa for capaz de desenterrar daqui pra frente.

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