Mea culpa
18 de dezembro de 2011 § 1 comentário
Gastei uma tonelada de palavras por aí abaixo para denunciar as culpas da “zelite” da imprensa para a transformação do Brasil num lugar mais ensanguentado e inseguro que o Oriente Médio nos tempos mais quentes da guerra do Iraque e não disse o principal.
Afirmar que a culpa pela carnificina no Brasil é de quem tem armas legalizadas em casa mas não puxa o gatilho é o mesmo que afirmar que a culpa pela roubalheira desenfreada de Brasília para baixo é de quem tem cuecas em casa mas não enfia maços de dinheiro público nelas.
O Brasil é o paraíso do crime pela mesmíssima razão por que é o paraíso da corrupção: porque as duas coisas ficam impunes e os criminosos podem sempre esfregar na cara da Nação o tranquilo desfrute do seu sucesso.
Tentar negar essa obviedade que clama aos céus, como faz a imprensa em peso com as raras exceções de praxe, já passou do ponto de poder ser classificado como uma mera prova de má fé. É um ato intelectualmente criminoso com agravante de dolo.
E a Dilma, o que é?
10 de novembro de 2011 § 4 Comentários
Na fase de absoluta indigência moral que o Brasil atravessa ouvir um mero discurso da autoridade máxima da Nação afirmando princípios elementares como austeridade, probidade, humildade, esforço, dedicação e mérito na prestação de serviços fundamentais como a saúde publica é algo que pode ser festejado como um raro acontecimento político. Chega quase a cheirar a revolução.
O espetáculo deprimente oferecido pelos alunos da “melhor universidade do país” reivindicando o direito de se drogar impunemente em plena via pública na mesma semana em que o Brasil inteiro assistiu ao vivo a morte de mais um jornalista (para quebrar a rotina dos policiais sacrificados) na guerra do tráfico, dá a dimensão inteira da força da herança maldita que Lula nos legou.
A delirante alienação que perpassava no jargão esquecido desde os anos 30 do último século do milênio passado com que os alunos da USP exibiam o “fervor revolucionário” que, num planeta mobilizado pela indignação geral, eles se negam a brandir contra a sistemática operação de saque de que o país tem sido vítima, para espanto dos jornalistas estrangeiros que tentam entender o Brasil, não é apenas a medida da profundidade abissal a que chegou o aparelhamento granmsciano da educação pública nesta que, em plena Era do Conhecimento, se tornou a meca do analfabetismo funcional da metade ocidental do planeta Terra.
Ela é o diagnóstico perfeito da extensão alcançada pela infecção disseminada pelo antecessor de Dilma que, até à véspera de ser detido pela doença, era sempre o primeiro a se abraçar a todo corrupto pego em flagrante de crime de lesa pátria para solidarizar-se com ele contra a Nação e recomendar-lhe de público que não “abaixasse a cabeça” e resistisse agarrado ao seu osso.
A impunidade, gritava-nos a elite da nossa juventude nas ruas da Cidade Universitária, é um “direito” que se aprende na escola e que – do movimento estudantil “engajado” na verba pública aos ministros que se pretendem invulneráveis desta Republica bandalha – os brasileiros reivindicam cheios de “orgulho cívico”.
Este é o panorama naquele setor da sociedade que, em todo os lugares e em todos os tempos, concentra a reserva moral da Nação.
Mais para além, a paisagem é de terra arrasada. A oposição não existe e os grandes empreendedores “privados” foram literalmente comprados pelo governo.
Agora dispare mais uma vez o vídeo que ilustra este comentário. Ouça-o com o pano de fundo acima descrito em mente e olhando nos olhos de quem fala.
O que lhe parece?
A voz que timidamente se levanta desse pântano para falar em “mudança de atitude“, “responsabilidade“, “humildade“, “coragem para reconhecer erros“, “gestão“, “combate sem tréguas aos desvios e mal feitos“; para tratar de saúde publica e não de mais um programa maciço de suborno eleitoral; para lembrar que “partidos, governos, pessoas, somos apenas instrumentos passageiros da grande e permanente ação republicana de garantir o bom funcionamento das instituições, a melhoria da qualidade do serviço público e o bem estar de todos os brasileiros e brasileiras” é só a voz de mais um fariseu interessado em ficar eternamente mamando nas tetas do poder?
É claro que todo esse discurso se esboroa diante da consagração da regra “ladrão, ladrão; quadrilha não” definida para tratar da roubalheira nos ministérios.
São coisas incompatíveis e mutuamente excludentes, eu concordo.
Mas teria sido esta regra ou este discurso que foi imposto por forças nem tão ocultas a quem pediu uma rede nacional de televisão para proferi-lo neste especial momento do apagão moral brasileiro?
Por mais culpas que tenha no cartório pela parte que lhe coube no esforço que levou ao poder a força subversiva que ela agora admoesta timidamente, lá da sua solidão (mas menos timidamente que a oposição), seriam inteiramente falsos o discurso proferido e as intenções esboçadas?
Tudo isso é só deboche?
Ou é um pedido de socorro?
PS.: Se quiserem uma descrição prática sobre como o PT usa a educação pública para moldar o Brasil do futuro leiam o artigo de Demétrio Magnoli hoje no Estadão (aqui)
PS2.: Vale a pena, também, ler o artigo de José Serra no Estadão de hoje (aqui), que mostra como se faz para conseguir o que a Dilma diz que quer para a saúde pública e indica o tamanho da luta política e da coragem que se requer para fazer o Brasil que herdamos de Lula voltar a possibilidades como a que ele descreve.
Absolvida. Certíssimo! Os brasileiros merecem
30 de agosto de 2011 § 2 Comentários
Por 265 votos contra (166 a favor) a Câmara dos Deputados recusou a prova acima como suficiente para cassar o mandato da deputada Jaqueline Roriz por quebra de decoro parlamentar.
Acompanho, na Globonews, os jornalistas indignados dizendo que a Câmara não se respeita, etc.
Papo furado. A Câmara não respeita os brasileiros. E tem toda a razão. A mesma edição do jornal da TV mostrou mais uma vez a heróica rebelião dos sírios, enfrentando a fuzilaria do exército do seu ditador ha cinco meses sem abaixar a cabeça, enquanto aqui todo mundo só pensa em pular da nau dos explorados para a nau dos exploradores.
O brasileiro merece o Congresso que tem.
Ladrões! / Unidos! / Jamais serão vencidos! (bis)
25 de maio de 2011 § 2 Comentários

Agora revela-se que somente nos dois meses entre a eleição e a posse de Dilma o “novo milionário” Antônio Palocci faturou R$ 20 milhões em “consultorias”. Em 2006 inteiro foram só R$ 160 mil. O PT não procurou negar o fato. Jura que não tem nada a ver com dinheiro de campanha, apesar da concentradíssima coincidência de datas. Apenas disse que isso é “normal” pois, tendo o Conselho de Ética do Planalto recomendado a ele que mudasse a razão social da Projeto quando foi convidado para a Casa Civil de prestadora de consultorias para “administradora de imóveis” (e quantos mais haverá além dos dois já divulgados?), seus clientes tiveram de “antecipar os pagamentos devidos”.
Ok, ok. Deixa pra lá o critério do Comitê de Ética do palácio…
O certo é que esse numero indica o seguinte: 20 xs o patrimônio em quatro anos o escambau!
Faça as contas. O numero de partida eram os R$ 375 mil da ultima declaração (xs 20 = aos 7,5 milhões que custaram só o apartamento e o escritório que o senhor ministro comprou em São Paulo). Os R$ 20 milhões faturados naqueles dois meses representam, portanto, 53 xs o patrimônio do ministro. Se a modesta nova morada de sua excelência e seu escritório foram comprados antes disso, já estamos falando de uma multiplicação de 73 xs do patrimônio do honesto Palocci. E olha que ele passou quatro anos “dando consultorias”…

Agora o Brasil começa a saber que tudo isso é culpa do … Serra. Sim, aquele mesmo: o falecido José Serra. Surpreende-me que tenham esquecido o FHC. Mas ainda está em tempo.
Assim mesmo, o dado é sugestivo. Eficiente como é pra essas coisas, o PT investigou, primeiro, as suas próprias fileiras, procurando a origem do “vazamento”. Não encontrou. Nesse aspecto, ao menos, os critérios do PT são transparentes. O problema não é roubar. Depois de Celso Daniel, nem mesmo roubar para si mesmo. O problema é vazar para a imprensa que alguém está roubando.
Constatado que o tiro não tinha vindo de dentro (será mesmo?) a coisa começou a ficar preta. Hora de tirar a reserva e por o titular em campo. Lula em pessoa saiu da toca e bateu-se para Brasília.
Almoçou com os senadores do PT, aquela maioria absoluta que pode segurar até tsunami que queira atingir o PT via representantes do povo (ora, o povo!). Jantou com Dilma e o próprio Palocci. Tomou café da manhã com o mestre supremo, suma cum lauda, em sobrevivência na selva, José Sarney.
E então o Brasil inteiro ficou sabendo que tudo é culpa do Serra. Que a coisa toda foi vazada pela prefeitura de SP que é quem cobra impostos (ISS) de empresas prestadoras de serviço (pelo menos SP recebeu algum de volta…).

E precisava?!
O Palocci estava escondendo alguma coisa?
Nada!
Esses caras são tão primitivos que assaltam o banco e no dia seguinte compram o Empire States e querem que ninguém desconfie de nada.
Desbundaram! Viajaram na maionese das duas faces da moeda do Poder: a certeza absoluta da impunidade, de pairar acima da lei, e o dinheiro, muito dinheiro.
Mas não é só o Serra que está conspirando contra o PT. A unidade especializada em combate ao crime organizado (Gaeco) do Ministério Publico também. Eles acabaram de estourar outro “mensalinho”, desta vez em Campinas. O de sempre. Estavam roubando saneamento do povo de Campinas. O esquema era operado pela mulher do prefeito local, o tal dr. Helio, amigo do Lula, e não se restringia só a águas e esgotos. Ela mandava em todas as áreas de governo no que diz respeito a propinas. Ou o funcionário entrava ou perdia o cargo. Pra fazer negócios com a prefeitura de Campinas as empresas tinham até de fazer reformas nas casas e jardins de madame.

Acontece que o esquema envolve também Jose Carlos Bumlai, outro grande amigo do Lula, daqueles com jatos particulares, fazendas gigantes que o ex-próximo-presidente frequenta e o diabo. Ele está em todas, de usinas hidrelétricas pra baixo. Nessa de Campinas é o de costume: tudo gravado no telefone, preto no branco, com discussões entre os acusados sobre como usar a confissão premiada para evitar que o escândalo vá bater em Lula, e coisa e tal.
Abacaxi tão grande, enfim (ha 480 páginas de gravações e investigações), que foi deslocado para o local, para afinar os discursos, ninguém menos que Jose Dirceu, o terceiro em comando no esquema lulista.
No dia seguinte, todos os vereadores do PT baixaram no Ministério Publico de Campinas, “não para pressionar o procurador, só para buscar mais esclarecimentos”.
Terá sobrevivido algum tucano de monta em Campinas? Não? Então esperem e verão: a culpa deve ter sido do Serra…

Você sabe como é. O Congresso (e a Câmara Municipal) não é o problema. “O Congresso…”, dizia anteontem o governador Jacques Wagner do PT da Bahia, depois de uma reunião da bancada sobre o caso Palocci, “…o Congresso, com todo o respeito, a gente sabe o que é; uma casa política”. Jacques Wagner é muito gentil…
“A oposição está é na imprensa”, completava, no dia seguinte, Lula em pessoa. Daí a necessidade, não de pararem de roubar, mas de seguirem todos roubando com um mesmo e afinadíssimo discurso.
Bonito de ver essa solidariedade toda!
É o espírito de classe, curtido nos porões do sindicalismo.
LADRÕES!
UNIDOS!
JAMAIS SERÃO VENCIDOS!
(bis)

“Corre que não tem governo, seu trouxa!”
28 de abril de 2011 § 3 Comentários

Das notícias que mais me fascinaram ultimamente foi essa do governo do Rio de Janeiro mandando instalar sirenes nas áreas de risco habitadas por famílias de miseráveis à espera da próxima catástrofe.
Nem fazer cumprir a lei e tirar essas famílias de lá, nem fazer obras para tornar seguras essas encostas inseguras, veja bem. Mas colocar sirenes a serem acionadas “quando ameaçar temporal”, como se seguir vivendo em áreas desde sempre proibidas para construçōes humanas fosse um risco tão inevitavel e irremovível quanto as falhas geológicas sobre as quais se equilibra o Japão.
Para as autoridades do Rio, entretanto, pareceu uma solução boa e barata…
“CORRE QUE NÃO TEM GOVERNO, SEU TROUXA!”. É isso que gritam essas sirenes!
O Rio de Janeiro sempre consegue fazer com que o mais ácido dos brasileiros se descubra um doce. A descarga de bílis da mais recente indignidade sofrida nunca será a ultima. O próximo acinte poderá sempre ser ainda mais amargo.

O primeiro temporal depois da instalação das sirenes chegou e não deu outra. Não é que o governo do Rio de Janeiro é incapaz de prever o que virá pela frente, depois de confessar que é incapaz de mudar o que ficou para traz. Ele erra até na mera constatação daquilo que de fato acontece.
O Globo de anteontem era de morrer de rir se não fosse de morrer de chorar. Se fosse um filme, como disse alguém outro dia, não passava. Porque a ficção precisa fazer sentido.
Mas a realidade não.
A tempestade desabou, os morros quase vieram abaixo e as sirenes, nada. As que não entraram em curto em função da enchente, quando tocaram o pessoal já estava com água pela cintura.
Também teve fracasso 2.0. O “toque de modernidade” que o prefeito fez questão de dar à sua providência genial, acrescentando às sirenes a distribuição de celulares com um sistema de alerta para “chuvas de risco” via Twitter, a mesma ferramenta que resistiu à polícia do Ahmadinejad, passou por cima da muralha da internet da China e derrubou um par de ditaduras árabes sucumbiu nas mãos do funcionalismo tupiniquim.

Na Tijuca as mensagens de alerta de temporal só começaram a chegar depois que as ruas já estavam alagadas. E enquanto o pessoal bracejava na água, de lá pra cá, no salve-se quem puder, o sistema de monitoramento de tráfego do CET-Rio ainda dava as ruas mais alagadas como “boas para o trânsito”.
O Rio é um dos extratos concentrados de Brasil que existem por aí. Foi moral e fisicamente devastado por se ter tornado a opção preferencial da nata dos brasileiros que venceram na vida pela capacidade de se “bem relacionar” com “autoridades competentes” e donas das mais rentáveis porteiras da economia nacional.
Ladrão de sucesso mesmo acaba lá, na beira da praia. E faz tempo!
Convivem ali, lado a lado, com os pobres dos trabalhadores cariocas se esgueirando pelo meio, a riqueza mais culpada e a miséria mais vilipendiada do país.
Esse negócio de sirenes que urram aos céus o desprezo das autoridades brasileiras pelos brasileiros toda vez que eles mais precisam delas é pra lá de emblemático. Tem tudo a ver com o fato da cidade ter sido a capital do ultimo país do Ocidente a libertar os escravos e, mais adiante, ter permanecido por décadas a fio pontilhada de áreas onde a polícia não entrava desde que Leonel Brizola, lá nos anos 80, se compôs formalmente com o crime organizado.

Na cidade onde sobrevivem até hoje os palácios dos traficantes de escravos que, mancomunados com sua majestade, enriqueceram segurando a escravidão até a aurora do século 20, a polícia só se decidiu, finalmente, a ocupar os morros e libertar os miseráveis do jugo do crime organizado pela mesma razão que, cem anos atrás, o imperador finalmente se decidiu a libertar os escravos: para inglês ver; porque inglês mandou.
Brasileiro dane-se! Pode arder no mármore do inferno por milênios que ninguém se lixa!
O governo do Rio tomou os morros do crime organizado – fácil, como desde sempre era previsível – como libertou os escravos: porque não havia outro jeito. Porque os portos estavam cercados e seriamos expulsos do comércio internacional se não o fizéssemos, ha cem anos. Porque não haveria Copa nem Olimpíada se o tiroteio continuasse rolando solto uns poucos metros acima da linha da maré, ha cem dias.
Este é o retrato sem retoques do país que resulta desse modo brasileiro de estabelecer relações entre representados assim mesmo, amassadinhos, quietinhos, submissozinhos, e REPRESENTANTES todo poderosos, excelsas intocáveis excelências.
Infraestrutura? Aeroportos? Estradas? Segurança publica? Transportes coletivos modernos?

Estádios de futebol, que seja, para dar ao povo ao menos um bom circo?
Nada!
O governo que cobra os impostos mais altos do mundo não faz nada disso, a não ser que seja “para inglês ver”. E mesmo assim, olhe lá! Devagar! Com calma! Mordendo forte pelas beiradas! Dando a cada um “dos nossos” o seu justo quinhão.
“Ou as obras começam já (com dois anos de atraso) ou não tem copa?”
Ok. Vamos lá. Chamem os lobos; entreguem pra “iniciativa privada”. Mas veja bem: para “a nossa” iniciativa privada. E sem TCU! Porque aquele terço do PIB que embolsamos a cada ano é só pra sustentar o funcionalismo que trabalha demais, ganha pouco e é sempre insuficiente, coitado.
E, ademais, a especialidade cá em cima é estatizar infraestrutura para distribuir permissões especiais para o seu uso em troca de poder e não construí-la.

É nessa batida que vamos dilapidando a herança bendita, sonho de uma noite de verão, com a energia mais cara do mundo, ainda que hidrelétrica, expulsando fábricas daqui; sem portos, sem estradas, sem aeroportos; atravancados em cidades sem metrô; enlatados nos carros mais caros do mundo que bebem a gasolina mais cara e poluente do mundo, embora o petróleo e o álcool sejam “nossos”; toureando chineses e coreanos com a internet mais lenta e custosa e os salários mais taxados do planeta.
Mas, olhe lá! Tudo isso com um “Estado forte” de que “só temos de nos orgulhar”, e que pode sempre dar assistência à miséria que semeia. Tudo isso com 37 ministérios, cada um com a sua dezena de milhares de “autoridades” invulneráveis, e mais o Renan Calheiros assegurando o padrão ético da política e um Judiciário puxador de cordão em greve por um “reajuste” de 14,79%, nem uma casa centesimal a menos, enquanto a senhora presidenta, muito séria, muito bem posta, trata de “exorcizar a inflação” que bate à porta “diuturna e até noturnamente”.
É como eu digo sempre: ou tornamos esses caras instáveis, demissíveis pela menor falha em entregar tudo que são pagos para fazer, como qualquer um de nós e o resto do mundo já é, ou continuaremos sendo só as bundas que eles tão desaforadamente se comprazem em chutar.





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