O crime como efeito da ausência de democracia
15 de abril de 2013 § 5 Comentários
Um sujeito dizer – como ouvi de mais de um dos “especialistas” que a imprensa guarda na gaveta para essas ocasiões – que “baixar a maioridade penal não vai resolver o problema da criminalidade” em cima da exemplar sequência de acontecimentos iniciados com o frio assassinato de um menino de 19 anos com um tiro no rosto na porta de sua casa na terça-feira da semana passada é coisa que, a esta altura do campeonato no país onde morre mais gente de morte matada do que a soma de todas as guerras declaradas do mundo, é o tipo do ato que não deixa espaço para qualquer tipo de dúvida.
Só pode ser por desonestidade.
Já o ato do jornalista que empresta seu microfone e sua câmera para um sujeito dizer um impropério desse calibre sem trazê-lo para dentro da dramática irreversibilidade do fato que ele foi chamado a comentar com o seu “achismo” leviano é ainda mais desonesto que o primeiro.
São estes que emprestam alcance e força à operação de “patrulhamento ideológico” que mantém nossas instituições amarradas, assistindo impassivelmente aos múltiplos sorteios diários dessa loteria da morte em que se transformou o simples ato de sair às ruas no Brasil de hoje.
Eu me desculpo por vir ao assunto só hoje, impedido que estive desde quinta-feira passada por estar em trânsito. Mas é melhor assim. É com a cabeça mais fria do mundo, depois de ter mais uma semana para refletir, que afirmo e reafirmo.
É DESONESTO quem diz o que esses caras dizem. Eles próprios não acreditam no que estão afirmando.
Pode alguém, em sã consciência, negar que tirar um assassino das ruas reduz em um assassino à solta a chance de mais alguém ser assassinado?
Que outra maneira existe, em qualquer tempo e em qualquer lugar, de reduzir as chances da gente de paz ter sua vida roubada na rua, senão a de tirar de circulação cada assassino identificado?
Quem é que pretende, neste mundo, “resolver o problema da criminalidade” assim, de uma vez para sempre? Quem é que acredita que isso é possível aqui nesta selva onde ronda o bicho homem?
Mal escondida por trás dessa insistência já não está mais a ilusão ingênua do “bom selvagem que a pobreza corrompe” da infância do pensamento moderno ainda intocada por tudo quanto a História, a ciência e o acesso à informação aportaram, desde então, para enterra-la de uma vez para sempre como o mito desviante que é.
Não ha mais como negar honestamente o significado dos fatos empapados de sangue, de lágrimas e, frequentemente, de estupor, que nos caem diariamente sobre as cabeças vindos do mundo rico e do mundo pobre, dos píncaros da cultura e dos abismos da humanidade mais primitiva, para nos gritar que o mal não escolhe hospedeiro segundo as categorias de sociologias ultrapassadas, e que é preciso defendermo-nos dele do único modo que, desde sempre, se tem provado possível.
A tragédia da semana passada parece ter sido encenada de propósito para ilustrar todo o escandaloso absurdo da loucura em que vivemos exclusivamente para dar satisfação a esse tipo de mentiroso consciente da sua mentira que segue afirmando olimpicamente o inafirmável, como se estivéssemos falando da mera opção entre preferências que, de modo nenhum, implicam consequências irreversíveis.
O sujeito mata diante das câmaras porque sabe que pode; e nos dá prova conclusiva disso ao se entregar à polícia 24 antes de fazer 18 anos, o que lhe garante que cumprirá no máximo 3 anos por tal “ato infracional” (!!!).
São, do primeiro ao último, passos calculados com absoluta frieza, mas escamoteados aos autos por esse nosso subversivo e malsão Estatuto da desproporção entre as palavras, os atos e as penas que a eles se referem.
Escorando pelos lados esse parteiro da desfaçatez e da brutalidade está o falso silogismo que impede a discussão razoável do problema e mantem o Brasil polarizado enquanto da voltas na espiral do crime: de um lado os que caçam votos afirmando que “se não ha Justiça que prenda, o jeito é matar o bandido”; do outro os que o fazem afirmando que “se não ha prisões decentes, o jeito é soltar o bandido”.
Como sempre, muito latinamente, paramos na discussão dos efeitos sem nunca descer às causas do problema, que são as de sempre. Primeiro, a existência de dois brasis, um com foros e prisões especiais que permanecem sempre vazias e outro que se aperta nas nossas masmorras medievais onde metade dos detentos já cumpriu sua pena ou nunca foi julgada mas não sai por falta de advogado ou da mera condição de se expressar. Segundo, pela inexistência de um sistema real de representação do eleitor condicionada e fiscalizável onde o representante que trai o representado perde o emprego e paga por isso nos termos da lei. Da terceira em diante nem é preciso falar porque as duas primeiras põem o governo contra a Nação e o resto é consequência.
O crime, no Brasil, é mais um dos sintomas da inexistência de uma democracia entre nós. Enquanto não atacarmos esse problema fundamental nenhum dos outros será resolvido.
O crime dos jornalistas
2 de abril de 2013 § 8 Comentários
Cada um tem o direito de pensar o que quiser sobre o desarmamento.
Eu, por exemplo, penso que a tese de que os homicídios “são causados” pelas armas de fogo é um raciocínio tão recheado de sentido quanto dizer que quem estuprou a turista americana esta semana no Rio de Janeiro foram os pintos dos três estupradores e não eles próprios, e que é mais insano ainda afirmar que a forma justa e adequada de se conseguir segurança sexual para todos é amputar esse apêndice de todo homem nascido vivo.
Agora, fatos são fatos. E torce-los até que se adequem às teorias da sua preferência é mais apropriado aos políticos malacos que todos nós criticamos que a jornalistas.
A campeã da “cruzada do desarmamento”, como se sabe, são as Organizações Globo onde o grau de tabu em torno da questão é de tal ordem que nem William Waack, cujo jornal costuma ser mais honesto e inteligente que os de seus colegas de emissora, tem liberdade para falar desse assunto recorrendo apenas ao cérebro.
Não é privilégio dele, diga-se de passagem, posto que mesmo os editorialistas do Estadão, reconhecidos pelo apego ao bom senso e pelo hábito de respeitar os fatos, enfiam o sorvete na testa à simples menção da palavra “armas”.
Enfim, seria de rir se não houvesse razões para chorar posto que desviar a atenção das autoridades e do público das soluções verdadeiras para o descalabro da segurança pública no Brasil custa rios de sangue, suor e lágrimas e nos põe mais longe a cada mentira do fim da guerra que mais mata no mundo (a do Brasil).
Já mencionei aqui antes que Júlio de Mesquita Filho costumava dizer que manipular desonestamente o noticiário dos jornais é crime muito pior que o do tráfico de drogas porque, em função do alcance da imprensa, o dano produzido é muito maior.
Hoje, depois de repetir a mentira ontem em todos os jornais de todos os seus canais de TV aberta e fechada, O Globo gasta uma página inteira – aquela que costuma dedicar ao assunto mais importante do dia – para escrever um verdadeiro tratado do desrespeito aos fatos e às regras mais elementares da lógica e do bom jornalismo, para dar a uma pesquisa que em má hora alguém da empresa encomendou à Fipe, o sentido inverso daquilo que ela constatou indubitavelmente, a saber, que a uma redução de 35% nas vendas “legais e ilegais de armamentos” desde que o Estatuto do Desarmamento entrou em vigor em 2003, correspondeu um numero de mortes por arma de fogo 26% maior em todo o território nacional.
Descontada a região Sudeste, de que falaremos mais adiante, a única em que a criminalidade caiu no período (- 41,43%) apesar da redução do numero de armas ter sido a menor do país, a média de aumento da criminalidade nas demais regiões foi de astronômicos 43%.
Como bonus punitivo aos mentirosos contumazes, aliás, essa pesquisa constatou também que a criminalidade aumentou muito mais no Nordeste (+ 42,78%), a região que mais enriqueceu no país nesse período e na qual a venda de armas mais caiu (- 56,5%) e especialmente no Norte (54,5% menos armas e 64,92% mais mortes! por arma de fogo), a segunda região que mais prosperou economicamente no período.
Os números pulverizam ao mesmo tempo, portanto, as duas teses mais caras àquele jurássico tipo de acrobata ideológico que ainda sobrevive neste nosso exótico país: a de que o crime é função da pobreza e a de que os homicídios “são causados” pelas armas de fogo.
Como don Lula I andou desmontando a Fipe e aparelhando-a com adeptos da “matemática criativa”, imagino que não foi preciso submeter o “pesquisador” João Manoel de Mello, que se prestou ao papel de endossar as mentiras da Globo, à tortura para extrair dele a “conclusão” de que, mesmo com esse crescimento de 26%, os homicídios “entraram em queda” depois da promulgação do Estatuto do Desarmamento.
Mas onde a desonestidade assumiu proporções nada menos que “lulianas” foi na “análise” dos número da região Sudeste, a única na qual a criminalidade caiu (- 41,43%) no período, o que aponta para as soluções reais e efetivas contra o império do crime no Brasil.
Rigorosamente nenhuma menção foi feita aos dois fatos que explicam essa redução, a saber, a ocupação militar e o início do policiamento dos morros cariocas antes entregues à sanha do crime organizado, e a “operação limpeza” feita na polícia paulista pelo governador Geraldo Alkmin que foi saudado na ONU por ter conseguido o feito inédito no mundo de reduzir a criminalidade em São Paulo nada menos que à oitava parte da que encontrou, embora toda a imprensa brasileira tenha trabalhado em uníssono para esconder esse fato.
Alkmin conseguiu esse feito com a medida palmar de tirar das mãos dos próprios fiscalizados as corregedorias das polícias paulistas e transferi-las para as do seu ex-secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, derrubado em novembro passado, a quem deu plenos poderes para “limpar” a polícia paulista.
Ferreira Pinto estabeleceu rito sumário para os julgamentos administrativos dos policiais corruptos e, em menos de um ano, renovou todos os comandos da polícia de São Paulo. O resto foi mera consequência…
Policiais corruptos e criminosos estavam igualmente interessados na queda dele, portanto.
Por uma feliz coincidência, aliás, o jornal comandado por William Waack, que abriu a “escalada” repetindo a leitura falsificada da pesquisa da Fipe, se deu na imediata sequência da exibição pela Globo do filme Tropa de Elite – 2 que gira em torno da podridão sanguinolenta que caracteriza as polícias do Rio de Janeiro em seu conluio ostensivo com as duas pontas do crime organizado que, diga-se de passagem, não vivem uma sem a outra: o tráfico de drogas e a baixa politicagem.
Para “sorte” do PT e azar de São Paulo, o maior feito de Alkmin ficou obscurecido pela onda de assassinatos envolvendo policiais como vítimas e como autores que começou a rolar coincidentemente nas vésperas da eleição passada e ainda não se deteve.
A primeira vítima dessa onda de crimes foi o secretário que tanto incomodava os policiais corruptos e os criminosos deste Estado, fato que mais uma vez voltou-me à cabeça ao assistir de novo o final melancólico do filme protagonizado por Wagner Moura.
De modo que cada massacre que hoje temos o privilégio de assistir ao vivo diariamente na TV e cada família destruída pelo descalabro da segurança pública no Brasil, deve um pedaço da sua desgraça aos jornalistas que, mesmo diante de fatos contundentes como os exibidos acima, continuam trabalhando para confundir as bolas, trocar remédios modernos por atos de pajelança, atrapalhar a ação da polícia e transformar translúcidos empulhadores em heróis.
E já que entrei pelas expressões rodrigueanas, lá vai:
Dirá um idiota da objetividade que os Estados Unidos, “a terra dos massacres“, são a prova de que as armas são o demônio. E eu respondo: os Estados Unidos, o país mais armado do mundo com 88,8 armas por cada 100 cidadãos, tem 2,97 mortes por arma de fogo por cada 100 mil habitantes. O Brasil, com dez vezes menos armas (8 por cada 100 habitantes) tem 21,3 assassinados por arma de fogo por 100 mil habitantes, quase 10 vezes mais.
A diferença é que lá tem polícia e quando alguém ataca outro cidadão de forma criminosa, vai para a cadeia e não sai nunca mais, quando não é executado. E quando é assim que se faz só sobram, a ameaçar a gente de paz, os malucos de verdade, estes que fazem a festa dos jornalistas desarmamentistas mas que, felizmente, são muito poucos. A legião dos covardes, esta que anda livremente pelas ruas do Brasil trucidando gente só porque isso não lhes acarreta consequência nenhuma, desaparece de cena.
É preciso que o Brasil passe a ser um só
30 de março de 2013 § 1 comentário
O Grupo de Detenções Arbitrárias da ONU andou dando uma examinada nas nossas prisões e, claro, saiu escandalizado.
Temos 570 mil detentos dos quais 217 mil, 40%, cumprem “prisão preventiva”, isto é, sem julgamento, condição que neste “país de todos” pode se prolongar indefinidamente.
“Ha uma grave deficiência de defensores públicos”, como já se sabe, mas a Ordem dos Advogados do Brasil, que se arvora em grande defensora da “democracia brasileira”, continua proibindo a advocacia pro bono, isto é, a ajuda legal gratuita para quem precisa e não pode pagar.
“Antes o bolso”, considera a excelsa entidade de classe dos nossos rábulas. “O Estado que pague pelos pobres”. E como o Estado paga mal…
No final da tarde de quinta-feira, quando acabei de escrever a postagem aí embaixo e comecei a catar as ilustrações para ela, liguei, como de costume, o som da televisão sintonizada na Globo News. E lá estava Leilane Neubarth, com um dos “especialistas” de costume, discutindo essa notícia com os argumentos de costume.
“É um absurdo, uma vergonha … é preciso mais leis, mais prisões, mais fiscalização, mais penas alternativas…” e por aí abaixo.
“O pior cego…”, você já sabe…
A solução para o problema das nossas prisões, assim como para 99,9% das nossas vergonhosas mazelas sociais, é uma só: democracia. E quando os jornalistas brasileiros entenderem que isto que temos por aqui está longe de ser uma nós pararemos de dar voltas, feito baratas tontas, em torno desse nosso desvio opcional obesessivo e poderemos começar a sonhar com andar para a frente.
Institua-se e faça-se cumprir o primeiro fundamento da democracia, que é o da igualdade perante a lei; acabe-se com os foros e as prisões especiais; ponha-se os politicos e a bandidagem de terno Armani sob o risco real de cumprir as penas que merecem nas únicas prisões existentes e ver-se-á a arrumação do problema prisional brasileiro como que por encanto.
Ponha-se os políticos e os funcionários públicos sob o risco real de irem para a cadeia por corrupção e far-se-á o milagre deles começarem, de repente, a jogar a nosso favor.
É preciso que o Brasil passe a ser um só.
Enquanto houver dois, a corrida será sempre para saltar para o de primeira classe e dane-se a segunda. E, acredite, a mera existência dessa alternativa é altamente corrosiva.
Mói a moral coletiva.
Porque estamos nas garras do crime
25 de fevereiro de 2013 § 2 Comentários
Sexta-feira foi Gil Rugay que matou o próprio pai e a namorada dele ha nove anos (!!!). “33 anos e 9 meses de cadeia”, sentenciou o juiz. “Trata-se de um criminoso dissimulado e perigoso”. E lá se foi o “condenado”, livre leve e solto, rindo, de volta para o aconchego da sua casa, talvez para esperar outros 9 anos por um novo julgamento…
Vinte e quatro horas antes eram Cristian e Daniel Cravinhos que, em 2002, massacraram com golpes de barras de ferro o casal Richthofen enquanto dormia a pedido da própria filha deles, que saiam da prisão para desfrutar o “regime semi-aberto”, por “bom comportamento”. (Tente explicar para qualquer estrangeiro que a Justiça do seu país considera soltar autores de crimes como estes “por bom comportamento”…)
Poucas semanas antes, Sergio Costa Junior, policial que, junto com outros policiais, trucidou com 21 tiros no rosto a juiza Patricia Acioly, foi beneficiado com redução de pena “por colaborar com a justiça”…
O jovem casal que assassinou Daniela Perez na flor da idade, com centenas de tesouradas, anda por aí já ha uns bons dois anos, solto por “bom comportamento”.
Praticamente toda semana os jornais noticiam mais uma barbaridade – assassinatos, estupros, assaltos, sequestros – perpetrada por algum bandido preso e condenado, solto da cadeia “por bom comportamento” ou para visitar os amigos e parentes. Natal, Dia das Mães são datas em que, por anos a fio, o numero de crimes explode graças a esses indultos. Mas eles continuam sendo concedidos. Este ano chegamos ao extremo patético do comandante da PM rogar aos senhores juízes que ao menos fatiem a corja e parcelem os indultos, soltando uns tantos de cada vez, para que a polícia não perca o controle da situação.
Nem nisso foi atendido! Dane-se a população.
Ninguém neste país, por mais monstruoso que tenha sido o seu crime, cumpre a metade de uma pena já leve demais para o peso do crime cometido por tirar uma vida e destruir uma família para sempre.
Se for menor de idade então, nem que seja um serial killer ou um estuprador de bebes, será chamado pelas autoridades apenas de “infrator” e poderá, na melhor das hipóteses, ficar retido até fazer 21 anos, data em que sairá da cadeia livre e com a ficha limpa, nem que tenha sido preso um dia antes desse aniversário.
Sensato, não é mesmo?
Pois então. Encerrei a semana passada com a postagem sobre Mantega e Yoani Sanchez afirmando que o ponto de ruptura que desloca o pensamento de esquerda para o campo ideo-lógico é a negação do princípio do mérito, e que negar o principio do mérito, ou a relação de causa e efeito implica negar também as ideias de responsabilidade individual e de livre arbítrio.
É por isso que não ha polícia que chegue; é por isso que o Brasil está a mercê dos criminosos.
A esquerda brasileira – e no Brasil todo mundo é “de esquerda” – não reconhece a existência da covardia nem da maldade. A mãe que mata o filho, o pai que estupra o bebê e daí para cima no vasto rol que define o lado negro da alma humana, nada, nunca, é culpa do autor do crime. Até o ódio de classe desaparece nessa hora. Rico ou pobre, é sempre “a iniquidade da ordem social” que o levou a se transformar no monstro que é.
Daí decorre que não é que seja a principal: a única função da cadeia é “ressocializar” o criminoso – qualquer criminoso – e devolvê-lo o quanto antes às ruas, e não proteger dele o resto da sociedade.
Não ha monstruosidade que não possa ser redimida e apagada (menos para quem morreu; menos para quem teve seu ente querido morto) com um par de anos de “bom comportamento” na prisão.
É isso que a televisão mostra diariamente a todos os brasileiros desde que nascem. Uma vida tirada para sempre, ainda que por nada e de forma torpe e covarde, quando custa alguma coisa, custa um par de anos na cadeia entremeados de indultos e outros benefícios que o cidadão que paga impostos e obedece as leis não merece.
E se uma vida não vale nada, o que poderia valer alguma coisa?
Antes de mudar isso nada mais pode mudar no Brasil.
País rico é…
14 de janeiro de 2013 § Deixe um comentário
O “País rico é país sem pobreza” de dona Dilma, mãe do PAC, é um daqueles truísmos dignos do Livrinho Vermelho de Mao Tsetung. As novas gerações ao menos só desligam os miolos diante de coisas que não entendem bem, como por exemplo tudo o mais que se esconde por tras da conversa da “internet livre”. O poder daquele livrinho era muito mais impressionante. Mesmo depois de traduzido e decifrado, o simples ato de agitar aquele objeto no ar fazia com que a capacidade de discernimento dos mais badalados intelectuais do Ocidente desaparecesse, como num apagão, e eles passassem, babando, a exigir a continuação de genocídios em nome da defesa dos direitos humanos.
E no entanto, o tal livrinho era recheado de truísmos quase infantis, como esse do agrado de dona Dilma, quando não de frases sem nenhum sentido. Truísmo, recorde-se, é aquilo que o professor Houaiss define como “uma verdade evidente por sí mesma“, uma “coisa tão óbvia que não precisa ser mencionada“, uma “banalidade“, uma “obviedade“.
Marisa Moreira Salles (sim, a mulher do dono do Unibanco) sacou uma bem mais sutil e inteligente no EU &, o caderno-de-fim de semana do jornal Valor na sexta-feira passada: “País sem pobreza não é aquele em que o pobre anda de carro mas sim aquele em que o rico usa o transporte público” (se não foram essas as palavras exatas era esse o significado).
Síntese perfeita!
Agora, antes que este, educado e com uma infraestrutura decente que a Marisa quer, possa substituir o da Dilma que maquia a pobreza e a ignorância reinantes subsidiando o consumo de bugigangas, um outro Brasil teria de se impor, nem que seja por obra do Divino, cujo lema fosse assim: “País rico é país onde corrupção dá cadeia“.
Pro da Marisa e o da Dilma juntos o dinheiro não chega.
Nunca!





























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