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7 de janeiro de 2015 § 8 Comentários

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Raízes históricas da última mentira “islâmica”

10 de setembro de 2014 § 62 Comentários

aa4“Projeto para cinco anos”

Como inglês que é, e profundo conhecedor da história e da realidade presente dos povos árabes (ele foi, por muitos anos, agente do MI6, o serviço secreto inglês, destacado para aquela parte do mundo), Alastair Crooke, com dezenas de artigos disponíveis na internet, reune condições excepcionais para explicar as raízes históricas e o contexto presente do grupo terrorista conhecido como Estado Islâmico que, a partir da guerra civil na Síria, destacou-se da Al Qaeda e, depois de ocupar territórios estratégicos naquele país e no Iraque ricos em petróleo, estruturou-se financeiramente o suficiente para se constituir numa ameaça real de dominar a cena num mundo árabe desestruturado por uma sequência de convulsões.

Os terroristas do Estado islâmico abraçam a corrente do wahabismo, a mesma que, lá no início do século 18, serviu de alavanca para que o clã dos Ibn Saud que até hoje reina inconteste sobre a Arábia Saudita, começando como uma das muitas tribos beduínas que vagavam pelo deserto escaldante e miserável do Nejd guerreando-se umas às outras para roubarem-se mutumente as poucas posses, iniciasse a sua trajetória de conquista de poderes muito mais amplos.

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Abd al-Wahab viveu no século 17 quando o Império Otomano, de um lado, e o Egito, do outro, dominavam o Oriente Médio. Ele apontava essas nobrezas dominantes, que incorporavam alguns habitos ocidentais como “falsos muçulmanos” e criticava igualmente as tribos beduinas que “adoravam santos, enterravam e visitavam seus mortos e viviam mergulhados em superstições” de influência católica.

Pregava que todos voltassem aos costumes “do tempo em que o Profeta viveu em Medina” que teria sido a época de ouro do islamismo, e convocou a “guerra santa” contra todas as novidades poluentes tais como o xiismo, o sufismo e as demais variações do islamismo ou qualquer coisa que pudesse ser ligada à filosofia grega, todas elas “proibidas por deus”, em razão do que, “qualquer homem que manifestasse a menor dúvida ou hesitação sobre a correta interpretação do Islã deveria ser implacavelmente morto, ter suas posses confiscadas e suas filhas e mulheres violentadas”.

Para que não pairassem dúvidas sobre essa entrega total à única verdade, ele exigia que todos “os verdadeiros muçulmanos se entregassem à obediência cega a um único líder, o Califa”.

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Abd al-Wahab acabou sendo expulso de sua cidade em 1741 e encontrou asilo e proteção na tribo de Ibn Saud, que percebera claramente que todo aquele radicalismo seria o instrumento ideal para que ele submetesse as demais tribos e passasse a reinar absoluto.

Ibn Saud continuou agindo como sempre agira, invadindo e saqueando seus vizinhos, só que agora podia faze-lo “em nome de deus”, o que justificava também o martírio em prol da jihad. Já não lhe bastava pegar o que pudesse e voltar para casa. Agora suas forças permaneciam no território inimigo onde a opção era a conversão para o wahabismo (e a obediência cega ao seu “califa“) ou a morte. De massacre em massacre, onde mulheres e criancas não eram poupados e a tortura e as execuções públicas se transformaram em instrumentos metódicos de submissão pelo terror, por volta de 1790 Ibn Saud já dominava quase toda a Península Arábica e atacava violenta e repetidamente a Síria e o Iraque.

Nada, enfim, que nossos ancestrais católicos não muito distantes (ou os que resistissem a eles)  não tenham passado também.

É exatamente essa mesma receita que o grupo Estado Islâmico tem aplicado nos últimos anos.

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Em 1815 as forças dos Saud foram esmagadas pelos egípcios e em 1818 os otomanos capturaram a capital do wahabismo, Dariya.

Só a partir dos anos 20 do século passado os Saud, reeditando a sua “guerra santa” contra a laicização e as modernizações promovidas por Kemal Ataturk e, mais tarde, por Gamal Abdel Nasser, conseguiram reconquistar o poder. Adb–al Aziz, o protagonista da época, temendo o radicalismo de suas próprias tropas depois de uma sucessão de revoltas, fuzila todos os seus líderes.

O petróleo começava a transformar-se naquilo que se transformou em nossos dias, os Estados Unidos e a Inglaterra cortejavam os Saud e o rigor wahabista, irrigado por uma torrente crescente de petrodólares, logo se converteu numa versão institucionalizada de estado nacional e num instrumento de garantia do poder absoluto do clã que chega até os nossos dias.

Com a riqueza do petroleo, a missão dos sauditas passa a ser “reduzir a multidão das vozes dentro da religião islâmica para um único credo”, projeto no qual investiram bilhões de dólares num esquema de conquista que passa a incorporar também elementos gramscianos (pela educação e pela cultura) em vez de recorrer exclusivamente às armas e ao terror como antes (embora sem abrir mão deles).

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O resto, incluindo a crescente dependência do Ocidente da ordem saudita como barreira para a expansão soviética no Oriente Médio, é história.

Ironicamente são os próprios sauditas que plantam a primeira semente do revival wahabista incorporado pelo grupo do Estado Islâmico, no arrasto da Primavera Árabe. O primeiro impulso se dá com a violentíssima repressão da tentativa de derrubar o governo sunita de Bahrein, sob a alegação dos imperativos do wahabismo, liderada pelos sauditas que manejavam a contra-revolução da Primavera Árabe laicizante iniciada com a derrubada dos governos da Tunísia e do Egito.

O segundo foi o mandato conjunto atribuido pelos sauditas e pelas potências ocidentais para que um dos príncipes sauditas tratasse de controlar a insurreição contra Bashar al-Assad na Síria. Mas como controlar um movimento onde o mote, como lá atras, é a doutrina do “Um único líder, uma única autoridade, uma única mesquita: submeta-se ou morra”?

A história está de volta para pânico dos sauditas que sabem melhor que ninguém com o que é que estão lidando, e agora pedem socorro ao Ocidente para deter a ameaça que eles próprios ajudaram a criar.

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Começando como um grupo destacado da Al Qaeda, logo considerada moderada demais para os novos wahabistas, financiado pelos sauditas, essa facção dos insurgentes sírios foi conquistando armas e territórios até se apossar de áreas ricas em petróleo e ganhar autonomia para comprar seu próprio armamento, incorporar quadros dos governos desbaratados de Sadam Hussein e outros derrubados ao longo da “Primavera“, montar a sua própria máquina de propaganda, moderna e anconrada na rede mundial, e se organizar quase como um governo nacional com grupos destacados para cada tarefa do que pretende ser o futuro “califado islâmico“: energia, propaganda, impostos de guerra, sequestros, operações financeiras, controle religioso, relações internacionais e assim por diante.

Para o momento cuidam de exterminar os competidores mais próximos e intimidar os sobreviventes até o ponto da obediência cega usando os métodos brutais consagrados pelos séculos.

Não vai ser fácil detê-los. Só com bombardeios aéreos será impossível. Os próprios árabes ainda estabelecidos no poder terão de fazer-lhes frente porque eles não pretendem deter-se nas fronteiras do Iraque e da Síria.

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Toda a “roubada” em que se estavam metendo os sauditas foi prevista por Alastair Crooke desde, pelo menos, 2011. Mas muito antes disso ele já vem alertando os governos ocidentais sobre a visão distorcida que eles guardam do conflito com o islamismo que, segundo ele, “tem raízes muito mais profundas do que os alinhamentos políticos das potências ocidentais com Israel ou com os grupos e países em choque no Oriente Médio”.

Na verdade o que é irreconciliável, para Crooke, são as “questões filosóficas” de fundo que, não sendo consideradas como deveriam ser, levam os líderes ocidentais que tentam se posicionar no Oriente Médio segundo uma lógica de alianças e alinhamentos políticos aos sucessivos erros de avaliação a respeito do que acontece naquela região.

O ódio do Islã radical ao Ocidente traduz a recusa em aceitar o entendimento da essência humana nascido com a democracia inglesa, baseado na incolumidade do indivíduo e dos seus direitos, e no respeito à sua liberdade sustentada por um sistema de justiça racionalista, versus o approach essencialmente “espiritual” e comunitário da vida (os dois elementos que fornecem a “justificativa” para toda e qualquer barbaridade contra quem ousa resistir) que está na base do “pensamento islâmico radical” que, em última instância, é invocado para sustentar todos os poderes estabelecidos por lá.

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Esse fosso é certamente mais profundo entre o Ocidente e o Islã, mas é ele que separa também, com profundidades variáveis, o pequeno grupo das democracias originadas no movimento protestante inglês de quase todos os outros povos da Terra.

Toda corrente filosófica que se apoia no coletivo resvala para a violência e, ou namora, ou mergulha no totalitarismo que foi, basicamente, a condição sob a qual viveu toda a humanidade até o surgimento da democracia inglêsa, aí incluída toda a comunidade européia de que nós, brasileiros, somos extensão, que passou os mil anos que antecederam a revolução protestante sob um estado religioso (o papado) ou sob o absolutismo monárquico, primos mais velhos dos regimes totalitários “coletivistas” mais recentes.

Muitos, como nós, continuamos vivendo sob versões mitigadas daquele regime, submetidos, por baixo de um verniz “democrático” que não garante, nem a igualdade perante a lei, nem a meritocracia que a definem, sob os caprichos de um quase rei e seus quase barões que desfrutam “direitos” e privilégios outorgados sustentados por quase súditos.

Não é a moral cristã que liberta. Ela sempre conviveu bem com o totalitarismo e com os regimes amparados na eliminação física da dissidência, de que é um exemplo sinistramente clássico a Inquisição.

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O monoteísmo está na raiz dessa doenca crônica da humanidade pois onde só ha uma verdade a intolerância é o coroláio obrigatório, especialmente se essa verdade tiver sido transmitida diretamente “por deus”.

Só a sacralização do indivíduo na sequência da institucionalização da tolerância; a sua incolumidade e o valor absoluto de cada vida humana, conduz ao império dos direitos do homem. Contra a “felicidade coletiva” e contra as variadas formas “únicas” de “salvação”, o indivíduo não é nada e pode e deve ser massacrado.

O grupo Estado Islâmico é essa “crença” pretensamente num estado puro, como a Inquisição já pretendeu ser em relação ao catolicismo. Mas é apenas mais uma mentira como foi em todas as suas edições e reedições anteriores pois que tem, como sempre, de ser instilada pelo terror porque a inteligência humana naturalmente a rejeita.

Não é “crença” nem é o verdadeiro Islã, portanto. É só a ferramenta covarde de intimidação de sempre, a serviço de um projeto de poder, também como sempre. Só que com as condições de hoje, ela pode fazer muito mais estrago do que antes conseguia infligir só até onde alcançava a ponta da espada.

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Islã x Ocidente: generalizações e realidade

2 de julho de 2014 § 1 comentário

Brigitte Gabriel é de uma família Maronita-Cristã libanesa. Durante a Guerra Civil do Libano, quando tinha apenas dez anos, sua casa foi destruída durante um ataque de militantes muçulmanos. Ela foi gravemente ferida e passou dois meses e meio recuperando-se em um hospital israelense.

De volta ao Líbano, ela e sua família viveram refugiados num abrigo subterrâneo antibombas de 8 x 10 m. Para conseguir a água necessária para o dia-a-dia tinham que buscá-la às escondidas em uma fonte próxima sem nunca saber se voltariam vivos dessa tentativa. Em 1978, a família fugiu para Israel com soldados daquele país que invadiram o  Sul do Líbano. Mais tarde Brigitte tornou-se âncora do “World News” um programa transmitido de Israel para Egito, Síria, Jordânia, Chipre e Líbano.

Em 1989 imigrou para os Estados Unidos onde fundou o American Congress For Truth no fim de 2001, organização que se dedica a discutir e trabalhar as relações entre os Estados Unidos e o Mundo Árabe.

Lições universais da presidente Dilma – 2

26 de setembro de 2012 § Deixe um comentário

Disse bem o Jabor ontem à noite na Globo. Ele também acredita na honestidade fundamental da presidente Dilma mas constata que, embora ela tenha alterado a atitude do Brasil em relação aos problemas mais escabroso do mundo, retirando ao menos o apoio explícito que o governo anterior mantinha com relação a genocidas e facínoras do quilate de Bashar al Assad e Mahmoud Ahmadinejad, ela, sendo apenas usufrutuária da herança de Lula, é prisioneira da desonestidade essencial dele e de sua turminha de assessores de política internacional.

Com isso, ficou, no discurso de ontem na ONU, pulando entre o cravo e a ferradura, “anulando com a frase seguinte todas as afirmações apropriadas que fez nas frases anteriores“, condenando Assad mas também “os rebeldes” que ele vem massacrando com armas de guerra pesadas e só não envenena com armas químicas de medo da polícia do mundo (que graças a deus ainda existe!), pedindo democracia e, em seguida, concessões aos inimigos declarados dela e assim por diante, até desaguar naquela inacreditável “condenação ao preconceito islamofóbico“, bem no meio dos histéricos pogroms e linchamentos de “infiéis” que vêm sendo promovidos em todo o mundo islâmico, com o indisfarçável apoio de seus governantes, a pretexto da publicação no Youtube de um filmeco ridículo.

O que será necessário para que o ódio e o comportamento medieval desses governos e seus aiatolás, sempre indistinguíveis uns dos outros, seja tomado como um fato pelos artífices da política internacional do PT? Uma explosão atômica?

Provavelmente nem isso. Dentro do PT ainda sobrevive o que resta do islã brasileiro e religiões não se abalam com fatos.

O patético mundo em que vivemos – 1

10 de setembro de 2010 § 1 comentário

No intimo, no intimo, ninguém no mundo deve estar mais surpreso do que ele próprio com tudo que está acontecendo.

Mas a verdade é que os Estados Unidos da America com os seus 1,5 milhão de homens em armas (e mais outros tantos na reserva) e sua fantástica máquina de guerra que neste ano da graça de 2010 consumirá um orçamento de 692 bilhões de dólares, mais de meio PIB do Brasil, estão ajoelhados aos pés do atônito Terry Jones, um obscuro pastor evangélico do interior da Flórida que é a cara daquele velhinho caipira da Família Buscapé, pedindo que ele desista de queimar amanhã em praça publica, ao lado dos seus 50 seguidores (isso mesmo, um pouquinho mais de quatro dúzias), um exemplar do Alcorão para lembrar o nono aniversario do bombardeio de Nova York por terroristas islâmicos…

Quando, um mês atrás, ele postou a convocação do seu grupinho na sua modesta página do Facebook (que certamente não esta entre aquelas que explicam a fortuna de Mark Zuckerberg), Terry Jones ainda não se atribuía a importância que este nosso admirável mundo novo viria a lhe provar que ele tem. Quase ninguém tinha se dado ao trabalho de ler seu livro, “O Islã é o Demônio”; as camisetas que ele vendia com essa frase estampada continuavam encalhadas em algum canto da sua modesta residência e os alvos que seu próprio critério recomendava que elegesse para denunciar os pecados do mundo não passavam dos prosaicos protestos contra o aborto e contra o comportamento do prefeito assumidamente gay da sua pequena Gainesville, perdida lá no norte da Florida.

Mas o mundo queria muito mais de Terry Jones.

O primeiro tênue sinal foram algumas dezenas de “fulano curtiu sua publicação”. Até ai, nada de mais. Mas então aconteceu o milagre. De alguma maneira a convocação de Jones caiu sob os olhos de algum “pauteiro” que flanava pelo Facebook e, por esse caminho, acabou chegando a um desses antros de insegurança em que se transformaram as redações da “grande imprensa” onde ninguém mais sabe discernir o que é e o que não é digno de ser publicado nestes tempos em que o abobról é que move montanhas.

Uma noticiazinha aqui … o pauteiro do vizinho, por via das duvidas, trata de não ficar “furado” … outra ali … copy … paste, e … FÔGO NA PALHA!

Gainesville se viu, de repente, invadida pelos repórteres, pelas grandes redes de televisão com sua parafernália, “bombando” na internet…

E então Terry Jones foi arrastado para dentro da História.

A grande mídia, nestes tempos de crise, se transformou num universo sui generis. Na inglória luta para não perder platéias, editores pressionados a “apresentar resultados” (numéricos, bem entendido) declinam os verbos exclusivamente no futuro do condicional e colecionam eufemismos para não ofender ninguém, nem mesmo os estupradores de crianças e os genocidas. Para “somar” e jamais incorrer na “incorreção política” de expressar qualquer juízo de valor ou assumir qualquer atitude diante do que quer que seja, procuram obsessiva e freneticamente o “outro lado” em qualquer assunto que possa dividir opiniões. E como andam escassos os governos teocráticos fora do mundo islâmico para “contrabalançar” o inesgotável noticiário sobre homens, mulheres e crianças-bomba explodindo por aí; como não é fácil encontrar chefes de Estado ao lado de implacáveis aiatolás expedindo sentenças de morte e convocações de guerras santas contra raças e povos inteiros a serem varridos da face da Terra a força de explosões atômicas, essa incansável busca pelo “equilíbrio editorial” foi acabar, desta vez, na prosaica Gainesville.

Vai daí, um desconfiado Terry Jones, ainda sem saber bem se era “na brinca” ou era “na vera”, foi apresentado à humanidade nos programas jornalísticos de maior audiência das duas maiores redes americanas de TV. Como estrelou, um belo dia, no “Good Morning America” da rede ABC, a NBC não podia deixar por menos. E, no dia seguinte, lá estava ele no “Today”…

A partir daí a coisa saiu fora de controle. Naquele dia, Mahmud Amadinejahd em pessoa dedicou a ele o seu exercício diário de apedrejamento do “complô sionista”. E com o pacífico aiatolá Kamenei ao seu lado, deixou escorrer pelo canto da boca mais um fio da sua baba radioativa, aquela que ainda não assusta Lula mas já preocupa Fidel Castro, enquanto rugia: “Este tipo de ação vai acelerar a queda e a aniquilação dos sionistas e de seus protetores, que vão pelo mesmo caminho do desaparecimento”.

Sem novidades no front oriental e coerente com seu judicioso critério de “equilíbrio”, a grande mídia esperou, na ONU, pela proverbial moção de “apoio à negociação” do chanceler Celso Amorim, diante de tão generosa manifestação de boa vontade. Como ela não veio, deu de ombros e, de Teerã, virou novamente suas lentes diretamente para Gainesville, notório foco de ameaça à continuação da vida na Terra.

Por trás desse Centro da Pomba Auxiliadora do Mundo que quer se fazer de vitima” (é a seitazinha do Terry), dizia no longínquo Brasil um comentarista da grande mídia que normalmente costuma ser sério, “esconde-se a turma do Bush; a direita radical que está louca pra tocar fogo no mundo e não só no Alcorão”.

Matou a pau!

Ele sintetizou melhor que niguém o espírito dessa cruzada humanitária global. E então, ao vivo e em cores high definition, a humanidade abraçou a causa.

O presidente do Afeganistão se manifestou oficialmente. O da Indonésia, maior país muçulmano do mundo, admoestou as autoridades americanas para que detivessem a fera ou ele não se responsabilizava pelo que pudesse acontecer. Pelo Islã afora, milhares de vitimas potenciais do “Grande Satã” (o dos aiatolás, não o do Terry), saíram às ruas e acenderam suas tochas, antes que a perigosa besta de Gainesville acendesse a sua. Exemplares da Torá, do Velho Testamento e bandeiras americanas foram queimadas ao redor do globo. E a cada novo gemido dessa pacifica horda de fieis do Islã arrancada da sua tolerante bonomia e obrigada a vir às ruas lutar por sua segurança, subia a patente da autoridade norte-americana disposta a atender ao chamado da grande mídia para salvá-los por meio do exercício purificador da auto flagelação em pleno “Marco Zero”.

Na quarta-feira foi ninguém menos que o porta-voz do Pentágono. Geoff Morrel expressou pessoalmente pelo telefone a um incrédulo Terry Jones o seu “grave receio” de que a queima de um exemplar do Alcorão na longínqua Gainesville “possa colocar em risco a vida de nossos soldados, especialmente no Iraque e no Afeganistão”.

Na quinta foi a vez do secretário da Defesa. Robert Gates em pessoa, comandante de três milhões de homens em armas, ligou para um boquiaberto Terry Jones para pedir que, por favor, desistisse de seu protesto. (Pois é, nessa perigosa democracia americana não tem esse negócio de “cala a boca”…)

Quando, na sexta-feira, o presidente Barak Obama, nem mais nem menos, veio a publico para dizer ao mundo que também ele não tem nada com isso e que espera que o bom Terry “realmente não queime o Alcorão”, ato que poderia provocar “danos profundos para os interesses do pais no exterior”, era tarde demais. Ele já tinha se convencido da sua importância. Falando para o mundo de cima da tribuna global armada pela grande mídia, impôs condições, disse que faz questão de um pedido de “penico” publico e oficial também do chefe dos muçulmanos dos Estados Unidos lá mesmo, no “Marco Zero”, NY, e que se Obama cumprir a sua parte nesse trato talvez ele atenda o que lhe foi pedido…

E foi assim que os outrora gloriosos Estados Unidos da America – quem diria! – acabaram em Gainesville.

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