Pegos na mentira

21 de novembro de 2014 § 61 Comentários

Anões, unidos, jamais serão vencidos?

25 de julho de 2014 § 6 Comentários

aa9Depois de dar ao governo de Israel, diante de sua reação aos ataques com foguetes do Hamas, o tratamento que se recusou a dar a Bashar Al Assad, o envenenador, diante do massacre de sua própria população que prossegue ha mais de dois anos graças ao veto de que o Brasil é co-autor a qualquer ação com vistas a por um fim à matança, a “diplomacia” petista reage “indignada” ao coice que recebeu em troca do que desferiu.

Chamada de  “anão diplomático” que “excluiu-se da comunidade dos países civilizados” para aderir à dos países “criadores de problemas”, a corrente marcoaureliana do Itamaraty, ao contrário da do chanceler Luis Alberto Figueiredo que procurou por panos quentes no episódio mostrando que ainda se lembra das lições de Rio Branco, houve por bem “iniciar consultas com os demais sócios do Mercosul”  instando-os a aderir à sua condenação de mão única.

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Anões, unidos, jamais serão vencidos”?

É mais fácil um raciocínio desse gênero estar inspirando esta ação do que a tradição de Rio Branco, que vem sendo sistematicamente banida de nossa prática diplomática, aquela que ainda chegou a ser alegada como resposta ao destampatório do porta-voz da chancelaria israelense à nota brasileira, seguida da convocação do embaixador em Israel de volta a Brasilia, contra o “uso desproporcional da força contra os palestinos por Israel” desacompanhado de qualquer menção aos ataques com foguetes do Hamas contra alvos civis israelenses ou de qualquer apelo pela trégua diversas vezes proposta e todas as vezes recusadas por esse grupo.

É sempre desagradável ouvir verdades sobre o seu próprio país na boca de um estrangeiro, mas o que disse o porta-voz israelense está longe de ser mentira. Ele foi preciso, também, ademais. O Brasil e seu povo, na visão do ofensor, continuam sendo um “gigante econômico e cultural“.

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O episódio é, seja como for, uma espécie de resumo da tragédia do Oriente Médio onde, além da expulsão de qualquer requício de racionalidade pelas reações figadais de parte a parte inspiradas pela vingança da vingança da vingança, está a manipulação ideológica estrangeira desse conflito que ajuda tanto a mante-lo infernal como é quanto a irracionalidade que move as vítimas mais diretas dele.

Na verdade esta é mais condenável que aquela pois que a irracionalidade toma suas vítimas à revelia de sua vontade enquanto essa manipulação é fria, calculada e eivada de dolo.

A realidade que está lá é que os foguetes não cessam de partir de ambos os lados, com a diferença de que os do Hamas não acertam o alvo porque são destruídos no ar por um aparato tecnológico que os palestinos não têm condição de replicar e os dos israelenses acertam, produzindo mais de um lado que do outro as vítimas que os dois lados se esforçam por produzir.

 

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Mas o que fazer? Deixar de revidar os ataques e passar apenas a tentar desbaratar passivamente a chuva de foguetes do Hamas antes que cheguem aos alvos para os quais foram apontados? É não só impensável como algo impossível de por em prática até por um governo que desejasse fazê-lo mas que, como todo governo democraticamente eleito, age mandatado pelos alvos desses ataques.

Fingir que esses foguetes, apenas porque não acertam os alvos, não estão sendo disparados? É de uma má fé que só é tida como assumível pelo Itamaraty marcoaureliano e seus inspiradores pelo mundo afora, ao qual o outro, do chanceler Figueiredo, retruca com luvas de pelica.

Resta pressionar os dois lados por uma trégua que dê uma chance à racionalidade e ponha de volta no isolamento tanto os radicais do Hamas que indubitavelmente usam sua própria gente despedaçada como a munição para a guerra de propaganda de que necessitam cada vez mais, quanto os radicais israelenses que, lá no fundo, torcem por mais um ataque para poder revida-lo.

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A guerra, como sempre, é o paraíso dos psicopatas e dos mutilados morais, e os há por toda a parte, especialmente numa região conflagrada ha décadas, senão ha milênios .

Mas a manipulação da guerra não. A manipulação da guerra é só o cantinho dos canalhas.

É nesse cantinho escuro e mal cheiroso que se encontram para engendrar “soluções finais”, os extremistas do nacional socialismo com seu antisemitismo e os extremistas do socialismo internacionalista com seu antisionismo, de fronteiras tão sutis e que, conforme a hora do dia, as variações de temperatura e umidade do ar ou as fronteiras nacionais dentro das quais se instalam, transformam-se em anti-arabismo, em anti-islamismo ou em anti-ocidentalismo.

É a baba que essa gente distila que engraxa as engrenagens das guerras.

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Era normalíssimo o crioulo daquele samba

29 de agosto de 2013 § 4 Comentários

injustiça

Dona Dilma, que mandou avisar aos todo poderosos Estados Unidos da América que não quer que se levante um dedo contra o envenenador de Bagdá, telefonou pressurosa ao “cocaleiro” de La Paz para pedir-lhe desculpas e entregar-lhe na augusta bandeja da justiça a cabeça (de mentirinha) do chanceler da Republica Federativa do Brasil.

Questões de soberania nacional…

Agora veremos se a presidenta que “não tem preconceitos” contra a democracia hereditária cubana mas negou a legitimidade da Justiça do regime notoriamente suspeito vigente na Itália ao abrigar um assassino confesso condenado por ela, mostrará a mesma confiança no senso de justiça de Evo Morales que deposita no da família Castro ao decidir sobre a extradição ou não do desafeto dele que fugiu para o Brasil em razão da visão distorcida do Itamaraty, já devidamente punido, sobre o que é e o que não é justo fazer em matéria de questões humanitárias.

alpino

Não deverá haver erro nesse seu alvitre já que o país inteiro acaba de ter provas da clarividência da senhora presidenta que, num ato de iluminada premonição, encomendou os “médicos” cubanos que, na abundância que o mundo inteiro inveja da ilha dos Castro, não têm mais o que fazer naquele país que vende saúde, pelo menos dois meses antes de “ter a ideia” de criar o seu programa Mais Médicos.

Seja qual for a sua sábia decisão é certo que ela poderá contar com todo o apoio dos guardiões da irreprochavel democracia brasileira no Congresso Nacional que ontem mostraram ter o mesmo discernimento dela ao negar, em nome do princípio sagrado da isonomia, legitimidade também à Justiça brasileira retirando da jaula e depois libertando das algemas um deputado condenado por roubar o povo para angariar votos secretos para a sua própria absolvição.

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Afinal, esses excelsos membros da base de sustentação do governo dos paladinos da ética na política apenas seguiram o exemplo do partido de sua preclara excelência que, ele também, enfiou de volta Congresso adentro os seus ladrões injustamente condenados pelo Supremo Tribunal Federal que certamente estavam entre os que sufragaram secretamente a contracondenação do seu possível futuro companheiro de cela.

No caso de um improvável revés, aliás, a presidenta, pobre como é, pode contar como certo ao menos com o encômio laudatório do último juiz que infiltrou no STF por todas essas suas meritórias obras, além das do passado remoto, em prol da construção da democracia brasileira.

giga

Como ousa não ser um filho da puta?!

27 de agosto de 2013 § 8 Comentários

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Gallantry”. A expressão remete aos Cavaleiros Errantes. O conceito funde numa só palavra as idéias de coragem, grandeza, virtude, heroísmo, desprendimento, altruísmo e apego aos mais nobres ideais.

Seus antônimos são covardia, pusilanimidade, traição, ignomínia…

O encarregado de negócios da embaixada brasileira em La Paz, Eduardo Sabóia, teve um gesto de “gallantry” ao resgatar, por sua conta e risco, o senador da oposição Roger Pinto Molina, perseguido pelo chefe dos “cocaleiros” que hoje governa a Bolívia, que estava preso num quartinho da embaixada brasileira, de quem ingenuamente chegou a esperar asilo, ha 452 dias, “sem que houvesse nenhum empenho para solucionar o problema” da parte do governo do PT.

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Para que não pairassem dúvidas sobre a natureza de sua decisão e para se defender da punição que desde sempre ele sabia que sofreria, Saboia desembarcou no Brasil com o homem que salvou dizendo que tinha feito por ele o que teria feito por Dilma Roussef, que também foi, um dia, uma “perseguida política”.

Tudo isso torna ainda mais nobre o seu ato. Entre a certeza de punição e encerramento da carreira a que dedicou a vida de quem já teve tempo para aprender exatamente com quem está lidando e a alternativa de compactuar com o esmagamento covarde de um indvíduo em luta contra um estado semi-criminoso ao qual se aliou a “diplomacia” do PT, Saboia preferiu manter-se em paz com sua consciência.

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Escolheu a História.

Escolheu entrar para a lista de gente como Guimarães Rosa e sua Aracy que, funcionários da embaixada brasileira em Hamburgo na Alemanha nazista, davam fuga a judeus, do que para a dos esbirros de Getulio Vargas que, naquele mesmo momento, entregavam a Hitler, para ser fuzilada, Olga Benário, a mulher de Luís Carlos Prestes.

Eduardo Saboia exibiu inteiro o seu caráter. O cinema do futuro ainda lhe fará justiça…

Dilma Roussef exibiu inteiro o dela.

Não é que vestiu a carapuça. Enfiou-se nela dos pés à cabeça.

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Sua incontida fúria, vibrando ao vivo e a cores na televisão, foi demais até para Antônio Patriota que, mesmo comendo na mão dela, aparentemente não conseguiu engolir todos os desaforos que ouviu por não ter conseguido impedir que algo tão luminosamente nobre brotasse de dentro do pântano petista e, ainda por cima, no centro da seara bolivariana pela qual zela pessoalmente o sinistro Marco Aurélio Garcia.

Como ousa, algum dos nossos, não ser um filho da puta!

Este episódio, mais que todos os outros, serve para enterrar qualquer resquício de ilusão que porventura tivesse restado a respeito de em que mãos caiu este país.

O pior é pouco para esperarmos dessa gente.

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Não, não é “tudo a mesma merda”

22 de fevereiro de 2012 § 3 Comentários

Deixo aí a última reportagem de Marie Colvin, americana, trabalhando para o Sunday Times, morta hoje em Homs, na Síria, junto com o fotógrafo francês Remi Ochlik (28), para a reflexão daqueles que, para anestesiar a própria consciência, costumam recorrer ao “é tudo a mesma merda” e não reconhecer no jornalismo a base fundamentalmente altruística que inspira a profissão.

Homs vem sendo alvo ha três semanas de uma barragem indiscriminada das bombas russas, chinesas, iranianas e norte-coreanas com que o ditador Bashar al Assad, o protegido do Itamaraty, vem sendo abastecido para seguir com a carnificina de seu próprio povo iniciada ha 11 meses, quando os reflexos da Primavera Árabe chegaram à Síria.

Antes de Homs calculava-se em 7 mil o número de mortos pelas balas da polícia e dos franco atiradores de Assad. Agora…

Em 1982, Hafez, pai de Bashar, bombardeou Hama até matar 40 mil pessoas por acreditar – como o filho pensa agora sobre Homs – que tal “providência” poderia desencorajar a rebelião contra o regime que, já então, tomava as ruas.

Como se poderá constatar na reportagem transmitida horas antes dela ser morta, não há alvos militares em Homs. A cidade está cercada e desarmada e quem tenta escapar da fome e das bombas cai na mira dos franco-atiradores do ditador que cercam as saídas.

Trata-se de uma operação de terrorismo de Estado feita com o propósito deliberado de matar indiscriminadamente o maior número possível de homens, mulheres e crianças que têm, como única esperança de resgate, a eventual mobilização da opinião pública internacional para forçar governos que, como o nosso, não se vexam de abraçar assassinos do quilate de Assad em função de maquinações de poder, a retirar-lhe o apoio e ameaça-lo com sanções.

A discussão entre Marie e seus editores sobre a decisão de mostrar ou não a cena da morte de um bebê atingido no bombardeio define bem o sentido que ela dava ao tipo de missão ao qual dedicou sua vida.

Marie Colvin e Remi Ochlik eram daquele tipo de ser humano que não se permite assistir passivamente um ato de covardia, considera seus os problemas de seus semelhantes e arrisca a própria vida para não permitir que outras sejam desperdiçadas em vão.

Não senhores. Não é “tudo a mesma merda“, apesar dos ingentes esforços da maioria acomodada para que venha a ser. E enquanto houver gente assim haverá esperança.

A recaída de Dilma

18 de março de 2011 § Deixe um comentário

Levou menos de 12 horas para que os fatos expusessem de forma definitiva a desonestidade da alegada “expectativa” da diplomacia brasileira de que uma ação concreta da ONU contra o candidato a genocida, Muamar Kadafi, pudesse piorar a situação dos líbios que ele vem massacrando ha 10 dias com o fogo cerrado de todo o armamento pesado de que dispōe.

Ainda que a carnificina até então consumada não tivesse sido bastante para convencer o Itamaraty da necessidade de detê-lo a qualquer custo, o fato de Kadafi em pessoa ter grunhido entre dentes para os rebeldes de Bengazi “Vamos chegar esta noite e não teremos piedade” no mesmo momento em que a embaixadora Maria Luiza Viotti e seus auxiliares estavam redigindo o voto brasileiro deveria te-lo feito.

Foi, na verdade, o que aconteceu, como sugerem os oito parágrafos de constrangidas desculpas que ela leu antes de pronunciar o voto que estava prestes a dar para tentar convencer a audiência de que ele não significava o que significou.

É um evidente exercício de contorcionismo essa peça onde todas as premissas contrariam a conclusão. E ela parece ainda mais fora de lugar por ter sido emitida na véspera da chegada ao Brasil de Barak Obama, presidente do país com que Lula fez questão de nos atritar sistematicamente durante os oito anos anteriores a 2011, mas que sua sucessora distinguiu com um inédito convite para visitar o país acompanhado de toda a sua familia e dirigir um discurso em praça publica ao povo brasileiro.

Na sequencia de inúmeros discursos com o mesmo tom, esta visita está sendo unanimemente entendida como o coroamento da mudança de rumo da política externa brasileira tantas vezes anunciada pela presidente Dilma.

Alteração esta que, é bom lembrar, não é um acontecimento isolado mas faz parte de um conjunto amplo e coerente de correções de rumo que desde antes da posse ela anunciou que faria para afastar o Brasil da senda do autoritarismo em que ia afundando e reafirmar o compromisso do seu governo com tudo quanto define um estado de direito, a começar pela liberdade de imprensa e pela democracia representativa que Lula e a gangue do Plano Nacional de Direitos Humanos punham sistematicamente em duvida.

As diferenças que Dilma tem feito questão de marcar em relação às posições mais retrógradas de seu antecessor refletem fielmente as divisões que por toda a parte se nota entre o PT escolarizado da elite de tecnocratas do funcionalismo publico que ela representa e o PT com raízes no sindicalismo que, por desconhecer a História e desprezar o conhecimento, tende a confundir instituições com pessoas e não tem referências para medir o alcance e a consequência de seus atos.

No meio dos dois e, no momento, no ostracismo, esgueira-se a banda podre do PT ideológico, aquele que, ao contrário da esquerda honesta que se recusou a compactuar com a bandalheira e deixou o partido, aderiu abertamente à corrupção. É este mesmo grupo, que o Ministério Publico identifica como uma quadrilha organizada no processo do Mensalão que, seguindo os ensinamentos recebidos de seus professores caribenhos, pressiona o governo petista a manter um apoio ostensivo aos mais patológicos e sanguinários ditadores que sobrevivem no planeta.

Por tudo isso a conclusão que me ocorre para explicar a dissonância desse voto com todos os atos deste governo que o precederam e reacende duvidas que pareciam definitivamente dirimidas, é que houve algum tipo de interferência externa à qual a presidente Dilma acabou por ceder. E o único personagem com força para consegui-lo é, indubitavelmente, o “amigo e irmão” do bom e velho Muamar que nos governou nos últimos oito anos.

PS.: A recusa de Lula de comparecer ao almoço em homenagem a Obama, 24 horas depois de escrito o texto acima, confirma a sua incapacidade de distinguir pessoas de instituiçōes e reforça a probabilidade de que tenha sido ele a impedir o Brasil de se somar ao esforço internacional para deter o assassino da Líbia.

Zelaya, Marco Aurélio Garcia e a grande imprensa

28 de setembro de 2009 § 1 comentário

zelaya + lula

Ha jornalões assimilando, sem tirar nem por, o discurso lulo-chavista e condenando liminarmente em suas manchetes como “golpista” o governo no poder em Honduras que está às voltas com o foco de provocação e baderna que o Brasil instalou no centro de Tegucigalpa contra todos os cânones da diplomacia, do direito internacional, do bom senso e, sobretudo, da boa fé.

Ha quem afirme que tais derrapadas da imprensa são fruto apenas de incompetência, descuido com as palavras ou a mistura dessas duas coisas.

Eu não acredito nisso. É uma ofensa à inteligência dos profissionais que têm todas as informações necessárias para uma decisão informada sugerir que eles sejam incapazes de processá-las de forma minimamente condizente com a realidade. E invocar o coro dos atores da arena política internacional para justificar a incorporação pelo jornal de julgamentos distorcidos por óbvios interesses políticos só faria agravar culpas. Pois que o papel da imprensa é justamente pairar acima desse jogo de cartas marcadas para, ao menos, procurar a verdade.

A maior carga de responsabilidade pelo desaparecimento do zelo pela verdade e do cuidado com as palavras na grande imprensa é dos donos desses jornais que se permitem olhar só para o dinheiro e abrem mão da responsabilidade institucional inerente ao direito de gerir um orgão de comunicação de grande expressão. Mais que as novas mídias, é isso que o mercado dá sinais de rejeitar na imprensa tradicional. Mas este não é o tema deste artigo. Voltarei a ele noutro dia.

MAG 3

No que diz respeito ao caso Zelaya, cabe destacar que a diplomacia brasileira sob Lula funciona de um jeito curioso. Como há que continuar tratando com os países civilizados, nem todos na escala hierarquica, podem dizer exatamente o que pensam. Lula, por exemplo, tem de manter sempre uma duvida razoavel a seu respeito. Amorin já pode ser mais explícito que ele. E Marco Aurélio Garcia, a quem cabe o varejo do trabalho sujo, pode mostrar integralmente o que é. Cabe a ele empurrar e torcer a realidade, à revelia dos fatos, para que caibam no gabarito pré-estabelecido do que o governo Lula quer da sua diplomacia. Daí ter o seu discurso aquele caráter  (vamos usar uma expressão camarada) “dialético” tomado de empréstimo à fábula do Lobo e o Cordeiro onde, não importa o que aconteça, o lobo tem sempre razão nos argumentos que usa para devorar sua vítima.

Já os jornalistas brasileiros deveriam ter outros objetivos. E se sabem tanto quanto Marco Aurélio Garcia qual foi a sequencia dos acontecimentos que desaguou nos fatos que estão noticiando em Honduras e tiram deles as mesmas conclusões que Marco Aurélio Garcia afirma tirar é porque são equivalentes morais de Marco Aurélio Garcia a quem não importa um grama a verdade do que diz, mas sim a utilidade do que diz para alcançar aquilo que quer.

Senão, vejamos.

Em 28 de junho passado, o ex-presidente Zelaya foi alvo de uma ordem de prisão por violação da Constituição emitida pela Suprema Corte de Honduras que o condenou em processo legal que vinha na sequência de outros procedimentos legais, exatamente dentro do figurino legal hondurenho. O mandato unico para presidentes é cláusula pétrea na Constituição de Honduras, um pais escaldado por sucessivos golpes de Estado no passado. Zelaya , eleito pelo voto conservador de Honduras mas que, aos poucos, foi se aproximando de Hugo Chaves que começou a seduzí-lo vendendo-lhe petroleo a preços subsidiados (ele sempre sabe como amolecer as convicções de um bom político latino-americano…), tinha tentado passar sua lei de reeleições no Congresso hondurenho, mas perdeu. Como Hugo Chaves, porem, ignorou o veredicto do Legislativo e quis insistir passando por cima dele e montando um plebiscito não previsto na legislação de seu país, abrindo reeleições sucessivas.

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O Judiciário, então, entrou em cena. Zelaya foi julgado por violação da Constituição e preso mas as autoridades hondurenhas cometeram a burrice, que prova sua boa fé, de metê-lo num avião e expulsá-lo do país, em vez de mantê-lo onde estava. Assumiu a presidência o presidente do Legislativo, como manda a Constituição local. O Judiciário e o Legislativo continuaram abertos e funcionando sob o comando dos mesmos civis de sempre. Os militares tambem seguem comandados por um civil. Ninguem mais foi preso. A livre circulação de informações continuou sendo garantida e uma nova eleição foi convocada para 29 de novembro próximo, a data em que expiraria o mandato que Zelaya quer encompridar a qualquer custo.

Como prova do apoio popular às medidas das instituições competentes para manter a legalidade em Honduras, não houve manifestações dignas de nota de apoio a Zelaya e o país vivia na mais perfeita ordem até que Hugo Chaves (que o confessa) e Lula (que o nega) trouxessem Zelaya de volta a Honduras numa operação clandestina e o instalassem, com um bando de homens armados, dentro da embaixada brasileira no centro de Tegucigalpa e permitissem, desde então, que ele fizesse comícios para os seus seguidores por cima dos muros da embaixada.

Dizem Lula, Celso Amorim e Marco Aurelio Garcia, que por qualquer pelo em ovo costumam gritar contra “ingerências nos assuntos internos” dos países cujos governos lhes interessa defender, ainda que seja algum daqueles serial killers africanos aos quais estão afeitos, que plantaram essa base para a derrubada do governo hondurenho no centro de Tegucigalpa por amor à democracia, razão pela qual não darão ouvidos a “governos golpistas” que ousem reclamar dessa pequena colaboração que estão prestando ao sr. Zelaya.

E para deixar ainda mais claras as suas boas intenções, anunciam, agora, que estão enviando a Tegucigalpa, para ajudar a pacificação, o deputado Ivan Valente, do PSOL, aquele que comandava  dentro do STF as manifestações de apoio ao terrorista Cesare Battisti, condenado pela “ditadura”  italiana e pela Corte de Direitos Humanos da União Européia por quatro assassinatos, mas abrigado como “perseguido político” pelo minstro da Justiça de Lula.

Amor, estranho amor!

Na mesma semana em que Hugo Chaves fechou 30 rádios, mandou espancar jornalistas e invadiu a rede de televisão que lhe faz oposição na Venezuela, Lula, Celso Amorim e Marco Aurelio Garcia declararam não ver “nenhum sinal de ameaça à liberdade de imprensa” naquele país. Tambem não viram qualquer desvio do mais genuino padrão democrático nas tres tentativas que Chaves fez de passar o seu ato de reeleição sucessiva, antes de conseguir finalmente impo-lo e calar no muque todos os orgãos de imprensa que não aceitam essa imposição.

Iran Missile

São eles, tambem, que se abraçam efusivamente, toda vez que têm uma oportunidade, com Mahmud Ahmadinejad, aquele que declara todos os dias querer ser o protagonista de um genocídio, para o qual se prepara ostensivamente fabricando bombas atômicas e mísseis capazes de levá-las até os alvos aos quais declara ódio sempre que pode. Nega o holocausto de judeus pelos nazistas mas não nega que quer fazer pessoalmente o que, a seu ver, o mundo imputa injustamente a Hitler.

Em eleição transcorrida no mes passado no Irã, Ahmadinejad foi claramente derrotado nas urnas mas se impos ao seu povo como costuma fazer: no tiro e na porrada, televisionada ao vivo para todo mundo, graças à internet, que conseguiu, assim, passar por cima das simpatias e antipatias dos “especialistas” sempre consultados pela grande imprensa e trazer os fatos ao vivo para a opinião publica.

Lula, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorin não disseram uma palavra sobre tudo que todos nós vimos acontecendo no Irã. Seu propalado amor à democracia acorda e adormece exatamente quando eles querem.  Ao contrário, na primeira oportunidade que tiveram de mostrar a quem se alinham no joguinho do armagedon particular do iraniano que esta mesma imprensa costuma chamar de “líder”, apoiaram, contra a candidatura de um brasileiro, a eleição de um obscuro egípcio, notório por incitar à queima de todos os livros escritos por judeus, para nada menos que diretor-geral da Unesco.

Agora, quando todo o mundo civilizado procura criar embargos e dificuldades para isolar o facinoroso ditador do Irã e suas bombas atômicas o que fazem esses tres honestos paladinos da democracia? Convidam este bom senhor para vir visitar o Brasil, com toda a pompa e circunstância…

FARC

O mesmo tratamento que dão a Hugo Chaves, que, certamente cheio de boas intenções, lançou a América Latina numa corrida armamentista, enquanto grita e esperneia, ecoado por Lula, Celso Amorin e Marco Aurélio Garcia, contra a “real e iminente ameaça contra a independência do continente sul-americano” configurada na instalação de uma base com 800 civis e militares americanos que assessoram o governo Uribe para resgatar a Colombia das garras dos traficantes das FARC, ao fim de quase 40 anos de sucessivos banhos de sangue. Não se ouviu um pio desses tres quando computadores capturados a guerrilheiros das FARC provaram que é Hugo Chaves quem os sustenta. Lula, Celso Amorin e Marco Aurélio Garcia, aliás, nem sequer consideram guerrilheiros os integrantes das FARC que andam de farda camuflada, carregando fuzis Kalashnikov, sequestram, matam e fabricam cocaína para trocar por armas e munições. Ao contrário, dão-lhes guarida em nosso território quando a situação aperta para eles. Afirmam que são parte do jogo democrático colombiano como qualquer vereador do interior do Brasil.

Sobre Cuba, ha 50 anos nas mãos do mesmo governante, seus fuzilamentos, seus prisioneiros políticos, a miséria e o aprisionamento de seu povo na Ilha da qual não podem sair se quiserem, nada tambem. Lula, Celso Amorin e Marco Aurélio Garcia afirmam que se trata de uma democracia mais pura e menos iniqua que a nossa, cujo unico problema é o injusto e imotivado embargo mantido pelos americanos desde que eles, como Ahmadinejad hoje, começaram a armazenar foguetes e ogivas nucleares na Ilha vizinha da Flórida.

Até aí, tudo normal. Lula, Celso Amorin e Marco Aurélio Garcia têm objetivos claros e confessados.

Mas não venham me dizer que a imprensa que adota como seu o discurso deles o faz enganada e inocentemente.

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