Empresários: compre um, leve centenas
7 de abril de 2011 § 4 Comentários

Agora existe uma prova científica!
Também no Brasil monopólio faz mal pra todo mundo, menos pro dono do monopólio.
Não é que se tenha descoberto nada que o resto da humanidade já não tivesse aprendido, quase sempre no hard way. Mas como nesta nossa ilha cercada de língua portuguesa por todos os lados as informações chegam com grande atraso, sempre vale alguma coisa reafirmar velhas verdades.
Este momento em que, na sequência da criação de uma já bastante ampla constelação de monopólios estratégicos para o funcionamento de toda a economia brasileira de que se vem cercando, o PT lança os seus tentáculos sobre a Vale é, aliás, dos mais oportunos para se voltar a esse assunto.
A medida dos prejuízos mencionados foi tomada pelos professores de direito da FGV do Rio de Janeiro, Antônio José Maristrello e Rafaela Nogueira em trabalho executado para o Centro de Pesquisa em Direito Econômico (CPDE), e o objeto de seu estudo foi a cadeia de produção e vendas do frigorífico JBS, uma das empresas privadas que o BNDES lulista, em função de critérios estritamente arbitrários, municiou com enormes quantidades de dinheiro publico a fundo perdido para que se tornasse hegemônica no setor em que opera comprando todos os seus concorrentes no Brasil e, se possível, também no exterior.
O resultado, agora cientificamente medido pelo CPDE, foi que os produtores de carne passaram a ganhar menos, os consumidores de carne passaram a pagar mais e os donos da JBS passaram a ter muito mais lucro por cada quilo de carne intermediado entre produtores de bois e consumidores de bifes no Brasil e em boa parte do mundo.
O óbvio ululante, enfim.

Mas porque diabos um governo que, teoricamente, age em nosso nome, haveria de usar o nosso próprio dinheiro para nos enfiar nessa armadilha?
A sugestão, que nunca chegou a ser definida formalmente, é de que isso seria uma das ações tomadas visando transformar em “marolinha” o tsunami financeiro de 2008.
“Qualquer forma de política industrial”, lembram porém os dois professores no artigo para O Estado de S. Paulo em que relatam o resultado de sua pesquisa, “deve ser dirigido a ganhos da sociedade. E a discussão sobre quem deve ser o escolhido para receber os incentivos deveria passar por critérios claros e transparentes e ser objeto de maior controle democrático”.
No caso em tela não acontece nem uma coisa nem outra. Tudo se parece menos com uma verdadeira política industrial que com mais um dos expedientes petistas para “fazer amigos e influenciar pessoas”.
A “sociedade”, representada por produtores e consumidores, perde dinheiro, perde liberdade de escolha, perde liberdade de emprego.
E o que orienta as escolhas do BNDES é tudo menos o mérito do contemplado, o unico critério eticamente justificado de legitimação da riqueza. Frequentemente, ao contrário, a operação começa quando eles fracassam.
Também não existe nenhum controle democrático sobre a distribuição desses bilhões. O Executivo (PT) decide arbitrariamente quem receberá a graça de comprar seus concorrentes com dinheiro publico sem nenhuma consulta ao distinto público ou participação dos demais poderes da Republica.
O felizardo, naturalmente, ficará eternamente empenhado pela graça recebida. E sua gratidão vai materializar-se, desde logo, na hora de financiar campanhas eleitorais. Mas este é o menor dos frutos que o partido colhe com essa estratégia.

O BNDES do PT torna-se sócio para sempre dos monopólios que cria. E tem escolhido invariavelmente produtores de insumos indispensáveis a extensas cadeias de produção que ficarão dependentes dos seus fornecimentos.
Ou seja, comprando um único empresário disposto a se vender leva de troco centenas de outros que, resguardando ou não a própria dignidade, prezando ou não a própria liberdade, também ficarão à sua mercê.
Junto com eles entram para a condição de dependentes do novo gigante da praça todos os consumidores dos seus produtos, agora nas mãos de um único vendedor; todos os trabalhadores especializados nesse setor, agora reduzidos a uma única opção de empregador; e todos os fornecedores do insumo que ele processa, agora nas mãos de um único comprador.
É poder pra ninguém botar defeito!
Os monopólios não levam apenas o que você tem no bolso. Eles acabam com a sua liberdade. Instalados com amplitude suficiente, podem deixa-lo diante da alternativa única de submeter-se ou resignar-se a sobreviver na miséria, à margem da economia organizada.
É, resumidamente, aquele tipo de equação que transformou o socialismo real numa relação entre opressores e oprimidos sustentada pela soma da violência política com a violência econômica que, periodicamente, levava a parcela da humanidade que esteve submetida a ele a enfrentar tanques e armas de fogo de peito aberto de tão ruim que a coisa fica.
Agora olhe à sua volta e veja a quantas andamos nessa estrada:
O petróleo, que tudo move, já era “deles”. Os minérios acabam de “subir no telhado”. E mediante as unções do BNDES, o governo se associou ou passou a ter posição de forte influência sobre tudo que gira em torno das industrias do aço, do cimento, de papel e celulose, das petroquímicas (plásticos e cia. ltda.), da rede de distribuição de energia, de toda a cadeia de produção e distribuição de proteína animal, de uma boa parte da infraestrutura de telecomuicações e, direta ou indiretamente, também dos bancos.
Em 2009 o Tesouro Nacional (você) “emprestou” ao BNDES, a juros subsidiados (por nós) R$ 100 bilhões para essas aquisições. O que ele distribuiu para uns poucos privilegiados corespondeu a 52% de todo o esforço agregado de investimento feito na economia brasileira naquele ano. Em 2010, somente até julho, o Tesouro “emprestou” ao banco mais R$ 80 bilhões. Faltam-me dados sobre o que rolou daí por diante. Ha, enfim, um orçamento paralelo sendo executado em favor dos amigos do PT, que não passa por nenhum dos canais institucionais da democracia brasileira.
O perigo desse movimento é ainda mais potencializado pela crise do capitalismo democrático que ha pelo menos 30 anos vem sendo minado em seus fundamentos pela destruição dos mecanismos naturais de defesa do mercado contra o abuso econômico que a invasão chinesa, que não respeita regras nem direitos de propriedade, está provocando.
Os monopólios estatais chineses, servidos por mão de obra quase escrava, vêm obrigando o mundo inteiro a consolidar a produção em conglomerados gigantes dominando monopólios setoriais e obrigando os trabalhadores das democracias ocidentais a devolver conquistas e abrir mão de direitos arrancados ao capital em lutas seculares para não serem completamente excluídos do mercado global.
No mundo inteiro, as legislações antitruste estabelecendo limites para o crescimento do poder econômico e submetendo até o mérito ao interesse maior do cidadão nas suas dimensões essenciais de consumidor e trabalhador, que é onde ele de fato exerce a sua liberdade de escolha, estão caindo por terra esmagadas pelo preço vil das mercadorias quase sempre pirateadas fabricadas pelos quase escravos dos monopólios do Estado chines.
Mas, para nós brasileiros, não basta esse formidável inimigo externo. Em vez de enfrentá-lo, o PT está usando o nosso próprio dinheiro para acelerar, ele próprio, a criação dos monopólios domésticos aos quais se associa e que, discursos aparte, estão armando o seu braço para fazer com que o emprego e o sustento de cada família brasileira se torne cada vez mais dependente da sua condescendência.

Adeus poesia. Adeus revolução. Viva o dinheiro!
31 de março de 2011 § 1 comentário

Na sua linha tradicional de total intolerância para com qualquer forma de sucesso na web que não seja o seu próprio, (ou ela tenta compra-los, ou trata de mata-los sob uma avalanche de bilhões em concorrência desleal) a pantagruélica Google está tentando um novo ataque contra o Facebook, no momento a razão maior do seu obsessivo ciúme.
No ano passado a Google enterrou algumas centenas de milhões de dólares na tentativa de montar uma rede parecida com o Facebook, chamada Buzz.
Não colou.
Agora esta tentando dar a volta ao muro, em vez de saltá-lo, acoplando à sua ferramenta de busca um equivalente da famosa tecla “curtir”, responsável não só por bilhões de hits na rede do Facebook mas, também, por difundir viralmente tudo que seus usuários publicam de mais interessante, o que cimenta comunidades de usuários com gostos semelhantes e multiplica enormemente a movimentação da rede.
A Google está anunciando a disponibilização da tecla “+1” junto à sua ferramenta de busca que permitirá aos usuários “curtirem” certas páginas trazidas pelo algoritmo googleiano nas buscas por eles empreendidas. Essa avaliação personalizada (em lugar da estritamente matemática) será automaticamente transmitida à lista de “amigos” desses usuários do Google que, quando fizerem suas buscas, receberão essas páginas no topo da lista de respostas, independentemente da colocação que lhes teria sido dada pelo algoritmo puro e simples.

Essas comunidades de amigos” que o Google espera formar não são exatamente voluntarias, como as que se formam no Facebook, mas resultado do cruzamento de todas as informações sobre o uso que cada pessoa faz dos diversos produtos Google como Google Chat, Youtube, busca, serviços de e-mails, etc, e da rede em geral (sites alheios inclusive, como de hábito). Ou seja, algo na velha tradição Google de meter o nariz onde não é chamado sem perder tempo em perguntar onde o usuário gostaria ou não que ela metesse esse nariz…
A Google espera, com o tempo, compor bancos de dados com informações suficientes para dar a cada comunidade de usuários que, por uma razão ou por outra, mantiveram contato um com o outro pela rede afora, resultados personalizados nas suas operações de buscas, jogando na frente da fila tudo que foi “curtido” por estes seus “amigos” desejados ou indesejados.
A briga entre os gigantes da web é de foice no escuro.
Ninguém se satisfaz com bilhões, ainda que sejam centenas de bilhões. E todos querem invadir a seara uns dos outros, acreditando que, de um jeito ou de outro alguém acabará por fazê-lo. Fica cada vez mais distante aquele discurso “libertário” dos tempos da fundação da Google e cada vez mais explicito o da vontade de tudo açambarcar, se possível sozinho.

A Amazon, que viu o seu filão de venda de CDs minguar depois que estouraram as vendas faixa a faixa de musica na web com as invenções de Steve Jobs, anunciou hoje o lançamento de um novo sistema de venda de musica. A novidade é que ao contrário dos existentes na concorrência, quem comprar na Amazon , que hoje vende de space shuttles a alfinetes, não terá de baixar a musica para o seu gadget – celular, tablet ou computador – nem repassar o que comprar de um aparelho para o outro para ter as suas discotecas e playlists em todas as suas máquinas. As musicas e discotecas compradas na Amazon ficarão armazenadas na “nuvem” e poderão ser acessadas de qualquer lugar do mundo. Os primeiros 20 gigas são grátis. A partir daí, paga-se um fee por mês. O problema da Amazon, assim como o da Google, é que nenhuma das duas negociou previamente o seu sistema de vendas com as gravadoras, como fez Steve Jobs, que ainda detém 69% do mercado de venda de musica online.
O Facebook também não esta satisfeito em ser o campeão das redes sociais. Já tem o seu sistema de venda de musica e está entrando agora no de aluguel de filmes, território para o qual a Google também correu recentemente, todos atrás do pioneirismo de Jobs. Embora a oferta de títulos seja ainda muito pequena, Facebook está negociando com os grandes estúdios para amplia-la rapidamente. Sua vantagem é o sistema de indicação de “amigo” para “amigo” que a Google está agora tentando copiar.
Ou seja, Google, Apple, Facebook, Amazon e, atrás delas, alguns azarões que ainda não estão completamente fora do páreo (gente de “apenas” dezenas e não de centenas de bilhões de dólares) , convergem todos para vender conteúdo editorial, sonoro e de cinema online, usando estratégias de associação com os produtores em troca de proteção contra pirataria, como a de Jobs; de indicação de produtos entre amigos, como a de Zuckerberg; de busca como a de Brin e Page. Não demora nada todos eles correrão com receitas convergentes também para o varejo generalizado, como fez Bezos.

A próxima etapa da corrida do varejo online, aliás, promete ser a de internet banking, outro desses filões sem limites do qual o Japão é o paradigma. A ideia geral é fazer com que o celular ou o gadget eletrônico único do futuro muito próximo substitua todas as formas de dinheiro ou quase dinheiro usadas hoje, tais como cartões de crédito e outras mais antigas. Então, tudo se comprará, tudo se lerá, tudo se ouvirá, tudo se assistirá e tudo se pagará apertando botõezinhos da mesma máquina.
Do lado de cá do mundo, a Google é quem corre na frente, entre os gigantes, nesse setor. Está em negociações avançadas com Citigroup e Mastercard.
E como a questão regulatória ainda é uma interrogação em aberto para muitas dessas atividades, outro ponto em que todos se parecem é na corrida pela contratação, a peso de ouro, de altos funcionários de governo bons de lobby. O Facebook, por exemplo, está contratando Robert Gibbs, ex-secretário de imprensa da Casa Branca. Al Gore é do conselho do Google, e a lista vai por aí, recheada de um numero cada vez maior de nomes estrelados dos altos escalões de Wall Street ou do governo federal, que são quem ainda manda no mundo.
Pelo que, recorda-se aos sonhadores e aos “ideólogos da web” que, superada a primeira infância dos estudantes inventores em suas proverbiais garagens; experimentado o primeiro “mel”, é a velha natureza humana de sempre que se impõe. A Google nasceu com um discurso “libertário” (que desde o primeiro dia lhe deu muito lucro, diga-se de passagem, porque era com ele que justificavam ignorar direitos autorais e faturar sobre obras alheias). Seus donos, até hoje, gostam de ser chamados “Os Fundadores” ( de uma “nova ordem”) buscando um eco dos Founding Fathers da democracia americana…
Mas tudo isso foi ha 10 anos que, na era das redes, equivalem a 10 séculos. Hoje só voam mísseis cruise pelos céus do cyber espaço .
Poesia é para os poetas; revoluções são para os revolucionários. As grandes corporações querem mesmo é dinheiro, que é o outro nome do Poder.

Dilma x Lula: a vez das afinidades
29 de março de 2011 § 1 comentário

Começo por onde parou o editorial de hoje do Estadão.
A presidente Dilma mostrou diversas vezes quais são as suas diferenças em relação ao presidente Lula. Mas ao aceitar o linchamento do diretor da Vale, Roger Agnelli, está sinalizando a quem interessar possa onde começam as semelhanças.
O que me pergunto é se a escolha do sensível território das invasões barbaras que o PT tem praticado na economia privada para mostrar essas afinidades não indica que as diferenças até hoje comemoradas são mais de tática que de fundo.
Pelo seguinte.
A conquista do Estado é página virada para o PT. Foi um longo aprendizado até que Lula conseguisse aparar todas as arestas que o atritavam com os eleitores mas ele conseguiu. Agora, depois de oito anos “lá” a ocupação e o aparelhamento do máquina pública e a sua integração orgânica ao projeto de poder petista é algo tão sólida e abertamente assumido que, se resta alguma duvida por ser dirimida é se, na eventualidade da Presidência da Republica cair nas mãos de outro partido, o Estado petista vai ou não se submeter ao veredicto do eleitor e seguir as ordens de um governo não petista.
Isto posto, pensemos granmscianamente, como fariam os petistas que interessam.

Com a máquina do Estado bem segura no embornal; com os demais poderes bem amarrados pelas nomeações e seus titulares devidamente documentados no uso das suas tetas licitas e ilícitas; com os grandes empresários no bolso e o governo desfrutando de ampla liberdade para usar as polícias e as leis apenas quando convém e somente contra os incomodados, como tem acontecido desde o esquecido Mensalão 1, não faz mesmo nenhum sentido trombar de frente com as liberdades fundamentais, como a de imprensa, renegar os direitos humanos básicos, nem tampouco alinhar-se automaticamente com os mais notórios desclassificados da cena politica internacional.
Isso só serve para “sujar a barra” internacionalmente e fazer aliados perder votos.
O próprio Lula, aliás, faz jus ao mérito que todos lhe reconhecem de ter convencido os restos da esquerda radical, no Foro de São Paulo, de que já se foi o tempo da violência e da contestação, o caminho para o poder, agora, é o do voto. E convenceu tão completamente que até o velho Fidel Castro trocou a farda por um moleton e acedeu em “exortar” a ultima guerrilha esquerdista em ação – a das Farc na Colômbia – a aceitar a paz. Cuba está tão empenhada nessa paz, aliás, que as Farc foram subitamente acometidas de uma epidemia de traições em seus esconderijos na selva que resultaram na morte em sequência de todos os seus lideres “linha dura”, restando apenas os moderados que agora estão negociando com o governo de Bogotá, como deseja Fidel.

Mas tudo isso é passado. A questão que está pela frente, e que desde a segunda eleição de Lula monopoliza obsessivamente a sua atenção, é como projetar internacionalmente o poder desse novo Brasil; desse novo PT.
E para isso o modelo, hoje, indiscutivelmente, é a China.
Vista por essa ótica, passa imediatamente a fazer todo sentido a longa série de estranhos acontecimentos que desagua agora no fuzilamento publico do homem que, desde que passou a comandar a Vale, multiplicou por quase 17 vezes o seu valor.
Por que razão esses nossos antigos paladinos dos fracos e oprimidos vivem hoje abraçados aos superpoderosos empresários que, graças aos seus préstimos, galgam todos os anos novas colocações na lista dos bilionários da revista Forbes? O que explica que o único banco brasileiro de fomento ignore os milhares de empregadores brasileiros sem acesso a crédito e despeje dezenas de bilhões de dólares exclusivamente nos cofres das mega-empresas, as únicas no país que podem tomar dinheiro tanto no mercado aberto quanto em bancos nacionais ou estrangeiros? Porque um governo que diz agir em favor dos oprimidos trabalha furiosamente para criar monopólios que darão poderes absolutos a patrões contra trabalhadores com cada vez menos alternativa de empregadores? Porque focam essas operações em produtores de insumos primários em cima dos quais se estruturam todas as grandes cadeias produtivas da indústria nacional? Porque, depois de cooptar os homens mais ricos do país, tomam-nos pela mão e levam-nos ao exterior para fechar ainda mais os seus esquemas monopolísticos com recursos do Tesouro Nacional?
É a glória eterna dos Gerdau, dos Ermírio de Moraes, dos Batista, dos Joésios que este governo quer garantir?
Ou está-se juntando a fome de poder do PT com a vontade de comer dos “capitalistas de relacionamentos” de modo a reeditar os recorrentes consórcios de interesse entre o Estado e os interesses privados para controlar as torneiras dos insumos básicos onde todo o resto da economia nacional é obrigada a vir beber que sustentaram os esquemas de poder tanto de Getúlio Vargas quanto dos militares por quem Lula tantas vezes declarou admiração?
E com o crescente peso relativo da economia brasileira no cenário mundial, não é esse modus operandi, também, perfeitamente adequado para projetar internacionalmente o poder de um país de que o PT, do qual Lula se considera a encarnação viva, acredita ser “a vanguarda”.
O que, senão o desejo de usar como instrumento político o controle de gargalos nevrálgicos da economia mundial, como os de commodities minerais, petróleo e, especialmente, a produção e comercialização de proteína animal e vegetal, pode explicar o esforço ingente dos governos petistas de criar e se tornar sócio de grandes monopólios em operações onde não se leva em conta o mérito dos escolhidos ou dos preteridos no jogo de cooptação dos representantes do capital nem o interesse da massa dos brasileiros nos seus papéis de trabalhadores assalariados ou de consumidores?
A China, com a sua abordagem predatória do mercado por monopólios que somam o poder do Estado ao do capital anabolizados pelo esmagamento dos direitos dos trabalhadores que os servem, está pondo o mundo de joelhos e ameaçando o capitalismo democrático com a pura e simples supressão do seu habitat (que é o mercado livre de interferências espurias).
E o PT está louco para bancar uma parte desse jogo.

McDonalds não é mais o maior do mundo
11 de março de 2011 § Deixe um comentário

O McDonalds perdeu para a rede Subway, também dos Estados Unidos, o titulo de maior cadeia de restaurantes do mundo.
Segundo o Wall Street Journal, a Subway terminou 2010 com 33.749 restaurantes ao redor do mundo, enquanto o McDonalds terminou com 32.737. As informações foram tiradas dos portfolios das próprias empresas enviados ao SEC, que é a autoridade do mercado financeiro norte-americano.
A Subway abriu o seu milésimo restaurante na Ásia e declarou que o crescimento fora dos Estados Unidos é a sua opção estratégica hoje.


O primeiro restaurante da Subway fora do país foi aberto em 1984 no Bahrein. Agora seus gestores afirmam que por volta de 2020 eles já terão mais restaurantes fora do que dentro dos Estados Unidos. Hoje a rede tem 24 mil restaurantes no país que geraram US$ 10,5 bilhões do seu lucro total de US$ 15,2 bilhões no ano passado.
A rede deu seu grande salto com o lançamento do sanduiche Footlong (um “pé” ou 33 centímetros de comprimento), vendido a US$ 5,00 e, desde então, passou a investir pesadamente em publicidade no exterior para expandir sua rede por meio de um sistema de franquias muito parecido com o do concorrente, segundo a Bloomberg.
Mas o McDonalds não está dormindo e também anunciou uma forte campanha de expansão na Ásia e na Índia para alcançar o concorrente.

Google ataca. É o fim da Apple?
21 de fevereiro de 2011 § Deixe um comentário
Steve Jobs: fora de combate, de novo
Aproveitando-se da péssima repercussão entre os produtores de conteúdo do novo modelo de cobrança anunciado pela Apple na terça-feira passada (15/2), o CEO da Google, Eric Schmidt, anunciou, no dia seguinte, uma plataforma concorrente de venda em regime de dumping de conteúdos digitalizados e, neste fim de semana, no Mobile World Congress em Barcelona, um novo e revolucionário sistema de games que podem vir a ser o golpe de misericórdia na fantástica usina de gadgets e centro de criação de novos modelos de distribuição e consumo de musica, produtos editoriais, filmes e aplicativos para computador de Steve Jobs.
A Apple é totalmente dependente do gênio inovador e da elegância do design de Jobs, um espírito solitário e obsessivamente centralizador, que está mais uma vez fora de combate, derrubado pelo câncer que já lhe impôs um transplante de fígado e agora compromete o seu pâncreas.
Larry Page e Sergei Brim: tudo menos poesia
E se existe alguma coisa que o “admirável mundo novo” importou intacto do velho, foi a ganância dos poderosos e a ausência de poesia na competição entre as grandes corporações que eles montam para galgar as escadarias do poder: no momento crítico vivido pelo adversário a Google atacará por todos os flancos e com todas as armas que tem, aliada com dezenas de fabricantes de hardware e de software.
Foi Steve Jobs quem abriu o flanco. Comprou antipatias poderosas ao impor seu novo modelo de cobrança no momento em que as casas editoriais do mundo todo, estranguladas pela pirataria, viram uma tábua de salvação no seu iPad e se preparavam para “fechar” seus conteúdos ainda abertos na internet e passar a cobrar assinaturas. Como o caminho para os produtores de livros, jornais e revistas tem sido desenvolver aplicativos oferecidos gratuitamente no iPhone e no iPad que dão acesso aos seus produtos, Jobs decidiu virar a mesa.
Sucessos de Barcelona: LG Optimus 3D, grava vídeos em 3D que vão direto para o Youtube (Android)
De agora em diante, aplicativos que dão acesso a esses conteúdos não poderão ser distribuídos de graça em suas App’s stores e qualquer assinatura feita através deles pagará 30% para a Apple que, ainda por cima, continuará explorando os direitos sobre esses cadastros de assinantes. As editoras de jornais, livros e revistas têm a alternativa de vender o aplicativo que dá acesso ao seu produto em seu próprio site e ficar com 100% do que cobrarem pelas assinaturas. Mas se quiserem se oferecer também nas plataformas globais já estabelecidas de Steve Jobs, terão de dar ao assinante as mesmas condições ofertadas na sua própria banca e aceitar um corte de 30% no faturamento.
As condições são draconianas, portanto.
Tendo sido o inventor do novo modelo, Steve Jobs ainda conta com uma boa dianteira. Domina 66% do mercado de venda de musica online, via iTunes , o precursor desse novo filão que ele ainda explora praticamente sozinho. Atrás do iTunes veio o iPhone que, com velocidade fulminante, se transformou na maior plataforma universal de venda de aplicativos, e o iPad, que pretendia se transformar na maior banca de jornais e revistas do mundo e disputar com o Kindle, da Amazon, o título de maior livraria do planeta.
Sucessos de Barcelona: Samsung Galaxy S II, smartphone com duas webcams; voce vê quem fala ou vê o que ele vê (Android)
Mas este mundo em que pouco se cria e tudo (muito rapidamente) se copia, com a Google à frente, está nos seus calcanhares.
O novo sistema One Pass, baseado na nova geração da plataforma Android, que anima os celulares de todos os fabricantes do mundo que aderiram à Google para ocupar o mercado antes dominado pelo iPhone, mira a jugular da Apple: cobrará apenas 10% e deverá incluir, em breve, um aplicativo para venda de música que o tornará completo, uma vez que já é capaz de entregar filmes e texto. Além disso, a Google, ao contrário do que sempre fez até aqui, entregará todas as informações sobre os assinantes aos donos dos conteúdos vendidos. Esse novo sistema poderá rodar em celulares, tablets e computadores, indiferentemente, de todo e qualquer fabricante do planeta que quiser “motorizar” seus gadgets com ele. E eles são muitos e poderosos.
Sucessos de Barcelona: Sony Xperia Play; o “telefone Playstation”, nas lojas em abril (Android)
(No ultimo trimestre de 2010, foram vendidos 33,3 milhões de celulares com o sistema Android contra 31 milhões “motorizados” com o sistema Symbian, 16,2 milhões de iPhones, 14,6 milhões de Blackberrys (sistema RIM) e 3,1 milhões com o sistema da Microsoft).
Para matar a Apple, portanto, a Google abre mão do padrão de entregar “de graça” os conteúdos alheios, que ela sempre defendeu como sendo de fundamento “ideológico” e “libertário” aos que a acusavam de roubo de conteúdo. Não mais que de repente passa a reconhecer o direito de autoria e concede a quem produz musica ou matéria vender pelo seu sistema por módicos 10%…
Ha um consenso de que os 30% de Steve Jobs são demais. Mas isso pouco interessa à Google porque se a Apple tira, hoje, a maior parte do seu faturamento das comissōes sobre vendas de conteúdos de terceiros, a companhia de Serguei Brim e Larry Page vive de vender informações sobre os usuários da sua ferramenta de busca e dos sites de agregação de conteúdos alheios que monta, além de publicidade customizada em sites de terceiros. Não precisa da nova fonte de faturamento. E se for o caso, tem muuuuito dinheiro para perder…
Sucessos de Barcelona: Umeox Apollo, sem aplicações novas mas tocado a energia solar (Android)
Entretanto, perder dinheiro não é o que ela pretende fazer, a não ser pelo tempo necessário para ganhar muito mais logo adiante. A Google é odiada pelos produtores de conteúdos de informação que ela direta ou indiretamente pirateia. Mas vem trabalhando ha tempos os produtores de entretenimento e de hardware que tinham medo de se tornar reféns de Steve Jobs tendo se associado a alguns dos mais fortes entre eles (Sony, Intel, Best Buy e outros) em projetos de intenções matadoras. A Sony (gravadora) e a Rapsody anunciaram quase junto com o comunicado de Eric Schmidt movimentos de boicote contra o novo sistema de cobrança de Jobs. Na frente regulatória também não ha trégua e investigações por abuso de poder de mercado contra a Apple estão sendo tentadas junto às autoridades de concorrência europeias e americanas.
Com sua nova política de cobrança sobre os aplicativos, Jobs desastradamente também pisou no calo dos produtores de informação que o tinham como um aliado potencial. Como resultado, alguns grandes editores de jornais e revistas europeus (Axel Springer, na Alemanha, DMGT, na Inglaterra, Prisa, na Espanha) abriram a fila e anunciaram sua adesão ao sistema One Pass.
Sucessos de Barcelona: Sony Ericsson Live View, sincroniza com qualquer fone com Android; e-mails textos, aplicativos, etc.
A potencial pá de cal, entretanto, foi esboçada neste fim de semana em Barcelona, no Mobile World Congress do qual participaram 60 mil profissionais do setor de 200 países do mundo.
O evento foi inteiramente dominado pela Google que ocupou dois andares da exposição para apresentar a nova geração do sistema Android e, junto com seus sócios do mundo todo, os novos gadgets que ele vai animar.
O foco da exposição foi a integração dos telefones inteligentes, tablets e computadores às novas e revolucionárias capacitações para games que o novo sistema da Google vai proporcionar.
O setor de games é reconhecido como o grande laboratório de inovação das tecnologias de informática. Os aparelhos “motorizados” pelo Android terão, já a partir de abril próximo, a mesma capacidade de processamento e definição de games hoje oferecidas pelas melhores plataformas dedicadas exclusivamente aos jogos de computador como o Playstation 3 da Sony ou o Xbox 360, o que os levará muito além da capacidade hoje apresentada pelo iPhone e pelo iPad. O principal animador de jogos associado à Apple, a Gameloft, passou para o lado do Google e está lançando jogos em 3D para telefones e tablets no sistema do novo sócio.
Sucessos de Barcelona: HP WebOS; video-calls, 32 gigas e tudo que tem de ter (Android)
Mas isso é só o começo. O grande parceiro da Google no setor é a NVIDIA, que apresentou sua nova tecnologia de processamento Tegra 2, que acelerará a capacidade de telefones, tablets e computadores em 10 vezes, processará imagens, em qualquer deles, em HD de 1080 linhas e terá consumo ultra-baixo de energia capaz de oferecer 16 horas de filmes em HD ou 140 horas de música com uma unica carga.
A grande revolução, entretanto, é que o sistema promete “para o final do outono”: a possibilidade de jogos em plataformas múltiplas, em que os participantes poderão formar times para disputar uns com os outros a partir de qualquer lugar do mundo com conexão de internet. Imagine-se as possibilidades de uso de uma ferramenta com essa capacidade no mundo corporativo.
“Para 2014, o Tegra 2 evoluirá para um sistema 75 vezes mais rápido que o novo e oferecerá assinaturas para jogos em streaming video e conexão sem fio com qualquer aparelho de HDTV, sem necessidade de nenhum programa ou hardware adicional. Cada vez mais os consumidores usarão um único aparelho para tudo, incluindo games, multimídia, entretenimento e navegação na rede. E o Android está perfeitamente posicionado para esse momento”, diz Schmidt.
Com Steve Jobs com a saúde gravemente abalada o futuro da Apple não parece brilhante. Tim Cook, o segundo em comando, já tem falado, até com o endosso tácito de Jobs, em entrar no território da Google abrindo suas plataformas e programas para todo fabricante que quiser usá-los e aderindo a um sistema de desenvolvimento colaborativo. Resta saber se haverá tempo para uma mudança desse tipo.
Sucessos de Barcelona: Samsung Galaxy 10.1; Android 3.0, CPU dual-core, duas webcams, 32 gigas… (Android)
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