O que você pode fazer
26 de maio de 2017 § 37 Comentários
Nos somos a maioria, mas temos zero de foco.
O Brasil sabe o que não quer e por isso se tem negado às “ruas” falsificadas antes e depois do escandalo dos ésleys.
Mas não sabe o que querer, e não o sabe porque estamos todos presos a uma visão imediatista, ao pensamento mágico, à expectativa de uma unica e definitiva “solução” pra tudo.
Não acreditamos na recusa das soluções definitivas que é o verdadeiro sentido de “democracia” que não é um lugar de destino, é só um manual de normas de navegação.
IGUALDADE!
REFERENDO!
RECALL!
Igualdade perante a lei para limpar a constituição e balizar os limites da trajetória futura.
Referendo porque não ha saida fora do sistema representativo mas quem tem de ter a ultima palavra sobre as decisões que afetam sua vida é o representado.
Recall porque os limites para os representantes têm de ser simplesmente executaveis e pelos próprios interessados. Não dá pra delegar.
Essa trinca põe todo mundo jogando o mesmo jogo. O resto vai acontecendo por ensaio e erro, por correções sucessivas de rumo.
Pegue essas tres palavras e espalhe.
Se encher a Paulista e metade dela estiver carregando o mesmo cartaz, acontece!

(Escrito ontem à noite no meio do mato e postado num acostamento da estrada em que pegou a rede).
Liberdade, igualdade e o jogo dos contrários
18 de março de 2014 § 2 Comentários
“Invasão gringa no Vale do Silício” (aqui e aqui ) é um par de matérias que informam que já são 46% os estrangeiros trabalhando em empresas de alta tecnologia naquela região da Califórnia que é o centro mundial de excelência em tecnologia e inovação, coisas virtualmente impossíveis de serem promovidas em países como o Brasil.
“MP questiona construção de ala de luxo na Papuda”(aqui) é uma matéria que relata que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiróz, do PT, tomou toda uma ala daquele presídio que os promotores da área de Execuções Penais do Ministério Público tinham requisitado da administração para a construção de mais um conjunto de celas para desafogar a superlotação e as condições sub humanas em que vivem os presos comuns, e reformaram-na como quartos de hotéis, revestindo as paredes de cerâmicas, instalando banheiros privativos, portas de madeira e pias e vasos sanitários elevados proibidas no resto do presídio por razões de segurança. Montou-se até uma unidade de saúde intensiva nessa ala que os presos comuns batizaram de “Ala Genoíno” (a ser utilizada por ele se e quando sair do regime de prisão domiciliar com que foi agraciado), para atender apenas três prisioneiros “de luxo”: Delúbio Soares, João Paulo Cunha e José Dirceu.
O que duas matérias tão díspares publicadas num mesmo jornal – O Globo desta segunda-feira – têm a ver uma com a outra?
Tudo.
Elas são a síntese dos dois conceitos mutuamente excludentes que dividem a humanidade em dois grupos inconciliáveis, um que estimula incansavelmente a inovação e a reforma recorrente do sistema institucional para adaptá-lo às constantes mudanças do meio – mas é universalmente classificado pela imprensa de “conservador” – outro que bloqueia toda e qualquer tentativa de reforma do sistema institucional e, com isso, inviabiliza a inovação – mas é universalmente classificado pela imprensa de “progressista”.
O resto decorre do cruzamento entre a boa distribuição ao redor do globo de indivíduos dispostos a fazer o que é necessário para merecer o que têm e a má distribuição de regimes políticos que permitam que o sucesso esteja condicionado ao esforço individual.
Lá, no Vale do Silício – onde a utopia é a liberdade – investe-se no esforço individual e festeja-se tudo que for adquirido mediante o emprego dele sem que ninguém veja nisso uma manifestação odiosa de “desigualdade” como ocorre no mundo latino.
Aqui – onde a utopia é a igualdade – a única condição desigual que um indivíduo pode ostentar livre de contestação violenta e ameaça de expropriação é a que decorre da sua adesão incondicional aos “fiscais da igualdade“.
Estes, ditos “excelências“, estão autorizados a viver na mais ostensiva desigualdade até no interior dos presídios onde, pelo mesmo crime, pagam penas diferentes em condições diferentes dos demais internos.
É um mundo cheio de contradições?
Nada disso.

É apenas um mundo que se debate, exausto, na armadilha da subversão conceitual permanente onde o sistema que estimula incansavelmente a iniciativa individual e a inovação por meio da reforma recorrente do equipamento institucional para adaptá-lo às permanentes mudanças do meio é universalmente classificado pela imprensa – e portanto, pelo discurso político – como “conservador” (ou seja, que precisa ser mudado nem que seja a força, em nome do progresso) e o sistema que sanciona pesadamente a iniciativa individual e bloqueia incansavelmente todo tipo de reforma, não importa quanto mude o mundo lá fora, e com isso mata qualquer chance de inovação, é universalmente classificado pela imprensa e pelos políticos como “progressista” (e portanto, que precisa ser conservado nem que seja a força, igualmente em nome do progresso).
Esse contingente maciço dos estrangeiros que, todos os anos, asilam-se nas universidades e empresas dos Estados Unidos, fogem precisamente desse jogo enlouquecedor dos contrários que elimina completamente a possibilidade de um homem mudar seu próprio destino por aquilo que for capaz de fazer por si mesmo, e deixa-lhes como única alternativa para alcançar mobilidade social e afluência material aderir incondicionalmente aos “fiscais da igualdade” e acumpliciar-se com os crimes que eles praticam em nome dela.
Parece um raciocínio complicado de compreender? Sem dúvida. Mas não poder ser racionalmente compreendido é a essência da racionalidade desse jogo dos contrários.
Os cães de Pavlov
24 de fevereiro de 2014 § 2 Comentários
Se já não é mole para ninguém, mesmo com todo o equipamento de leitura da realidade exterior em ordem, entender o mundo globalizado e lidar com a necessidade de regorganizar política e socialmente uma humanidade que sequer fala a mesma língua para enfrentar um desafio que doravante só tem solução pelo todo, para os brasileiros, que vivem por traz de uma lente de distorção da realidade implantada em cada cabeça desde antes dela ter consciência da sua própria existência que determina quase que organicamente a formação dos circuitos de processamento do que os seus olhos haverão de enxergar lá fora é praticamente impossível.
Porque, para além da carga que se nos despeja do nascimento até à idade em que o cérebro humano ganha autonomia, vemos essa distorção ser reforçada a cada passo pelo vasto aparato de controle do que hoje se chama brandamente de “correção política” montado para reconfirmá-la e preservar o sistema de poder que nele se apoia.
Um sistema de poder que, se já não imola fisicamente os dissidentes em fogueiras acesas em praça pública, lincha-os moralmente, confisca-lhes o direito ao trabalho e à sobrevivência econômica (se for um político ou um operário intelectual) e se os degreda da mídia, o que equivale a uma espécie de condenação à não existência.
O “retrato” tirado do país nas manifestações de junho de 2013 – em que a multidão gritava 500 “nãos” mas não era capaz de esboçar um único “sim” neste país onde ha 32 partidos políticos, todos “de esquerda”, refletindo fielmente a “demanda” pautada pela tal lente distorsiva – é um exemplo eloquente da força desse mecanismo repressor do pensamento e da completa inadequação entre o repertório conceitual que nos é incutido e a realidade que tentamos inutilmente decifrar com ele.
Se para os filhos de outras culturas mais dóceis à evidência dos fatos, lidar com esse desafio é um longo aprendizado para o qual parte-se do zero, para nós, os filhos do dogma e do pressuposto, o aprendizado da realidade existente só pode começar para os que forem, antes, capazes de revogar a realidade suposta que lhes foi incutida a vida inteira como a única verdadeira.
São dois trabalhos. Logo, se a verdade sem adjetivos maiores que a consciência da precariedade de qualquer verdade está em 100, há quem possa partir para a busca dela do zero e ha quem tenha de partir de menos 100. Considerando-se que no primeiro terço dessa trajetória a inteligência humana não está pronta para um vôo autônomo, é fácil entender porque tão poucos logram conseguí-lo: a vida normalmente não dura o suficiente para percurso tão longo nos dois terços restantes.
Não estamos sozinhos nessa arapuca. É nesse mesmo labirinto que anda perdida toda a latinidade, aí incluída, pelas razões expostas acima, a maior parte da parcela alfabetizada dela. Sendo, aliás, a escola e a universidade os principais centros de reforço e elaboração dessa construção distorcida, é mais comum, entre nós, encontrar quem enxergue as coisas como elas são entre os que continuam virgens dessas duas experiências do que entre os letrados e, sobretudo, entre os semi-letrados que constituem a grande força de sustentação do “Sistema”.
Vem de muito longe essa bifurcação dos caminhos da humanidade. O momento decisivo se dá no século 12 quando a primeira universidade da Europa – a de Bolonha – passa do controle dos sábios para o controle dos príncipes (com os sábios incluídos no pacote) num momento de vácuo de poder com o esvaziamento do da Igreja que mantinha todo o Continente até certo ponto “amarradinho”.

Ali ressuscita-se e põe-se para caminhar sobre a Terra a versão frankenstein de um “direito romano” torcido para parir e sustentar o absolutismo monárquico pelo expediente da constante fabricação de leis de ocasião sob a égide do lema Princeps legibus solutus est (“o príncipe” – que as baixava – “está desobrigado de todas as leis“).
É o regime sob o qual você, brasileiro, vive até hoje, 9 séculos depois, e que o ministro Joaquim Barbosa tenta solitariamente abalar nesses últimos meses.
A Inglaterra mantem o sistema da Lei Comum (Common Law) baseada na tradição, patrimônio comum a toda a humanidade até uma certa altura, portugueses incluídos com o seu “direito foraleiro” e, no mesmo século 12, faz do costume instituição, aparelha-o de um método de processo com a sistematização dos precedentes e sacramenta o juri como garantia da prevalência da procura da verdade pela interrogação dos fatos sobre o arbítrio do juiz ou as verdades reveladas.
Daí por diante nunca mais houve remédio para quem enveredou pelo desvio de Bolonha. Uma olhada neste mapa é quanto basta para confirma-lo.
Os marcos seguintes do percurso são mistos de intenção e oportunidade.
No século 16 a libido de Henrique VIII leva ao rompimento final com a Igreja Católica e à abertura da Inglaterra a todos os perseguidos do mundo, o que proporciona a uma humanidade até então sempre obrigada, debaixo de bota, a afirmar a fé do soberano, a primeira experiência de livre convivência com a diferença de crenças, de um lado, o que suscita dos reis católicos do Continente a reação pelo Terror contra a novidade que ameaçava suas prerrogativas, do outro.
A França tenta embarcar na abertura (com a revolução da Fronda) mas perde. E é lá, na Universidade de Paris, que um rico estudante basco, exigindo de cada um dos seus seguidores o juramento solene de que “Eu sustentarei até à morte que é negro o branco que meus olhos vêm se assim determinar sua santidade o papa”, funda a Companhia de Jesus, os padres soldados da Contra Reforma que, até bem perto de nós, teriam o monopólio da educação, entre outros menos longevos, nos reinos de Portugal e Espanha.
O resto são decorrências.
Porque a utopia inglesa é a da liberdade enquanto a francesa é a da igualdade de que não existe um único exemplo na Natureza?
Viver a diversidade de crenças levou os pensadores ingleses, para segurar o terreno conquistado, a erigir a tolerância em fundamento inegociável de todas as relações humanas; a tirar o pressuposto da frente do fato e o dogma da frente da experimentação. Alguém se perguntou se não haveria algo mais a fazer as maçãs despencarem do galho que a vontade de deus, a Terra saiu do centro do Universo e o homem saiu do centro da Terra.
Nasceu a ciência moderna e nasceu a democracia, cujo fundamento último é, justamente, a ausência de certezas.
E os filhos da Contra Reforma, em que estavam pensando nessa hora?
Não existe igualdade na Natureza? Sem problemas. Tratamos de imaginar uma Natureza “anterior” a esta que se vê onde a igualdade “estava presente” e, ao lado dela, um demônio que, por pura maldade, desorganiza essa santa paz. O nome desse demônio varia segundo a conveniência do momento: a “propriedade privada”, a “sociedade” … “os americanos”; essas desconcertantes manifestações concretas da própria desigualdade, enfim.
Conclusão:
Quem já nasceu sabendo; quem teve o privilégio de conversar com deus ou trocar segredinhos sobre o futuro com “a História” e vive atormentado pela renitente rebeldia dos fatos contra a ordem em que deveriam se conformar em ter permanecido, trata de “disciplina-los” punindo quem os vê como são e assim contribui para impedir a igualdade “perdida” de retomar o seu devido lugar na ordem das coisas.
Já quem se pergunta humildemente porque diabos as coisas são como são, logo aprende que as respostas têm estado muito mais frequentemente erradas do que certas e que há grande chance de haver erro nas suas próprias convicções do momento e verdade nas alheias, e que portanto, a liberdade – de pensar, de dizer e de agir para lá e para cá ao sabor dos acontecimentos – tem de ser inegociável, ou não haverá segurança possível para ninguém.
Seja feliz! Torne-se, você também, um imbecil!
10 de junho de 2013 § 1 comentário
O vídeo é a sugestão da leitora Varlice para que você deixe de sofrer e se integre à maioria que pensa do modo como Angeli descreve na charge aí embaixo
De volta às revoluções e às reviravoltas
3 de abril de 2013 § 6 Comentários
Aberto o parêntese para tratar da criminalidade (e você certamente reparou que os três estupradores mencionados que agiam livremente ha meses, senão anos no Rio de Janeiro, desta vez foram presos em 24 horas apenas para inglês ver; brasileira foda-se, assim como acontece na relação de causa e efeito entre a contratação da Copa do Mundo e os turistas que vêm aí e a ocupação dos morros/UPPs), volto à questão de fundo que é a sina dos filhos das reviravoltas comparada à dos filhos da revolução.
Os ideais iluministas puderam consolidar-se nisto que conhecemos como a democracia moderna graças à concomitância de três fatores que se reuniram pela primeira vez na história da humanidade e que talvez não se repitam nunca mais:
- a descoberta de um território “virgem” (as aspas são os índios) livre de um sistema de poder a ser superado;
- o surgimento da primeira população nacional integralmente alfabetizada;
- o surgimento da primeira população nacional integralmente constituída por proprietários.
Este último fator, quanto mais penso mais acredito, foi ainda mais importante que o segundo, e não apenas pelo fato da propriedade de terra ser ainda mais generalizada que a alfabetização no momento em que tudo se deu, mas porque o império da lei interessa mais para quem é proprietário do que para quem não é, ou melhor, para quem jamais poderia vir a se-lo dentro do sistema legal vigente na Europa feudal.
Dissimular sentimentos, violar as leis e mentir não são apenas atos moralmente justificáveis para quem vive uma condição de servidão a senhores que têm sobre ele poder de vida ou morte. São um imperativo de sobrevivência e até um ato de resistência e rebeldia digno de elogios.
É esta a raiz do vício antigo de que falei no primeiro artigo desta série.
O amor ao cumprimento das regras dos americanos do Norte e a tranquilidade com que os oprimidos filhos das reviravoltas passam por cima delas têm um sentido muito prático, portanto. Está longe de ser uma questão moral, apenas.
Ela passa a ser uma questão moral à medida que a vítima vai se acomodando aos efeitos colaterais do vício de isentar-se de culpa até o ponto de apaixonar-se por ele…
Mas voltemos à propriedade.
A Inglaterra tornou-se dona do mundo um pouco antes da hora em que fatalmente acabaria por chegar a sê-lo graças à enorme tempestade que a ajudou a destruir a “Invencível Armada” espanhola.
Por séculos a fio, graças ao senso prático dos ilhéus anglo-saxônicos comparado à parlapatice latina, os ingleses, muito objetivamente, cuidaram de manter seus reis sempre pobres em vez de tentar cercear o poder deles só com palavras.
Cada vez que precisava de dinheiro para enfrentar inimigos ameaçadores o rei tinha de vir ao Parlamento de mão estendida. E o Parlamento só soltava o dinheiro a troco de mais um direito cedido pelo rei.
Foi assim que, já em 1688, mais de um século antes do início das revoluções contra o absolutismo no Continente, o Parlamento inglês tinha submetido completamente o rei (colocando-o “under God and under the law“) e conquistado basicamente todos os poderes que tem hoje.
No DNA da democracia está, portanto, o objetivo de opor o dinheiro ao poder político e o poder político ao dinheiro (esta parte consolidada mais tarde, já nos Estados Unidos, na memorável batalha antitruste do início do século 20). O que vale dizer que sempre que esses dois se juntam, como está voltando a acontecer vertiginosamente neste momento, a democracia está sendo pervertida e incorrendo em grave risco de desaparecer.
O primeiro grande subproduto da vitória sobre a “Invencível Armada” foi a Inglaterra herdar o imenso território onde hoje estão os Estados Unidos. Era preciso colonizá-lo mas não havia recursos no sempre magro Tesouro Real para isso.
A solução foi entregar essa tarefa a empresas privadas.
Mas havia um problema ainda mais difícil de resolver que o da falta de dinheiro: também faltava gente.
Como atrair gente para ir tentar a sorte naquele “outro planeta” desconhecido?
Oferecendo o impossível na Europa de então para quem não tivesse nascido “nobre”: a propriedade da terra.
Os Estados Unidos foram colonizados pelo sistema do headcount no qual cada imigrante que concordasse em vir recebia 50 acres (20 hectares) de terra. “E traga a família toda e mais os amigos porque são 50 acres por cabeça”.
Constituiu-se assim, nos tempos em que em todo o território brasileiro havia 12 proprietários apenas, a primeira sociedade humana que, excluídos os escravos, era integralmente composta por pequenos proprietários que se auto-definiam como produtores, eram capazes de ler a Bíblia sozinhos e acreditavam que a virtude estava mais em acumular que em consumir.
A revolução educacional que foi o Protestantismo, cujo mote inicial era dar a cada um a condição de ler, ele próprio, a Bíblia que Gutemberg tornara acessível a todos, contribuiu mas não foi decisiva àquela altura.
Passaria a ser mais tarde, já no século 20, depois que a educação se firmou como a única condição indispensável de acesso à propriedade dos modernos meios de produção (sempre mais intelectual que de outra natureza).
Foi a educação o instrumento que resgatou da barbárie política os países asiáticos que, longe das tradições e da cultura anglo-saxônicas, tiveram a humildade de reconhecer a superioridade do sistema democrático, copiá-lo e transformar-se em democracias plenas depois de passar por profundas revoluções educacionais que deram a cada um dos seus nacionais condições de acesso à propriedade.
Pelo meio do caminho ficamos nós, os filhos das reviravoltas, sempre muito barulhentas e sangrentas mas apenas reviravoltas, trocando constantemente de “reis” sem trocar de regime.
E ficamos em consequência do apego a uma “igualdade” conformada que é a tradução do nosso hábito de desculpar nossos próprios fracassos de preferência à esfalfante obrigação de perseguir diariamente o sucesso pelo merecimento e, pior que isso, a passar a “humilhação” de reconhecer-mo-nos, eventualmente, menos merecedores que o próximo.
O uso do cachimbo entortou-nos a boca. Mas o caminho continua aberto para quem se atrever a tomá-lo.



















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