PSDB x PSOL

27 de novembro de 2020 § 13 Comentários

O PSDB é aquele partido que a todos os dilemas nacionais responde nem que sim, nem que não, muito pelo contrário, o que seria até uma resposta razoável se este fosse só mais um país perdido na confusão deste início de 3ro Milênio e não a vítima destroçada de um estupro coletivo que ainda não dispõe sequer dos equipamentos mais rudimentares de proteção universalmente adotados nas revoluções democráticas do século 19.

O resto dos competidores, ressalvadas as exceções que se quiser conceder, eram um monte de chefes de quadrilhas acenando com “proteção” tipo máfia a esta ou aquela fatia do eleitorado com a intenção explícita de comprá-la…


E, de repente, invade a modorra desse deserto o PSOL com sua roupinha surrada de Robin Hood de suruba, agitando “Sexo, drogas e revolución” … mas que, todo mundo tá careca de saber, só entrega mesmo é a metástase do funcionalismo público….

E convence quem?

Os jovens, aquela fatia do eleitorado para cuja inexperiência arrogante Nelson Rodrigues, o gênio da raça, propunha um único remédio lá naqueles anos em que toda a fúria da “patrulha ideológica” estava concentrada em “cancelar” tudo que tivesse mais de 30 anos: “Envelheçam! Rapidamente!

E vá você deixar rolar!

Tudinovo…

Ai que preguiça!

Porque não acato a “democracia brasileira”

18 de novembro de 2020 § 57 Comentários

E lá se foi mais uma “eleição”. Eu só lamento não ter aspas maiores pra cercar esse “eleição” e esse “democracia brasileira” porque estas são aspas denunciativas e a mentira que é preciso desnudar com elas chegou a um tamanho insuportável…

O ministro Luis Roberto Barroso garante “a mais absoluta integridade e fidedignidade” do resultado da eleição. Aliás, minto. O ministro Barroso, ele mesmo, não garante nada. Diz a cada passo que, como para quase todos nós, o mundo da informática, também para ele, é “um universo esotérico”. O ministro Barroso, ele mesmo, no máximo pode jurar, portanto, que está repetindo exatamente o que ouviu do Secretário de Tecnologia da Informação do TSE, e da empresa que contrataram para assessorar o dono do cargo que, como em todas as nomeações políticas, não se sabe se é ou não é “do ramo”.

Eu não acredito no STF mas acredito no ministro Barroso. Embora suscetível demais às próprias emoções para um ministro de STF ele me parece um sujeito fundamentalmente honesto. Mas do secretário de tecnologia da informação do TSE eu não sei nem o nome. Muito menos o de quem o industria. De modo que neste mundo em que tão corriqueiramente subornam-se presidentes da república e até ministros de supremos tribunais, acho fundamental haver mais cerimônia com o povo brasileiro antes de dar-lhe satisfações de segunda ou de terceira mão em assuntos tão essencialmente de primeira quanto a garantia do contrato de intermediação de vontades expressas entre ele e O Sistema, também conhecido como voto.

Afinal, é do voto que “emana” O Poder, aquele que corrompe sempre e absolutamente quando é absoluto. E o que me garante que o secretário de informática do TSE e/ou o staff abaixo dele não se corromperão jamais, tendo o poder exclusivo que têm de traduzir da língua que todos nós falamos para a linguagem “esotérica” em que só eles são versados, cada voto, em 140 milhões, que se converterá em poder ilimitado para alguém?

Pessoalmente a sensação que me dá quando aperto aquele botão da nossa tão festejada maquininha de votar é que, no exato momento que o meu dedo afunda, eu desapareço no ar. Pililililin! “Você acaba de deixar de existir como a contraparte deste contrato”, diz uma voz mecânica lá daquele mundo que o ministro Barroso e eu não compreendemos. “Seu nome nunca mais poderá ser recuperado e reconectado exatamente ao que você disse aqui e agora”.

Os americanos, que inventaram os computadores e os códigos em que eles se expressam, mantêm com sua majestade o eleitor um documento assinado, pessoal e intransferível, como garantia de cada voto. E não ha de ser porque nunca tiveram idéia melhor. A constituição da educadérrima Alemanha também proíbe que o voto seja expresso em qualquer outra linguagem que não seja o bom e velho alemão que o país inteiro fala e compreende. Pelo mundo afora é assim, com ligeiras variações, porque “a principal função de um sistema eleitoral é não deixar dúvida nenhuma” e, sendo assim, não pode ter sua confiabilidade entregue a qualquer espécie de “tradutor”. 

Mas no Brasil o contrato em que você entrega a alguém o direito de decidir o que der e vier em seu nome não leva, nem seu nome, nem sua assinatura, e jamais poderá ser tirado da gaveta e relido para dirimir qualquer dúvida como todos os outros contratos “xué” que o governo que nos proíbe o voto impresso, com os olhos fixos nos impostos que te arrancará a cada passo, te obriga a assinar com trocentas “cópias autenticadas” até para vender um carro velho.

Para o maior de todos os contratos você e o ministro Barroso terão de confiar numa empresa de que não vale a pena nem saber o nome mas que “garante” (e meta lá aspas de metro), mediante pagamento até módico diante da enormidade da promessa, a invulnerabilidade que gente como o Pentágono, o Google, a Apple ou mesmo o nosso prosaico Banco Central não ousam oferecer aos seus clientes.

Nunca houve qualquer prova de fraude numa eleição brasileira”. E como poderia haver num sistema desses? Mas não é essa a questão. Ha uma parcela da imprensa, no Brasil e no mundo, que assumidamente renunciou ao raciocínio. É mais que uma renuncia, aliás. Uns mais outros menos veladamente, pregam a criminalização do raciocínio e a censura e o “cancelamento” de quem insistir nele. Faz muito barulho ainda mas como, dependendo do tema, reage automaticamente bem ou automaticamente mal, já não é preciso le-la nem ouvi-la para saber o que dirá. E assim vai minguando por si mesmo. Mas até que finalmente desapareça, mesmo para a imprensa que não desclassificou o senso comum e permanece curiosa, desconfiada e aberta aos processos normais de aferição da verdade fica difícil o exercício de critério na velha ordem mundial que, com o recurso à força bruta da autoridade cujos poderes quer sem limites, a outra trata de impor a todo mundo. Pois “cobrir” ou “analisar” eleições é, tanto para jornalistas quanto para os “cientistas políticos” que convocam, elucubrar sobre os resultados das que temos…

No entanto, em nada mais que em sistemas institucionalizados de processamento de decisões, “o meio é a mensagem”. Democracia não é um mapa do tesouro indicando um ponto de chegada, como pretendem a Constituição de 88 e seus inefáveis “interpretes” do presente. Ela é só um manual de navegação. O que determina se uma lei, uma “politica pública” ou uma constituição é ou não democrática não é o seu enunciado ou a finalidade que declaram querer atingir mas a maneira como são negociadas com as sociedades que pretendem modificar. E, torto como é o nosso “meio de processamento”, nenhuma “mensagem” que nele for enfiada sairá “democrática” do outro lado.  

É preciso, portanto, voltar aos conceitos básicos. Um processo democrático não pode ser encaixotado, posto para dormir, e desencaixotado a cada quatro anos. O representante, até por definição semântica, não pode ter existência própria, à revelia do representado. Para ter direito a ser chamado de democrático o processo decisório tem de fluir ao sabor dos resultados, como flui a vida do povo. Desviar, mudar de rumo, reconstituir-se com eleições e deseleições, adotar e rejeitar leis, confirmar ou desconfirmar mandatos ao sabor da necessidade, conforme descrito na matéria sobre as cédulas das eleições americanas que vai abaixo desta. 

Na “democracia” que fuma mas não traga das “excelências”, no entanto, povo só mesmo com filtro. Evita-se a todo custo que ele se manifeste diretamente, com sua própria voz, com o seu próprio voto, no seu próprio tempo e segundo as suas próprias necessidades, através dos seus próprios candidatos e dos seus próprios partidos. Somente as ONGs, os movimentos sociais, os sindicatos, as associações corporativas e os partidos políticos bancados com dinheiro de impostos e, desde as recentes “Ordenações Moralinas”, também os “veículos de opinião pública” devidamente autorizados poderão, sob pena de prisão, manifestar-se politicamente e eleger representantes para faze-lo em nome do povo.

O eleitor brasileiro não vota no que escolhe. Vota – obrigatoriamente – nas escolhas das “excelências”. E as eleições são organizadas de tal forma que tornam impossível determinar quem, entre os eleitos, representa quem, entre os eleitores. O voto distrital puro, ao qual todas as “excelências” voltam um declarado horror e é o único que permite identificar, um por um, pelo endereço, todos os representados de cada representante, não é um fim em si mesmo. Ele existe para permitir a retomada a qualquer momento dos mandatos desrespeitados apenas por quem os concedeu, o ÚNICO remédio implacavelmente MORTAL contra a corrupção jamais inventado, que pode ser usado dentro da mais pura legitimidade democrática, com foco e garantia absoluta contra uso seletivo e tentativas golpistas. 

Para as “excelências” é aí que mora o perigo. Para os eleitores é aí que está a esperança. O voto distrital puro lógica e naturalmente engendra o direito à retomada dos mandatos traídos (recall). E como na vida real manda quem tem o poder de demitir, todas as lealdades do Sistema dai por diante se rearranjam. 

Confirma-se, assim, a tese de Marshall McLuhan. Não é a substituição de “conteúdos” que altera a qualidade da “mensagem”. Mas mudando-se “o meio”, a qualidade da “mensagem” automaticamente muda, mesmo que o “conteúdo” permaneça o mesmo. E então, o resto vem por consequência.

9 “verdades” que esta eleição desmente

4 de novembro de 2016 § 22 Comentários

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Artigo para O Estado de S.Paulo de 4/11/2016

1 – “Identificação biométrica e rapidez de apuração são provas do avanço da democracia brasileira”.

É exatamente o contrário. Aqui o eleitor só entra em campo depois do jogo jogado para dizer sim ou não aos escolhidos dos “caciques” dos partidos. Em democracias de verdade, como a americana, a suíça e outras, aproveita-se toda e qualquer eleição para que o eleitor decida literalmente tudo. Junto com presidentes, legisladores ou prefeitos ele elege diretamente os funcionários públicos sem função exclusivamente política tais como xerifes, policiais, promotores, diretores de escolas públicas, etc.; vota leis de iniciativa popular; referenda ou derruba leis do Legislativo; autoriza ou não impostos novos ou aumentados; aprova ou não a contratação de dívida; confirma ou não o mandato do juiz da sua comarca; vota o “recall” ou não de funcionários eleitos na eleição anterior. Para a eleição da semana que vem 162 temas adicionais, 71 propostos por abaixo-assinados de cidadãos comuns, foram certificados em 35 estados para constar das cédulas pedindo decisão dos eleitores de Trump ou Hillary. Por isso 30 milhões deles já receberam suas cédulas com um mês de antecedência e as vão enviando preenchidas pelo correio. Por isso demora para apurar eleições em democracias de verdade.

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2 – “A política não se renova porque brasileiro não sabe votar”.

Essa afirmação toma o efeito por causa. O povo elege o de sempre porque só consegue autorização para se apresentar como candidato quem se compõe com os donos dos partidos. Por isso reforma política pra valer inclui necessariamente um ponto chave da que os americanos fizeram lá atrás. Tornar as eleições municipais apartidárias para quebrar as pernas dos “caciques” (cujo poder passaria do controle dos 5.570 potenciais “currais” municipais de hoje para apenas 27 estruturas estaduais) e abrir as portas da política à entrada de sangue novo. Qualquer um pode se candidatar a prefeito ou vereador sem pedir licença a ninguém.

3 – “Ha partidos vitoriosos nesta eleição”.

Esta foi a eleição do “não”. “Eu não voto mais”, “Eu não voto no PT”, “Eu não voto em ladrão”, “Eu não voto em político”, etc… O mais foi consequência do controle da portaria do “Sistema”. Votou-se no que sobrou dos “não”, já era conhecido ou pôde botar a cara na TV pra mostrar que existia, o que vale dizer estar num partido grande e velho. Ponho a mão no fogo como 99% dos eleitores não sabe em que partido votou ou, se lembra, não sabe nem a tradução da sigla daquele em que acabou votando, mesmo dos tradicionais.

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4 – “A ideologia move a polarização esquerda x direita”.

Nem os presidentes dos partidos conseguem definir esquerda e direita. Mas um grande divisor de águas aparece nítido no Brasil como no resto do mundo, especialmente o latino: ser contra ou a favor da austeridade fiscal. Só que não é uma fronteira ideológica, é fisiológica: de um lado pena a massa que paga a conta, trabalhando dobrado e ganhando a metade; do outro entrincheira-se a “casta” que é paga pela conta trabalhando a metade e ganhando dobrado. É essa que, sentindo-se agora ameaçada, quebra-quebra e queima pneus por aí porque as TVs lhes deram a dica de que esse é o jeito do seu “Dane-se a miséria nacional, ninguém toca no meu!” alcançar mais que as esquinas que já não conseguem encher de gente e soar como o contrário do que é.

5 – “É impopular encarar de frente os problemas mais velhos e óbvios do Brasil”.

Se ha algo que ficou bem definido nesta eleição é que quanto mais assertivo foi o candidato em relação a eles – necessidade de ajuste, privatização, desmonte da corrupção de sindicatos e partidos com dinheiro de imposto, fim da chantagem trabalhista e dos “marajalatos” – mais fulminante foi sua eleição e a distância aberta em relação ao oponente, não importando as “tradições” das praças envolvidas. João Dória e Nelson Marchezan são os exemplos mais visíveis mas não os únicos.

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6 – “Existe um preconceito de gênero”.

O número de prefeitas e vereadoras eleitas caiu apesar da “cota” de 30% de candidatas imposta por aquele mesmo pessoal que, conforme a hora, nos diz que “não existe gênero” senão o que cada um escolhe para si. Quem escolheu não eleger seu prefeito ou vereador só por esse atributo foi a metade feminina do eleitorado brasileiro ou, se quiserem, os 100% “sem gênero definido pela natureza” que acabam de aprender, com Lula e Dilma, que pôr alguém para cuidar da coisa pública só por ser mulher é um tipo de oportunismo para enganar trouxa que em geral acaba em desastre.

7 – “Lula ainda é uma força para 2018”.

Nesta campanha “ter apoio de Lula” passou a ser a “denúncia” atirada por candidatos “de esquerda” contra candidatos “de esquerda”. Em quem colou não sobrou nada…

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8 – “Basta melhorar a gestão pro Brasil ir pra frente”.

Foi-se o tempo! Agora o setor público está que não tem nem pra lavar o chão do IML, como no Rio, e a economia privada, em choque hemorrágico, não tem mais com que se reerguer, mas a reforma da Previdência de que se fala não toca nos “marajás“, só põe dinheiro no caixa no futuro distante e a PEC 241 nem menciona o rombo de estados e municípios. A briga em torno de quem vai pagar essa conta (na qual as denuncias da Lava-Jato serão as armas nos bastidores) nem começou ainda.

9 – “O Brasil é uma democracia”.

Da democracia não temos nem o elemento definidor que é o império da lei igual para todos. Na raiz do presente desastre estão os privilégios legalizados e direitos “adquiridos” que “foros especiais” podem tornar até hereditários, como na Idade Média. Sem um direito só pra todo mundo não tem saída. E pra chegar lá tem de por o povo no poder, o que se faz submetendo os eleitos aos eleitores antes e depois da eleição, com prévias transparentes para escolha dos candidatos e “recall” para a troca dos que, eleitos, “apresentarem defeito”. Sem isso “O Sistema” continuará para sempre indomesticável, cavalgando impunemente o lombo do povo.

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A ingenuidade das “reformas” de Marina

7 de outubro de 2014 § 53 Comentários

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Marina Silva aponta o instituto da reeleição como o motor, por excelência, da corrupção que mina a “velha política” e exige a sua extinção como a panacéia capaz de livrar o Brasil desse mal.

Nada pode ser mais falso!

Esse raciocínio é apenas mais uma prova da força dos factóides que o PT cria a cada crise que decorre dos flagrantes que leva para provar que “todo mundo é“, e não só ele, e que acabam virando verdades incontestáveis independentemente dos fatos.

Este em particular não resiste a dois segundos de raciocínio isento, que podem ser resumidos na seguinte frase: se não for o próprio presidente a usar a máquina e todo o resto do arsenal de sempre para se reeleger será a serviço de alguém da mesma panela que tudo isto será posto pelo titular do poder da hora.

Afirmar que acabar com a reeleição reduzirá automaticamente a corrupção ou mesmo o incentivo à corrupção é o mesmo que afirmar que a corrupção diminuiu ao fim do segundo mandato de Lula porque tornaram-se dispensáveis os “malfeitos” todos a que se recorreu para elegê-lo e reelegê-lo na operação montada para substituí-lo pelo “poste” e mante-lo em pé depois disso, ou ainda, que as “demissões” de Dilma, com a substituição dos inúmeros ladrões flagrados em ação dentro dos ministérios da Republica Petista por outros das mesmas quadrilhas – digo, partidos – foram ações efetivas contra a impunidade que de fato resultaram em redução da corrupção.

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Os fatos comprovam o contrário.

Tudo que essa “reforma” que Marina exige fará de prático pelo Brasil, portanto, será eventualmente cortar pela metade a chance de nos beneficiarmos de alguma zebra que consiga subir até o topo furando a lógica do Sistema e as barreiras da presente ordem eleitoral e partidária erguidas para impedir essa eventualidade, como foi precisamente o caso de Fernando Henrique Cardoso, o auto-intitulado “Presidente Por Acaso”.

Para presidentes com direito à reeleição que não fizerem por merecê-la ha sempre o remédio simples e direto que o eleitorado brasileiro está ensaiando usar agora contra Dilma Rousseff.

Se não quisermos, portanto, desperdiçar tempo, esforços e oportunidades que raramente se apresentam de fazer reformas efetivas com falsas reformas que não mobilizam eleitorados em busca de mudanças, é preciso estudar atentamente o mostruário global dos equipamentos institucionais que realmente funcionaram para obter esse fim.

Este exame conduz sempre ao mesmo lugar: o que, sim, reduz a corrupção a ponto de transformar um país pobre num país rico são duas linhas de reformas testadas e consagradas pela História, ambas com foco em acabar com a impunidade pelo expediente simples e óbvio de atrelar os universos da política e do funcionalismo à meritocracia e transferir a “corregedoria” do sistema político e da máquina do Estado das mãos dos próprios fiscalizados para as das vítimas dos seus abusos.

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São elas:

  1. uma reforma política apoiada fundamentalmente na instituição do “recall”, ou demissão sumária e irrecorrível, por iniciativa dos representados, dos representantes eleitos, uma invenção suissa que está em funcionamento ha mais de um século e meio naquele pais e em diversos outros do mundo rico que, graças a esse dispositivo conseguiram ingressar no mundo rico. Para poder ser acionado à vontade pelos interessados, dos quais emana a legitimidade dos poderes públicos, sem provocar maiores perturbações da vida politica e econômica do resto da Nação, o “recall” dos representantes eleitos requer a instituição do voto distrital puro, e não do distrital misto proposto por Aécio Neves, pelas razões que enumero na série de artigos aos quais remeto os interessados no final desta matéria;

 

  1. uma reforma do funcionalismo calcada na substituição do sistema vigente de livre nomeação de servidores por políticos ou outros servidores pelo instituto da eleição direta dos funcionários com funções bem definidas tais como as relacionadas à educação e à segurança públicas, o ingresso exclusivamente pelo merecimento em concurso de todos os demais com exceção dos poucos que têm funções estritamente políticas, uma invenção dos antigos imperadores da China que se perdeu nos descaminhos politicos do seu país de origem, e tudo isso associado ao fim da estabilidade no emprego desses servidores que passam a poder ser demitidos a qualquer hora por iniciativa dos “servidos” que os elegeram mediante processos de “recall” semelhantes aos aplicados aos políticos, uma invenção americana que fez pelos Estados Unidos tudo que foi necessário para transforma-los na sociedade mais rica e soberana jamais reunida pela humanidade. Para poder funcionar como deve, essa receita exige a reversão do processo de centralização de todos os poderes e toda a arrecadação na União e a volta progressiva ao sistema federativo onde a União e os governos estaduais só estão autorizados a cuidar dos serviços públicos que os municípios não puderem prestar sozinhos.

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A ordem dos fatores, nessa sequência de reformas é essencial. Não é possível forçar a reforma do funcionalismo nem o resto do que é necessário fazer sem antes conseguir poder fulminante de vida ou morte sobre os cargos de quem os nomeia e faz as leis, que é o que resulta na prática, para o povo aqui fora, da instituição do voto distrital com recall pelo Estado adentro. Essa tecnologia muda fundamentalmente a hierarquia nas relações entre governantes e governados invertendo a que existe hoje no Brasil onde são eles que mandam em nós e não nós que mandamos neles como é da definição de democracia.

Somente depois que estiverem bem cientes, pelo método do ensaio e erro, de que, ou fazem o que nós queremos que façam, ou são “fuzilados” de seus cargos e mordomias, os políticos, primeiro, e os funcionários públicos, depois, passam a servir o povo em vez de servir-se dele.

Uma vez plantado esse sistema o resto o tempo faz. E isto não é um “achismo”, é o resultado concreto do uso cotidiano de um tipo de equipamento institucional que separa o mundo desenvolvido do nosso, processos que estão neste momento em curso em diferentes cantos do planeta mas que o “establishment”, imprensa incluída, mantém zelosamente sem NENHUMA DIVULGAÇÃO no Brasil.

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Ate que se parta para a inclusão do mundo da política e do funcionalismo no mesmo regime de estrita meritocracia que vigora aqui fora, o Brasil seguirá mergulhado neste regime quase feudal que conhecemos, onde um quase rei governa com seus quase barões (os dos partidos da “base” e os do BNDES que financiam suas campanhas) e outorga a funcionários menores direitos quase hereditários de viver isentos de crises, todos eles sustentados por quase servos a quem se tapeia com montanhas de “direitos” impossíveis de serem exigidos uma vez satisfeitos os deles, que sempre vêm em primeiro lugar.

Mantido esse regime o melhor que se pode esperar é que, como vem acontecendo desde a fundação do reino de Portugal, oscilemos entre a “normalidade” de vivermos sob déspotas puros e simples e a exceção de cairmos, eventualmente, sob déspotas esclarecidos a quem se permitirá furar o cerco da opção preferencial pelo incompetente fiel ao seu padrinho quando o estrago acumulado pelos desmandos destes chegar a limites insuportáveis, demandando curativos urgentes para impedir a morte do “organismo hospedeiro” que levaria à morte também os parasitas que dele se sustentam.

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MAIS INFORMAÇÕES SOBRE VOTO DISTRITAL COM RECALL

1

A reforma que inclui todas as reformas

2

Voto distrital com recall: como funciona

3

Mais informações sobre a arma do recall

4

Recall sem batatas nem legumes

5

Porque não há perigo no recall

6

Democracia à mão armada

7

Discutindo recall na TV Bandeirantes

8

O modelo honesto de participação popular

O que é que alimenta a mentira

30 de setembro de 2014 § 19 Comentários

O mergulho das “brases” na Bolsa de Valores de São Paulo soa como a “ficha caindo” da rendição daquele mítico “país do futuro” à mentira petista.

A interpretação mais benigna que se ouve é a de que, sim, nós vivemos em plena Torre de Babel e é impossível a comunicação no país dos 85% de analfabetos funcionais onde o “povão” não sabe de nada e está sujeito a qualquer mentira.

É verdade que isso é verdade e que os 85 milhões de cheques distribuídos pelo PT de mão em mão todo santo mês podem se transformar no empurrãozinho que faltava para que os dependentes do esquema façam vistas grossas para a mentira.

Mas mesmo entre esses não se perde a noção do verdadeiro e do falso. Pensar o contrário é embarcar naquela outra mentira que embala o petismo, de que o crime é função da miséria.

A verdade e a noção do certo e do errado têm força por si mesmas e quando são afirmadas com a necessária energia impõem-se igualmente para quem come bem e para quem come mal. Diante delas o criminoso e o vendido – rico ou pobre – só podem apresentar-se como o que de fato são. E isso cria um constrangimento que faz a maior parte das pessoas desanimar.

A campanha eleitoral na TV é uma oportunidade rara. Ela permite escapar ao cerco em que o poder invariavelmente tenta encerrar a verdade e mostrar ao povo, nua e crua e em rede nacional, mesmo aquela que só a parcela dele que lê conhece.

Mas não é o que tem acontecido. Ha, portanto, de fazer-se justiça à monumental incompetência das campanhas da oposição para explicar o movimento que as pesquisas estão registrando.

Campanhas nada menos que alienadas estão permitindo que o PT, reconfirmando a cada novo degrau galgado, até para a sua própria surpresa, que suas mentiras nunca lhes serão atiradas na cara, anime-se a seguir escada acima até chegar a essa inversão, que beira o surrealismo, de apresentar os próprios flagrados praticando esse crime como os paladinos da luta contra a corrupção e a impunidade.

Publicitários não são exatamente apóstolos da verdade. Não vai nenhum demérito nisso. É do metier. Mas até para eles ha um limite. O Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária, que zela pela continuação da profissão e do negócio, não admite peças de propaganda inteiramente descompromissadas com qualquer fundo de verdade.

No presente momento brasileiro é diferente. A mentira sistematizada – junto com a corrupção no nível a que já chegou por aqui – é letal para a política. Mas este PT que sobrou depois da debandada da esquerda honesta não tem nenhum compromisso com a continuação da política “liberal” que, como sabe quem conhece um pouquinho da história recente deste nosso mundo, é a única que existe.

Política é, para eles, uma atividade provisória. O que eles entendem é a força. O PT que está aí é o que lutou de armas na mão, no século findo ha 14 anos, para impor ao Brasil a ditadura totalitária que ainda era possível naquela época. Agora lutam para nos levar para a ditadura tão total quanto ainda possível nestes grotões sul-americanos, a dita “bolivariana” que se conquista com mentiras e se mantém com as falsificações plebiscitárias que, do programa oficial do partido já saltaram, como avant premiére, para os decretos presidenciais.

Isso nos traz de volta à oposição. Numa guerra de mentiras vence o profissional em embalagens mais treinado na mentira. E nesse campo ninguém bate João Santana, o homem que modula as palavras na boca de Lula ha vária décadas.

O modelo formal da verdade, em política, está no bom jornalismo. Assim, só uma campanha feita com base no modelo jornalístico, como tem sido a de Geraldo Alkmin, é capaz de derrubar uma campanha inteira e assumidamente baseada na mentira.

Alexandre Padilha não é o maior fracasso da história de Lula e do PT apenas pelos belos olhos dele. Nem, muito menos, pelo sex apeal do governador que tem feito as alegrias do novato escatológico que o ninho de cobras do PMDB pariu para correr na paralela e comer São Paulo pelas bordas.

O que tem acontecido é que os marqueteiros de Alkmin não deixam ninguém esquecer por um minuto sequer quem é o “Pad”, como era carinhosamente chamado o ex-ministro da Saude de Dilma nas mensagens que o vice-presidente da Camara dos Deputados do PT, Andre Vargas, trocava com o doleiro Alberto Youssef, parceiros no crime ha décadas, para tramar entre os tres o golpe que garantiria a todos a tão sonhada “independência financeira” às custas da saude do brasileiro pobre.

O que tem acontecido é que as mentiras do PT sobre São Paulo não ficam um minuto sequer sem resposta. A contraprova vem na sequência da mentira posta no ar, e em geral no mesmo dia, como foi o caso com relação à controvérsia recente surgida com a tentativa de factóide lançada contra o sistema de prevenção do crime importada de Nova York pelo governador ou, mais ainda, com as de culpá-lo pela falta d’água em São Paulo, mesmo com ela de fato existindo e apesar das repetidas manifestações fajutas da militância profissional pela ruas da cidade.

A campanha de Alkmin serenamente trata de reportar os fatos na sequência em que aconteceram e de por no ar suscintas e contundentes reportagens sobre o estado das represas, a intensidade da seca e as medidas adotadas para enfrentar a emergência.

Os números confirmam que não ha telespectador, seja qual for a classe de renda, que não as compreenda.

Ja Marina e Aécio Neves, por mais acintosa que seja a última mentira exibida pelo PT, continuam olimpicamente falando em vagos “choques de gestão” e outras amenidades do gênero, como se essas fabricações não lhes dissessem respeito.

Alguém se lembrará de que sendo uma novata e o outro o dono de um currículo apenas estadual, não teriam o que apresentar sob esse formato jornalístico a um eleitorado nacional.

Mas não se trata de mostrar o que eles fizeram ou pretendem fazer. Trata-se de mostrar o que o PT não é mas afirma solenemente ser e, o que é melhor, pela boca dos próprios protagonistas das mentiras aventadas.

Imagine-se a edição dessa conversa sobre “a luta sem tréguas do PT contra a corrupção, doa a quem doer” entremeada das 12 vezes em que Paulo Roberto Costa, o agente colocado pelo partido para rapelar a Petrobras, se “reservou o direito de permanecer calado” na CPI, das cenas de André Vargas fazendo o mesmo gesto de Zé Dirceu e Genoíno na cara de Joaquim Barbosa, da construcão das suites especiais da Papuda, do Lula gritando do palanque que “tem o meu aval” uma mobilização da militância contra a condenação dos mensaleiros pelo STF, da “aposentadoria” precoce de Joaquim Barbosa e dos ministros amestrados do STF soltando a corja de volta pra rua. Ou de trechos de qualquer dos vídeos, catados a esmo, exibidos nesta postagem.

Qualquer estudante de primeiro ano de edição de imagens é capaz de matar a pau as mentiras petistas. Se pesquisar um pouquinho mais para tras no Youtube, então, põe os próprios mentirosos se desmentindo a si mesmos. Ou até se auto-denunciando como nos filmes que todo mundo sabe que estão lá, onde Lula explica que esquemas como o da sua “bôça família” é o mesmo truque sujo dos portugueses dando miçanga pra comprar índio. Ou aquele outro em que explica porque cooptar a familia Sarney só pode ser coisa de criminoso mal intencionado.

Seriam os responsáveis pelas campanhas de Marina e Aécio os únicos brasileiros minimamente ilustrados que não sabem da existência da internet? A esta altura já não importa. De qualquer maneira eles já são culpados de crime de lesa-pátria.

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