Em Brasilia nem o “passaralho” da McKinsey voa

28 de janeiro de 2013 § 1 comentário

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Aqui fora, no mundo onde as contas têm de ser pagas com suor e trabalho, a notícia da entrada da McKinsey numa empresa faz o pânico correr como fogo de palha pelos corredores: “O passaralho vêm aí! O passaralho vem aí!

Mas nem aqueles nerdzinhos de sotaque esquisito, ternos pretos com suspensórios e os indefectíveis Power Points cheios de setas coloridas apontando em todas as direções com que vendem aos trouxas a sua invariável recomendação de horrendas amputações resistem aos ares do Planalto Central.

Brasília, seja qual for o tamanho da safra, seja qual for o regime do mundo, seja qual for a assessoria consultada só se move numa direção: a da engorda.

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Pois não é que “ao fim de um processo em gestação ha mais de um ano” sob os auspícios “da maior consultoria de inteligência empresarial que existe no Brasil”, a McKinsey, “para adequar o banco ao seu novo perfil mais competitivo”, recomendou pela primeira vez desde que sua história começou a ser registrada que ele se torne um pouco mais pesado?!

O contribuinte brasileiro podia ter economizado pelo menos o preço deste palpite – e os da McKinsey custam sempre os olhos da cara! – já que ele não varia um milímetro sequer daquele que todo e qualquer “anão do orçamento” que já nos concedeu a graça dos seus préstimos sempre prescreveu para todos os problemas do Estado brasileiro: a criação de mais duas vice-presidências e 10 diretorias para abrigar uma nova leva de “aliados” que vão acrescentar “governabilidade” ao governo do PT, isso sem contar um ministério extra que, pela primeira vez na história deste país e quiçá do mundo, nos põe na marca das quatro dezenas deles.

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E ficam aí os doutores Celso de Mello e Joaquim Barbosa a fazer beicinho para os trocados que o PT distribuía para comprar este mesmo precioso bem nos primeiros dias do seu governo…

Pois o Brasil estava fazendo um excelente negócio e não sabia!

O novo ministério – da Micro e Pequena Empresa – vai para o dr. Afif Domingos porque ele, na hora certa, tornou-se amigo de Gilberto Kassab. Já a nova vice-presidência de Micro e Pequena Empresa (bis) da Caixa vai para o indicado do dr. Kassab que, com tais fontes de munição eleitoral nas mãos, torna-se eterno enquanto durar na política brasileira.

A outra novidade chancelada pela multinacional que aprendeu tudo que sabe em Wall Street é a vice-presidência de Habitação, tema xodó de dona Dilma que aprendeu rapidamente que a Sua Casa é a Vida Dela. E, sendo assim, esta fica com o PT mesmo.

Vai que “deus” deixa ela ser candidata outra vez…

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Em troca o dr. Kassab entrega 49 deputados e dois senadores que ele nunca elegeu mas surrupiou de outros caciques menos rápidos no gatilho. Comprou cargos com deputados roubados, o que merece um capítulo novo na lista de agravantes do Código Penal quando tivermos um que alcance gente com cargos públicos.

O PMDB, que tem só duas vice-presidências da Caixa, já deu o alarme que terá de vir mais por aí pois, feitas as devidas comparações entre a “governabilidade” entregue e o pagamento aferido o “diferenciado” Zé Sarney tem a haver mais uma fatiazinha do Brasil.

A vice-presidência de Pessoa Jurídica (quer dizer, as grandes empresas), hoje nas mãos do fiel Geddel Vieira Lima, último sobrevivente do nanismo orçamentário, um tipo de roubalheira que já se tornou obsoleto, jorra bem mas já não enche o balde. E a de Fundos de Governo e Loterias, bifão que já foi daquele sujeito unha e carne do Zé Dirceu que foi filmado sendo subornado pelo Carlinhos Cachoeira quando ele ainda não tinha cabelos implantados, hoje nas mãos zelosas de um certo Fabio Cleto sem o “p” entre o “e” e o “t” servia para os tempos do milhão mas já não basta para estes do bilhão.

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O PMDB sabe esperar…

Faz parte dessa mesma reforma chancelada pela McKinsey a entrega, mês que vem, da Presidência do Senado ao dr. Renan Calheiros e sua legião de laranjas e testas de ferro, e a da Câmara a Henrique Eduardo Alves, atual líder do PMDB, que tem ficha parecida com a deste.

Explica-nos o vice-presidente de dona Dilma e presidente de honra do PMDB, Michel Temer (que, para os íntimos, jacta-se de ser homem de pelo menos R$ 5 bi), do alto de sua infinita sabedoria, que as fichas imundas desses candidatos não atrapalham mas, ao contrário, ajudam a eleição desses senhores pelos seus pares nas duas casas do Congresso Nacional.

Basta dar uma olhada na nova fornada de líderes partidários em gestação para a legislatura que se inicia agora em fevereiro. Comandarão a frente de apoio ao antigo “partido da ética na política“, pelo PR, Anthony Garotinho, pelo PMDB, Eduardo Cunha, pelo próprio PT, ninguém menos que José Guimarães, vulgo “cuecão”, irmão do cruzado da democracia José Genoíno, pelo espírito inovador de que já nos deu provas. A lista desce por aí abaixo, “E a todos eles, explica sua excelência, interessa ter nas mesas que controlam a criação de CPIs, a abertura ou engavetamento de processos por falta de decoro e outros instrumentos assemelhados gente que tenha sensibilidade para o mesmo tipo de problema que afeta a cada um desses patriotas”.

Vivendo e aprendendo!mk20

Vocês querem bacalhau?

3 de abril de 2012 § Deixe um comentário

Rodou, rodou, e voltamos ao ponto de partida.

Me bateu um desânimo, hoje, ao ver o ministro da Fazenda, com todo aquele circo armado em volta, lendo aquelas listas patéticas dos contemplados com a graça de por o nariz para cima da linha d’água quando o barco começa fazer água de que tive a ilusão de que pudéssemos nos livrar aí pelos começos do Terceiro Milênio.

Confecções, luminárias, call centers, móveis, plásticos…

La ia o Mantega, cheio de “erres”, atirando os seus “bacalhaus” para a plateia e,  na minha imaginação, eu via uma espécie de auditório de TV gigante onde, a cada nome sacado do chapéu, uma torcida se manifestava aos gritos de alívio, como quando o Jô Soares nomeia os convidados da sua plateia.

Nas primeiras filas do auditório do Mantega, aboletados em posição de destaque mas com um ar inteiramente blazé,  sentava-se a fina flor dos “barões do BNDES”, seguros dos seus bilhões, a nos lembrar muito graficamente que em país em que ministro da economia se dedica a montar listinhas de contemplados, só mesmo quem chora é que mama.

Reformas mesmo, nem pensar. Alterar a estrutura cuja falência o governo está confessando com seus band-aids tributário-protecionistas, de jeito nenhum.

Vamos direto e reto de volta pras carroças a preço de rolls-royce que merecemos.

O doutor Mantega mencionou a intenção do governo de obter do Congresso uma redução das alíquotas de ICMS para importados para 4% de modo a reduzir o espaço para a guerra que os governadores travam por essa brecha onde os traíras que elegemos enriquecem os espertalhões que depois financiarão as suas campanhas às custas dos empregos dos seus eleitores nas industrias nacionais que cairão de joelhos diante das importações subsidiadas com dinheiro público.

Que país, meu deus do céu!

Não estou nem culpando a Dilma, que já chegou meio no fim da festa. Pois se em países de dois partidos já não é mole aprovar políticas econômicas para tempos de vacas magras, que dirá neste pasto das matilhas de hienas da governabilidade.

Já fez mais do que eu esperava depois do que tenho ouvido por aí a respeito dessa farra do subsídio às importações, ao pelo menos mandar a lei para o Congresso de modo a “lavar as mãos”.

Mas o que me garantem fontes que sabem o que estão dizendo é que é tudo só mesmo para marcar posição pois partido por partido, governador por governador, todos já provaram ao governo a sua firme disposição de não mover uma palha para extinguir essa mina.

Vão fechar a brecha para a importação de aço, graças aos préstimos de sir Gerdau e sir Steinbruch, e de certos polímeros que interessam a sir Odebrecht, todos eles devidamente alugados pelo PT para as próximas temporadas, e o resto do empresariado que se arda.

A conferir…

Agora, que é triste é triste a sina do brasileiro que insiste em empreender. Um governo que sente a necessidade de anunciar pacotes de medidas desse tipo está confessando que sua política – ou sua falta de politica – deu o que tinha de dar e precisa mudar de rumo, mas que ele não tem condições políticas sequer de pensar nisso.

A onda da inflação das commodities só serviu para inflar egos e comprar poder. Em matéria de musculatura institucional, não avançamos um passo.

Despartidarizar as eleições municipais

30 de março de 2012 § 1 comentário

De toda a pletora dos remédios que os americanos inventaram para reduzir a corrupção a níveis que fizeram deles a sociedade mais rica que a humanidade já produziu enumerados na matéria que precedeu esta, a despartidarização das eleições municipais é aquela em que os brasileiros deveriam focar os seus esforços.

E isto pelo simples fato de que ela sozinha seria a que produziria os maiores danos no “Sistema” montado pelos nossos políticos para que nada mude neste país.

Tornar as eleições municipais independentes dos partidos políticos é tirar das mãos dessa máfia o instrumento de controle absoluto que ela tem hoje sobre a porteira onde se filtra quem pode ou não entrar no mundo da política brasileira.

A continuação do sistema criminoso que enfrentamos hoje depende essencialmente desse filtro e está montado para controlá-lo absolutamente.

O loteamento dos canais de rádio e televisão brasileiros entre as velhas oligarquias regionais que desde sempre estiveram no poder neste país foi o instrumento através do qual a dupla Jose Sarney, então Presidente por acaso do Brasil, e Antônio Carlos Magalhães, que ele escolheu como seu Ministro das Comunicações, mataram antes que nascesse a “Nova Republica” que deveria ter inaugurado uma nova era na política brasileira depois do fim do regime militar.

Desde então são os mesmos “coronéis eletrônicos” e sua descendência que controlam dos bastidores a política nacional.

Com esse instrumento nas mãos eles foram conquistando praças e pondo a força da publicidade governamental para matar a imprensa independente local até ficarem falando sozinhos em seus terreiros particulares.

Desde então esse Sistema elege ou deselege quem eles querem nas regiões dominadas por suas rádios e televisões ou é “alugado” contra pedaços das praças que eles ajudarem a conquistar, até mesmo para os candidatos “bons de voto” em eleições majoritárias que entram na carreira política com a ilusão de que seu carisma pessoal poderá levá-los ao poder contornando os currais eleitorais regionais.

Ninguém pode, como já comprovamos à exaustão.

Mais além, esse sistema de servidão foi “socializado” pelo expediente do “horário eleitoral gratuito” que estendeu um pedaço desse poder a cada partido que conseguir comprar seu trânsito para dentro do Sistema.

Abrir as eleições municipais a todo e qualquer candidato que quiser se oferecer aos eleitores sem ter de pedir licença aos “coronéis eletrônicos” e/ou aos alugadores de tempo na TV nas campanhas eleitorais varre de uma só vez para a lata de lixo da história essas duas pragas.

Não se poderá eliminá-las “por dentro”. A única maneira de acabar com elas é pela “supressão do seu habitat”, que é, em ultima instância, o controle e o aluguel das instâncias políticas municipais e regionais contra o direito de saque da parcela do todo que ajudarem a conquistar.

Também essa mudança só poderá ser feita com a aprovação dos próprios prejudicados por ela, o que torna esse projeto inviável“, dirão os mais pessimistas.

Não é verdade.

Essa mudança pode ser conseguida pelos instrumentos de legislação de iniciativa popular, mesmo fracos como eles ainda são no Brasil. E além disso, já está na hora do Brasil aprender que nada em política é impossível desde que haja uma firme decisão do povo de querer que a mudança aconteça.

Mais difícil seria resolver o problema da concentração da arrecadação de impostos nas mãos da União e dos Estados que deixaria os governantes municipais dependentes deles, de qualquer maneira.

Mas com seis mil e tantos representantes eleitos fora da ordem partidária, independentes dos chefões, seria muito difícil que estes, com suas hostes reduzidas às instâncias federal e estaduais, tivessem força para resistir-lhes.

A despartidarização das eleições municipais traria sangue novo para a política brasileira e deixaria os grandes predadores de hoje condenados a morrer à míngua.

Pense nisso. E faça seus amigos pensarem nisso.

Quem tem medo do Congresso Nacional?

15 de março de 2012 § 2 Comentários

(A foto foi alterada para salvaguardar a honra da profissional)

Ver a trinca Sarney, Jucá e Renan levar uma rasteira nunca é razão pra chorar.

Mas a Dilma não bateu neles pelo que eles representam. Bateu só porque foi contrariada e desse jeito ela não brinca mais.

Eles todos se merecem.

Barraram a condução do meu amiguinho para a Agencia Nacional de Transportes? Não me deram a votação da lei que pune empresas que pagam menos às mulheres no Dia Internacional das Mulheres? Estragaram a minha festa?

Deixa estar, jacaré!

Bye bye, Jucá! E tome Eduardo Braga, seu Sarney!

E aproveita e prega o pé no dr. Vacarezza também que andou me contrariando na votação do Código Florestal. Aí ó!

Bem feito! Tá pensando!

Dona Dilma definitivamente não acordou de bom humor, seu Lula!.

A arraia miúda põe a boca no trombone. Passa recibo. Frisa a natureza comercial da transação. O PR “sai da coalizão”, oficialmente porque perdeu a teta.

Vocês resolvem a vida de todo mundo e não resolvem a nossa? PT saudações“.

O Blairo tá à venda, sim. Mas é preciso pagar, qualé!

Já os profissionais só chacoalham os guizos.

O Sarney tá mesmo na porta da saída. Os outros dois têm sete anos de mandato no Senado, mais que o dobro dos três que restam à dona Dilma.

Não vai faltar oportunidade…

E, de repente, vai que tudo isso ainda não acaba virando oportunidade para mais lucros.

Pois já não estão todos de braços dados – PMDB, DEM, PSDB e PP – assinando a moção do PT ao TSE para melar o impedimento das candidaturas de quem tem dividas de campanha penduradas?

Amigos, amigos, negócios à parte. Afinal, o dinheiro compra ate o amor verdadeiro.

Ou o Brasil acaba com o “custo Brasília”, ou…

24 de fevereiro de 2012 § 4 Comentários

O brasileiro fica duas vezes mais rico assim que cruza qualquer fronteira para fora do país.

O Jornal da Globo mostrou ontem que a febre das compras no exterior dos nossos turistas chegou a tal ponto que os aviões com rotas dos Estados Unidos para o Brasil tiveram até de alterar seus cálculos de autonomia e passar a carregar mais gasolina do que costumavam para transportar o peso extra das bagagens que não para de crescer.

E eu aqui falando dessa fronteirazinha tênue entre o Brasil estatal e o Brasil privado que se sente no próprio esqueleto ao passar das estradas para as ruas de São Paulo!

Essa volúpia de compras do brasileiro no exterior é fenômeno do mesmo departamento. É a “nova classe media”, que tem o bolso muito mais raso que o dos brasileiros que costumavam viajar antes, experimentando pela primeira vez a fascinante experiência de viver sem ser roubada.

Chega lá fora e simplesmente não acredita nos preços sem o custo Brasília que encontra para os mesmos produtos que consome aqui.

Não é que se esbalda de comprar pra torrar o que não tem. Faz isso pra economizar.

Compra as passagens da família toda, paga o hotel, passeia sossegado pelas ruas à noite, monta o guarda roupa de todos para o ano inteiro e, tudo somado, ainda sai mais barato do que fazer só as compras aqui.

Por que?

Pela mesma razão que um container vem do interior da China até o Porto de Santos por US$ 2 mil, e custa os mesmos US$ 2 mil para levá-lo do Porto de Santos até São Paulo, 80 quilômetros serra acima: porque lá não tem o custo Brasília.

A gente se acostumou a olhar pra este país coberto de carrapatos e não sentir arrepios. E como aqui até o mais miserável mendigo tem o seu privilegiosinho oficial concedido por algum desses patriotas que aparecem todos os dias no “horário eleitoral gratuito”, convém a todos acreditar quando o nosso presidente nos diz que “todo mundo é assim”.

Não é não.

A prova está na nossa cara mas aqui de dentro a gente não vê. Quando põe um pé lá fora é que a coisa bate.

E o resumo é o seguinte: não dá pra sustentar Brasília e, ao mesmo tempo, uma infraestrutura minimamente competitiva. As duas coisas juntas simplesmente não cabem naquela terça parte que Brasília toma a cada ano da sexta maior economia do mundo (e dizer que Tiradentes se deixou esquartejar por uma mera quinta parte…).

O imposto mais alto do mundo somado à pior infraestrutura do mundo – o custo Brasília – implica o massacre da industria nacional a que vimos assistindo. Mas como o custo Brasília é imexível porque sem ele não ha mamabilidade o jeito é aumentar o “custo Mundo” na marra tacando imposto nas importações e botando a Polícia Federal pra rebolar nos aeroportos confiscando a comprinha barata do aprendiz de classe média brasileiro.

Se você tem mais de 50 anos, já viu esse filme antes. Se não tem tome tento: ou o Brasil acaba com o custo Brasília, ou o custo Brasília acaba com o Brasil.

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