Medindo o custo de uma tapeação eleitoreira

14 de maio de 2013 § 3 Comentários

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Inundar de carros para a “nova classe média” muito além do que é fisicamente assimilável por um país que ha 10 anos não investe um tostão em infraestrutura foi o grande expediente usado pelo PT para faturar a última eleição.

Mas a “inclusão” do país inteiro no engarrafamento, agora de proporção literalmente nacional, não é a única consequência disso.

Uma ampla e assustadoramente minuciosa matéria produzida pela Associated Press e publicada em vários jornais do mundo mostra que os carros fabricados no Brasil são nada menos que “mortíferos”.

Veja alguns highlights da matéria e repare como tudo isso se assemelha à nossa “democracia denorex”, aquela que parece mas não é:

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  • 9059 brasileiros morreram em acidentes automobilísticos no ano passado, quatro vezes mais, por acidente, que nos EUA.
  • Ausência de reforços na estrutura, uso de aço de pior qualidade, menos pontos de solda feitos com solda mais fraca (para economizar energia que pesa 20% no custo do carro), montagem em plataformas obsoletas construídas décadas antes dos últimos desenvolvimentos de segurança: “Por fora os carros brasileiros são iguais aos do resto do mundo, mas por dentro faltam um monte de peças e outros detalhes de fabricação. O que interessa, porém, é aquilo que parece. O que está lá dentro ninguém vê“.
  • As fábricas conseguem um lucro médio de 10% por carro no Brasil comparado com 3% nos EUA e uma média global de 5%.
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  • Em relação à década anterior o índice de mortes por acidente caiu 40% nos EUA e subiu 72% no Brasil.
  • Os carros populares brasileiros “são incrivelmente perigosos“.
  • Somente a partir do ano que vem a instalação de air bags frontais e sistemas de freios que não travam, obrigatórios ha décadas na maior parte do mundo, passarão a ser uma exigência legal para todos os carros fabricados no Brasil
  • A autoridade reguladora brasileira não tem equipamentos para teste de colisão próprios de modo que aceita o que lhes dizem os fabricantes sobre os níveis de resistência dos carros.
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  • Quatro ou cinco pontos é o mínimo admissível para consumidores europeus e americanos. Os testes feitos pelo Latin New Car Assessment Program (LNCAP) nos carros mais vendidos no Brasil deram resultados chocantes
  • O Gol, da VW, o carro mais vendido do pais em toda a última década, atinge 3 pontos num total de 5 possíveis em segurança nos modelos com air-bag frontal e 1 ponto nos modelos sem air-bag.
  • O Fiat Uno, segundo modelo mais vendido no Brasil, com 1 ponto, foi definido como “estruturalmente instável” e foi o penúltimo colocado em 28 modelos testados.
  • Mesmo dispondo de air bags e freios que não travam o chinês JAC J3 vendido no Brasil só obteve 1 ponto.
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  • O Ford Ka vendido na Europa obteve 4 pontos. A versão latino-americana só alcançou 1 ponto.
  • O Nissan March produzido no México e vendido no Brasil obteve 2 pontos enquanto a versão europeia obteve 4. No teste de impacto frontal marcou 7,62 pontos enquanto a versão europeia conseguiu 12,7.
  • O Renault Sandero brasileiro teve 1 ponto no teste de segurança. Na versão europeia marcou 3.
  • O Celta, da GM, quinto carro mais vendido do país, só teve 1 ponto. A porta descolou da carroceria e o teto entortou em “V” para baixo no teste de colisão
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A matéria oferece, portanto, uma excelente oportunidade para se compreender, na prática, qual o resultado da substituição de políticas econômicas pró-mercado – que são regras válidas para todos tendentes a melhorar o ambiente econômico nacional para a produção com qualidade e competitividade – por políticas pró-negócios que são aquelas que favorecem seletivamente amigos do governo com poder de lobby e condições de financiar campanhas políticas com empréstimos subsidiados de bancos públicos, isenções de impostos e proteção contra competidores de fora, o que lhes permite vender merda por preço de ouro coisa que, no caso dos automóveis, é feita às custas da segurança e da vida do público “agraciado” com essas iscas de voto.

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Sabe com quem você está falando?

9 de abril de 2013 § 5 Comentários

A notícia abaixo foi tirada da Revista Época.

Os vídeos em volta dela, que explicam aos seus filhos “a verdade” sobre o caráter “historicamente democrático” do PC do B, e sua veiculação em redes nacionais de rádio e televisão, foi você quem pagou.

O PCdoB divulgou em seu site oficial uma carta em apoio à Coreia do Norte. Segundo o partido, o documento foi assinado ainda por PT, PSB e 16 movimentos sociais e meios de comunicação de esquerda. O texto responsabiliza os Estados Unidos e a Coreia do Sul por uma “campanha de guerra nuclear” contra a vizinha do norte. O PT e o PSB, porém, negaram apoio ao manifesto.

Em nota divulgada nesta manhã pela assessoria de imprensa, o presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, negou que o PT tenha assinado qualquer documento sobre o assunto. O mesmo foi feito pelo vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, no fim da tarde de hoje.

Diante da negativa oficial petista hoje cedo, o PCdoB não se manifestou sobre a divergência: apenas acrescentou na mesma página do comunicado original que o PT havia negado a assinatura nesta segunda-feira.

O texto foi enviado à embaixada norte-coreana, em Brasília, na semana passada, com uma “declaração de solidariedade” à nação de Kim Jong-un.

A mensagem de solidariedade do PCdoB garante à Coreia do Norte “apoio total, irrestrito e absoluto” contra o que chamam de “imperialismo belicista”.

Segundo o PCdoB, a carta também é assinada por grupos como MST, UNE, CUT, entre outros.

Confira o comunicado na íntegra:

“Senhor Embaixador da República Popular e Democrática da Coreia;

A campanha de uma guerra nuclear desenvolvida pelos Estados Unidos contra a República Democrática Popular da Coreia passou dos limites e chegou à perigosa fase de combate real.

Apesar de repetidos avisos da RDP da Coréia, os Estados Unidos tem enviado para a Coréia do Sul os bombardeios nucleares estratégicos B-52 e, em seguida, outros meios sofisticados como aeronaves Stealth B-2, dentre outras armas.

Os exercícios com esses bombardeios contra a RDP da Coréia são ações que servem para desafiar e provocar uma reação nunca antes vista e torna a situação intolerável.

As atuais situações criadas na península coreana e as maquinações de guerra nuclear dos EUA e sua fantoche aliada Coréia do Sul além de seus parceiros que ameaçam a paz no mundo e da região, nos levam a afirmar:

1. Nosso total, irrestrito e absoluto apoio e solidariedade à luta do povo coreano para defender a soberania e a dignidade nacional do país;

2. Lutaremos para que o mundo se mobilize para que os Estados Unidos e Coréia do Sul devem cessar imediatamente os exercícios de guerra nuclear contra a RDP da Coréia;

3. Incentivaremos a humanidade e os povos progressistas de todo o mundo e que se opõem a guerra, que se manifestem com o objetivo de manter a Paz contra a coerção e as arbitrariedades do terrorismo dos EUA.

Conscientes de estarmos contribuindo e promovendo um ato de fé revolucionária pela paz mundial, as entidades abaixo manifestam esse apoio e solidariedade.

Brasília, 02 de abril de 2013.

E tome carro! Mas gasolina e estradas…

7 de novembro de 2012 § 1 comentário

Esta está ha alguns dias aqui no bloquinho de anotações mas ainda vale um registro.

Depois de reduzir os juros, oferecer nova rodada de negociação de dívidas, manter o preço dos combustíveis num nível que derrubou a Petrobras a metade do seu valor, abrir largamente as portas do Tesouro Nacional para sustentar a festa do financiamento ao consumo da “nova classe média” via Banco do Brasil, Caixa e BNDES e “reduzir drasticamente o preço da energia” ao custo do desabamento do valor das elétricas em R$ 38 bilhões em um único pregão da Bolsa e da armação de um rolo que começa agora e deve terminar numa crise brava tal é o nó cego que deram na regulamentação do setor, dona Dilma, a 4 dias da eleição, anunciou mais uma prorrogação da redução do IPI para carros.

Assim, ha meses que batemos recorde sobre recorde de venda de automóveis num país já atravancado de carros.

Fechadas as urnas, os jornais começam a mostrar o outro lado dessa moeda.

Em 4 de novembro saiu no Valor que a importação de gasolina está chegando a 20% do consumo nacional e o governo “esta traçando às pressas um plano de emergência que envolve a ampliação da capacidade de transporte e armazenamento” porque “há uma grande preocupação com o curto prazo e será necessário um forte ajuste entre Petrobras e distribuidoras para que não ocorram problemas no fim do ano”, sendo as regiões mais ameaçadas “o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste, além de Minas Gerais e o Rio Grande do Sul” (e o que é que sobra?).

“Ha um consumo recorde de gasolina em 2012 mas falta capacidade interna de produção e ha problemas de infraestrutura de armazenagem e distribuição. Não ha caminhões tanque nem tanques de armazenagem suficientes. As refinarias nacionais já atingiram 98% da capacidade e até setembro, a Petrobras já tinha importado 2,4 bilhões de litros, o triplo do mesmo período de 2011”, reporta a Folha.

E não é só.

Informações divulgadas no dia seguinte pelo Sistema de Administração Financeira (Siafi) do governo federal dão conta de que os investimentos no setor de transportes, este ano, não saíram do papel. É a pior execução em anos.

Dos R$ 13,661 bilhões autorizados para rodovias em 2012, apenas R$ 2,543 bilhões (18,6%) foram executados até maio, sendo que desse total, apenas 7% ou R$ 197,4 milhões dizem respeito ao orçamento deste ano. Os demais 93% são “restos a pagar” do orçamento de 2011.

No setor ferroviário o quadro é pior. De R$ 2,77 bilhões de gastos autorizados só R$ 238,7 milhões (8%) foram executados, apenas 6% dos quais referentes a contratos deste ano.

No setor aéreo gastou-se 85% da verba autorizada (e viva o futebol!) de R$ 222,8 milhões. Mas em hidrovias está o pior desastre. Gastou-se R$ 3,84 milhões dos R$ 820,8 milhões separados no orçamento.

Em 2011, a verba federal para transportes tinha sido 6,4% menor que no ano anterior. E neste ano, o que foi executado está 31% abaixo de 2011, embora transportes seja a 2a prioridade do PAC filho da Dilma, atrás apenas do setor de energia, ora afundado no caos da “redução drástica de tarifas” de véspera de eleição que deixou os produtores em estado de coma.

No Brasil, país de tolos do PT, ha, portanto, carro pra todo mundo (porque carro é gringo que faz e gringo sabe fazer) mas não tem estradas nem gasolina para faze-los rodar.

Ou seja: o PT é bom mesmo pra correr atrás dos votos dos trouxas que, desde já e cada vez mais, terão tempo de sobra para pensar no que fizeram parados nos engarrafamentos e nas filas da gasolina no meio da escuridão que vêm vindo por aí.

Túnel do Tempo

10 de outubro de 2012 § Deixe um comentário

Foram-se as agências setoriais, foi-se a independência do Banco Central, foi-se a transparência das contas do governo.

Está de volta a “aritmética dialética”; a conta de chegar.

A geração de superávits primários suficientes para abater a dívida líquida, o regime de câmbio flutuante e o sistema de metas para a inflação – o famoso “tripé” que, desde 1999, segurava e dava previsibilidade à economia brasileira – são coisas do passado.

Estão de volta os estímulos seletivos (empréstimos do BNDES e/ou isenção de impostos) a setores escolhidos pelo governo (ou que escolherem o governo); bomba-se o crédito ao consumo segundo o calendário eleitoral.

O resultado, em números bem medidos, está exposto no artigo Uma Hipótese para o Baixo Investimento, de Cristiano Romero, para o Valor de hoje.

“Até aí”, diz um sábio amigo meu, “havíamos regredido até a era pré-Plano Real. Com o novo regime automotivo, estamos sendo empurrados de volta à era pré-Collor quando as montadoras e os metalúrgicos do Lula, livres da concorrência estrangeira, andavam de carruagem enquanto o povo ia de carroça”.

Cuidado! Delfin Netto está adorando!

25 de setembro de 2012 § Deixe um comentário

Peço desculpas aos leitores por voltar em tão poucos dias a usar esta tão definidora (conquanto chula) expressão da Última Flor do Lácio mas é que, desde que o li no Valor de hoje, depois de ter lido Miriam Leitão no Globo, ela volta-me a cabeça sem parar.

Não é de hoje, aliás, que considero este senhor como um dos mais seguros alarmes da ameaça permanente de recidiva das velhas doenças brasileiras. Sempre que ele gosta demais da situação meus pelos se eriçam. E há tempos que tem sido este o caso.

Meu pai diz que o pior tipo de filho da puta é o que escreve bem. E tem toda a razão porque são estes os mais capazes de seduzir os incautos para que caminhem de livre e espontânea vontade para o abismo.

É o caso de Antônio Delfin Netto.

Em qualquer país com polícia ele estaria na cadeia. Não pelo que diz, naturalmente, porque malgré l’Islam, todo mundo tem o direito sagrado a qualquer grau de blasfêmia. Mas pelo que fez. A assinatura dele está lá no famigerado AI-5 que inaugurou os Anos de Chumbo. Foi ministro da Fazenda do general Costa e Silva, o mais “tapado” entre todos os que nos comandaram e, desde então (1969) nunca mais deixou de ser o grande “mago” do “Milagre Econômico Brasileiro“, a mesma tapeação que o PT está voltando a encenar e que acabou numa inflação que, nas vésperas da chegada de Fernando Henrique Cardoso ao controle da economia brasileira, bateu em mais de 80% ao mês (diz a Wikipédia que a inflação média no Brasil, sob as luzes delfinianas, foi de 166% ao ano).

Mas como vivemos neste país esquisito, saiu do Ministério (àquela altura) do Planejamento dos milicos em 1985 diretamente para o PMDB e, desde então, tem a secreta admiração daquela mesma “esquerda” que, como Lula, no fundo no fundo, sempre adorou o mandonismo dos milicos e odiou o jogo com regras com a diferença que o queria vestido de rosa em vez do antigo verde-oliva.

Assim é que, mesmo se tendo envolvido em falcatruas grossas, além de fabricar um dos mais formidáveis moto-contínuos da miséria e da concentração da riqueza de que o mundo tem notícia, Delfin Netto não só safou-se da cadeia como ganhou as maiores tribunas do país para pregar a volta da infecção de que o Plano Real livrou o país. E o faz sempre com aquela inteligência perversa com que o aparelharam os anjos caídos, a cozinhar o seu velho caldo de cultura.

Hoje está no Valor a defender com exemplos internacionais torcidos como todo argumento de que se serve, a livre troca de secreções entre os bancos centrais e aqueles de quem eles foram feitos para nos proteger, como se o mundo viesse, desde sempre, na mesma contramão em que ele manteve o Brasil pelos 16 anos durante os quais reinou. Isto é, como se a regra geral fosse abrir uma exceção à falta geral de regras em função do pânico da crise, como aconteceu no curto interregno de FHC, e não o contrário.

Miriam Leitão expõe hoje no Globo com todos os “comos” e os “quantos“, o que de fato está acontecendo. Mas como vive sob as regras estritas da nossa Lei de Imprensa, tem de ser mais comedida com as palavras que dedica às conclusões do que ainda é permitido nesta internet.

Esqueçam o palavrório do dr. Antônio. A verdade é a que Miriam Leitão descreve e o nome desse joguinho de me engana que eu gosto, pelo menos até a edição de um eventual AI-6 que de novo dispense a formalidade do voto, é estelionato eleitoral, suborno de massas, compra de popularidade (na sequência da compra de votos no Congresso).

Compra de poder político, este irmão siamês do poder econômico, enfim, nessa nossa capenga “democracia de obstáculos” onde é preciso dar um saltozinho a cada quatro anos, mas no meio do caminho pode-se deitar e rolar.

Confira o que conta a Miriam:

O Perigo Silencioso

por Miriam Leitão (para O Globo de 25 de setembro de 2012)

A gestão do ministro Guido Mantega no Ministério da Fazenda está destruindo o patrimônio fiscal que levou uma década e meia para ser construído. Dentro dessa categoria, de demolição da ordem fiscal duramente edificada, encaixa-se a decisão de o Tesouro se endividar em R$ 21 bilhões para a Caixa Econômica e o Banco do Brasil aumentarem a oferta de empréstimos.

Por 15 anos, entre o fim da ditadura militar e o ano 2000, o país executou uma enorme tarefa para acabar com os orçamentos paralelos, a conta movimento, os ralos e as fantasias contábeis até chegar à aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

É esse arsenal que tem sido furtivamente recriado. A operação autorizada por Medida Provisória na sexta-feira é parecida com as que foram feitas para o BNDES. A dívida aumentará, porque o Tesouro tem que lançar papéis no mercado, mas a operação é mascarada como empréstimo a esses bancos. Não se sabe quando eles pagarão a dívida, por isso é impossível calcular o custo disso para os cofres públicos.

O custo médio de financiamento da dívida pública interna este ano está em 11,85%. A Selic está em 7,5%, mas o custo real é impactado pelos juros que incidem sobre títulos antigos. O Tesouro receberá do Banco do Brasil os 5,5% da TJLP nos R$ 8,1 bilhões que irão para a instituição. Haverá custo para o governo, mas ele não estará no Orçamento. Criar despesas de forma disfarçada e não registrá-la no Orçamento é contornar a obrigatoriedade de que não se criem despesas sem a definição de receitas.

A conta movimento parecia um gasto sem ônus e sem limite. O Banco do Brasil sacava no Banco Central para cobrir seu balanço. Agora, os bancos públicos têm recebido recursos de uma forma semelhante.

O objetivo da operação, segundo a nota do Ministério da Fazenda, é “manter a capacidade de expansão da carteira de crédito, garantir a continuidade do aumento da participação no mercado”.

Há sinais fortes de que o ciclo de empurrar as famílias para o endividamento está se esgotando. O crédito nos bancos públicos cresceu 27%, e a inadimplência subiu 22%, em 12 meses até julho.

Se o BB e a Caixa crescerem no mercado via competição normal com bancos privados, isso é saudável. O erro é o governo estabelecer como objetivo de política pública que eles tomem mercado à custa de subsídio público, ainda mais porque um dos bancos, o Banco do Brasil, tem sócios privados.

Se esse crescimento der lucro, será transferência de recursos públicos para particulares; se der errado, o acionista do BB pagará a conta em forma de queda de redução de dividendos. Se for capitalização, vai diluir o capital do minoritário, e isso tem que ser comunicado previamente à CVM.

O Tesouro se comporta como se tivesse descoberto a fórmula mágica da multiplicação dos recursos sem ônus. Lança títulos ao mercado e transfere o dinheiro para os bancos públicos, e eles, por sua vez, pagarão com juros baixos e no prazo que quiserem. Se é que pagarão. Há gasto público embutido aí, mas não há registro como despesa em lugar algum, e por isso o impacto fiscal é escondido. Já foram emprestados assim mais de R$ 300 bilhões ao BNDES. Agora, o mesmo acontecerá com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica.

Equívocos na política econômica pesam muito tempo sobre o país. Durante anos pagamos o preço dos erros da bagunça fiscal do governo militar, em forma de inflação. São esses mecanismos, aparentemente engenhosos, que estão silenciosamente voltando a ser criados. Parece que os economistas do governo não aprenderam a lição número um: a de que não existe almoço grátis.

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