Em defesa do latifúndio ecológico

4 de fevereiro de 2011 § 2 Comentários

O vale do Yandegaia, Patagônia chilena

Os jornais andam publicando notinhas dando conta da intenção do ministro Wagner Rossi, da Agricultura, de alterar aquela lei idiota passada no ano passado proibindo estrangeiros de comprar terras no Brasil.

Sempre achei que tinha dente de cachorro grande nessa história, que rolou não mais que de repente quando grupos internacionais se movimentavam para tomar posição na corrida pelos bio-combustíveis e pelas commodities brasileiras, bem na hora em que um gigante privado local dava os últimos pontinhos para fechar o seu esquema hegemônico.

Passar uma rasteira nos concorrentes estrangeiros foi sopa no mel naqueles tempos em que gritar “Fora gringo!” era coisa de repercussão garantida e imediata no Itamaraty “bolivariano” de Celso Amorin/Marco Aurélio Garcia.

É verdade que mesmo neste Brasil mais sério da Dilma não existe nada mais improvável que passar da proibição total para programas de conservação do meio ambiente com a participação de capitais internacionais como eu quero propor que se faça também aqui neste longínquo grotão do mundo isolado da modernidade pela barreira da língua onde os dinosauros do ecoideologismo e as velhas viuvas do mundo com fronteiras que ainda se entrincheiram em órgãos públicos, redaçōes e ONGs cevadas com dinheiro do governo reagem em ordem unida se, e somente se, o objetivo final for apedrejar “O Império”.

Mas como ha muito tempo deliberei ignorar todas as provas em contrário que tenho colhido da experiência concreta e me aferrar com unhas e dentes até o fim ao otimismo e à fé na razão sem a qual a prática do jornalismo não faz sentido, vou insistir:

Não ha nada mais absurdo que agir (e legislar) como se fosse possível a um gringo que investisse em terras por aqui arrancar o seu terreno do nosso mapa ou mesmo as benfeitorias nele plantadas e leva-los pra casa debaixo do braço.

A balela do “roubo de biodiversidade” e de segredos dos nossos matos então é mais ridícula ainda. Primeiro porque sem bilhões de dólares em cima e décadas seguidas de pesquisa, experimentação e aplicação intensiva de altíssima tecnologia, nada no mato deixa de ser o que é no estado natural: apenas e tão somente comida para formiga. Segundo porque achar que proibindo gringo de comprar terra vai se impedir que ele contrate índios ou quem mais seja pra catar folhas por aí e mandar-lhe, até pelo correio, promessas de bons princípios ativos é história da carochinha em que nem debiloide embarca com fé.

Douglas Tompkins

Dinheiro gasto em preservação – isto é, para manter uma área intacta como a Natureza a fez – é, portanto, o dinheiro mais desinteressado e mais facilmente nacionalizável do mundo. Não ha rigorosamente nenhum risco de prejuízo que não se possa recuperar integral e imediatamente com uma simples assinatura da autoridade competente.

Muito bem.

O ministério da Agricultura de Dilma, ao que se informa, não baba nem perde a capacidade de raciocinar à simples menção da palavra “estrangeiro”, como ainda acontece em certos arraiais do petismo. “Restrinjam-se as compras dos grandes fundos por traz dos quais estão até governos como o da China. Restrinjam-se as compras dos grandes traders de commodities que querem verticalizar seus esquemas porque uma e outra restrição fazem, sim, sentido. Mas libere-se o investimento privado que vá virar produção, melhoria tecnológica e emprego, venha de onde vier o dinheiro”, é o que diz o novo ministro.

Já é alguma coisa…

Mas se é justificável que o dinheiro estrangeiro venha fazer nossas terras produzirem, não é muito mais justificável ainda, no país que tem dado mostras de que não consegue garantir sozinho a conservação de suas florestas, os alvéolos do pulmão do mundo, não só permitir como, mais que isso, incentivar por todos os meios e modos as compras por capitais internacionais de áreas ainda integras para preservação ou mesmo de áreas degradadas ou já exploradas pela agricultura para devolvê-las à Natureza? Não seria prudente fazê-lo enquanto é tempo, sobretudo neste momento em que o governo prepara a eletrificação da Amazônia, coisa que vai multiplicar vertiginosamente a velocidade e a extensão da devastação?

Parque Pumalin

Andei por 10 dias neste inicio de ano pelos confins da Patagônia chilena, nas cercanias do Canal de Beagle, que está quase exatamente do mesmo jeito que Darwin o viu em 1832.

Na primeira baia chilena na margem Norte do canal, pouco além da fronteira com a Argentina, onde ancoramos por um dia e uma noite, fizemos um extenso passeio a cavalo pela propriedade de um dos muitos bilionários estrangeiros que se dedicam a gastar o que têm de sobra para preservar ou devolver áreas como aquela ao seu estado natural. Trata-se de Douglas Tompkins, dono das marcas americanas de roupas para a prática de esportes de natureza The North Face e Espirit que comprou os 40 mil hectares da bacia do rio Yandegaia, um dos que nascem nas milenares geleiras da Cordilheira Darwin, uma das pontas dos Andes que mergulham na encruzilhada do Atlântico com o Pacífico lá perto do Polo Sul. É uma área que tinha pertencido a um traficante de drogas que precisou de dinheiro para pagar advogados, foi comprada por um grupo de conservacionistas chilenos e depois por Tompkins, que entregou sua gestão à ex-ministra do meio ambiente do Chile. Hoje está aberta ao publico. O trabalho que corre lá neste momento é o de arrancar todas as cercas e construções deixadas pelos antigos proprietários, deter as queimadas para abertura de pastagens e controlar a população de cavalos selvagens descendentes de ancestrais abandonados por fazendeiros derrotados pela aspereza da natureza local, que tomou de assalto o habitat dos pumas, dos guanacos e de outros espécimes endêmicos .

Mais ao Norte, cortando, literalmente, o estreito território chileno ao meio, Tompkins tem outra propriedade de 300 mil hectares de florestas pluviais temperadas intactas que vai da fronteira argentina até o Pacífico e que ele transformou no Parque Pumalin, recentemente declarado Patrimônio da Humanidade, apesar da gritaria dos nacionalistas chilenos que, como muitos que conhecemos por aqui, preferem ver aquilo depredado por conterrâneos que preservado por um estrangeiro.

Joseph Lewis, dono do Hard Rock Café e do Planet Hollywood, Ted Turner, ex-CNN, apaixonado pela pesca de truta com fly, Ward Lay, da Pepsi. Co, e até Sebastien Piñera, o bilionário que se tornou presidente do Chile, estão entre os muitos ricaços internacionais que compraram grandes áreas na Patagônia chilena ou argentina, uma das regiões mais preservadas do planeta, para mantê-las para sempre livres das pressões que vêm empurrando inexoravelmente santuários semelhantes para o extrativismo criminoso, a agricultura intensiva ou a especulação imobiliária pelo mundo afora.

Dinheiro contra dinheiro. A receita que, para o bem ou para o mal, resolve muito mais que conversa fiada. E o que pode ser mais coerente que investir em conservação ambiental sem consideraçōes retrógradas sobre fronteiras nacionais, dinheiro que hoje se ganha comprando e vendendo globalmente sem consideraçōes retrógradas sob fronteiras nacionais?

Douglas Tompkins, um pioneiro da causa ambiental na Patagônia, tem a seu favor um retrospecto que torna indiscutível o seu espírito altruísta e o aprofundamento da sua visão ecológica. É odiado pelos nacionalistas xiitas do Chile como de qualquer modo nunca deixaria de ser. Mas é respeitado e tido como um amigo do país por todo chileno que raciocina e é permeável ao testemunho dos fatos.

Árvores de 3.500 anos em Pumalin

Agora um numero crescente de bilionários segue os seus passos. Sejam quais forem as intenções que os movem – ainda que se trate só de vaidade ou qualquer outra forma secreta de cobiça – uma coisa é certa: eles nunca poderão mover suas propriedades de onde estão nem impedir os governos nacionais aos quais respondem de dar-lhes outra destinação no futuro, se assim decidirem.

Se a intenção é a de preservar, cabe aos governos nacionais condicionar o direito ao latifúndio ecológico a esse propósito e incentivar ao máximo a disposição dos ricos do mundo de financiar a manutenção dessas reservas.

Já os “ecoideologistas” profissionais que continuam preferindo a depredação “soberana” à conservação a cargo de cidadãos do mundo, mesmo diante da crescente ameaça para a sobrevivência da espécie humana, estão apenas dando mais uma prova de que, na sua escala de prioridades, conservar a natureza e manter florestas em pé está onde sempre esteve: nos últimos lugares.

Para charter no barco da foto em Beagle e Patagônia chilena veja Mar Sem Fim

“É proibido proibir”

14 de janeiro de 2011 § 1 comentário

A raiz de tudo está lá atrás: se não ha escolha real; se tudo é “causado” pela nossa história e pelas circunstâncias que cercaram a existência de cada um de nós, nenhum homem merece reprovação, seja qual for a abominação que pratique. Descartado o livre arbítrio, não existe responsabilidade. Não se aplicam os julgamentos de valor. Não ha certo nem errado. Não ha mérito nem há culpa. Não ha crime nem deve haver castigo.

Logo, “é proibido proibir”!

Por todos os lados que se olhe, a geração que acreditou nesse engano está pagando caro pelo seu erro.

Do mergulho da juventude no nada à epidemia da corrupção e do crime, tudo nasce aí.

Mas isso são só as manifestações extremas do fenômeno.

O próprio processo democrático tratou de disseminar essa distorção por todo o tecido social. A crise financeira que afeta todo o Ocidente (e mais que ele) é uma consequência sistêmica desse desvio. Afinal, como eleger-se propondo acabar com a festa numa cultura onde a suprema heresia é ousar dizer “não”?

Foi surfando essa onda que a Europa foi do Plano Marshall ao welfare state cevando gerações inteiras na falsa ideia da desconexão da causalidade entre “ter” e “fazer”; negando a realidade, adiando os ajustes, endividando netos e bisnetos, comprometendo a saúde do mundo.

E com que fúria reage, agora, ao imperativo de cair na real!

E os americanos, então? Estão começando a pagar os 30 anos que se permitiram fechar os olhos para as consequências da revolução tecnológica que enfiou a Ásia no quintal das suas casas, roubando seus empregos, roendo aos poucos o poder de compra dos seus salários.

Quem se proporia a ser “o chato” a chamar a atenção para as realidades desagradáveis? Como se eleger na terra do “Compro, ergo sunt”, senão anabolizando o crédito com doses “generosas” de demagogia política para que a festa continuasse e a conta fosse jogada para algum lugar no futuro, a que finalmente chegamos em 2007?

Ha um longo aprendizado pela frente. O processo de reeducação está só começando. Uma cultura profunda de demonização do “não” subsiste e ainda vai cobrar seu preço. Associada, então, à varinha mágica do computador que produz milagres ao toque de um botão, tende a fazer da menor contrariedade uma derrota insuportável.

Uma parcela ainda crescente da humanidade – a que pode dar-se esse luxo – espera a realimentação automática de qualquer vontade manifestada e toma qualquer posicionamento crítico como anti democrático.

A autoproclamada “utopia googleiana”, que o mundo endossa e realimenta com milhões de dólares por segundo, é a síntese matemática da ideologia do repudio ao não.

A crítica é anti democrática” – decretam “os fundadores” Larry Page e Sergei Brim. “Nada de julgamentos de valor! Tratemos da satisfação automática de qualquer desejo que ponha o nariz para fora da toca do inconsciente. Diga-nos metade do que você vagamente quer e nós adivinharemos o resto. Mais! Aprenderemos o que você costuma querer para antecipar os seus desejos e empanturra-lo de satisfação. Compre uma vez e nós o faremos comprar sempre. Esboce um vago querer e nós correremos atrás dele para você. Prometemos-lhe doses pantagruélicas, no milésimo de segundo, sem críticas nem perguntas. Qualquer coisa entre o sublime e o ignóbil; qualquer coisa entre o céu e o inferno só é e só vale segundo a quantidade de vezes que é desejada”.

É proibido contrariar. É proibido reprovar. É proibido resistir”.

(…)

O Brasil está casado com a impunidade.

Aqui não ha corrupção; ha profissionais negociando “governabilidade”. Aqui não ha criminosos; ha “infratores” de regras “polêmicas” (ou “controvertidas”; depende do jornal que você lê). Nem a vida é um valor absoluto. Tudo depende de a quem ela pertencia e quem acabou com ela…

Não ha regra sem exceção nem lei que não possa ser violada.

Os mortos das enchentes de cada verão são parte dessa conta. Pingadinhos nos anos bons; às centenas nos anos ruins; aos milhares quando deus quer, estarão sempre onde vêm sendo colhidos porque “é proibido proibir”.

Porque as reuniões do clima são uma farsa

13 de dezembro de 2010 § 1 comentário

Em Cancun, assim como nas 15 reuniões anteriores convocadas pela ONU para discutir o que, em ultima análise, é apenas um efeito da superpopulação, a palavra superpopulação sequer foi mencionada.

No começo da noite de sexta-feira, 10/12, publiquei um artigo sobre a inevitabilidade do fracasso das reuniões sobre aquecimento global promovidas pela ONU, a corrupção que alimenta essa industria nascida da instrumentalização ideológica do problema ambiental e a conivente ausência de senso critico da grande imprensa na cobertura que dá a esse tema.

No sábado, diante das manchetes de todos os jornais do pais festejando um “acordo de ultima hora” alcançado em Cancun, ainda que já convencido, pelas primeiras notícias, de que ele continuava válido quanto à essência do que tinha escrito, tirei o artigo do ar para reavaliá-lo quanto à forma, diante das novidades.

Depurado o noticiário do fim de semana, confirmei que não ha razão nenhuma para modificá-lo, muito ao contrario.

O acordo festejado pelos delegados dos 193 países participantes é, antes de mais nada, um acordo para salvar a sua própria função e garantir os próximos encontros que estavam seriamente ameaçados pelo fato de que, ha três edições da conferencia da ONU sobre clima, não se aprova rigorosamente nenhuma medida referente ao assunto que ela se propõe tratar. E nos anos anteriores aos últimos três todos os raros acordos alcançados foram apenas pró-forma. Nenhum dos países signatários estava obrigado por eles a fazer nada de prático.

Um dos objetivos da reunião de Cancun era aprovar acordos que gerassem “obrigações legais” para os signatários. Apesar de todo o estardalhaço que faz em torno desse tema, a imprensa tradicional omite sistematicamente o fato de que, dos 193 países representados na reunião, conta-se nos dedos de uma mão, se tantos, aquele cujos governos estão de fato obrigados a seguir suas próprias leis nacionais. Que dirá as internacionais. O Brasil, sob Lula mais que nunca, é um exemplo disso. E, ainda assim, comparados aos demais, somos dos que mais lembramos aquilo que de fato é um Estado de Direito.

Esse é um ponto de crucial importância para a configuração da farsa que se encena em torno do tema ambiental porque um acordo “legally binding” obrigaria os Estados Unidos, um dos poucos governos representados em Cancun obrigados a se submeter às leis do seu próprio pais, a tomar providencias reais para reduzir emissões. Nas conferencias do clima da ONU porta-vozes de ditadores ou de governos autoritários que não esperam cumprir o que propõem “puxam” as propostas de cortes de emissões a níveis impraticáveis para quem se dispusesse de fato a implementá-las para provocar sua rejeição e depois acusar esses países de conspiração para destruir o planeta.

Os dois acordos aprovados na ultima hora em Cancun tratam da outra força por traz desse movimento que é o enorme volume de dinheiro que irriga a corrupção em torno desse tema, da qual a comunidade científica é uma das principais protagonistas e beneficiárias.

Ficou definida, para a próxima reunião, o início da discussão sobre a implementação de um multibilionário “fundo verde” para “ajudar países em desenvolvimento a prevenir mudanças climáticas e/ou se proteger delas”, e outro fundo para subsidiar países que se dispuserem a proteger suas florestas. Como sempre, não se tratou do principal que é estabelecer de onde virá esse dinheiro, discussão que consumirá mais alguns anos de reuniões pelo mundo afora.

Ou seja, o que houve foi um acordo sobre a necessidade de haver um acordo para definir quem pagará pelas reduções de emissões, a mesmíssima questão que esteve em pauta nas 15 edições anteriores desse fórum.

O fato de todos os grandes jornais do mundo terem dedicado manchetes bombásticas para tão pouco (o Estadão trocou uma denuncia inédita que comprova a participação do presidente da Republica num dos mais escandalosos esquemas de corrupção em funcionamento no país por esse tanto pouco na sua hierarquia de destaques na primeira página) comprova o outro ponto que denuncio em meu artigo: a conivente predisposição da quase unanimidade dos jornalistas da “grande mídia” de desligar seu senso crítico toda vez que se trata desse tema.

A ultima e maior prova da má fé e da irresponsabilidade com que se empurra essa discussão para o impasse permanente está no fato de, em Cancun, assim como nas 15 reuniões anteriores convocadas para discutir o que, em ultima análise, é apenas um efeito da superpopulação humana que realmente ameaça a continuação da vida na Terra e requer providencias urgentes, sequer se mencionou a palavra superpopulação.

Se nestes 16 anos a ONU tivesse tratado da causa e não do efeito do problema e gasto em educação para um planejamento familiar que leve em conta a sustentabilidade da vida na Terra um centésimo do que se tem gasto para medir o imensurável e atribuir culpas pelos efeitos de menor significação dessa ameaça tão real quanto grave à saude do planeta, muito provavelmente já estaríamos colhendo resultados concretos.

São essas as razões pelas quais decidi manter o artigo abaixo deste como estava e voltar a publicá-lo, apesar do delay em relação ao acordo de ultima hora alcançado pelos participantes da 16a conferencia da ONU sobre o clima para garantir a continuação dessa enganação na 17a.


Ôbaaa! O Brasil vai reduzir seus gases!

11 de dezembro de 2010 § 1 comentário

Terminou hoje (10/12) com o costumeiro e inevitável fracasso mais uma Conferencia das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, desta vez no aprazível balneário de Cancun, no México, para onde acorreram centenas de afortunados funcionários de governantes bem intencionados, sustentados por contribuintes como você e eu pelo mundo afora.

Discutiu-se, desta vez, “a ampliação do Protocolo de Kyoto (que ninguém nunca cumpriu) para alem de 2012 e o uso de um método comum para mensurar, reportar e verificar as reduções de emissões (que ninguém nunca implementou, entre outros motivos pela razão simples de que, como se vê por esse item, nem sobre como medi-la existe um acordo ou um método estabelecido).

Não obstante essa pequena dificuldade irrelevante, Cancun pretendia emitir um documento incluindo “decisões” nas seguintes áreas, segundo a notícia do site do Estadão (e aqui os parênteses são do jornal): “mitigação (corte de emissões de gases estufa), adaptação às mudanças climáticas (preparação para as alterações inevitáveis que ocorrerão no mundo); financiamento (para permitir que países em desenvolvimento cortem as emissões e se adaptem), transferência de tecnologia; definição de um mecanismo de redução das emissões por desmatamento e degradação florestal (Redd, da sigla em inglês) e mais a extensão do protocolo de Kyoto”.

A Venezuela do coronel Chavez e o Brasil de Lula foram citados na matéria como estando entre os países mais preocupados com a salvação do planeta. Tanto é que o Brasil anunciou na plenária de quinta-feira, dia 9, a assinatura de um decreto que regulamenta a Política Nacional de Mudanças Climáticas, fixando a meta “de 36 a 39% de corte nas emissões até 2020, comparado ao que seria emitido se nada fosse feito”.

Nem 35%, nem 40%. De “36 a 39% do que seria emitido se nada fosse feito”, relevado o pormenor de que não se sabe exatamente como medir, nem as emissões de hoje, nem as de amanhã.

Ainda nos jornais de hoje (10/12), na sequência das “revelações” de obviedades ululantes dos relatórios diplomáticos americanos vazados no Wikileaks, constava que na reunião que precedeu a de Cancun, em Copenhaguen, “os Estados Unidos e a China conspiraram juntos pelo fracasso do encontro”.

Malvados! Não fosse isso o planeta estava salvo!

Pelo amor dos meus netinhos, diria o Silvio Luis! Poupem a minha paciência!

Basta dizer as palavras mágicas – “aquecimento global” – que o desconfiômetro dos jornalistas desliga?! Vale escrever qualquer absurdo; alinhar contradições e incongruências numa mesma frase sem que ninguem – reporter, copy, editor e até leitor – se toque?!

Eu não! Tô fora!

Cada dia me convenço mais que essa obsessão com o aquecimento global só prova mesmo uma coisa: que não ha segmento da humanidade isento de corrupção. É só jogar a carniça que a urubuzada aparece, seja onde for, seja em que meio for. Cientistas ou políticos, tanto faz. Como aliás comprova a sucessão de escândalos que a grande mídia sempre hesita em divulgar, mas que insistem em vir à tona a cada vez que alguém disposto a fazer perguntas obvias resolve levantar o tapete em que se refestela a multidão de “cientistas” que se encostou na sombra desse inesgotável maná.

Nem é culpa deles, aliás. É puro Pavlov combinado com Darwin. Adaptação ao ambiente criado pelos políticos. Survival of the fittest: se o cara apresenta um projeto de pesquisa que tem por objetivo comprovar o aquecimento global, por mais absurdo que seja, ainda que combine a pretensão de medir a volumetria dos gases expelidos nos peidos de todas as vacas da Terra com as oscilações das orbitas de Saturno, chove dinheiro; se faz o contrario, chove porrada.

Mas, afinal de contas, se vamos todos morrer afogados na nossa própria sujeira, vitimas da eliminação da diversidade sem a qual a vida na Terra não se sustenta, que diferença faz se isso vai acontecer com mais ou com menos dois graus de temperatura (a cada século)?

Porque, para atender ao que se classifica como uma urgência (que de fato é), insistir em coordenar a humanidade inteira se ela se distingue por não conseguir produzir dois irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe criados na mesma casa e partilhando a mesma cultura, capazes de se entender sobre as questões mais comezinhas? Porque se atirar exclusivamente à missão impossível de reformular cada ato do viver e do sobreviver de cada homem, cada mulher e cada criança de cada raça e cada religião das que se confrontam ha milênios na Terra, e ignorar totalmente a questão essencial e a unica cura possivel para a doença do Planeta que, é claro como água ja foi um dia, é apenas e tão somente reduzir o numero de filhos que pomos no mundo?

Ou alguém acredita honestamente que é possível sustentar 7 bilhões de seres humanos sem agro industria, adubos e defensivos artificiais, produção industrial e consumo em escalas insustentáveis, ocupação de espaços cada vez maiores tomados às outras espécies vivas, poluição cada vez mais avassaladora?

Trocar todo o petróleo que nos sustenta por biodiesel? Que implicação isso teria para a biodiversidade? Que área seria necessária? Sobraria Amazonia alguma? Pulmão do mundo?

Com essa população é claro que não. Se parar onde chegamos já é tarde. Se todos os chineses andassem de carro e comessem três refeições por dia o mundo já não agüentava hoje. Nem precisava incluir os hindus.

O caso é simples, portanto. É preciso fazer uma sistemática campanha mundial para as pessoas terem menos filhos.

Qualquer analfabeto entende isso.

Mas acontece que fazer campanha pras pessoas terem menos filhos não elege nem enriquece ninguém. Apedrejar os países ricos, sim. Bradar contra “o Império” (no momento se arrastando, coitado!), mais ainda.

Armar farsas como essa do milimétrico programa brasileiro de controle de emissões pelo governo que não controla nem os seus próprios aloprados, nem mesmo a roubalheira da ministra que se senta na sala ao lado da do presidente que baixou o tal decreto que pretende reformular todos os aspectos da vida de cada um de nós, não é um esporte popular somente nesta pátria amada da mentira institucionalizada. É assim tambem em toda a nossa vizinhança bolivariana e onde mais interessar vender à patuléia embasbacada, para distrair a fome que é filha da corrupção, a idéia de um mundo dividido entre “nós” e “eles”; “O Bem” e “O Mal”; os “culpados” (pelos nossos fracassos) e os “inocentes”.

Aquecimento global, ou não, é uma curiosidade cientifica a respeito dos mais distantes efeitos colaterais da doença do Planeta Terra, que se chama Humanidade. Mas, com certeza absoluta sintética, não é o meio mais prático e nem, muito menos, o mais honesto de tratá-la.

Abaixo os políticos cara de plástico!

11 de fevereiro de 2010 § Deixe um comentário

Quase dois meses com a cidade naufragando diariamente em seu próprio lixo!

Uma parte disso é a conta da corrupção. Décadas e décadas de invasões e loteamentos clandestinos em áreas condenadas à eterna desgraça incentivadas por aquele tipo de político “preocupado com o social” que vive de criar situações desesperadoras para depois vender o alívio por votos, sistematicamente legalizando e “urbanizando” os favelões resultantes.

Espero que estejam todos no Inferno, e que o bom e velho Lúcifer mantenha o braseiro sempre vivo para receber aqueles que ainda estão por aqui…

Mas não vem só daí a desgraça de São Paulo.

No final da semana passada a Globo mostrou cenas impressionantes das montanhas de sacos de lixo deixados nas calçadas de áreas sistematicamente inundadas, antes e depois da chuva do dia. Câmeras especiais, montadas como catéteres gigantes em cabos flexíveis, foram enfiadas galerias adentro, mostrando cenas desoladoras. Sólidos aglomerados de lixo de todo tipo, invariavelmente envolvidos em ou misturados aos onipresentes sacos plásticos, entupindo tudo. Quase tres mil kilometros de galerias pluviais pela cidade, todas com aterosclerose. E é indiscutivel que as finas películas de plástico que revestem todo e qualquer objeto oferecido no comércio hoje em dia, são o “colesterol” dessa doença fatal.

Mais que por qualquer outro fator, tomado isoladamente, é por causa deste que São Paulo infarta cada vez que cai água. 

E qual é a resposta das autoridades?

A do prefeito Kassab, que acaba de dobrar o valor do seu IPTU, foi vetar a lei que limita o uso abusivo de sacos plásticos envolvendo todo e qualquer objeto ou genero alimentício que circula pela cidade antes e depois de ser usado pelas pessoas. Até o próprio saco plástico, comprado isoladamente, vem dentro de outro saco plástico. Cada pessoa que passa pelo supermercado sai com mais 10, 20 sacos plásticos, aí incluídos os sacos plásticos, maiores e mais resistentes que os usados no movimento de entrada, para embalar a saída do que se comprou no supermercado, na forma de lixo doméstico. 

Cada uma dessas lâminas de petróleo aglomerado por processos químicos que produzem efluentes mortíferos, uma vez descartada, ficará 500 anos circulando pelo planeta, entupindo bueiros, assoreando rios e matando, em terra, por onde passar, até começar a matar tambem nos oceanos e terminar nos gigantescos vórtices de milhares de quilometros quadrados de lixo plástico girando em zonas esterilizadas que vêm se multiplicando em metástese em todos os mares do mundo.

É uma visão que literalmente arrepia quem ainda espera viver algumas décadas e aterroriza quem cometeu a temeridade de ter filhos.

Mas o dr. Kassab, veja bem, VETOU a lei aprovada pela Câmara Municipal que, nada menos que muito razoavelmente, se propunha limitar aos imperativos da verdadeira necessidade a circulação desse veneno!!!

Terá feito isso de boa fé?

Você decide…

Mas assim que decidir, tome uma atitude, porque está claro que nós temos de acabar com isso antes que isso acabe conosco!

Aonde estão, afinal de contas, a boa e velha sacola de feira que pode ir e voltar mil vezes ao supermercado? E a velha lata de lixo?

É preciso limitar o uso de sacos plásticos ao estritamente insubstituível. E começar a multar pesado, sim, qualquer porcalhão que atirar qualquer dejeto nas ruas, como acontece em toda cidade civilizada. Faturamento por faturamento, esta é uma forma mais honesta e socialmente util de produzí-lo do que ficar esfolando as pessoas com esses indecentes limites de velocidade que mudam a cada quarteirão. Saude publica por saude publica, esta é uma medida de alcance infinitamente maior que ficar infernizando quem insiste em fumar o seu inocente cigarrinho no meio dessa montanha de lixo impune dentro da qual vivemos atolados.

Tolerância zero para a plastificação desenfreada!

E pra esses políticos cara de plástico que fingem que não enxergam o óbvio, tudo que você sempre desejou pra eles.

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