O que é que alimenta a mentira
30 de setembro de 2014 § 19 Comentários
O mergulho das “brases” na Bolsa de Valores de São Paulo soa como a “ficha caindo” da rendição daquele mítico “país do futuro” à mentira petista.
A interpretação mais benigna que se ouve é a de que, sim, nós vivemos em plena Torre de Babel e é impossível a comunicação no país dos 85% de analfabetos funcionais onde o “povão” não sabe de nada e está sujeito a qualquer mentira.
É verdade que isso é verdade e que os 85 milhões de cheques distribuídos pelo PT de mão em mão todo santo mês podem se transformar no empurrãozinho que faltava para que os dependentes do esquema façam vistas grossas para a mentira.
Mas mesmo entre esses não se perde a noção do verdadeiro e do falso. Pensar o contrário é embarcar naquela outra mentira que embala o petismo, de que o crime é função da miséria.
A verdade e a noção do certo e do errado têm força por si mesmas e quando são afirmadas com a necessária energia impõem-se igualmente para quem come bem e para quem come mal. Diante delas o criminoso e o vendido – rico ou pobre – só podem apresentar-se como o que de fato são. E isso cria um constrangimento que faz a maior parte das pessoas desanimar.
A campanha eleitoral na TV é uma oportunidade rara. Ela permite escapar ao cerco em que o poder invariavelmente tenta encerrar a verdade e mostrar ao povo, nua e crua e em rede nacional, mesmo aquela que só a parcela dele que lê conhece.
Mas não é o que tem acontecido. Ha, portanto, de fazer-se justiça à monumental incompetência das campanhas da oposição para explicar o movimento que as pesquisas estão registrando.
Campanhas nada menos que alienadas estão permitindo que o PT, reconfirmando a cada novo degrau galgado, até para a sua própria surpresa, que suas mentiras nunca lhes serão atiradas na cara, anime-se a seguir escada acima até chegar a essa inversão, que beira o surrealismo, de apresentar os próprios flagrados praticando esse crime como os paladinos da luta contra a corrupção e a impunidade.
Publicitários não são exatamente apóstolos da verdade. Não vai nenhum demérito nisso. É do metier. Mas até para eles ha um limite. O Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária, que zela pela continuação da profissão e do negócio, não admite peças de propaganda inteiramente descompromissadas com qualquer fundo de verdade.
No presente momento brasileiro é diferente. A mentira sistematizada – junto com a corrupção no nível a que já chegou por aqui – é letal para a política. Mas este PT que sobrou depois da debandada da esquerda honesta não tem nenhum compromisso com a continuação da política “liberal” que, como sabe quem conhece um pouquinho da história recente deste nosso mundo, é a única que existe.
Política é, para eles, uma atividade provisória. O que eles entendem é a força. O PT que está aí é o que lutou de armas na mão, no século findo ha 14 anos, para impor ao Brasil a ditadura totalitária que ainda era possível naquela época. Agora lutam para nos levar para a ditadura tão total quanto ainda possível nestes grotões sul-americanos, a dita “bolivariana” que se conquista com mentiras e se mantém com as falsificações plebiscitárias que, do programa oficial do partido já saltaram, como avant premiére, para os decretos presidenciais.
Isso nos traz de volta à oposição. Numa guerra de mentiras vence o profissional em embalagens mais treinado na mentira. E nesse campo ninguém bate João Santana, o homem que modula as palavras na boca de Lula ha vária décadas.
O modelo formal da verdade, em política, está no bom jornalismo. Assim, só uma campanha feita com base no modelo jornalístico, como tem sido a de Geraldo Alkmin, é capaz de derrubar uma campanha inteira e assumidamente baseada na mentira.
Alexandre Padilha não é o maior fracasso da história de Lula e do PT apenas pelos belos olhos dele. Nem, muito menos, pelo sex apeal do governador que tem feito as alegrias do novato escatológico que o ninho de cobras do PMDB pariu para correr na paralela e comer São Paulo pelas bordas.
O que tem acontecido é que os marqueteiros de Alkmin não deixam ninguém esquecer por um minuto sequer quem é o “Pad”, como era carinhosamente chamado o ex-ministro da Saude de Dilma nas mensagens que o vice-presidente da Camara dos Deputados do PT, Andre Vargas, trocava com o doleiro Alberto Youssef, parceiros no crime ha décadas, para tramar entre os tres o golpe que garantiria a todos a tão sonhada “independência financeira” às custas da saude do brasileiro pobre.
O que tem acontecido é que as mentiras do PT sobre São Paulo não ficam um minuto sequer sem resposta. A contraprova vem na sequência da mentira posta no ar, e em geral no mesmo dia, como foi o caso com relação à controvérsia recente surgida com a tentativa de factóide lançada contra o sistema de prevenção do crime importada de Nova York pelo governador ou, mais ainda, com as de culpá-lo pela falta d’água em São Paulo, mesmo com ela de fato existindo e apesar das repetidas manifestações fajutas da militância profissional pela ruas da cidade.
A campanha de Alkmin serenamente trata de reportar os fatos na sequência em que aconteceram e de por no ar suscintas e contundentes reportagens sobre o estado das represas, a intensidade da seca e as medidas adotadas para enfrentar a emergência.
Os números confirmam que não ha telespectador, seja qual for a classe de renda, que não as compreenda.
Ja Marina e Aécio Neves, por mais acintosa que seja a última mentira exibida pelo PT, continuam olimpicamente falando em vagos “choques de gestão” e outras amenidades do gênero, como se essas fabricações não lhes dissessem respeito.
Alguém se lembrará de que sendo uma novata e o outro o dono de um currículo apenas estadual, não teriam o que apresentar sob esse formato jornalístico a um eleitorado nacional.
Mas não se trata de mostrar o que eles fizeram ou pretendem fazer. Trata-se de mostrar o que o PT não é mas afirma solenemente ser e, o que é melhor, pela boca dos próprios protagonistas das mentiras aventadas.
Imagine-se a edição dessa conversa sobre “a luta sem tréguas do PT contra a corrupção, doa a quem doer” entremeada das 12 vezes em que Paulo Roberto Costa, o agente colocado pelo partido para rapelar a Petrobras, se “reservou o direito de permanecer calado” na CPI, das cenas de André Vargas fazendo o mesmo gesto de Zé Dirceu e Genoíno na cara de Joaquim Barbosa, da construcão das suites especiais da Papuda, do Lula gritando do palanque que “tem o meu aval” uma mobilização da militância contra a condenação dos mensaleiros pelo STF, da “aposentadoria” precoce de Joaquim Barbosa e dos ministros amestrados do STF soltando a corja de volta pra rua. Ou de trechos de qualquer dos vídeos, catados a esmo, exibidos nesta postagem.
Qualquer estudante de primeiro ano de edição de imagens é capaz de matar a pau as mentiras petistas. Se pesquisar um pouquinho mais para tras no Youtube, então, põe os próprios mentirosos se desmentindo a si mesmos. Ou até se auto-denunciando como nos filmes que todo mundo sabe que estão lá, onde Lula explica que esquemas como o da sua “bôça família” é o mesmo truque sujo dos portugueses dando miçanga pra comprar índio. Ou aquele outro em que explica porque cooptar a familia Sarney só pode ser coisa de criminoso mal intencionado.
Seriam os responsáveis pelas campanhas de Marina e Aécio os únicos brasileiros minimamente ilustrados que não sabem da existência da internet? A esta altura já não importa. De qualquer maneira eles já são culpados de crime de lesa-pátria.
Marina Silva no Bom Dia Brasil
26 de setembro de 2014 § 15 Comentários
Foi de longe a melhor da série a entrevista de Marina Silva ao Bom Dia Brasil da Globo gravada na última quarta-feira e exibida ontem, 25 (aqui).
Perdeu-se um certo tempo no início do programa em função da obrigação dos jornalistas de ser isonômicos na criação de incômodos para os candidatos. Como Marina Silva não tem, nem ficha policial, nem currículo comparável ao dos outros dois, o jeito encontrado para fustigá-la foi insistir nas obviedades de que Aécio Neves também foi vítima na tentativa de forçá-los a tomar posição em temas que afetam diretamente parcelas eleitoralmente muito significativas da sociedade, o que acaba sendo contraproducente nos casos em que, como o do segundo e do terceiro colocados nas pesquisas faltando poucos dias para a eleição, o entrevistado está correndo atraz do prejuízo.
Vai cortar despesas? Aonde? Como vai lidar com os expedientes assistencialistas do PT? Vai mexer nos direitos trabalhistas? Como? E quanto? E com os incentivos fiscais que, bem ou mal, sustentam empregos?
É paradoxal porque essa forma de pressão – indispensável dentro de um padrão decente de jornalismo nas circunstâncias que vivemos hoje no Brasil – acaba por “congelar” no nosso panorama institucional distorções que terão de ser enfretadas um dia para que possamos finalmente entrar na corrida global sem pagar handicaps, posto que só ha uma resposta possível para essas perguntas num contexto em que qualquer voto pode fazer a diferença: sacramentar e até prometer institucionalizar esses falsos remédios que, conforme se vão cristalizando, deixam o espaço para qualquer reforma real cada vez mais apertado.
Mas diante da questão mais importante em jogo nesta eleição – a da permanência ou não do Brasil no campo democrático – e da inabalável, conquanto incrível, decisão dos jornalistas do país inteiro de não mencioná-la em seus contatos com os candidatos, tudo isso fica pequeno.
Feito o parêntese, registro que, mesmo assim, ressalvadas as exceções inevitáveis, foi Marina Silva quem encontrou a melhor saída para essas armadilhas comprometendo-se, sempre que possível, a “qualificar”, ainda que mantendo-os, os expedientes mais obviamente nocivos em uso pelo PT para cooptar grandes clientelas. Com isso ela conseguiu, ao menos, deixar uma porta aberta para extrair deles a carga mais letal do veneno que carregam.
Sim, os direitos dos trabalhadores são intocáveis mas é preciso considerar também a saude dos empregadores. Sim, os incentivos sustentam produção e empregos em setores importantes mas é preciso cobrar as devidas contrapartidas. Mexer na ordem tributária, sim, em busca de justiça na distribuição da carga, de transparência no uso e na distribuição dos recursos e de simplificação da cobrança. Ambientalismo x necessidades de obras de infraestrutura ou as necessidades do agronegócio, sim, é possível e necessário haver uma conciliação racional que equilibre esses dois objetivos em benefício da coletividade. Manter o papel social dos bancos públicos, sim, mas depois de eliminar sumariamente o sistema de cooptação que levou o BNDES a entregar mais de 500 bilhões, valendo 20 anos de Bolsa Família, a meia duzia de escolhidos do rei, alguns deles falidos…
“Qualificação”, “coexistência”, “simplificação”, “transparência”, “responsabilidade”, “responsabilização”, “segurança jurídica”…
A tranquila naturalidade e o bom senso com que procurou o exato ponto médio de cada questão controvertida com que foi confrontada; a precisão na escolha de palavras, todas elas compatíveis com os sentidos de tolerância, de prudência, de institucionalidade, de aversão ao voluntarismo, apontam para uma pessoa amadurecida e realista; segura de suas convicções mas ciente de que nem só por isso elas têm de ser impostas a toda a coletividade; consciente de que passar a trote por cima do imperativo da conciliação dos interesses em conflito custa um preço proibitivo à Nação.
Já os pontos em relação aos quais fechou inequivocamente questão dizem, todos, respeito a um mesmo e saudabilíssimo compromisso: o de não fazer concessões, vai sem dizer à corrupção escancarada que vai por aí, mas também à corrupção disfarçada em uso político e em aparelhamento dos bens do Estado para a compra de poder político, até na sua forma aparentemente mais branda mas que é na verdade a mais nociva, que é a de por em risco a estabilidade econômica para comprar votos.
Foi reiterado solenemente o compromisso com o famoso “tripé” da responsabilidade fiscal, do câmbio flutuante e das metas de inflação “que vinha dando certo desde Itamar Franco” fiscalizados por um Banco Central formalmente mandatado para fazê-lo, não, é claro, para manter uma rigidez imbecil como quer fazer crer o PT, mas para manter a moeda à salvo dos interesses do partido no poder, o que é nada mais nada menos que o divisor de águas entre os países civilizados e os que se colocam fora dessa categoria. Foi proposta, até, como forma de reforçar a intocabilidade da moeda nacional pelo poderoso de plantão e apressar a recuperação da credibilidade perdida, a criação de um Conselho de Responsabilidade Fiscal independente e suprapartidário para soar o alarme a cada vez que os limites forem violados e cobrar ação do titular do Banco Central nomeado pelo presidente.
Marina Silva, enfim, conhece a floresta. Sabe como ela funciona. Viu com seus próprios olhos como tudo, nela, depende de tudo. Como cada planta e cada animal, mantida a saúde geral do ambiente, trata de fazer a sua parte e multiplica a sua produção.
Propõe, agora, a criação de “um ambiente favorável ao desenvolvimento em que todos sejam beneficiados” (e não só os escolhidos do rei), elegendo esta como a missão essencial de um presidente da Republica: restabelecer a confiança perdida, garantir o respeito aos contratos, manter a transparência das contas públicas, segurar os gastos públicos abaixo do crescimento do PIB.
O resto é com cada um de nós.
O tratamento eco-lógico da sociedade e do complexíssimo conjunto das suas ações que constituem isto que chamamos de economia não pode ser mais apropriado.
Mas não foi só intuição que essa entrevista passou.
Um político capaz de descrever com tanta precisão a nuançada diferença entre um marco regulatório pró-mercado – o que aponta para o império da lei e para processos institucionalizados combinados com ação do Estado contra o abuso do poder econômico – e os expedientes pró-empresas, ainda que revestidos da falsa retórica anti-capitalista de Dilma Rousseff e do PT para favorecer com isenções fiscais e recursos dos bancos públicos “campeões” do tapetão sempre prontos a retribuir o favor com a “bala” que o partido requer para caçar quem o ajude a aplacar sua inesgotável fome de poder, é algo que ha muito não se via por estas plagas.
Daí a conseguir por em prática tudo em que parece que acredita vai, certamente, uma boa distância, sobretudo levando-se em conta o grau de podridão do ambiente que se propõe sanear. Mas isolamento não é exatamente o que a diferencia. Estará isolado qualquer um que de fato tente fazê-lo. Mas quanto mais revejo essa entrevista, treinado como estou em ver gente mentindo ululantemente na cara-dura, mais acredito que é isso mesmo que ela se propõe. Se Marina Silva não é sincera no que está dizendo é certo, primeiro, que aprendeu muito bem e com todas as nuances mais precisamente sensíveis as lições que porventura tenha recebido de fora e, segundo, que deveria se candidatar ao Oscar de melhor atriz.
Dilma e o Estado Islâmico
25 de setembro de 2014 § 36 Comentários
Pensei em iniciar este artigo lembrando que ao propor, de cima da única tribuna do planeta voltada para toda a humanidade, entre os costumeiros elogios a si mesma e à obra do PT, “o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU” junto aos genocidas decapitadores, estupradores, cruxificadores, chicoteadores e apedrejadores de mulheres do Estado Islâmico que têm horrorizado um Oriente Médio treinado no cotidiano da barbárie, a nossa preclara “presidenta” colocou-se à esquerda da Al-Qaeda que, antes mesmo dos governos dos países atacados pelas bestas-feras que se escondem por tras daquelas máscaras negras, renegou essa seita sanguinária e instou o mundo a varre-la da face da Terra antes que não sobre ninguém até mesmo contra quem praticar-se o bom e velho terrorismo tradicional.
Mas logo lembrei-me de que valores mais altos se alevantam ou no mínimo se sobrepõem a esse posicionamento relativo. Ao proferir impropério desse grau em plena Assembléia Geral da ONU o “poste de Lula” coloca-se abaixo do mais desinformado entre os menos informados dos homens comuns e do mais alienado entre os alienados deste mundo. Coloca-se, portanto, em algum ponto entre a indigência mental e a incapacidade orgânica de processar os dados da realidade, condição que, se fosse finalmente diagnosticada, proporcionar-lhe-ia o bonus de inocentá-la de toda a carga de ignomínia e comprometimento moral embutido na insanidade que ela propôs aos homens que governam o mundo com cara de quem dá aulas a principiantes.
Como uma coisa puxa a outra lembrei-me, então, de que sua excelência não estava ali em mais um dos seus delirantes improvisos sem edição mas sim lendo um documento cuidadosamente elaborado pela elite da sua equipe de governo que traduz a visão oficial de mundo de seu partido e que, para vergonha nacional, estava sendo apresentada ao concerto das nações como a posição oficial de todos os brasileiros a respeito da carnificina que vem horrizando até os terroristas da velha guarda.
Consolei-me, então, com as provas que o mundo tem dado de que já entendeu a diferença entre o PT e o Brasil, de que nos dá testemunho o presente estouro da boiada dos investidores internacionais para fora de nossas fronteiras, esta que assume ritmo frenético cada vez que Dilma Rousseff e seu fiel escudeiro Guido Mântega, na sua incoercível arrogância, concebe uma nova intervenção para conter os efeitos da última intervenção.
Para que essa fuga em massa se tornasse possível hoje foi preciso que tivesse havido o movimento inverso antes, que se deu quando a aposta ainda podia ser feita no Brasil e nos brasileiros por cima dos quais Dilma e o PT parecem decididos a passar a galope, convencidos que estão de que é seu destino manifesto substituir-se a nós todos e às nossas história e tradições não só no concerto das nações como na obra de construção nacional.
O lado positivo deste episódio é que, estando ele fora das injunções da eleição, pode-se dizer que constitui-se numa rara manifestação autêntica e espontânea da verdadeira anima petista que, quanto mais se aproxima o 5 de Outurbo, mais se emburaca no mar de mentiras com que eles nos vêm intrujando.
Vai-se destacando como síntese perfeita do que esse partido se tornou o prefeito da maior e mais carregada de problemas concretos entre as metrópoles brasileiras, Fernando Haddad, que deixou de lado as pranchetas e as obras públicas e adotou um pincel e uma lata de tinta como seus únicos instrumentos de “realizações” com os quais vai esterilizando, rua após rua, as fontes de geração de riqueza e criação de empregos da maior cidade do pais criando barreiras intransponíveis entre comerciantes e consumidores em troca da “demagogia ciclística” que a imprensa resolveu comprar, do esquartejamento de vias públicas sufocadas por automóveis e combustíveis eleitoreiramente subsidiados e da distribuição “socialmente determinada” de privilégios no que resta de mobilidade numa metrópole atravancada à fatia mais gorda do eleitorado.
O PT, enfim, assumiu-se como fraude.
O que apresenta como obra sua e como provas de seu desempenho tem tanto valor quanto as faixas coloridas que o sr. Haddad esparge por aí a título de prestação de contas pelo uso e pelo abuso do maior orçamento da Republica depois do da União.
As contas públicas nacionais são uma mentira, a taxa de inflação é uma mentira, os números do desemperego são mentiras, a “crise internacional” só de Dilma é uma mentira, o programa de “remissão da miséria” do PT com os 85 milhões de cheques distribuidos de mão em mão todo mês é uma mentira, os preços represados da energia, bombas de neutrons contra o nosso amanhã, são mentiras.
O alegado amor de Dilma à democracia é mentira. O compromisso com a liberdade de imprensa de quem censura até o IBGE é mentira. Suas acusações contra os demais candidatos são mentiras. A “luta sem tréguas do PT contra a corrupção”, é a mãe de todas as mentiras.
Até os “eleitores” das campanhas dos ministros candidatos do PT são mentiras.
O próprio PT e sua candidata à reeleição são mentiras, enfim.
Mas a espontânea manifestação de apreço da “diplomacia” peto-marcoaureliana pelos genocidas do Estado Islâmico é genuina e verdadeira. É, no mínimo, aquilo que no jargão do tênis seria chamado de “erro não forçado”.
Mesmo assim, enquanto as carótidas são cortadas a faca pelo Oriente Médio afora e as hordas de mães e crianças em estado de choque se espremem em pânico nas fronteiras do “califado islâmico” para escapar à única forma de “diálogo” praticada pelos amigos de dona Dilma, Aécio Neves segue, inabalável na sua fleugma, dedicando todos os escassos minutos de que dispõe na televisão a prometer vagos “choques de gestão”, programas de “recuperação da malha ferroviária” ou esquemas de “poupança estundantil” e Marina Silva vai em frente especulando vagamente sobre sustentabilidade.
Que mentira é maior que a de coonestar tanta mentira, calando-se quando confrontados com elas?
Que tal mudar a mudança?
22 de agosto de 2014 § 7 Comentários
Artigo para O Estado de S. Paulo de 22 de agosto de 2014
Passados nove dias da morte de Eduardo Campos em que a imprensa serviu doses maciças de revisões e análises da crucial eleição de 2014 onde todos se apresentam como representantes da “mudança”, nenhum fato que possa servir de referência foi fincado fora do terreno pantanoso da propaganda em que tudo continua boiando para balizar a eleição por esse critério que a unanimidade dos candidatos adicionou pelo menos ao rótulo da embalagem com que se apresenta ao público.
Mudança em relação a quê?
Desde as ruas de 2013 não ha político nem marqueteiro que tenha conseguido formular qualquer coisa de convincente.
Mas existe uma chave para esse mistério. A única mudança que não merece aspas nem é unanimidade entre todas as que aparecem nas propostas dos candidatos é aquela que, inexplicavelmente, menos para os seus protagonistas, ninguém menciona.
Mais do que propor, o partido de Dilma Rousseff impôs à mesa a carta de uma mudança daquelas que é para ser infinita enquanto durar. Continua em vigor, fazendo tres meses agora, o Decreto Presidencial nº 8243, de 25 de maio de 2014, assinado por ela, que revoga o sistema representativo eleito pelo voto universal e tira do Congresso Nacional as prerrogativas que são exclusivas dele numa democracia.
Não foi a única tentativa. Mas entre esta e a primeira muito mais coisa mudou no Brasil do que a incorporação de suites especiais ao Presídio da Papuda.
A medida da gravidade da intoxicação que acomete o país não está no fato do PT ter apresentado uma nova modelagem do seu DNA antidemocrático desde sempre conhecido mas sim na enormidade que é, depois de impo-lo ao Brasil na forma de um édito de sua majestade em pleno Terceiro Milênio ele não ter sido mencionado uma única vez em todo o debate eleitoral, nem pelos candidatos, uns interpelando os outros, nem pela imprensa cobrando de cada um que se posicione em relação a ele.
Quem, afinal, está em desacordo com isso?
A docilidade com que o Poder Legislativo segue permitindo que o seu pescoço permaneça acomodado no cêpo de uma guilhotina com a lâmina já destravada, posto que decretada e não meramente proposta a execução está, é de arrepiar os cabelos.
O Congresso Nacional, vá lá, é o que foi feito dele. Mas sendo ainda uma criatura da democracia, sempre acaba dando sinais de vida desde que a imprensa cumpra a sua função de fustigá-lo com os necessários rigor e pertinácia, tanto que esboçou reação antes que a Copa esvaziasse a pressão.
É assim mesmo que funciona.
Perseguir a corrupção faz, sim, parte do “metier”. Mas o tema da quantidade de máculas carregada por cada candidato num quadro institucional que não admite trânsito isento de vício é insuficiente para criar uma distinção livre de argumentações teóricas desviantes, ainda que as diferenças de grau possíveis nesse quesito e suas funestas consequências sejam as que se conhece. Essa linha de ação, portanto, mais serve para igualar coisas que são diferentes do que ajuda o eleitor a diferenciá-las. Não é por acaso que o “Eu sou, mas quem não é”? foi transformado, desde a segunda semana do Mensalão, praticamente na divisa armorial do brasão do lulismo.
Ha valores muito mais importantes em jogo. E, no entanto, Eduardo Campos morreu a 53 dias da decisão sem nunca ter sido instado a nos contar como se posicionava diante deste édito tão cheio de consequências definitivas da contendora de quem já tinha sido um aliado e um servidor. No país dos 30 e tantos partidos políticos, quase todos “socialistas”, aliás, qual seria a diferença entre o “socialismo” do PT, o “socialismo” de Eduardo Campos e o “socialismo” de Marina Silva?
Ninguém disse nem jamais foi-lhes perguntado.
O de Aécio Neves declara-se formalmente “democrático”, “social democracia” que seria. Mas, mesmo a ele, como aos demais, não conviria peguntar diretamente, olho no olho do eleitor, como se posicionam em relação ao menos a algumas daquelas 521 alterações na Constituição da Republica que integram o “Plano Nacional de Direitos Humanos”, programa oficial de governo do PT que, segundo a nova “Política Nacional de Participação Social” decretada pelo Palácio, passarão a ser implementadas ou não segundo o que for decidido entre o presidente e os “movimentos sociais” que o Secretário Geral da Presidência houver por bem selecionar?
Concordam, por exemplo, que todos os professores e alunos do país sejam submetidos a um programa de reeducação para entender qual a nova interpretação que o governo exige que se aceite em ordem unida, do conceito de direitos humanos? Estão de acordo com que a confirmação ou não da posse de propriedades rurais ou urbanas invadidas deva sair das mãos do Poder Judiciário e passar às dos “movimentos sociais” que tomarem a iniciativa de invadí-las? Que todas as polícias do país passem a depender e obedecer exclusivamente ao presidente? Que os ungidos do senhor secretário passem a determinar que leis os representantes eleitos de todos os brasileiros poderão examinar, o que cada um de nós poderá ou não ler e a imprensa publicar?
E à própria candidata à reeleição, não cabe pedir que nos explique, ponto por ponto, por qual tipo de matemática pode-se demonstrar ao eleitor que as novas Organizações Não Governamentais Organizadas pelo Governo (ONGOGs) o representam melhor que o representante em quem ele votou?
É da permanência ou não do Brasil no campo democrático que se trata. Ha 12 anos o país tem vivido num empurra-empurra para fora, mediante todo tipo de expediente tipificado ou não no Código Penal, e de volta para dentro dele na undécima hora, e é isto que explica porque está ficando tão difícil trabalhar aqui. E a cada tentativa abortada o elemento de resistência tem sido sumariamente eliminado, tenha o peso institucional que tiver. O que esta eleição pode mudar é acabar de uma vez por todas com esse tipo de mudança, reverter os pedaços dela que nos foram impingidos ilegalmente e reafirmar como indestrutível o pacto deste país com a democracia para que todos possamos recomeçar a trabalhar em paz.
Deus, o diabo, Eduardo e a Democracia Brasileira
15 de agosto de 2014 § 4 Comentários
É uma espécie de sina e frequentemente é em agosto: a morte entra em cena e joga espalhafatosamente no palco uma forte perturbação emocional nos momentos em que o Brasil mais precisa de racionalidade e serenidade para tomar decisões que podem selar o seu destino por décadas adiante.
Deus (ou o diabo) sempre estiveram nos detalhes, como diz o sábio ditado, e na política brasileira que não permite trânsito totalmente fora do vício, mais que no resto, o que separa o ruim do muito pior, especialmente a esta distância que chegamos do abismo a partir do qual não ha volta é, do ponto de vista da lógica argumentativa dos amigos da confusão, só uma fímbria, embora todo mundo de boa fé e com alguma memória saiba que é um pouco mais que isso. O tanto pouco que põe a diferença no gabarito do detalhe, este que bota deus de um lado e o diabo do outro.
Eduardo Campos não fez atoa a mesma trajetória de Marina de dentro para fora de um PT que, a cada um em seu momento, passou a parecer impossível de tragar. Os dois enxergavam claramente, portanto, a diferença entre a fímbria e o detalhe que, para o Brasil desta eleição, pode significar continuar dentro ou saltar para fora do campo democrático.
A partir do exato momento em que foi tragado pela tragédia, porém, Eduardo deixou de ser o que foi não apenas como entidade física mas como realidade histórica. Passou para a dimensão dos mitos onde a racionalidade não entra e espargiu uma dose desse embralhador de idéias no ar que esta eleição vai respirar.
É possível que isso ajude aqueles a quem interessa demonstrar que não ha detalhe que permita separar joio e trigo, só ha fímbria que não distingue ninguém de ninguém.
Marina Silva passa a ser a chave desse enigma e do futuro da democracia no Brasil. Eduardo feito mito deixa uma herança eleitoral maior que a que tinha amealhado vivo. E ela, que provou força insuspeitada quando oferecia a certeza de ser só o voto de protesto, com que força eleitoral ressurgirá neste país tão dado a misticismos agora que foi tocada pelo além? Ela, que já quase foi e já quase deixou de ser por ausência de carisma pessoal, como se reconstituirá na nova entidade que emergirá dessa tragédia?
Lula já começou a trabalhar os sobreviventes do Partido Socialista Brasileiro, século 20 e antidemocráticos como ele, que sempre se sentiram ameaçados por Eduardo, “O Novo”, e nunca engoliram Marina que tem vida própria e está lá só de carona. Têm medo que, Marina crescendo, eles é que se tornem os caronas.
Seu objetivo é anular a candidatura que possa vir pelo PSB, seja a de Marina ou outra (possibilidade desde já remotíssima), porque as duas roubam votos do PT, a de Marina mais que qualquer outra. Um PSB sem candidato é o seu sonho de verão porque os votos desse grupo tendem a ir para o PT mais que para Aécio, que estava no melhor dos mundos com um Eduardo que ajudava a roubar os votos que o levariam ao segundo turno mas não ameaçava a sua liderança no segundo lugar.
Agora Aécio, que também não tem “it” que chegue para eleger-se só com isso e pendura suas esperanças num voto estritamente racional, torce por Marina mas não muito, porque pode ser ela, e não ele, a ir para o segundo turno contra Dilma. E se for isso que estiver pintando nas pesquisas, Lula sempre poderá, até 20 dias antes da eleição, derrubar o “poste” e ir ele para a disputa.
O detalhe do detalhe nunca foi tão definitivamente importante quanto nesta eleição. Mas a emoção — que só Marina terá o condão de dissipar se mostrar-se grande o bastante para isso — torna bem mais difícil discerni-lo.

















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