Pegos na mentira

21 de novembro de 2014 § 61 Comentários

Anões, unidos, jamais serão vencidos?

25 de julho de 2014 § 6 Comentários

aa9Depois de dar ao governo de Israel, diante de sua reação aos ataques com foguetes do Hamas, o tratamento que se recusou a dar a Bashar Al Assad, o envenenador, diante do massacre de sua própria população que prossegue ha mais de dois anos graças ao veto de que o Brasil é co-autor a qualquer ação com vistas a por um fim à matança, a “diplomacia” petista reage “indignada” ao coice que recebeu em troca do que desferiu.

Chamada de  “anão diplomático” que “excluiu-se da comunidade dos países civilizados” para aderir à dos países “criadores de problemas”, a corrente marcoaureliana do Itamaraty, ao contrário da do chanceler Luis Alberto Figueiredo que procurou por panos quentes no episódio mostrando que ainda se lembra das lições de Rio Branco, houve por bem “iniciar consultas com os demais sócios do Mercosul”  instando-os a aderir à sua condenação de mão única.

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Anões, unidos, jamais serão vencidos”?

É mais fácil um raciocínio desse gênero estar inspirando esta ação do que a tradição de Rio Branco, que vem sendo sistematicamente banida de nossa prática diplomática, aquela que ainda chegou a ser alegada como resposta ao destampatório do porta-voz da chancelaria israelense à nota brasileira, seguida da convocação do embaixador em Israel de volta a Brasilia, contra o “uso desproporcional da força contra os palestinos por Israel” desacompanhado de qualquer menção aos ataques com foguetes do Hamas contra alvos civis israelenses ou de qualquer apelo pela trégua diversas vezes proposta e todas as vezes recusadas por esse grupo.

É sempre desagradável ouvir verdades sobre o seu próprio país na boca de um estrangeiro, mas o que disse o porta-voz israelense está longe de ser mentira. Ele foi preciso, também, ademais. O Brasil e seu povo, na visão do ofensor, continuam sendo um “gigante econômico e cultural“.

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O episódio é, seja como for, uma espécie de resumo da tragédia do Oriente Médio onde, além da expulsão de qualquer requício de racionalidade pelas reações figadais de parte a parte inspiradas pela vingança da vingança da vingança, está a manipulação ideológica estrangeira desse conflito que ajuda tanto a mante-lo infernal como é quanto a irracionalidade que move as vítimas mais diretas dele.

Na verdade esta é mais condenável que aquela pois que a irracionalidade toma suas vítimas à revelia de sua vontade enquanto essa manipulação é fria, calculada e eivada de dolo.

A realidade que está lá é que os foguetes não cessam de partir de ambos os lados, com a diferença de que os do Hamas não acertam o alvo porque são destruídos no ar por um aparato tecnológico que os palestinos não têm condição de replicar e os dos israelenses acertam, produzindo mais de um lado que do outro as vítimas que os dois lados se esforçam por produzir.

 

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Mas o que fazer? Deixar de revidar os ataques e passar apenas a tentar desbaratar passivamente a chuva de foguetes do Hamas antes que cheguem aos alvos para os quais foram apontados? É não só impensável como algo impossível de por em prática até por um governo que desejasse fazê-lo mas que, como todo governo democraticamente eleito, age mandatado pelos alvos desses ataques.

Fingir que esses foguetes, apenas porque não acertam os alvos, não estão sendo disparados? É de uma má fé que só é tida como assumível pelo Itamaraty marcoaureliano e seus inspiradores pelo mundo afora, ao qual o outro, do chanceler Figueiredo, retruca com luvas de pelica.

Resta pressionar os dois lados por uma trégua que dê uma chance à racionalidade e ponha de volta no isolamento tanto os radicais do Hamas que indubitavelmente usam sua própria gente despedaçada como a munição para a guerra de propaganda de que necessitam cada vez mais, quanto os radicais israelenses que, lá no fundo, torcem por mais um ataque para poder revida-lo.

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A guerra, como sempre, é o paraíso dos psicopatas e dos mutilados morais, e os há por toda a parte, especialmente numa região conflagrada ha décadas, senão ha milênios .

Mas a manipulação da guerra não. A manipulação da guerra é só o cantinho dos canalhas.

É nesse cantinho escuro e mal cheiroso que se encontram para engendrar “soluções finais”, os extremistas do nacional socialismo com seu antisemitismo e os extremistas do socialismo internacionalista com seu antisionismo, de fronteiras tão sutis e que, conforme a hora do dia, as variações de temperatura e umidade do ar ou as fronteiras nacionais dentro das quais se instalam, transformam-se em anti-arabismo, em anti-islamismo ou em anti-ocidentalismo.

É a baba que essa gente distila que engraxa as engrenagens das guerras.

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Era normalíssimo o crioulo daquele samba

29 de agosto de 2013 § 4 Comentários

injustiça

Dona Dilma, que mandou avisar aos todo poderosos Estados Unidos da América que não quer que se levante um dedo contra o envenenador de Bagdá, telefonou pressurosa ao “cocaleiro” de La Paz para pedir-lhe desculpas e entregar-lhe na augusta bandeja da justiça a cabeça (de mentirinha) do chanceler da Republica Federativa do Brasil.

Questões de soberania nacional…

Agora veremos se a presidenta que “não tem preconceitos” contra a democracia hereditária cubana mas negou a legitimidade da Justiça do regime notoriamente suspeito vigente na Itália ao abrigar um assassino confesso condenado por ela, mostrará a mesma confiança no senso de justiça de Evo Morales que deposita no da família Castro ao decidir sobre a extradição ou não do desafeto dele que fugiu para o Brasil em razão da visão distorcida do Itamaraty, já devidamente punido, sobre o que é e o que não é justo fazer em matéria de questões humanitárias.

alpino

Não deverá haver erro nesse seu alvitre já que o país inteiro acaba de ter provas da clarividência da senhora presidenta que, num ato de iluminada premonição, encomendou os “médicos” cubanos que, na abundância que o mundo inteiro inveja da ilha dos Castro, não têm mais o que fazer naquele país que vende saúde, pelo menos dois meses antes de “ter a ideia” de criar o seu programa Mais Médicos.

Seja qual for a sua sábia decisão é certo que ela poderá contar com todo o apoio dos guardiões da irreprochavel democracia brasileira no Congresso Nacional que ontem mostraram ter o mesmo discernimento dela ao negar, em nome do princípio sagrado da isonomia, legitimidade também à Justiça brasileira retirando da jaula e depois libertando das algemas um deputado condenado por roubar o povo para angariar votos secretos para a sua própria absolvição.

donadon1

Afinal, esses excelsos membros da base de sustentação do governo dos paladinos da ética na política apenas seguiram o exemplo do partido de sua preclara excelência que, ele também, enfiou de volta Congresso adentro os seus ladrões injustamente condenados pelo Supremo Tribunal Federal que certamente estavam entre os que sufragaram secretamente a contracondenação do seu possível futuro companheiro de cela.

No caso de um improvável revés, aliás, a presidenta, pobre como é, pode contar como certo ao menos com o encômio laudatório do último juiz que infiltrou no STF por todas essas suas meritórias obras, além das do passado remoto, em prol da construção da democracia brasileira.

giga

Como ousa não ser um filho da puta?!

27 de agosto de 2013 § 8 Comentários

dil1

Gallantry”. A expressão remete aos Cavaleiros Errantes. O conceito funde numa só palavra as idéias de coragem, grandeza, virtude, heroísmo, desprendimento, altruísmo e apego aos mais nobres ideais.

Seus antônimos são covardia, pusilanimidade, traição, ignomínia…

O encarregado de negócios da embaixada brasileira em La Paz, Eduardo Sabóia, teve um gesto de “gallantry” ao resgatar, por sua conta e risco, o senador da oposição Roger Pinto Molina, perseguido pelo chefe dos “cocaleiros” que hoje governa a Bolívia, que estava preso num quartinho da embaixada brasileira, de quem ingenuamente chegou a esperar asilo, ha 452 dias, “sem que houvesse nenhum empenho para solucionar o problema” da parte do governo do PT.

dil1

Para que não pairassem dúvidas sobre a natureza de sua decisão e para se defender da punição que desde sempre ele sabia que sofreria, Saboia desembarcou no Brasil com o homem que salvou dizendo que tinha feito por ele o que teria feito por Dilma Roussef, que também foi, um dia, uma “perseguida política”.

Tudo isso torna ainda mais nobre o seu ato. Entre a certeza de punição e encerramento da carreira a que dedicou a vida de quem já teve tempo para aprender exatamente com quem está lidando e a alternativa de compactuar com o esmagamento covarde de um indvíduo em luta contra um estado semi-criminoso ao qual se aliou a “diplomacia” do PT, Saboia preferiu manter-se em paz com sua consciência.

dil1

Escolheu a História.

Escolheu entrar para a lista de gente como Guimarães Rosa e sua Aracy que, funcionários da embaixada brasileira em Hamburgo na Alemanha nazista, davam fuga a judeus, do que para a dos esbirros de Getulio Vargas que, naquele mesmo momento, entregavam a Hitler, para ser fuzilada, Olga Benário, a mulher de Luís Carlos Prestes.

Eduardo Saboia exibiu inteiro o seu caráter. O cinema do futuro ainda lhe fará justiça…

Dilma Roussef exibiu inteiro o dela.

Não é que vestiu a carapuça. Enfiou-se nela dos pés à cabeça.

dil1

Sua incontida fúria, vibrando ao vivo e a cores na televisão, foi demais até para Antônio Patriota que, mesmo comendo na mão dela, aparentemente não conseguiu engolir todos os desaforos que ouviu por não ter conseguido impedir que algo tão luminosamente nobre brotasse de dentro do pântano petista e, ainda por cima, no centro da seara bolivariana pela qual zela pessoalmente o sinistro Marco Aurélio Garcia.

Como ousa, algum dos nossos, não ser um filho da puta!

Este episódio, mais que todos os outros, serve para enterrar qualquer resquício de ilusão que porventura tivesse restado a respeito de em que mãos caiu este país.

O pior é pouco para esperarmos dessa gente.

dil1

Não, não é “tudo a mesma merda”

22 de fevereiro de 2012 § 3 Comentários

Deixo aí a última reportagem de Marie Colvin, americana, trabalhando para o Sunday Times, morta hoje em Homs, na Síria, junto com o fotógrafo francês Remi Ochlik (28), para a reflexão daqueles que, para anestesiar a própria consciência, costumam recorrer ao “é tudo a mesma merda” e não reconhecer no jornalismo a base fundamentalmente altruística que inspira a profissão.

Homs vem sendo alvo ha três semanas de uma barragem indiscriminada das bombas russas, chinesas, iranianas e norte-coreanas com que o ditador Bashar al Assad, o protegido do Itamaraty, vem sendo abastecido para seguir com a carnificina de seu próprio povo iniciada ha 11 meses, quando os reflexos da Primavera Árabe chegaram à Síria.

Antes de Homs calculava-se em 7 mil o número de mortos pelas balas da polícia e dos franco atiradores de Assad. Agora…

Em 1982, Hafez, pai de Bashar, bombardeou Hama até matar 40 mil pessoas por acreditar – como o filho pensa agora sobre Homs – que tal “providência” poderia desencorajar a rebelião contra o regime que, já então, tomava as ruas.

Como se poderá constatar na reportagem transmitida horas antes dela ser morta, não há alvos militares em Homs. A cidade está cercada e desarmada e quem tenta escapar da fome e das bombas cai na mira dos franco-atiradores do ditador que cercam as saídas.

Trata-se de uma operação de terrorismo de Estado feita com o propósito deliberado de matar indiscriminadamente o maior número possível de homens, mulheres e crianças que têm, como única esperança de resgate, a eventual mobilização da opinião pública internacional para forçar governos que, como o nosso, não se vexam de abraçar assassinos do quilate de Assad em função de maquinações de poder, a retirar-lhe o apoio e ameaça-lo com sanções.

A discussão entre Marie e seus editores sobre a decisão de mostrar ou não a cena da morte de um bebê atingido no bombardeio define bem o sentido que ela dava ao tipo de missão ao qual dedicou sua vida.

Marie Colvin e Remi Ochlik eram daquele tipo de ser humano que não se permite assistir passivamente um ato de covardia, considera seus os problemas de seus semelhantes e arrisca a própria vida para não permitir que outras sejam desperdiçadas em vão.

Não senhores. Não é “tudo a mesma merda“, apesar dos ingentes esforços da maioria acomodada para que venha a ser. E enquanto houver gente assim haverá esperança.

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